Endocrinologia

  1. Dieta para perder peso funciona?

Qualquer dieta na qual a quantidade de energia consumida é menor que a quantidade de energia gasta leva à perda do peso. De forma geral, as dietas impõem restrições radicais de alguns alimentos, o que não agrada o paladar, não supre as necessidades básicas de todos os nutrientes (carboidratos, proteínas e gordura) e muitas vezes dificulta o convívio social do indivíduo. Raramente pessoas normais são capazes de manter uma dieta por um período maior que alguns dias ou meses. O ideal é ter refeições balanceadas com uma quantidade de calorias compatível com o gasto energético do mesmo período, sem restrições radicais.

 

2 . Por que não consigo perder peso se não como muito?

O peso é definido pelo balanço entre o consumo de energia contida nos alimentos e o gasto energético das atividades do dia a dia. Se, apesar de comer pouco, gastamos menos energia do que comemos, o pequeno excesso favorecerá o ganho de peso. Um excesso de consumo de energia de 125 calorias ao dia (um pão francês) pode gerar um ganho de peso 500g ao mês ou 6kg ao ano.

 

  1. Devo abolir os carboidratos da dieta para emagrecer?

Não. Os carboidratos são a principal forma de energia proveniente dos alimentos. Sem energia o corpo não funciona bem. As dietas que restringem carboidratos (Atkins, Sugar Buster, South Beach) levam a um excesso do consumo de gorduras e proteínas. O excesso de gorduras pode piorar o colesterol e os triglicérides. O excesso de proteínas pode piorar o funcionamento dos rins.

 

  1. Devo abolir as gorduras para emagrecer (como nas dietas Dr. Ornish ou Beverly Hills)?

Não. A gordura permite absorção de vitaminas importantes para o adequado funcionamento de diferentes tecidos, por exemplo, a coagulação do sangue. Além disso, a gordura é uma importante matéria- prima para a formação do sistema nervoso, da parede das células e para a fabricação dos hormônios.

 

  1. A dieta como único tratamento para a redução de peso é eficaz?

Não. Quando reduzimos o consumo dos alimentos, o corpo também reduz o gasto de calorias para “poupar energia para a sobrevivência”, um mecanismo de defesa selecionado durante períodos de escassez de alimento. Para aumentar a eficácia da dieta é importante aumentar o gasto de energia com atividade física.

 

  1. Eu caminho todos os dias, mas não consigo perder peso. Por quê?

O gasto energético de uma caminhada depende da velocidade e do condicionamento do indivíduo. Caminhar num ritmo lento para seu nível de condicionamento não aumenta de forma significativa o gasto energético. Uma maneira eficaz de determinar o ritmo de caminhada é monitorando a frequência cardíaca. Seu médico pode orientar qual a frequência cardíaca adequada a ser mantida durante o exercício. Além disso, para “queimar gordura” é necessário que a caminhada tenha duração maior que 30 minutos. Antes desse período, a energia gasta no exercício provém de estoques de carboidratos (glicogênio muscular e renal) e não de gordura.

 

  1. Qual o tipo de exercício mais adequado para a perda de peso?

A escolha do tipo de exercício depende da composição corporal de cada paciente. O exercício aeróbico (caminhada, corrida, bicicleta ergométrica) permite uma perda de gordura associada à melhora do condicionamento cardiovascular, com pouco ganho de massa muscular. O exercício anaeróbico (musculação) permite perda de gordura e ganho de massa muscular sem melhora do condicionamento cardiovascular. A modalidade esportiva (caminhar, pedalar, nadar) deve ser um prazer incorporado ao dia a dia como uma mudança definitiva do estilo de vida para um melhor resultado em longo prazo.

 

  1. Não gosto de praticar esportes. Como posso aumentar meu gasto de energia?

Gastamos energia em todas as atividades do dia a dia, quando dormimos ou levamos o cachorro para passear. Se praticarmos alguma modalidade esportiva 30 minutos por dia, apenas 3% do total de energia utilizada neste dia será gasto no exercício. A maior parte da energia é gasta em atividades corriqueiras como trabalhar, dirigir, ler (que ocupam as 23 horas e 30 minutos restantes). Por isso é importante aumentar o gasto de energia nas atividades cotidianas, trocando o elevador pela escada, o telefonema para um amigo ao lado pela caminhada até sua mesa, a internet pelo caixa do banco. A maior parte das coisas que facilitam nossa vida (elevador, telefone, internet) faz-nos gastar menos energia e ganhar mais peso.

