Preenchimento: como escolher?

Características reológicas dos produtos de preenchimentos

O IMCAS (International Master Course of Aging Skin), reúne todos os anos dermatologistas e cirurgiões plásticos do mundo todo para trocar experiências, estudos e inovações. Este ano, o encontro aconteceu em Paris no final de janeiro.

A busca pela naturalidade nos procedimentos estéticos foi muito enfatizada nesse encontro principalmente no sentido de evitar a padronização e respeitar a individualidade. É fundamental ouvir o paciente e, junto com ele, fazer um planejamento antes de qualquer tratamento. Ressaltar o que ele tem de bom e corrigir, de forma natural, aquilo que está incomodando ou o que é necessário e a meta ideal.

Assim como os Bioestimuladores, os Preenchedores com ácido hialurônico e hidroxiapatita de cálcio foram temas muito importantes no desenrolar das sessões.

As técnicas de preenchimento e bioestimulação são cada vez mais utilizadas para a harmonização e embelezamento facial. Há mais demanda para essas técnicas nos consultórios dermatológicos e dessa forma o conhecimento e embasamento científico para utilizá-las são muito importantes. Devido a popularização e por que não dizer as vezes vulgarização dessas técnicas é necessário enfatizar a diferença entre os injetores. Os médicos especialistas devem ter domínio sobre a anatomia e o conhecimento das capacidades e especificidades de cada produto, diferenciando-se daqueles que aplicam o produto seguindo uma receita de bolo sem saber exatamente o que estão realizando. Portanto, o aprendizado sobre as características reológicas dos preenchedores é crucial para que a aplicação do produto não seja feita a cegas, mas sim conhecendo as necessidades e detalhes de cada lugar a ser preenchido.

Segue a discussão sobre as características reológicas dos preenchedores:

Uma das propriedades mais importantes do preenchedor é a coesividade que é definida como a capacidade do material não dissociar ou separar quando injetado na pele. Essa melhor coesividade acontece devido a afinidade entre si das moléculas do produto e garante a manutenção temporal da sua integridade. A medida de Coesividade está relacionada a maior expansão e integração do produto no local que ele é injetado.

Há um consenso que medir a coesividade de um produto é muito difícil, mas a escala de coesividade de Gavard e Sundaram validou um método reprodutível baseado numa escala de 5 pontos. Esse estudo comparou as medidas de coesividade de alguns ácidos hialurônicos entre si e chegou a algumas conclusões: Os produtos com alta viscosidade e baixa Coesividade, dispersam em microbolhas no local que são injetados. Por outro lado, os produtos com baixa viscosidade e alta Coesividade ficam distribuídos de forma homogênea quando injetados na pele. Por último, os produtos com viscosidade e Coesividade médias se distribuem de forma entre homogênea e microbolhas. Nesse estudo comparativo o ácido hialurônico comercialmente conhecido como Belotero Balance apresentou a maior Coesividade dentre aqueles estudados. Sendo assim, esse produto devido alta Coesividade quando aplicado na derme superficial e média expande o tecido de forma homogênea e inaparente. Fica evidente que quando injetamos produtos com alta Coesividade como Belotero Balance teremos mais segurança da sua distribuição homogênea evitando o efeito Tyndal e irregularidades de superfície. Produtos com maior Coesividade resistem melhor as forças externas e são interessantes para corrigir linhas finas superficiais frequentes nas áreas de maior movimentação como lábios e olhos. Também foi comprovado que a atividade da hialuronidase intrínseca é maior na derme que é também mais propensa a inflamação provocando maiores agressões aos preenchedores injetados.

O processo de reticulação também é importante para melhor performance do produto. No caso do Belotero Balance ocorre um balanço entre o ácido hialurônico reticulado e aquele não reticulado. Isso possibilita expansão coesa do produto no tecido resistindo as forças de movimentação e deixando a superfície lisa e homogênea. Um preenchedor com estas características é ideal para injetar na derme superficial e média e principalmente em áreas de maior movimentação.

Outro dado da reologia dos preenchedores muito importante é a medida de elasticidade (G’). Esta medida determina a projeção tecidual e confere firmeza e resistências em relação as forças musculares e gravitacionais.

No IMCAS foi enfatizado a importância da medida G’ em relação a hidroxiapatita de cálcio. A hidroxiapatita de cálcio é caracterizada pela mistura de microesferas de hidroxiapatita de cálcio distribuídas num gel de carboximetilcelulose². A característica mais marcante do produto é ter tripla ação enumerados a seguir: efeito preenchedor, efeito estimulador do colágeno efeito de formação de matriz de colágeno e elastina. Num primeiro momento a hidroxiapatita de cálcio quando usada sem diluição ou com a mistura de 0,5 ml de lidocaína, tem efeito de preenchimento e na sequência apresenta estímulo importante do colágeno local.

Num estudo que observou as características reológicas da hidroxiapatita comparada com os alguns ácidos hialurônico, esta apresentou a medida G’ mais alta. Nas frequências estudadas a hidroxiapatita de cálcio teve as medidas de elasticidade(G’) e do complexo de viscosidade maiores que vários outros produtos de ácido hialurônico.

Os produtos com G’ alto e complexo viscosidade alto promovem mais efeito lifting, suporte e permanecem no local injetado com mínima migração. Os produtos com alta elasticidade (G’) e alta viscosidade também tem bom efeito de volume para áreas como o sulco nasogeniano e região malar. Nas áreas de contorno também são utilizados e conseguem com pequenas quantidades definir e projetar a região da mandíbula.

Outra propriedade da hidroxiapatita de cálcio é a capacidade de estimular colágeno. Esta propriedade foi realçada no IMCAS pois há controvérsias a respeito da capacidade de estimular o colágeno dos diversos produtos de preenchimento. A capacidade do produto com hidroxiapatita de cálcio de estimular a produção de colágeno está relacionada a característica da sua microesfera tanto pelo tamanho como, homogeneidade e lisura da superfície da mesma.

Outra discussão interessante, no IMCAS  foi a possibilidade de combinação de procedimentos para potencializar os efeitos do estimulo de colágeno.

Ainda relacionada a hidroxiapatita de cálcio, uma publicação demonstra a possibilidade de melhorar o tratamento da celulite usando a combinação de hidroxiapatita de cálcio e ultrasom microfocado¹. Tanto a hidroxiapatita de cálcio como o ultrasom microfocado tem potencial de estimular colágeno. Nesse estudo após a aplicação do ultrasom e na sequência da hidroxiapatita de cálcio o resultado foi de aumento de 254% de colágeno tipo III.

São necessários maiores estudos, mas a combinação de procedimentos parece ser muito promissora.

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