O QUE É O LIPEDEMA

Publicado por Denise Steiner em

1 – O que é lipedema?

Lipedema é uma alteração da pele em que ocorre o acúmulo de tecido gorduroso principalmente nos quadris, coxas, pernas e mais raramente braços, de forma simétrica e desproporcional.

A causa do lipedema é multifatorial e ainda não está totalmente esclarecida.

A seguir estão relacionados os fatores importantes no lipedema:

  1. Hormônios estrogênicos que apresentam desequilíbrio na ação dos receptores α e β.
  2. Inflamação com predomínio dos macrófagos M2.
  3. Intestino, que geralmente apresenta leaky gut e disbiose, facilitando a entrada de LPS.
  4. Vasos – pode haver alterações vasculares com aumento da permeabilidade.
  5. Vasos linfáticos estão alterados, levando a edema importante.
  6. Imunologia, comprometimento da resistência individual.
  7. Genética – alta incidência desses genes: DQ2 – DQ8.
  8. Comorbidades frequentes como alergias, depressão, TDHA, hipermobilidade.

2 – Como se apresenta o lipedema?

O diagnóstico de lipedema é clínico, sendo necessário observar o aspecto, nódulos, flacidez, hematomas.

Além da aparência é necessário fazer a palpação para identificar os nódulos, o grau de edema e textura e qualidade de pele.

O lipedema é dividido em 5 tipos, segundo a área acometida.

  1. Quadril
  2. Quadril até joelho
  3. Quadril coxa e perna
  4. Braço
  5. Somente perna.

Além dos tipos, o lipedema tem estágios que são diferenciados pela aparência da pele.

Os estágios do lipedema estão relacionados à gravidade.

  1. Pele lisa, nódulos pequenos como ervilhas.
  2. Pele com reentrâncias e nódulos visíveis.
  3. Pele com dobras, flacidez, nódulos muito visíveis.

A paciente com lipedema tem várias comorbidades como alergia, TDHA, depressão, hipermobilidade.

Há alguns fenótipos de lipedema.

O ultrassom pode ajudar para avaliar o aspecto e intensidade.

A tomografia ajuda muito, pois é possível observar as áreas de nodulação.

Após essa avaliação minuciosa podemos classificar o fenótipo do lipedema como:

- Doloroso

- Edematoso

- Fibroso

- Intestinal/disbiose

- Pós menopausa

- Com obesidade

- Peso normal.

A bioimpedância bem como a densitometria podem ajudar no acompanhamento.

Linfocintilografia para diagnosticar linfedema, quando for o caso.

3 – Como tratar o lipedema?

O melhor tratamento para o lipedema começa pelo diagnóstico correto.

Isto não é tão simples, pois a obesidade, a celulite e o linfedema são diagnósticos diferenciais difíceis e pode haver confusão, inclusive porque o lipedema pode estar associado, com bastante frequência, a essas doenças.

O lipedema deve ser bem diagnosticado, especificando o tipo e a gravidade.

Mesmo com essas características bem definidas, ainda assim há vários fenótipos do lipedema, quais sejam:

Mulheres na menarca, na menopausa, grávidas e também com obesidade, com inflamação e com resistência à insulina.

Isto significa que há necessidade de uma anamnese detalhada e profunda, inclusive para definir comorbidades como alergias, hipotiroidismo, TDHA, depressão, hipermobilidade entre outras.

A mulher com lipedema deve ser orientada quanto ao estilo de vida, mas em geral ela não responde bem a dietas hipocalóricas e exercícios físicos tradicionais.

A dieta  ideal para o tratamento do lipedema é a anti-inflamatória e se possível cetogênica.

A drenagem linfática e meias de compressão podem ajudar a diminuir o edema.

O sono precisa ser reparador e, portanto, fazer a higiene do sono é importante.

Controle do estresse com terapia, meditação, yoga e outros podem ser muito úteis.

Drogas como a trizepatida estão sendo usadas off label e parecem ajudar ao melhorar o metabolismo e a inflamação.

Drogas como a metformina também tem um papel importante em diminuir a aromatase e inflamação.

O metabolismo estrogênico deve ser acompanhado e modulado com DIM e glutationa entre outros.

O intestino precisa ser investigado para observar se ocorre leaky gut, inflamação ou disbiose, pois nesse caso há persistência da inflamação e produção intracrina dos estrogênios.

Suplementos podem ser úteis como resveratrol, ácido lipóico, glutationa, coenzima Q10, morosil entre outros.

A suplementação irá depender de cada fenótipo.

A cirurgia de lipoaspiração para a retirada do excesso de gordura pode ser necessária, mas não deve ser nem a única e nem a primeira intervenção.

Cuide-se.

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