VITILIGO

O vitiligo é uma doença de pele que causa manchas brancas acrômicas, tipo leite, em qualquer parte do corpo, podendo comprometer, inclusive, os pelos. Essa doença ocorre muito em jovens e crianças acometendo, praticamente, 2% da população mundial.

Embora, na maioria dos casos, o vitiligo não apresente nenhum aspecto de perigo à pessoa acometida, nem seja contagioso, é um tipo de doença de pele que causa um grande impacto na autoestima das pessoas devido à sua característica inestética. Os pacientes com vitiligo têm a parte psicológica bastante crítica, porque não há quem suporte as mudanças de cor em sua pele.

Recentemente, descobriu-se que há alterações imunológicas no vitiligo e que esse fato tem interferência direta com o aparecimento das manchas. Contudo, ainda não se sabe exatamente as causas dessa doença. Há algumas teorias para explica-las e a mais importante é a que o vitiligo é uma doença autoimune, ou seja, um mal onde o organismo produz auto-anticorpos contra estruturas dele próprio. Isso ocorre em relação à célula que produz o pigmento denominado melanócito.

Já foram detectados auto-anticorpos contra o melanócito em indivíduos com vitiligo, especialmente naqueles em que a doença está em atividade. O tratamento dessa doença sempre foi um desafio para os dermatologistas, e até há pouco tempo, as únicas terapias viáveis para tratar as manchas do vitiligo contavam sempre com a utilização da luz ultravioleta.

O tratamento é feito com medicação sistêmica e/ou via oral utilizando-se quase sempre uma radiação ultravioleta fototerapia para estimular a pigmentação. Além disso, o médico pode adotar medidas como a prescrição de vitaminas que sejam anti-oxidantes (vitamina C, por exemplo), que combinados a outros fatores como ácido fólico e vitamina B12, podem ajudar significativamente na fabricação de melanina.

Vale destacar que qualquer tipo de tratamento aqui citado deve ser prescrito e acompanhado pelo médico. Existem ainda os tratamentos à base de aminoácidos e fenilalanina que também são combinados com a aplicação de luz e aqueles que estão em fase de desenvolvimento, com cremes anti-oxidantes que podem pigmentar a pele.

Há ainda os procedimentos cirúrgicos, cada vez mais em evidência, e que podem ser feitos de diferentes maneiras, mas basicamente consistem em trazer uma célula boa para o local em que não existe mais pigmento.

Nos últimos congressos da especialidade, foram apresentadas novas descobertas sobre o vitiligo e algumas opções de tratamento muito promissoras.

Como sabemos, a causa do vitiligo não está totalmente conhecida, mas já se descobriu que o melanócito é agredido por células inflamatórias. Já foram descobertos alguns dos fatores inflamatórios específicos dessa doença como a citocina CXCL-10. Sendo assim, as pesquisas se concentram em tentar neutralizar ou acabar com as fases dessa inflamação. A sinvastatina, por exemplo, que é um remédio utilizado para reduzir os níveis de colesterol, pode melhorar o vitiligo, pois apresenta ação anti-inflamatória.

Outras medicações como os inibidores da Jack, que são enzimas específicas de receptores de membrana, podem reverter o vitiligo porque neutralizam a citocina CXCL-10. Uma dessas drogas foi aprovada pelo FDA para tratamento de artrite reumatoide. Recentemente um paciente que tinha artrite e vitiligo reverteu as manchas quase na totalidade, quando fazia o tratamento para reumatismo. Os nomes comerciais desses produtos que podem tratar o vitiligo são: Tofacitinib e Ruxolitinib.

Ainda foi enfatizado que a vitamina D e o zinco estão em níveis baixos nesta doença. Mas a suplementação com essas substâncias pode promover a produção de pigmento e melhorar o problema.

Novidades do “meeting” da AAD – VITILIGO e DERMATITE ATÓPICA

VITILIGO – Doença autoimune que se caracteriza pelo aparecimento de manchas brancas na pele e costuma ser esquecida pelos laboratórios.

