MELASMA E INTESTINO

Publicado por Denise Steiner em

1 – Qual a relação entre melasma e intestino?

Trabalho

Gut microbiota-skin axis in melasma: microbial metabolites and hormonal crosstalk – FEMS Microbiology Letters – Oxford Academic, accessed June 9, 2026, https://academic.oup.com/femsle/article/doi/10.1093/femsle/fnag036/8571576.

Trabalhos atuais demonstram que os pacientes com melasma têm a microbiota do intestino e da pele diferente dos que não têm melasma.

Microbiota é o conjunto de micro-organismos que vivem no nosso intestino, pele e mucosa. Ela precisa ser equilibrada e funcional, quando então chamamos de eubiose.

Quando há pouca diversidade, desequilíbrio com crescimento anormal de micro-organismos mais agressivos, estamos frente à disbiose.

A disbiose é mais frequente nos pacientes com melasma do que naqueles que não têm melasma.

Devido a essas alterações especula-se  que a disbiose pode ter um papel importante na etiopatogênese do melasma.

2 – Disbiose causa melasma?

Agora, não podemos afirmar que a disbiose cause o melasma, mas existem alguns fatores muito significativos relacionados que podem justificar essa causa e efeito.

Quando ocorre disbiose intestinal, no melasma aumenta o conjunto de bactérias que produzem a enzima glucuronidase. Essa enzima promove a desconjugação do estradiol no intestino, o que favorece sua reabsorção sistêmica.

Esse processo é regulado pelo estroboloma, que é o nome dado a esse conjunto de bactérias.

Esse estradiol volta a circular sistemicamente e aumenta a sinalização positiva da melanogênese.

Traduzindo, o melasma piora com a ação direta do hormônio feminino (estradiol) fato esse que acontece por causa da disbiose.

Além disso, a disbiose intestinal também provoca o chamado “leaky gret”, intestino aberto, que permite a passagem de lipopolissacarídeos (LPS) que provocam inflamação e estresse oxidativo sistêmico.

Acrescente-se ainda que a pele com melasma também tem disbiose quando comparada com a pele sem mancha.

Essa pele do melasma com microbiota alterada e com disbiose também provoca mais inflamação e oxidação, criando um ambiente propício à melanogênese.

Os micro-organismos que desinflamam e equilibram a pele também estão diminuídos.

3 – Como precisamos tratar a disbiose em pacientes com melasma?

Essa pergunta é difícil de responder, pois antes de tratar precisamos diagnosticar a disbiose naquele paciente.

Esse diagnóstico não é fácil, pois na maioria das vezes o paciente não tem sintomas ou sinais dessa disbiose.

É necessário individualizar o tratamento e pesquisar pela anamnese e um bom exame de fezes, se temos indícios fortes de disbiose.

Caso positivo, os probióticos e simbióticos podem nos ajudar no tratamento.

Além disso, o estilo de vida com dieta sem alimentos processados e com alto potencial nutritivo precisa ser adotado.

Observar a qualidade de sono e também evitar o sedentarismo é fundamental.

O estresse, ansiedade e depressão precisam ser abordados quando necessário.

Suplementos ou remédios que diminuem a inflamação de baixo grau como metformina e ácido tranexâmico podem ser úteis.

Suplementos antioxidantes também são úteis quando bem indicados.

4 – Existe cura para o melasma?

Não podemos afirmar que existe cura para o melasma, mas quanto mais completa, profunda e individualizada for a abordagem do paciente, melhor será o resultado do tratamento para o melasma.

Cuide-se. 

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