Conheça mais sobre as NOVAS DOENÇAS INFECCIOSAS e variantes importantes das VELHAS DOENÇAS INFECCIOSAS

O Meeting da American Academy of Dermatology (AAD) é um dos eventos mais concorridos da Dermatologia Mundial. É lá que os médicos entram em contato com as grandes novidades e tendências em tratamento de doenças da pele, lançamentos em tecnologias, equipamentos e produtos. O encontro deste ano ocorreu em Orlando, na Flórida, em março desse ano.

Vários temas importantes foram discutidos, mas um em especial chamou a atenção por mostrar mais um efeito colateral de um modismo que se espalha pelo mundo. Já se discutiu muito os acidentes que acontecem por pessoas que se distraem para tirar as selfies, mas a novidade apontada no encontro dos dermatologistas, é que pode facilitar a transmissão de PIOLHOS que acomete, principalmente, crianças e jovens em idade escolar. 53% das pessoas nessa faixa etária passam por essa experiência, segundo especialistas.

Ao fazerem as selfies, as pessoas encostam a cabeça uma na outra e facilitam o contágio dessa doença, causada por um ácaro. Ela é muito contagiosa, então acredita-se que possa haver um aumento no número de casos, até em pessoas adultas, por conta desse modismo.

A fêmea do piolho produz até dez ovos por dia. A lêndea, que é uma espécie de ovinho, se fixa na raiz do cabelo por meio de  uma substância parecida com uma cola. Além da coceira constante e irritante, a infestação pode causar feridas e levar à anemia, nos casos mais graves, já que o piolho se alimenta do sangue do hospedeiro. Durante o encontro foi apresentado um novo produto que representa um avanço no tratamento da doença. Normalmente se usa um medicamento que pode ser a ivermectina via oral, ou se usa alguma substância de uso local que consegue matar o ácaro, mas o ovo permanece. Agora foi desenvolvida uma nova medicação que consegue fazer com que o ovo não se abra. Dessa forma, ele fica ressecado, acaba caindo e não abre. Não abrindo o ovo, não há persistência dessa parasitose na pessoa comprometida.

Outra pauta apresentada durante o encontro, foi a ZIKA – Essa doença é causada por um arbovírus e pode ocorrer um avermelhamento no corpo, um rash cutâneo como se fosse uma alergia. Também pode haver queda de cabelo, principalmente depois de uns 15 dias. É uma doença sexualmente transmissível, muito perigosa por causar a microcefalia, que acontece entre 1% a 13% dos casos. A mulher deve evitar por 6 meses a concepção depois de ter viajado para um local onde há a doença. O mais interessante citado no meeting, é que não existem vacinas, mas como o tratamento é necessário por conta do perigo da doença, pesquisaram remédios para tratar o zika vírus e citaram quatro drogas, uma delas é a daptomicina, que é na verdade um antibiótico da categoria B; pode ser usado com uma certa segurança em grávidas. Também se falou sobre a sertralina, que é um antidepressivo. Assim como a ivermectina, que é um tratamento para parasitas e se usa para tratar o piolho, por exemplo. Tanto a sertralina quanto a ivermectina são categoria C, ou seja, já pode existir algum risco para o feto. Não houve nada de novo em relação aos repelentes, mas ainda continua sendo muito importante que se possa proteger e evitar a picada enquanto não há vacinas ou drogas contra esse mosquito.

E por fim, a SÍFILIS foi abordada durante o evento, pois está retornando com muita intensidade, e também há o problema em geral de se conseguir penicilina para tratá-la. Já se começa a perceber a chegada de pacientes com sífilis no consultório. É uma doença sexualmente transmissível causada por um treponema e ela tem três fases. Na primeira é uma fase onde aparece uma pequena ferida na área genital, ou na área do contato sexual que pode ser, por exemplo, na boca. Na segunda parte, o treponema está disseminado e a pessoa pode ter caroços ou pápulas pelo corpo todo; as palmas das mãos e as plantas do pé ficam bastante comprometidas com manchas avermelhadas, a pessoa pode ter queda de cabelo bastante intensa e também sintomas de faringite, rinite, acompanhando esse quadro de secundarismo. Se não for tratada, ela pode persistir e se localizar em órgãos como a pele, dando lesões mais infiltradas ou espécies de tumores, ou comprometendo outros tecidos como os ossos. Então, em relação a sífilis, é muito importante lembrar dela, pensar nesse diagnóstico, principalmente quando tiver rash cutâneo, avermelhamento, caroços, queda de cabelo acompanhando. E a minociclina, que é um antibiótico da família das ciclinas, é também uma alternativa para o tratamento. É muito importante tratar a sífilis precocemente. Se a mulher estiver grávida e tratar até o quarto mês, não há passagem para o feto, mas se não for tratada, essa criança já pode nascer com sífilis.