Mas desta vez, algumas novidades importantes foram apresentadas no meeting. A principal delas se relaciona ao uso de inibidores da JAK, que são drogas que podem interferir nos processos inflamatórios. Já há resultados com duas drogas: a tofacitinib e o ruxolitinib que agem na inflamação e conseguem reverter as manchas do vitiligo.

O uso de substâncias antioxidantes como a vitamina C, a vitamina B12, o ácido fólico e o ácido lipoico para combater o vitiligo também foi falado no meeting, incluindo aí, a necessidade de uma dieta adequada, livre de glúten, leite e derivados. Estudos revelaram que esses alimentos e principalmente o excesso de açúcar, que provoca uma glicemia alta, levam à inflamação do organismo. Um estudo apresentado mostrou que pacientes que deixaram de consumir esses alimentos e optaram por uma dieta rica em antioxidantes, como as verduras, conseguiram reverter as manchas do vitiligo.

DERMATITE ATÓPICA – Doença que desregula o sistema imunológico.

Crianças, desde o nascimento, são muito reativas e manifestam um desequilíbrio na forma como a parte imunológica responde. No começo da vida podem desenvolver bronquite, rinite e asma, que podem ser grave em alguns casos. Podem também ter alterações de pele, sendo comum até os dois anos o eczema no rosto e, após os dois anos e até a pré-puberdade, nas “dobrinhas”, sendo muito difícil de controlar.

A criança fica com placas avermelhadas, descamativas, úmidas que podem infeccionar e causam coceira e irritação. Até então, vinham sendo usado corticoides via oral, que comprometiam o crescimento. Agora, a novidade é o dupilumab, um biológico  – porque é natural e age numa cadeia inflamatória específica do ser humano – que está com os estudos bem adiantados e atua para neutralizar uma parte dessa inflamação.

Estudos mostraram que a hidratação também é fundamental no tratamento da atopia porque quando a barreira cutânea está íntegra, a irritação é menor. Quem tem a doença não tem a barreira; geneticamente tem dificuldade de produzir essa proteção e por isso têm muita coceira.

Um estudo mostrou que recém nascidos  com corpo bem hidratado desenvolveram menos dermatite atópica.      

Alguns aspectos interessantes sobre o vitiligo

O vitiligo é uma doença de pele que causa manchas brancas em qualquer parte do corpo, piorando a qualidade de vida dos seus portadores. Várias teorias tentam explicar essa doença e a teoria autoimune é a mais aceita. Essa teoria preconiza que a célula que produz o pigmento é destruída por alterações imunológicas, que vão desde a produção de anticorpos, até a produção de infiltrado inflamatório, composto de linfócitos, chamados de células T.

Outras teorias, como auto tóxica e bioquímica, já conseguiram comprovar que a oxidação é mais intensa nesse local e que devido à complexidade do processo de formação de melanina, pode haver sobra de radicais livres, que acabam atacando o próprio melanócito. A genética, também não pode ser desprezada e hoje vários gens estão em foco devido a sua expressão relevante na causa do vitiligo.

Não menos importante é lembrarmos que o melanócito é uma célula nervosa e, portanto, responde a estímulos múltiplos e variados. Além disso, vários estudos estão sendo publicados sobre a causa do cabelo branco que parece ter uma correspondência com o aparecimento de manchas brancas na pele. No cabelo há maior oxidação que é a principal circunstância ligada ao embranquecimento e no caso do vitiligo também. Todas essas teorias são viáveis, importantes e provavelmente estão presentes em conjunto para explicar o desenvolvimento dessa doença.

O tratamento do vitiligo passa pelo controle do aumento das lesões e a repigmentação. Regras importantes quanto ao tratamento do vitiligo:

1-Tratar o mais rápido possível, pois as manchas são menores e pode haver reativação de melanócitos residuais.

2- Há muita controvérsia do que é considerado um vitiligo estável e não estável. Isto está progredindo ou não. Hoje é mais interessante pensar que se, em até um ano, não houver lesões novas, ele está estável.

