O QUE É O LIPEDEMA
1 – O que é lipedema?

Lipedema é uma alteração da pele em que ocorre o acúmulo de tecido gorduroso principalmente nos quadris, coxas, pernas e mais raramente braços, de forma simétrica e desproporcional.


A causa do lipedema é multifatorial e ainda não está totalmente esclarecida.
A seguir estão relacionados os fatores importantes no lipedema:
- Hormônios estrogênicos que apresentam desequilíbrio na ação dos receptores α e β.
- Inflamação com predomínio dos macrófagos M2.
- Intestino, que geralmente apresenta leaky gut e disbiose, facilitando a entrada de LPS.
- Vasos – pode haver alterações vasculares com aumento da permeabilidade.
- Vasos linfáticos estão alterados, levando a edema importante.
- Imunologia, comprometimento da resistência individual.
- Genética – alta incidência desses genes: DQ2 – DQ8.
- Comorbidades frequentes como alergias, depressão, TDHA, hipermobilidade.
2 – Como se apresenta o lipedema?
O diagnóstico de lipedema é clínico, sendo necessário observar o aspecto, nódulos, flacidez, hematomas.
Além da aparência é necessário fazer a palpação para identificar os nódulos, o grau de edema e textura e qualidade de pele.
O lipedema é dividido em 5 tipos, segundo a área acometida.
- Quadril
- Quadril até joelho
- Quadril coxa e perna
- Braço
- Somente perna.
Além dos tipos, o lipedema tem estágios que são diferenciados pela aparência da pele.
Os estágios do lipedema estão relacionados à gravidade.
- Pele lisa, nódulos pequenos como ervilhas.
- Pele com reentrâncias e nódulos visíveis.
- Pele com dobras, flacidez, nódulos muito visíveis.
A paciente com lipedema tem várias comorbidades como alergia, TDHA, depressão, hipermobilidade.
Há alguns fenótipos de lipedema.
O ultrassom pode ajudar para avaliar o aspecto e intensidade.
A tomografia ajuda muito, pois é possível observar as áreas de nodulação.
Após essa avaliação minuciosa podemos classificar o fenótipo do lipedema como:
- Doloroso
- Edematoso
- Fibroso
- Intestinal/disbiose
- Pós menopausa
- Com obesidade
- Peso normal.
A bioimpedância bem como a densitometria podem ajudar no acompanhamento.
Linfocintilografia para diagnosticar linfedema, quando for o caso.
3 – Como tratar o lipedema?
O melhor tratamento para o lipedema começa pelo diagnóstico correto.
Isto não é tão simples, pois a obesidade, a celulite e o linfedema são diagnósticos diferenciais difíceis e pode haver confusão, inclusive porque o lipedema pode estar associado, com bastante frequência, a essas doenças.
O lipedema deve ser bem diagnosticado, especificando o tipo e a gravidade.
Mesmo com essas características bem definidas, ainda assim há vários fenótipos do lipedema, quais sejam:
Mulheres na menarca, na menopausa, grávidas e também com obesidade, com inflamação e com resistência à insulina.
Isto significa que há necessidade de uma anamnese detalhada e profunda, inclusive para definir comorbidades como alergias, hipotiroidismo, TDHA, depressão, hipermobilidade entre outras.
A mulher com lipedema deve ser orientada quanto ao estilo de vida, mas em geral ela não responde bem a dietas hipocalóricas e exercícios físicos tradicionais.
A dieta ideal para o tratamento do lipedema é a anti-inflamatória e se possível cetogênica.
A drenagem linfática e meias de compressão podem ajudar a diminuir o edema.
O sono precisa ser reparador e, portanto, fazer a higiene do sono é importante.
Controle do estresse com terapia, meditação, yoga e outros podem ser muito úteis.
Drogas como a trizepatida estão sendo usadas off label e parecem ajudar ao melhorar o metabolismo e a inflamação.
Drogas como a metformina também tem um papel importante em diminuir a aromatase e inflamação.
O metabolismo estrogênico deve ser acompanhado e modulado com DIM e glutationa entre outros.
O intestino precisa ser investigado para observar se ocorre leaky gut, inflamação ou disbiose, pois nesse caso há persistência da inflamação e produção intracrina dos estrogênios.
Suplementos podem ser úteis como resveratrol, ácido lipóico, glutationa, coenzima Q10, morosil entre outros.
A suplementação irá depender de cada fenótipo.
A cirurgia de lipoaspiração para a retirada do excesso de gordura pode ser necessária, mas não deve ser nem a única e nem a primeira intervenção.
Cuide-se.