Verão e mosquitos

Estamos num país tropical que é muito ensolarado, quente e úmido, além de possuir uma grande variedade de mosquitos e insetos. No verão, época de férias escolares e viagens, é muito importante alguns cuidados em relação as picadas de pernilongos e insetos. Todos nós sabemos que alguns deles transmitem doenças graves, como Dengue, Zika, Chikungunya e Febre Amarela.

O Aedes Aegypti é o inseto mais perigoso e resistente. Ele é aquele mosquito listrado de branco e preto, espalhado em todo o Brasil. É interessante frisar que esse mosquito está mais presente no começo da manhã e final da tarde, momentos onde devemos ter a maior proteção.

Hoje a proteção em relação a esses mosquitos é feita com repelentes de uso local. O repelente é uma formulação que contém alguma substância agressiva em relação ao mosquito. Apesar de proteger em relação a picada, ele não pode ser repetido inúmeras vezes, pois tem algum grau de toxicidade, principalmente para as crianças e grávidas. Sendo assim, devemos contar com outros métodos protetores, como:

1- Fechar as janelas com telas de proteção nos horários mais críticos e usar mosqueteiros nos berços de crianças pequenas.

2-Usar roupas com trama de tecido bem fechada, que ajudam na proteção.

3-Usar obrigatoriamente, quando fizer passeios na mata ou trilhas, calças compridas leves e blusas com mangas compridas, além de meias, sapatos ou tênis.

4-Utilizar o ar-condicionado, sempre que possível, pois temperaturas mais baixas diminuem a quantidade de mosquitos e insetos.

Existem alguns tipos de repelentes, porém o mais utilizado é aquele com Icaridina 20 a 25% e com duração de 4 a 10 horas. É importante a leitura atenta do rótulo do produto, que deve ser bem espalhado nas áreas expostas e em quantidade que seja suficiente para cobrir a pele de forma homogênea. Não adianta passar o repelente e se cobrir ou colocar roupa por cima. O repelente não deve ser passado infinitas vezes; primeiro porque tem duração prolongada e segundo, porque tem algum grau de toxicidade.

Nos locais ensolarados, o filtro solar precisa ser utilizado sempre antes do repelente. As roupas usadas nas férias e em todas essas situações devem ser folgadas e de preferência claras. Evitar perfumes de qualquer tipo porque esses atraem os insetos. Os repelentes podem irritar a área dos olhos e não devem ser ingeridos. Os pais não devem deixar o produto ao alcance das crianças e as mesmas não devem usar os repelentes sozinhas, mas sim com o auxílio de um adulto.

Não esquecer desses cuidados para evitar o contágio de doenças graves que podem ter consequências irreparáveis.

O que você ainda precisa saber sobre repelentes:

Existem várias doenças que são transmitidas por insetos causando danos irreversíveis e até morte. Infelizmente a dengue já comprometeu mais do que 50 milhões de pessoas e agora, o Zica está provavelmente associado a microcefalia, tornando a gravidez um grande risco nesse momento. Portanto, enquanto não existe vacina ou tratamento específico, é muito importante usar repelentes que evitam picadas de insetos.

Os repelentes tópicos atuam formando uma camada de vapor acima da pele, que tem odor repulsivo para os insetos. Eles podem ter várias apresentações como aerossol, gel, loção e spray.

Muitos fatores diminuem a eficácia dos repelentes, como a presença de inflamação e alergia na pele, ingestão de álcool, vestimentas coloridas e escuras, umidade, calor, perfumes florais, entre outros. Sendo assim, é importante realçar que o repelente não protege igualmente todos os seus usuários. Cada 10°C a mais na temperatura ambiente, pode diminuir em até 50% a eficácia do repelente. No Brasil, em certas regiões muito quentes, este fato é muito relevante, deixando as pessoas desprotegidas. Existem basicamente três substâncias que têm ação cientificamente comprovada contra o mosquito, conforme mostra a tabela abaixo:

Princípio ativo Concentração Tempo de proteção
DEET 6-14% 2h
Icaridina 25-50% 5 – 10h
IR 3535 ——- Até 4h
Óleo de citronela 1,8% Até 2h

Estas substâncias são eficazes em proteger a pele e também em relação ao aedes aegypti, porém a duração de cada componente é diferente, sendo assim, importante realçar que vários produtos protegem contra a picada do aedes aegypti e que a bula, com instruções de cada um, tem que ser lida para saber a duração de cada produto.

O uso do repelente em crianças menores de 6 meses é contraindicado formalmente. Em crianças de 6 a 24 meses ele deve ser usado em situações de risco. As crianças entre 2 a 12 anos devem usar o produto, de preferência com a especificação para esta idade. Os trabalhos científicos advertem que em crianças é melhor utilizar a menor concentração efetiva.

Em relação aos ativos existentes, a Icaridina, em concentrações de 10%, confere proteção de 3 a 5 horas e com 20% de 8 a 10 horas, sendo recomendável para crianças e grávidas, pelo tempo menor de duração. Sua reaplicação pode ter intervalos maiores. A potência dessa substância, em relação ao aedes aegypt, é de 1,1 a 2x mais potente que o DEET. O IR3535 é um biopesticida sintético usado há mais de 20 anos em concentração de 10% e protege de 4 a 6 horas, sendo seguro para gestantes e crianças. Outros repelentes com óleos naturais, como de soja ou citronela, têm duração menor e precisam ser repetidos muitas vezes.