3- É importante evitar todos os fatores de estresse oxidativos, considerando inclusive o sol, poluição, doenças, emoções, pois como existe excesso de radicais livres na pele com vitiligo, o ideal é baixar e evitar o máximo para que tenhamos mais sucesso no tratamento.

Vitaminas antioxidantes e substancias como o Polipodium leucotomas podem ser utilizadas, assim como o Ginko biloba e outras ervas e plantas. É importante o autoconhecimento e técnicas que possam ajudar no controle do estresse.

Uma nova alternativa é o uso da Minociclina, que é uma droga imunomoduladora, promovendo uma ação de baixar a atividade do vitiligo e também de destruição do melanócito pelo estresse oxidativo. Essa droga é bem tolerada, porém deve ser avaliada e receitada por médicos especialistas.

Há poucos trabalhos na literatura, mas o caminho é promissor. Os melhores tratamentos para a pigmentação são: Luz UV Narrow Band e também o Excimer laser ou luz V trac, que controla melhor, pois a aplicação é no local e evita o uso da luz no restante do corpo. Trata-se de comprimento de onda 308nm, que é a melhor luz para vitiligo.

A repigmentação difusa e mais rápida do que aquela perifolicular, mas esta última é mais estável e duradoura.

Um grupo vem estudando um tipo de creme que permite a passagem somente da radiação mais positiva, parece promissor.

Novidades:

Minociclina que age no processo inflamatório, podendo diminuir os anticorpos e o infiltrado inflamatório.

Laser/luz UVB que age somente nas manchas, protegendo o restante da pele dos efeitos colaterais da radiação

Luz ultra violeta de comprimento curto, chamado UV Narrow Band. Outro aparelho que é a luz ultravioleta B, mas foca na mancha com ponteira.

Vitaminas e substâncias antioxidantes que podem ajudar ou diminuir a agressão ao melanócito.

Vitiligo

O vitiligo é uma doença de pele que causa manchas brancas acrômicas, tipo leite, em qualquer parte do corpo, podendo comprometer, inclusive, os pelos. Essa doença ocorre muito em jovens e crianças acometendo, praticamente, 2% da população mundial.

Embora na maioria dos casos, o vitiligo não apresente nenhum aspecto de perigo à pessoa acometida, nem seja contagioso, é um tipo de doença de pele que causa um grande impacto na autoestima das pessoas devido à sua característica inestética. Os pacientes com vitiligo têm a parte psicológica bastante crítica, porque não há quem suporte as mudanças de cor em sua pele.

Recentemente, descobriu-se que há alterações imunológicas no vitiligo e que esse fato tem interferência direta com o aparecimento das manchas. Contudo, ainda não se sabe exatamente as causas dessa doença. Há algumas teorias para explica-las e a mais importante é a que o vitiligo é uma doença autoimune, ou seja, um mal onde o organismo produz auto-anticorpos contra estruturas dele próprio. Isso ocorre em relação à célula que produz o pigmento denominado melanócito.

Já foram detectados auto-anticorpos contra o melanócito em indivíduos com vitiligo, especialmente naqueles em que a doença está em atividade. O tratamento dessa doença sempre foi um desafio para os dermatologistas, e até há pouco tempo, as únicas terapias viáveis para tratar as manchas do vitiligo contavam sempre com a utilização da luz ultravioleta.

O tratamento é feito com medicação sistêmica e/ou via oral utilizando-se sempre uma radiação ultravioleta para estimular a pigmentação.

Além disso, o médico pode adotar medidas como a prescrição de vitaminas que sejam anti-oxidantes (vitamina C, por exemplo), que combinados a outros fatores como ácido fólico e vitamina B12, podem ajudar significativamente na fabricação de melanina.

Vale destacar que qualquer tipo de tratamento aqui citado deve ser prescrito e acompanhado pelo médico. Existem ainda os tratamentos à base de aminoácidos e fenilalanina que também são combinados com a aplicação de luz e aqueles que estão em fase de desenvolvimento, com cremes anti-oxidantes que podem pigmentar a pele.

