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Envelhecimento Mitocôndira e Coenzima Q10. Qual a relação? 

Discutir sobre o envelhecimento é ponderar sobre nosso limite frente ao tempo. Este ser cruel e destemperado caminha ininterruptamente à mercê de nossos desejos e em oposição as nossas tentativas de contê-lo, deixando suas marcas visíveis, estampadas em nossa face.

Este ser belo e certeiro tece a nossa história, acumula nossas lembranças, constrói nossa sabedoria. A humanidade, em tempos e espaços distintos, lidou com os limites do tempo de maneiras múltiplas, concebidas com reflexo de sua época. E assim segue sendo...

MECANISMO DO ENVELHECIMENTO

O envelhecimento caracteriza-se pelo desgaste de vários setores do organismo humano, gerando funcionamentos inadequados que culminam em alterações incompatíveis com a vida. São muitas as teorias que tentem explicar o mecanismo do envelhecimento, mas nenhuma delas compreende, satisfatoriamente, a gênese completa deste processo.

A longevidade maior de certas raças, e mesmo em certas famílias, reforça a ideia da influência genética em relação ao envelhecimento. As informações genéticas, com o tempo, talvez se tornem inadequadas, propiciando defeitos incompatíveis com o funcionamento celular perfeito.

O sistema imunológico, responsável pelo processamento das defesas do organismo, também se desgasta com o passar do tempo. As funções imunológicas, principalmente aquelas ligadas à imunidade celular, tornam-se ineficientes, propiciando ao idoso maior número de processos infecciosos, inflamatórios e carcinogênicos.

Outra teoria conhecida, a dos radicais livres, também pode explicar o desgaste de vários órgãos do corpo humano. Radicais livres são moléculas que, em sua órbita externa, apresentam elétrons solitários ou despareados, sendo portanto, instáveis ou reativos. Para atingir a estabilidade, estas moléculas captam elétrons de outras moléculas químicas e também de componentes vitais, tais como DNA, elementos cito esqueléticos, membranas e proteínas celulares.

A peroxidação lipídica, uma das sequelas geradas pela ação dos radicais livres, causa danos às membranas celulares e leva ao envelhecimento da pele, aterosclerose e outros sinais de envelhecimento.

Além do envelhecimento cutâneo, as espécies reativas de oxigênio estão implicadas nos processos de carcinogênese e inflamação. Os radicais livres são formados naturalmente pelo metabolismo humano, mas fatores como a poluição do ar, tabagismo, exposição à radiação, exercícios físicos, álcool, processos inflamatórios e ingestão de certas drogas ou materiais pesados podem também ser fontes de espécies reativas como os superóxidos, ânion hidroxila, peróxido de hidrogênio e unidades simples de oxigênio.

AGENTES ANTI ENVELHECIMENTO

O mecanismo de defesa antioxidante do organismo tem como principal função, inibir ou reduzir os danos causados às células pelas espécies reativas de oxigênio. O mecanismo de ação dos antioxidantes permite classificá-los como antioxidantes de prevenção, impedindo a formação de radicais livres, varredores, que barram o ataque de radicais livres às células, e de reparo, que favorecem a remoção de danos da molécula de DNA e a reconstituição das membranas celulares danificadas. Várias substâncias como as vitaminas C, E, A, selênio e zinco, têm papel importante na proteção contra agentes envelhecedores. Os antioxidantes solúveis em gordura são encontrados na porção lipofílica da membrana celular e incluem, por exemplo, a vitamina E e a CoQ10.

O coração da produção de energia celular está concentrado na mitocôndria, organela responsável pela “respiração celular”, produzindo energia para manter vivos e ativos todos os tipos celulares. No entanto, no próprio processo de oxigenação (respiração) também existe a formação constante de radicais livres, que são responsáveis pelo desgaste, destruição e envelhecimento celular. A mitocôndria, quando agredida por estes radicais livres, pode ter sua função alterada, prejudicando o processo de produção de energia celular.

