MELASMA – Podemos tratar com peelings médios e profundos?
1 – O que é melasma?
O melasma caracteriza-se por uma hipercromia que acomete principalmente a face de mulheres, com fototipo alto (IV – VI).
É uma doença muito prevalente, crônica, que compromete a autoestima.
2 – O melasma é uma pele envelhecida?
Recentemente o melasma foi considerado uma doença do fotoenvelhecimento com alterações histológicas similares ao da pele envelhecida.
Além disso a histologia do melasma também demonstra alterações vasculares e inflamatórias caracterizando um processo que é muito mais que excesso de melanina.
3 – O que é peeling químico profundo?
O peeling químico, por sua vez, é um procedimento em que aplicamos uma substância química na pele para promover uma agressão com respostas variáveis de renovação e remodelação. Nesse sentido, os peelings químicos vão efetuar maiores ou menores mudanças conforme a sua profundidade de ação.
Os peelings superficiais são considerados adjuvantes no tratamento do melasma. Já os peelings médios e profundos sempre foram contraindicados pelo risco de causar hipercromia pós inflamatória e até cicatrizes.
No entanto, em vista das alterações significativas da junção dermo-epidérmica e intensa elastose na derme, os peelings médios e profundos passaram a ser cogitados para o tratamento do melasma, pois não basta retirar o pigmento, mas sim renovar e regenerar a pele como um todo.
Relacionamos aqui as principais alterações histológicas encontradas nos pacientes com melasma:
- Degeneração da membrana basal
- Ruptura da membrana basal
- Melanócito pêndulo
- Elastose
- Vasodilatação, angiogênese
- Aumento dos mastócitos
- Processo inflamatório variável
4 – Por que indicar peeling médio e profundo para melasma?
Devido a essa associação do melasma com o fotoenvelhecimento, sua cronicidade, danos estruturais da membrana basal, acúmulo de melanina na derme e elastose significativa, parece haver sentido em realizar peelings profundos para tratar o melasma.
Um trabalho de nossa autoria foi publicado mostrando o resultado do peeling de fenol (Hetter) em pacientes com melasma.
Os pacientes foram selecionados com critérios rígidos, quais sejam:
Anamnese completa e detalhada.
Avaliação da saúde em geral.
Histórico do melasma (cronicidade).
Uso de medicações.
Refratariedade a tratamentos.
Expectativa.
5 – Como preparar a pele com melasma para peeling profundo?
A preparação dos pacientes foi feita com:
Ácido retinóico 0,025-0,05% ou Ácido glicólico/mandélico 5-10% - 2 a 3 vezes por semana.
Hidroquinona 4-5% 2 vezes por semana, por 3 semanas.
Hidratação com ácido hialurônico/glicerina 4 a 5 vezes na semana.
Protetor solar de amplo espectro, com cor, 3 vezes ao dia.
Preparação por 2 a 4 semanas.
Esse preparo deve cessar 2 a 5 dias antes do peeling.
É necessário evitar exposição solar, iniciando a proteção a ela 3 meses antes.
A profilaxia anti-herpética é fundamental:
Aciclovir 200 mg 5 vezes ao dia
Ou
Valaciclovir 500 mg 2 vezes ao dia por 10 dias
6 – O que é peeling Hetter?
O peeling profundo foi o de fenol na formulação de Hetter.
Esse peeling, diferente do peeling de Baker, determina os volumes exatos da combinação com auxílio da solução estoque.
A Solução estoque contém:
Óleo de cróton 1 ml + fenol 88%, 24 ml.
7 – O que é o óleo de cróton?
O óleo de cróton provém de uma planta da Indonésia e tem várias propriedades como: antioxidante, antitumor, entre outras. Ele também contém esters de forbol, que são os responsáveis pela maior penetração e irritação causadas pelo peeling de fenol.
O peeling de Hetter permite estabelecer a concentração do óleo de cróton, o que determina a agressividade do peeling.
Peeling de Hetter
Parte fixa - 5,5 ml água + 0,5 ml de sabão
Variável – fenol a 88% + solução estoque
A potência é determinada pela concentração de óleo de cróton na combinação:
1 ml estoque + 3 ml fenol 88% = 0,4% óleo de cróton
2 ml estoque + 2 ml fenol 88% = 0,8% óleo de cróton
3 ml estoque + 1 ml fenol 88% = 1,2% óleo de cróton
4 ml estoque + 0 ml fenol 88% = 1,6% óleo de cróton
Nesse sentido, as pacientes foram tratadas com o peeling de Hetter com concentração de 0,8% de óleo de cróton.
A técnica do peeling de fenol (Hetter) preconiza espalhar a substância química com pressão e de forma homogênea com várias passadas.
O pós-operatório do peeling de fenol (Hetter) é bastante impressionante.
Podemos usar uma máscara plástica com polímero ou cremes com muita oleosidade.
O resultado histológico do peeling foi impressionante.
Houve melhora na epiderme e na qualidade da membrana basal.
A quantidade de pigmento diminuiu substancialmente e as colorações específicas mostraram essa alteração de forma evidente.
A elastose praticamente desapareceu e as fibras se alinharam de forma fisiológica.
O resultado clínico foi de até 2 anos sem recidiva.
Podemos ver esses resultados nas fotos a seguir.

Das seis pacientes envolvidas no estudo, somente duas tiveram complicações, sendo uma hipercromia pós inflamatória e a outra acne.
Ambas foram tratadas e acompanhadas com melhora.
Este estudo demonstra que para alguns tipos de melasma o peeling de fenol pode ser uma ótima solução.
Cuide-se!