Há ainda os procedimentos cirúrgicos, cada vez mais em evidência, e que podem ser feitos de diferentes maneiras, mas basicamente consistem em trazer uma célula boa para o local em que não existe mais pigmento.

Novidades AAD – março/2016 em Washington

No último “meeting” da Academia Americana de Dermatologia realizado em março de 2016, foram apresentadas novas descobertas sobre o vitiligo e algumas opções de tratamento promissoras.

Como sabemos, a causa do vitiligo não está totalmente conhecida, mas já se descobriu que o melanócito é agredido por células inflamatórias. Já foram descobertos alguns dos fatores inflamatórios específicos dessa doença como a citocina CXCL-10. Sendo assim, as pesquisas se concentram em tentar neutralizar ou acabar com as fases dessa inflamação.

A sinvastatina, por exemplo, que é um remédio utilizado para reduzir os níveis de colesterol, pode melhorar o vitiligo, pois apresenta ação anti-inflamatória.

Outras medicações como os inibidores da Jack, que são enzimas específicas de receptores de membrana, podem reverter o vitiligo porque neutralizam a citocina CXCL-10. Uma dessas drogas foi aprovada pelo FDA para tratamento de artrite reumatoide. Recentemente um paciente que tinha artrite e vitiligo reverteu as manchas quase na totalidade, quando fazia o tratamento para reumatismo. Os nomes comerciais desses produtos que podem tratar o vitiligo são: Tofacitinib e Ruxolitinib.

Outra opção é o Afamelanotide, que é um análogo do hormônio melanócito estimulante. Este remédio melhora o vitiligo quando associado a luz ultravioleta B e age provocando o estímulo do hormônio que produz o pigmento denominado melanina.

Ainda foi enfatizado que a vitamina D e o zinco estão em níveis baixos nesta doença. A suplementação com essas substâncias pode promover a produção de pigmento e melhorar o problema.

Novidades do Meeting da Academia Americana de Dermatologia – realizado de 4-8 março/2016 em Washington

Vitiligo

O vitiligo é uma doença crônica não contagiosa que causa manchas brancas na pele. A causa não está totalmente conhecida, mas já se descobriu que o melanócito é agredido por células inflamatórias. Já foram descobertos alguns dos fatores inflamatórios específicos dessa doença como a citocina CXCL-10. Sendo assim, as pesquisas se concentram em tentar neutralizar ou acabar com as fases dessa inflamação.

A sinvastatina, por exemplo, que é um remédio utilizado para reduzir os níveis de colesterol, pode melhorar o vitiligo, pois apresenta ação anti-inflamatória.

Outras medicações como os inibidores da Jack, que são enzimas específicas de receptores de membrana, podem reverter o vitiligo porque neutralizam a citocina CXCL-10. Uma dessas drogas foi aprovada pelo FDA para tratamento de artrite reumatoide. Recentemente um paciente que tinha artrite e vitiligo reverteu as manchas quase na totalidade, quando fazia o tratamento para reumatismo. Os nomes comerciais desses produtos que podem tratar o vitiligo são: Tofacitinib e Ruxolitinib.

Outra opção é o Afamelanotide, que é um análogo do hormônio melanócito estimulante. Este remédio melhora o vitiligo quando associado a luz ultravioleta B e age provocando o estímulo do hormônio que produz o pigmento denominado melanina.

Ainda foi enfatizado que a vitamina D e o zinco estão em níveis baixos nesta doença. A suplementação com essas substâncias pode promover a produção de pigmento e melhorar o problema. 

Queda de cabelo: Minociclina na alopecia fibrosante frontal inibe metaloproteinase e evita cicatriz.

A alopecia fibrosante frontal é um tipo específico de queda de cabelo que ocorre mais em mulheres após a menopausa. Ela é uma alopecia cicatricial, onde o folículo pilo-sebáceo é destruído. Nos últimos anos, há um aumento muito grande de casos, configurando quase uma epidemia.