 

  1. Porque algumas pessoas perdem peso mais rápido que outras?

O gasto de energia, fator determinante na perda de peso, varia de acordo com a proporção de massa muscular em relação à gordura. Quanto mais massa muscular, maior o gasto energético e mais fácil é a perda de peso. Indivíduos sedentários têm menor quantidade de massa muscular, menor gasto energético e mais dificuldade em perder peso após uma dieta. Além disso, durante o envelhecimento ocorre perda de massa muscular e ganho de gordura, o que torna cada vez menor o gasto energético de nosso corpo.

 

  1. A ansiedade pode causar obesidade?

Sim. Existe uma doença chamada transtorno compulsivo alimentar (TCA), caracterizada por surtos de excesso de alimentação relacionados a períodos de maior ansiedade. Durante esses surtos, o paciente alimenta-se mesmo sem apetite e muitas vezes só interrompe a refeição devido à sensação de desconforto intenso ou porque o alimento acabou. Após a ingesta alimentar pode ocorrer sensação de culpa, tristeza e sintomas depressivos. O uso de medicações para o tratamento da ansiedade controla o TCA e pode auxiliar na redução de peso.

 

  1. Qual a melhor forma de comer para perder peso?
  • O total de calorias consumidas nos alimentos deve ser menor que a energia gasta durante o mesmo período;
  • A quantidade de energia consumida deve ser suficiente para a prática de atividades físicas com a finalidade de aumentar o gasto energético;
  • Todos os nutrientes (carboidratos, proteínas e gordura) devem ser consumidos em quantidade mínima para suprir as necessidades do indivíduo;
  • Os alimentos devem ser fracionados em três refeições principais, intercaladas por lanches a fim de evitar períodos de jejum prolongados;
  • Consumir preferencialmente alimentos de baixo valor calórico;
  • Aumentar o consumo de frutas e verduras;
  • Reduzir o consumo de massas e pães brancos (carboidratos de absorção rápida);
  • Reduzir o consumo de carnes gordurosas e gordura de origem animal.

 

  1. Às vezes, só percebo que comi demais após a refeição. Por que isso acontece?

Assim como a fome nos faz comer, a saciedade nos faz parar de comer. A saciedade só é percebida após a ativação do sistema nervoso pela distensão do estômago e pela liberação de alguns hormônios, o que leva alguns minutos. Se o tempo que dedicamos a uma refeição é curto, não percebemos a saciedade e comemos mais que o necessário. O ideal é escolher uma salada antes do prato principal a fim de distender o estômago com um alimento de baixo valor calórico, mastigar bem e comer devagar, desfrutando a refeição. Devemos comer em um ambiente calmo, longe da televisão e do trabalho. Devemos ter tempo para sentir saciedade antes de terminar a refeição.

 

  1. No café e no almoço tenho pouco apetite, quase não como nada, mas no jantar acabo comendo muito. O que fazer?

Devemos fracionar os alimentos ingeridos no dia em três refeições principais intercaladas por lanches breves, mesmo sem apetite. O enchimento gástrico e a energia proveniente dos alimentos de uma refeição prévia reduzem o apetite na refeição seguinte. Além disso, uma oferta menor e mais constante de energia no decorrer do dia permite um melhor balanço entre consumo e gasto energético. Se o consumo de calorias ocorre num período de pouco gasto energético, isto favorece a transformação da energia excedente em estoque de gordura.

 

  1. Quais são e como agem as medicações mais prescritas no tratamento da obesidade?

As medicações mais usadas no tratamento da obesidade são as anfetaminas, a sibutramina e o orlistat. As anfetaminas inibem o apetite de forma potente, porém perdem o efeito com o passar do tempo levando a aumentos sucessivos da dose, podem causar dependência e provocam efeitos colaterais importantes como palpitação e ansiedade. Após a suspensão da anfetamina os pacientes rapidamente ganham o peso perdido e podem engordar mais do que antes do tratamento. A sibutramina age de forma mais seletiva na inibição do apetite e causa menos reações adversas em relação às anfetaminas, porém seu efeito é menos potente. O orlistat reduz a absorção intestinal de gordura, diminuindo o total de calorias absorvido após a refeição. O consumo excessivo de gordura durante o uso de orlistat pode aumentar o teor de gordura nas fezes, causando dor abdominal, diarreia e flatulência.