Sempre há a preocupação com o uso excessivo de repelentes, pois os produtos podem ter alguma toxicidade, principalmente em grávidas e crianças. Pode haver reações adversas, que em geral são leves, como coceira, urticária, alergia de contato, erupção bolhosa e irritação ocular. Há relatos mais raros, como complicação neurológica, irritabilidade, tremores, fraqueza e até encefalite.

Sempre lembrar que a proteção, além dos repelentes, é muito importante, como mosquiteiro, telas e roupas com tecido claro e de trama fechada. O mosquito tem atração pelas cores mais escuras e também por aromas como perfumes. As telas e os mosqueteiros podem ser impregnados de permetrina.

Durante a noite é inútil usar repelentes, pois o lençol ou coberta tira a ação do mesmo. Assim como não adianta passar repelente e colocar roupa por cima, mas ele pode ser usado por cima da roupa.

Orientações de uso:

Passar uma quantidade suficiente para cobrir a pele. Evitar o uso em qualquer mucosa (nariz, lábios, olhos), pois são irritantes.

A ação do repelente limita-se a um raio de 2cm; então distribuir bem na área. Protege até 4cm acima da pele.

Deve-se repetir o uso conforme orientação do fabricante. Evitar usar mais do que 3 vezes ao dia.

Não adianta usar e colocar roupa ou lençol por cima.

Quando há necessidade de usar filtro solar ou hidratante, o repelente é sempre o último a ser usado.

Não ser usado em crianças menores de 6 meses. Crianças de 6 meses a 2 anos, só aplicar 1 vez ao dia. Crianças de 2 a 12 anos e grávidas aplicar até 3 vezes ao dia. Os pais devem passar nas crianças e não permitir que as mesmas manipulem o produto.

As grávidas devem seguir a mesma orientação e cuidados que as crianças.

Todos os repelentes com DEET, Icaridina e IR3535 funcionam contra o aedes aegypti, porém tem duração diferente.

Fatores ambientais e genéticos podem influenciar na duração do repelente.

Cada 10º a mais de calor diminui dramaticamente a ação do repelente.

Todas as proteções, além do repelente, são importantes e interessantes.

Após o término do tempo de duração do repelente, a pele deve ser lavada com água e sabão.

Evitar protetores solares com repelentes, pois são ineficazes.

Lave sempre as mãos, após manipular os repelentes.

Não durma com repelente.

Se tiver reação na pele, procurar um dermatologista.

Mosquito Aedes aegypti

Infelizmente as últimas notícias sobre a área de saúde nos comunicam sobre o aparecimento de muitos casos de microcefalia, que podem estar associados a infecção pelo Zica vírus. Essa doença é transmitida pelo mesmo mosquito, o Aedes aegypti, que causa a dengue.

A microcefalia traz transtornos graves e está frequentemente associada a retardo mental, deficiências motoras e infelizmente é irreversível. Há anos lutamos contra esse mosquito; agora é importante intensificar a luta e evitar a todo custo criadouros do mesmo.

A pele está sujeita a picada do mosquito e quanto mais exposta, maior a chance disso ocorrer. Uma alternativa muito importante é o uso de repelente de insetos, que protegerá em relação a picada do mosquito. Os repelentes são formulações químicas que quando passadas na pele formam uma espécie de nuvem, recobrindo a superfície que dificulta e repele a permanência do Aedes aegypti. Existem alguns tipos de repelentes diferentes conforme a composição de ingredientes como: DEET, icaridina e substância IR35.

Crianças com menos de 6 meses não devem usar repelentes de qualquer tipo, pois o grau de absorção pode causar toxicidade. Entre os 6 meses e 2 anos os repelentes têm que ser especiais e fórmulas com concentrações mais baixas do produto ativo. As crianças de 2 a 12 anos também não devem utilizar os produtos com concentração química dos adultos. Todos os repelentes existentes no mercado são eficazes na proteção contra o Aedes aegypti e outros mosquitos. As instruções de uso de cada repelente devem ser lidas com cuidado, pois existem indicações diferentes conforme a concentração. Ele deve ser bem espalhado e usado por último, após o hidratante e o filtro solar. O produto tem ação durante algumas horas e deve ser repetido para manter a proteção. O Aedes aegypti tem hábitos diurnos e, portanto, o repelente não precisa ser usado à noite quando a pele deve ser lavada para que não permaneçam resíduos por muitas horas. A retirada do repelente deve ser feita antes de dormir e principalmente nas crianças. Independentemente da idade, os repelentes também podem causar irritações e alergias e nesse caso, devem ser descontinuados.

A proteção, em relação aos mosquitos também pode ser feita com roupas, de preferência brancas, pois o colorido atrai ainda mais os mosquitos, telas, redes finas. Toda proteção adicional é válida.