Uma vez que o DNA ou uma proteína mitocondrial são efetados, todo tecido sofre já que a produção energética celular fica comprometida. Por exemplo, no caso do fibroblasto, a produção de colágeno seria deficiente, a derme teria menos quantidade desta fibra de sustentação e a pele perderia a firmeza. Assim, manter a integridade mitocondrial é fundamental para o bom funcionamento tecidual e a jovialidade cutânea.

MÚLTIPLAS FUNÇÕES DA CoQ10

A coenzima Q10, molécula lipídica, apresenta um papel fundamental no metabolismo da mitocôndria. Ela é sintetizada pela via do mevalonato e, subsequentemente, é convertida para a sua forma ativa reduzida que é ubiquinol-10 (CoQ10H2), sendo transportada por lipoproteínas. Ainda na forma reduzida, a CoQ10 age como um antioxidante fenólico, neutralizando os radicais hidrogênicos. Além da ação biológica antioxidante, a outra principal função da CoQ10 é servir de combustível à respiração celular. Esta evidência foi demonstrada em vários modelos biológicos in vivo e in vitro. Outros estudos também demonstram que a CoQ10 regenera a vitamina E, que também é um poderoso antioxidante. A ação antioxidante da CoQ10 ocorre somente na sua forma reduzida.

Hope ET al. comprovaram que a aplicação tópica de CoQ10 reduz o nível de oxidação. Além disso, no processo respiratório de fosforilação, a CoQ10 também protege os componentes celulares da ação dos radicais livres. Uma das estratégias na pele para evitar o envelhecimento é manter as células com boa produção de energia mantendo sua respiração, prevenindo-a dos danos causados pelos elementos oxidantes. Há uma correlação forte entre o declínio da função celular pós-estresse oxidativo da célula e a diminuição dos níveis de coenzima Q10. Já em 1999, Hope ET al. desenvolveram a teoria demonstrando que os danos oxidativos em geral no DNA da mitocôndria levam a uma diminuição da função respiratória celular.

Os danos à mitocôndria, quando acumulados pela idade, levam a um prejuízo da sua função, propiciando desgastes ao organismo. Por esse motivo também ocorre a deficiência de várias enzimas e o aumento de radicais livres, o que acelera os fatores de envelhecimento. A Teoria do Envelhecimento Mitocondrial, relacionado ao aumento dos radicais livres, está diretamente relacionada ao envelhecimento.

A CoQ10 é um poderoso antioxidante que protege a mitocôndria e outras estruturas de desgastes e danos pela oxidação. Trabalhos mais recentes têm demonstrado que a CoQ10 também interfere na expressão de alguns genes. A coenzima Q10 é fundamental como substância ativa no processo de respiração e produção da energia celular. Ela age especificamente na mitocôndria, que é a estrutura produtora de energia na célula.

É natural que, devido a essas funções ligadas à ação antioxidante ativadora de energia celular e influência na expressão de genes, a CoQ10 passa a ter um papel fundamental no tratamento do envelhecimento. Hoje seu papel terapêutico é muito estudado na área da cardiologia, porém vem aumentando o número de estudos correlacionando a mesma ao envelhecimento.

Segundo o artigo Aging, mitochondria anda coenzyme Q10: The relationship da autora Emile Bliznakov, os níveis endógenos de coenzima Q10 começam a diminuir a partir dos 20 anos de idade, independentemente de processos envolvendo doenças. Sua suplementação parece melhorar a produção de energia dentro da célula e preservar as estruturas da oxidação. Neste sentido, não devemos esquecer e negligenciar esse poderoso ativo que, associado a outros antioxidantes, pode preservar o organismo do desgaste e prevenir em relação ao envelhecimento cutâneo e geral.



 

 

 

 

 

 

 

 

 

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2004 © - Dermatologia - Dra. Denise Steiner - Dermatologista - Todos os direitos reservados
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