MELASMA É UMA DOENÇA?
1 – O melasma é doença?
Não sabemos responder a essa pergunta, sendo conhecido até os dias atuais que há um excesso de produção de melanina pelo melanócito que está superativado.
Nos últimos anos a etiopatogênese do melasma vem sendo modificado por novas descobertas de mecanismos diversos.
A pele do melasma é envelhecida com alterações degenerativas da membrana basal, onde ocorrem buracos que abrem caminho para o melanócito pêndulo.
As fibras de colágeno e elastina também estão destruídas e os vasos estão aumentados e ocorre inflamação localizada. Também existe mais mastócitos e liberação de histamina.
O paciente com melasma também tem mais oxidação que favorece a inflamação.
O papel de vários hormônios como estradiol, progesterona, hormônio tiroidiano e cortisol, estão sendo explicados, mas ainda não há domínio sobre seu mecanismo de ação e o exato papel de cada um.
2 – Melasma tem relação com o intestino?
Trabalhos recentes têm demonstrado que a microbiota intestinal e cutânea do paciente com melasma é diferente daquela do paciente sem melasma.
Outros artigos evidenciam que o paciente com melasma têm mais disbiose do que o paciente sem melasma.
No caso de haver disbiose, o estroboloma, que é formado por um conjunto de bactérias que produzem a enzima glucoronidase, desconjugam o estradiol e esse retorna à corrente sanguínea, chega na pele e volta a estimular a melanogênese.
Assim, intestino e melasma podem ter conexão.
3 – Se o melasma é doença sistêmica, como tratá-la?
Cada vez mais pensamos em tratar o melasma como uma doença sistêmica.
Temos que fazer uma abordagem completa e profunda sobre a saúde integral, sobre os medicamentos ingeridos e sobre o estilo de vida, entrando dieta, sono, hábito de exercícios, lazer e vida espiritual.
Hoje é frequente usar o ácido tranexâmico para tratar o melasma.
O ácido tranexâmico é off label, mas já tem uma posição consolidada no arsenal terapêutico do melasma.
Ele impede a formação da plasmina e indiretamente evita a conversa do queratinócito com o melanócito, a inflamação, diminui a histamina, modula a tirosinase e também a ação hormonal direta no melanócito.
A melatonina, que é um hormônio endógeno com capacidade de resguardar o ciclo circadiano e a qualidade do sono, também pode ser uma substância interessante para o tratamento sistêmico do melasma.
Ela é um poderoso antioxidante e sabemos que a oxidação está aumentada no melasma com sobra de radicais livres.
Suplementos antioxidantes também ajudam no tratamento do melasma como: picnogenol, glutationa, NAC+, ácido lipóico, vitamina C entre outros.
A vitamina D parece estar diminuindo no melasma, tornando a sua reposição essencial para o tratamento do melasma.
4 – Conclusão
O melasma já pode ser encarado como uma condição sistêmica, em que não estamos tratando uma mancha, mas sim um paciente com uma mancha.
Cuide-se.