Nesta doença, a testa aumenta de tamanho devido à diminuição dos folículos que desaparecem do local. Lembrar que o mais importante em relação ao tratamento é o fato de ser uma alopecia cicatricial, que é irreversível e dessa forma, quanto antes iniciar o tratamento melhor.

No Meeting da Academia Americana de Dermatologia, uma aula sobre este tema foi dada pela professora e pesquisadora, referência no assunto, Dra. Antonella Tosti, que realçou a finasterida e dutasterida como os melhores tratamentos para alopecia fibrosante frontal. Ela também utiliza outras medicações como: hidroxicloroquina, minoxidil, corticoide, inclusive fazendo a combinação de alguns deles. 

A Minociclina, que é um antibiótico imunomodulador, promove a melhora da alopecia fibrosante frontal, pois além de tratar a inflamação, inibe também a enzima metaloproteinase, evitando cicatriz posterior.

É importante enfatizar que a parada da progressão da doença já melhora a autoestima dos pacientes.

NOVIDADES DO CONGRESSO EUROPEU DE DERMATOLOGIA – COPENHAGEN/2015

O 24º Congresso Europeu de Dermatologia e Venereologia aconteceu na Dinamarca de 7 a 11 de outubro. Nesta oportunidade, além de dar aula sobre cicatrizes hipertróficas e queloides, pude compartilhar novos conhecimentos com colegas dermatologistas de várias partes do mundo. Resumi abaixo, temas de bastante interesse público e as novidades em termos de tratamento.

Vitiligo:

O vitiligo é uma doença crônica que causa despigmentação da pele e cujo tratamento é bastante difícil por não se conhecer a causa exata dessa dermatose. Há alguns poucos anos, sabemos que se trata de uma doença onde a parte imunológica tem um grande papel. Os melanócitos, que produzem a melanina são agredidos e alguns fatores inflamatórios têm um grande potencial agressivo e destroem o mesmo. Recentemente foi demonstrado o papel de uma citoquina, a CXCL-10, que, quando aumentada, favorece o aparecimento do vitiligo. Com esta descoberta  corroborada por estudos recentes, podemos ter esperança em novos tratamentos para o vitiligo.

Os inibidores das prostaglandinas, como a latanoprosta, têm demonstrado algum resultado. Porém, no momento, os medicamentos existentes com essa substância têm outras indicações, como crescimento e alongamento dos cílios. A sinvastatina, que é uma droga utilizada para diminuir a tendência para o colesterol alto e também da placa inflamatória nos vasos, também tem uma ação inibitória sobre a CXCL-10, e, portanto, pode melhorar o vitiligo. Por último, a Tofacitinib, medicação inibidora enzimática da JAK, mostrou resultados no vitiligo. Trata-se de uma medicação para tratamento da artrite reumatoide (já aprovado) e que parece ter resultados positivos no vitiligo. Essa droga que é inibidora da JAK tem seu mecanismo de ação relacionado à ação anti-inflamatória, inclusive da citoquina CXCL-10 que está implicada no aparecimento do vitiligo. A medicação ainda não está aprovada no Brasil, é bastante custosa, tem alguns efeitos colaterais, mas parece ser bem interessante para essa doença que prejudica muito a autoestima e tem poucas opções de tratamento. Além de novidades para o tratamento, também é importante lembrar que quanto antes o vitiligo for tratado, melhor serão os resultados finais.

Melasma:

O melasma também é uma doença crônica, não contagiosa e com a etiologia não totalmente esclarecida. A produção de melanina está alterada por inúmeros estímulos, como: radiação UV, estresse, entre outros.

Neste congresso foi enfatizada a importância da microvascularização no melasma. Algumas substâncias ativas no endotélio dos vasos da região estimulam o melanócito a produzir mais pigmento. Neste sentido, quando os vasos forem visíveis é importante trata-los para evitar o prolongamento e intensificação do avermelhamento e consequente hiperpigmentação. Podem ser usados lasers, como Pulsed Dye Laser e Nd Yag. O ácido tranexâmico também é uma opção de tratamento e parece melhorar a parte melanogênica e também vasculogênica. Seu papel é inibir uma interação específica entre os queratinócitos e melanócitos.

