NOVIDADES – LATINADERM 2017

O câncer de pele não melanoma é o câncer mais comum em nosso meio.

O principal fator de estímulo para o aparecimento do câncer de pele não melanoma é o sol através da radiação ultravioleta. Já sabemos que usar filtro solar de amplo espectro, com cobertura para radiação UVA e UVB é muito importante para a prevenção. Pessoas claras, com olhos e cabelos claros e que têm familiares com câncer de pele, ou que já tiveram algum câncer de pele, são os que apresentam maior risco.

Existem lesões precursoras do câncer de pele, que são as chamadas queratoses actínicas. Elas são lesões avermelhadas, ligeiramente descamativas, arredondadas, que parecem com pequenas feridas e que não cicatrizam. Quando ocorrem várias dessas lesões, chamamos de campo de cancerização, pois existem as lesões visíveis e aquelas ainda em formação, mas que ainda não são visíveis.

queratose 1Há tratamentos específicos para o campo de cancerização, como terapia fotodinâmica e o medicamento Igenol Mebutato. No primeiro caso, usamos uma substância denominada ácido aminolevulínico no rosto, para marcar as células pré-cancerígenas, e ou, já cancerígenas. O produto é espalhado em todo o rosto, ou na área suspeita, sendo precedida por uma limpeza e curetagem (raspagem) leve. Então, o paciente permanecerá com esse medicamento na pele por cerca de 2 a 3 horas, sendo a área coberta para evitar exposição à luz. Após esse período, quando o rosto já está sensibilizado e as células doentes estão marcadas e reativas, a área é submetida a exposição de luz vermelha, que promove uma reação química, destruindo as células pré-cancerígenas, e ou, cancerígenas. Quando da aplicação da luz, há muita dor, principalmente se houver muitas lesões pré-cancerígenas. O rosto fica bastante sensível e a pele avermelhada, sendo o uso do filtro solar, nos dias subsequentes, é extremamente importante.

Outro recurso interessante para o tratamento do campo de cancerização, é o uso do produto chamado Igenol Mebutato, que promove morte e destruição das lesões pré-cancerosas. O creme é espalhado em toda a área a ser tratada, também com uma curetagem prévia. A aplicação deve ser feita preferencialmente pelo médico dermatologista, que é o especialista em reconhecer lesões pré-cancerosas. O creme deve ser bem espalhado e não há nenhuma reação, nem dor ou coceira. Esse medicamento deverá permanecer no local por várias horas e ser usado 3 dias seguidos. Depois que o creme é espalhado, não pode ser usado qualquer outro produto e nem mesmo lavar o rosto ou usar filtro solar. Já no segundo dia, o rosto fica avermelhado e sensível e quanto mais “machucado”, mais lesões suspeitas estão sendo tratadas. O mecanismo de destruição das células é através do apoptose, que é uma morte celular programada. Após os três dias do uso do medicamento, o local descama e fica avermelhado, semelhante a um peeling, recuperando totalmente em cerca de 10 dias.

É importante ressaltar que são tratamentos médicos, com indicação precisa, que podem de forma eficiente, tratar o campo de cancerização, evitando o aparecimento de câncer de pele no futuro. 

EXPOSSOMA

O expossoma é a somatória de exposições que o indivíduo está sujeito desde seu nascimento até a morte. O expossoma inclui agressões externas, como a radiação ultravioleta, poluição, mudanças climáticas, fumo, calor e agressões internas, como doenças, má alimentação, genética fragilizada, estresse e sono inadequado. Esse conceito é extremamente importante de ser introjetado em cada indivíduo, pois sua compreensão ajudará sobremaneira numa longevidade saudável e com qualidade de vida.

Como já entendemos, o expossoma representa tudo aquilo que nos agride ao longo da vida, porém, cada indivíduo dará sua resposta específica aquele estímulo negativo, dependendo da sua tendência e característica genética. Sendo assim, ao longo da vida, posso fumar e ter câncer de pulmão, enquanto outro indivíduo, também fumante, pode geneticamente ser mais resistente e não apresentar este mesmo tipo de tumor. Portanto, é importante reforçar que somos inteiros e únicos e quanto melhor entendermos o expossoma em nossa existência, mais estaremos preparados para defender nossa saúde e qualidade de vida.

Por que a pele é importante em relação ao expossoma?

A pele é o maior órgão do corpo humano, sendo o órgão de choque do expossoma, pois recebe os raios ultravioleta, a fumaça do cigarro, a poluição, as mudanças de temperatura e reflete também as deficiências e inadequações dietéticas e nutricionais, assim como a falta de sono e as doenças como diabetes e eczemas.

Diferente do que imaginamos, a pele é um órgão inteligente, sendo considerada uma barreira multifatorial e multifuncional, que abrange funções como: barreira física, hídrica, antioxidante, fotoprotetora, antimicrobiana.

A função de barreira física, é responsável pela proteção mecânica, assim como proteção a entrada de moléculas diversas, enquanto que a barreira hídrica, significa a capacidade da pele em manter a hidratação adequada, evitando a perda transepidérmica da mesma.

A pele também tem vários componentes antioxidantes, que configuram a barreira antioxidante que são acionados a cada agressão externa. A barreira fotoprotetora da pele é responsável, através dos seus componentes como a melanina, por proteger o indivíduo da radiação ultravioleta.

A barreira antimicrobiana é formada por uma somatória de fatores, como pH, filme hidrolipídico, produção sebácea e descamação natural. Esses fatores em conjunto mantém a microbiota natural e saudável, evitando a entrada e o crescimento de microrganismos patogênicos.

