Congresso Europeu de Dermatologia

Novidades do Congresso Europeu de Dermatologia – Copenhagen / 2015

O 24º Congresso Europeu de Dermatologia e Venereologia aconteceu na Dinamarca de 7 a 11 de outubro. Nesta oportunidade, além de dar aula sobre cicatrizes hipertróficas e queloides, pude compartilhar novos conhecimentos com colegas dermatologistas de várias partes do mundo.

Resumi abaixo, temas de bastante interesse público e as novidades em termos de tratamento.

 

Vitiligo

O vitiligo é uma doença crônica que causa despigmentação da pele e cujo tratamento é bastante difícil por não se conhecer a causa exata dessa dermatose.

Há alguns poucos anos, sabemos que se trata de uma doença onde a parte imunológica tem um grande papel. Os melanócitos, que produzem a melanina são agredidos e alguns fatores inflamatórios têm um grande potencial agressivo e destroem o mesmo. Recentemente foi demonstrado o papel de uma citoquina, a CXCL-10, que, quando aumentada, favorece o aparecimento do vitiligo. Com esta descoberta  corroborada por estudos recentes, podemos ter esperança em novos tratamentos para o vitiligo.

Os inibidores das prostaglandinas, como a latanoprosta, têm demonstrado algum resultado. Porém, no momento, os medicamentos existentes com essa substância têm outras indicações, como crescimento e alongamento dos cílios. A sinvastatina, que é uma droga utilizada para diminuir a tendência para o colesterol alto e também da placa inflamatória nos vasos, também tem uma ação inibitória sobre a CXCL-10, e, portanto, pode melhorar o vitiligo. Por último, a Tofacitinib, medicação inibidora enzimática da JAK, mostrou resultados no vitiligo. Trata-se de uma medicação para tratamento da artrite reumatoide (já aprovado) e que parece ter resultados positivos no vitiligo. Essa droga que é inibidora da JAK tem seu mecanismo de ação relacionado à ação anti-inflamatória, inclusive da citoquina CXCL-10 que está implicada no aparecimento do vitiligo. A medicação ainda não está aprovada no Brasil, é bastante custosa, tem alguns efeitos colaterais, mas parece ser bem interessante para essa doença que prejudica muito a autoestima e tem poucas opções de tratamento. Além de novidades para o tratamento, também é importante lembrar que quanto antes o vitiligo for tratado, melhor serão os resultados finais.

 

Melasma

O melasma também é uma doença crônica, não contagiosa e com a etiologia não totalmente esclarecida. A produção de melanina está alterada por inúmeros estímulos, como: radiação UV, estresse, entre outros.
Neste congresso foi enfatizada a importância da microvascularização no melasma. Algumas substâncias ativas no endotélio dos vasos da região estimulam o melanócito a produzir mais pigmento. Neste sentido, quando os vasos forem visíveis é importante trata-los para evitar o prolongamento e intensificação do avermelhamento e consequente hiperpigmentação. Podem ser usados lasers, como Pulsed Dye Laser e Nd Yag. O ácido tranexâmico também é uma opção de tratamento e parece melhorar a parte melanogênica e também vasculogênica. Seu papel é inibir uma interação específica entre os queratinócitos e melanócitos.
O papel da luz visível também parece ser muito importante no tratamento e controle do melasma. A luz visível agride mais as peles morenas e manchadas, produzindo maior pigmentação. A proteção em relação a esta luz é fundamental para não piorar as manchas. Temos duas situações aqui. A primeira é usar filtro solar com cor, pois não existem filtros específicos para proteger da luz visível. Outra questão é usar filtro solar com antioxidantes para neutralizar os radicais livres que também estão implicados no processo inflamatório da pele.

 

Envelhecimento

A expectativa de vida aumentou muito e também os estudos sobre os processos do envelhecimento. Várias situações interferem com o envelhecimento, entre elas a genética, nutrição e ambiente. Antes se considerava o gene como uma estrutura intacta e hoje através de estudos da epigenética (características de organismos unicelulares e multicelulares, como as modificações de cromatina e DNA), sabe-se que podem ocorrer mudanças nos mesmos, que alteram sua expressão. Sabe-se também que o ambiente influencia na expressão genética.
Uma linha muito interessante de estudo está relacionada à longevidade das células, que parece estar relacionada ao tamanho dos telômeros. As células chegam a um período de senescência (velhice) que é muito interessante, pois, ou elas param de se multiplicar ou viram células cancerosas. Um dos aspectos relacionados à longevidade maior das células é uma dieta hipocalórica, que ativa alguns receptores e as proteínas denominadas sirtuínas. Há várias possibilidades de se agir nesses receptores e haver o prolongamento da vida. Células que podem ser trabalhadas são as stem cells, que são células com grande potencial de multiplicação e também transformação em vários outros tipos celulares. Elas são chamadas células tronco e podem ser multifuncionais. A expressão genética e também o meio ambiente podem ajudar no funcionamento e comportamento das mesmas. Elas também podem rejuvenescer quando estimuladas por algumas situações ou ativos específicos.

A pessoa que poderá ter no futuro de 150-170 anos já nasceu hoje. Então algumas medidas, podem ser efetivamente tomadas para vivermos mais.

Dietas hipocalóricas; exercício moderado e constante; menos estresse e mais lazer; controle de doenças para as quais você tenha pré-disposição; manter o equilíbrio hormonal; uso de vitaminas antioxidantes conforme indicação; cremes à base de sirtuínas, resveratrol e coenzima Q10, fatores de crescimento e Stem Cells Vegetais. Todos esses itens podem contribuir para uma bela velhice.

Meeting da Academia Americana de Dermatologia
9º Congresso de Pesquisas sobre Cabelos
Congresso Europeu de Dermatologia
Congresso Mundial de Dermatologia

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