O papel da luz visível também parece ser muito importante no tratamento e controle do melasma. A luz visível agride mais as peles morenas e manchadas, produzindo maior pigmentação. A proteção em relação a esta luz é fundamental para não piorar as manchas. Temos duas situações aqui. A primeira é usar filtro solar com cor, pois não existem filtros específicos para proteger da luz visível. Outra questão é usar filtro solar com antioxidantes para neutralizar os radicais livres que também estão implicados no processo inflamatório da pele.

Envelhecimento:

A expectativa de vida aumentou muito e também os estudos sobre os processos do envelhecimento. Várias situações interferem com o envelhecimento, entre elas a genética, nutrição e ambiente. Antes se considerava o gene como uma estrutura intacta e hoje através de estudos da epigenética (características de organismos unicelulares e multicelulares, como as modificações de cromatina e DNA), sabe-se que podem ocorrer mudanças nos mesmos, que alteram sua expressão. Sabe-se também que o ambiente influencia na expressão genética.

Uma linha muito interessante de estudo está relacionada à longevidade das células, que parece estar relacionada ao tamanho dos telômeros. As células chegam a um período de senescência (velhice) que é muito interessante, pois, ou elas param de se multiplicar ou viram células cancerosas. Um dos aspectos relacionados à longevidade maior das células é uma dieta hipocalórica, que ativa alguns receptores e as proteínas denominadas sirtuínas. Há várias possibilidades de se agir nesses receptores e haver o prolongamento da vida. Células que podem ser trabalhadas são as stem cells, que são células com grande potencial de multiplicação e também transformação em vários outros tipos celulares. Elas são chamadas células tronco e podem ser multifuncionais. A expressão genética e também o meio ambiente podem ajudar no funcionamento e comportamento das mesmas. Elas também podem rejuvenescer quando estimuladas por algumas situações ou ativos específicos.

A pessoa que poderá ter no futuro de 150-170 anos já nasceu hoje. Então algumas medidas, podem ser efetivamente tomadas para vivermos mais. Dietas hipocalóricas; exercício moderado e constante; menos estresse e mais lazer; controle de doenças para as quais você tenha pré-disposição; manter o equilíbrio hormonal; uso de vitaminas antioxidantes conforme indicação; cremes à base de sirtuínas, resveratrol e coenzima Q10, fatores de crescimento e Stem Cells Vegetais. Todos esses itens podem contribuir para uma bela velhice.

Toxina Botulínica: amplas funções – Uso de Minociclina no tratamento de vitiligo

Finalizando minhas anotações sobre os temas que mais me chamaram a atenção durante o 23º Congresso Mundial de Dermatologia do Canadá, discorro abaixo uma síntese sobre recentes pesquisas realizadas com a toxina botulínica, substância de ampla ação na medicina, além de novidades sobre o uso da minociclina no tratamento de vitiligo.

TOXINA BOTULÍNICA – AMPLAS FUNÇÕES

A toxina botulínica é produzida pela bactéria chamada Clostridium Botulinum, sendo bastante conhecida na estética, por suavizar rugas e linhas de expressão na região da face, e no tratamento da hiperidrose (excesso de suor) palmar e axilar. Porém suas indicações terapêuticas são amplas, podendo variar de país para país, conforme determinam os órgãos de vigilância sanitária de cada local. Estudos recentes têm mostrado os benefícios desta substância no tratamento da depressão, conforme apresentado no último Congresso Mundial de Dermatologia.

TOXINA BOTULÍNICA PARA DEPRESSÃO

Muitos e muitos trabalhos mostram efeito da toxina botulínica na depressão. Os estudos mais recentes enfatizam que a pessoa melhora do humor e depressão. Estes resultados são alentadores. Não foi definido o mecanismo de ação, mas o mesmo pode estar relacionado a melhor aparência gerada por essa substância, e também pela liberação de fatores neuroendócrinos na placa neuromuscular.