 

  1. Como funcionam as cirurgias para redução do peso?

As cirurgias mais utilizadas reduzem o volume do estômago através da colocação de uma faixa que o envolve ou da retirada de uma parte do estômago. Após a cirurgia, pequenos volumes de alimentos causam sensação de enchimento gástrico e refluxo, forçando o indivíduo a ingerir menos alimentos. Além de reduzir o estômago, as cirurgias podem diminuir a capacidade de absorção dos alimentos pelo intestino através da mudança do trajeto do tubo gastrointestinal. Os pacientes obesos perdem peso de forma significativa, mas apresentam risco considerável de complicações graves durante a cirurgia. Após a cirurgia é frequente a ocorrência de problemas digestivos em consequência da redução do estômago e da capacidade de digestão e absorção dos alimentos. Devido ao risco cirúrgico elevado, essa modalidade de tratamento só é indicada para portadores de obesidade mórbida.

 

  1. As doenças de tireoide podem influenciar o peso?

Sim. O hormônio da tireoide determina o ritmo de funcionamento de todo corpo: frequência cardíaca, ritmo intestinal, produção de suor, crescimento ou queda dos cabelos e gasto energético. O excesso de hormônio (hipertireoidismo) devido a uma doença da tireoide provoca aumento da frequência cardíaca, elevação do ritmo intestinal e principalmente maior gasto energético, levando a perda de peso significativa. Por outro lado, a falta de hormônio (hipotireoidismo) causa redução da frequência cardíaca, do ritmo intestinal e do gasto energético, porém o ganho de peso que se verifica é sempre discreto e em geral não causa obesidade.

 

  1. O excesso de peso pode causar diabetes?

Sim. O risco de diabetes é maior em pessoas acima do peso, principalmente quando a distribuição de gordura é maior na região abdominal. A chance de ter diabetes também é maior nas pessoas magras com gordura restrita à região abdominal. A mudança do estilo de vida com a diminuição da ingesta de alimentos e a realização de atividade física em pessoas diabéticas é uma forma eficaz de tratamento e que pode controlar os níveis de glicose no sangue sem uso de medicação.

 

  1. O excesso de peso pode causar alterações do ciclo menstrual?

Sim. O ciclo menstrual é delicadamente controlado pela glândula hipófise (localizada abaixo do cérebro) através da liberação de dois hormônios. No início do ciclo menstrual, a hipófise fabrica o hormônio estimulador do folículo (FSH). Sob estímulo do FSH, os folículos ovarianos crescem e aumentam a produção do estrogênio, hormônio que estimula o crescimento das células que formam o revestimento interno do útero, preparando-o para descamar durante a menstruação. Quando o nível de estrogênio atinge um valor elevado, a hipófise libera o hormônio luteinizante (LH), que induz o rompimento do folículo liberando um óvulo contido no seu interior (ovulação). O folículo sem o óvulo transforma-se em corpo lúteo, estrutura que produz progesterona, hormônio que causa a descamação do endométrio, acarretando o sangramento menstrual. O excesso de gordura prejudica a liberação dos hormônios da hipófise e a ovulação, tornando o ciclo menstrual irregular e dificultando a gravidez.

 

  1. O excesso de peso causa aumento dos pelos?

Sim. A gordura tem a capacidade de converter os hormônios femininos em hormônios masculinos (andrógenos). Quanto maior a quantidade de gordura corporal, maior a produção dos andrógenos. Os andrógenos estimulam o funcionamento das glândulas sebáceas e a formação de pelos em algumas regiões do corpo como face, região abaixo do umbigo, raiz das pernas e braços, tórax, dorso e ao redor do mamilo. A eficácia de tratamentos estéticos para excesso de pelos também depende da perda de peso.

 

  1. O excesso de peso causa problemas de ereção?

Sim. Homens obesos apresentam redução dos níveis de testosterona e podem apresentar queda da libido e disfunção erétil. A redução da gordura corporal melhora os níveis de testosterona, melhora a função erétil, além de aumentar a confiança e a autoestima, o que pode melhorar a performance sexual.

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