APLICAÇÃO DE TOXINA BOTULÍNICA NO MÚSCULO MASSETER E NA GLÂNDULA PARÓTIDA PARA AFINAMENTO DO ROSTO

Kyle K. Seo, professor da Coreia do Sul, apresentou no Congresso Mundial de Dermatologia estudos interessantes usando 50U de toxina botulínica de cada lado da face, no masseter e na glândula parótida, para promover o afinamento e alongamento do rosto. Ele enfatiza que, para a cultura oriental, o rosto ovalado e fino é um padrão de beleza. Ele também mostrou que faz preenchimento na linha central da face, tanto na região da fronte, como queixo e nariz. São aplicações com pouca quantidade de preenchedor, mas que apresentam resultados sutis e naturais.

MINOCICLINA PARA DIMINUIR O AUMENTO DAS MANCHAS DE VITILIGO

Uma boa novidade para o tratamento do vitiligo é o uso da minociclina, que pode interromper a progressão da doença. O estresse oxidativo mediado pelos radicais livres parece ter grande importância na destruição dos melanócitos. A minociclina possui ação anti-inflamatória, imunomoduladora e varredora de radicais livres, além de ser bem conhecida por seus efeitos antimicrobianos. Desta forma, a minociclina oferece uma abordagem única e potencialmente poderosa para o combate da atividade de uma doença tão perturbadora como o vitiligo. Um estudo comparou a ação da minociclina com drogas já utilizadas:

Minociclina X minipulso oral de dexametasona: minociclina 100mg/dia X dexametasona 2,5mg em dias consecutivos semanalmente por 6 meses – ambos se mostraram efetivos na supressão da atividade do vitiligo e estabilização da progressão da doença. Lembrando que a dexametasona , como corticoide, tem muitos efeitos colaterais e portanto a minociclina é uma opção alentadora.

VITILIGO

No próximo dia 10 de junho, darei uma aula sobre vitiligo no 23º Congresso Mundial de Dermatologia, a ser realizado em Vancouver, Canadá – de 8 a 13 de junho.

Nesta oportunidade, falarei sobre minha experiência no tratamento de vitiligo. Como muitos sabem, esta doença se caracteriza por manchas completamente brancas, de vários tamanhos, que podem se localizar em qualquer parte do corpo, inclusive nas mucosas e no couro cabeludo, causando sérios problemas relacionados ao convívio social e a autoestima.

Até hoje, não se sabe ao certo quais são as causas do vitiligo e, justamente por isso, há uma grande dificuldade para os médicos escolherem qual é o tratamento considerado o ideal, o mais apropriado e que responda de forma totalmente eficaz.

Na realidade, existem várias teorias para explicar o aparecimento do vitiligo, mas nenhuma delas ainda é definitiva e completa. É como se tivéssemos um quebra-cabeça e faltassem algumas peças que fariam a ligação de tudo. A grande dificuldade com relação ao vitiligo é que mesmo com a situação contornada existe a possibilidade da doença retornar. O diagnóstico é clinico, feito pelo dermatologista e não há necessidade de biópsia.

O tratamento desta dermatose é controverso e não está completamente estabelecido. São usados corticoides via local e oral para ajudar o controle da doença. Também é feita a fototerapia, que é o tratamento com luz UVB e UVA para estimular a produção do pigmento. É importante enfatizar que quanto antes o tratamento for feito, maior a chance das manchas desaparecerem.

Uma boa novidade para o tratamento é o uso da minociclina, que pode interromper a progressão da doença. O estresse oxidativo mediado pelos radicais livres parece ter grande importância na destruição dos melanócitos. A minociclina possui ação anti-inflamatória, imunomoduladora e varredora de radicais livres, além de ser bem conhecida por seus efeitos antimicrobianos. Desta forma, a minociclina oferece uma abordagem única e potencialmente poderosa para o combate da atividade da doença.