Os cuidados básicos e diários em relação a pele são importantes e necessários para ajudar a mesma na sua função de barreira, pois quando essa está rompida ocorre inflamação, avermelhamento, coceira, descamação e desidratação intensa.

O dano a barreira, quando ocorre frequentemente, promove o adoecimento e envelhecimento da pele e os cuidados básicos e diários evitam a inflamação e o envelhecimento precoce. Limpar profundamente a pele é fundamental para retirar os resíduos dos poluentes que ficam aderidos na pele. A limpeza ajuda a evitar a obstrução dos óstios e evitar a oxidação que os poluentes provocam na pele. O agente limpador deve ser escolhido conforme o tipo de pele. Sabonetes em barra, que desengorduram muito, podem ser usados em peles oleosas, espessas e com tendência a acne. Já as peles mais sensíveis e maduras, podem usar sabonetes líquidos, neutros e hidratantes. Peles sensíveis, vermelhas, assim como pessoas alérgicas, devem escolher agentes de limpeza com pH próximo ao da pele 5,6 e com ativos anti-inflamatórios, como águas micelares ou tônicos suaves.

A hidratação diária também é essencial para o bom funcionamento da pele. A água em quantidade necessárias e suficiente é vital para o funcionamento da barreira cutânea. As peles acneicas e oleosas também precisam de hidratação, pois a água e o óleo são substâncias diferentes e com funções também diferentes. É importante lembrar que a água está dento da pele e a barreira cutânea íntegra evita a perda transepidérmica. O hidratante pode ser de três tipos: oclusivo, emoliente ou as duas funções em conjunto. O hidratante oclusivo faz uma barreira mecânica em relação a perda de água, mas pode ser comedogênico e entupir os óstios foliculares. Exemplos desses seriam a vaselina e óleos como o de amêndoas. Os hidratantes higroscópicos tem na formulação substâncias que atraem a água e mantém a mesma no local, como exemplo temos a ureia, o ácido hialurônico, entre outros. Os hidratantes mais modernos podem misturar sustâncias higroscópicas com outras oclusivas sem provocar a formação de comedões, sendo indicados também para peles oleosas e acneicas. Quando a pele está desidratada, ela pode ficar vermelha, inflamada e descamativa, favorecendo a piora da acne em peles oleosas ou o aparecimento de rosácea em peles mais sensíveis.

Hoje também existem os dermocosméticos, ou cosmecêuticos multifuncionais e podemos ter produtos hidratantes com outros ativos, como vitaminas, agentes antioxidantes, antipoluidores e antienvelhecimento. O hidratante também pode estar associado a maquiagem e ao filtro solar.

Outro cuidado básico e necessário com a pele é a fotoproteção. Já são muito conhecidos os efeitos deletérios e envelhecedores do sol. A radiação ultravioleta B agride diretamente o DNA celular, provocando danos que são cumulativos e provocam, em última instância, o câncer de pele. A outra parte da radiação UVA provoca agressões diretas nos vasos, nas células formadoras de colágeno, nas glândulas e no folículo piloso. Esta radiação agride todas essas estruturas através da oxidação, provocando uma grande formação de radicais livres, que são agressores constantes, provocando inflamação, degradação e envelhecimento. O uso diário do filtro solar ajuda a evitar essas agressões, mantendo a aparência e evitando o envelhecimento precoce.

Para combater os danos dos expossomas, além desses cuidados com a pele, também são importantes outras ações como: alimentação equilibrada, evitando o excesso de alimentos com alto índice glicêmico e gordura trans e abusando dos alimentos antioxidantes, beber muita água, manter um sono tranquilo e reparador, evitar o consumo excessivo de bebidas alcoólicas, do cigarro, do estresse constante e da poluição. Também é importante manter uma atividade física regular, usar bons produtos dermocosméticos e ter momentos de laser e descanso.

Orientações importantes sobre fotoproteção

Usar filtro solar protege contra os raios ultravioleta A e B.

Para peles oleosas, optar por filtros oil free, cujos veículos não contém substâncias oleosas. São os mais indicados para pessoas de pele oleosa ou com tendência à formação de cravos e espinhas. Para peles sensíveis, procure escolher um filtro hipoalergênico.

É imprescindível evitar exposições prolongadas e repetidas ao sol. Queimaduras solares acumuladas durante a vida predispõem ao câncer da pele.

Não é aconselhável se expor ao sol nos horários próximos ao meio-dia. O horário entre 10 e 16 horas têm grande incidência de raios ultravioleta B, principais responsáveis pelo surgimento do câncer da pele.

O bronzeamento ocorre gradativamente, após os primeiros dias de exposição. A pele leva 48 a 72 horas para produzir e liberar a melanina, pigmento que dá cor à pele. Portanto, não adianta querer se bronzear em um só dia, ficar muito no sol não acelera este processo, só provoca queimaduras.

É essencial proteger os lábios e as orelhas, partes do corpo que são esquecidas normalmente.

Aplicar generosamente o filtro solar, 20 a 30 minutos antes de sair ao sol. Este é o tempo necessário para a estabilização do protetor solar na pele, de modo que sua ação ocorra com maior eficácia. Faça isso de preferência em casa, sem pressa.

Peles claras e pessoas ruivas exigem maiores cuidados, pois são mais propensas ao câncer da pele. Pessoas de pele muito clara raramente se bronzeiam; portanto, elas não devem insistir no bronzeamento, o que pode provocar queimaduras e danos à pele.

Mormaço também queima. Em dias nublados cerca de 40% a 60% da radiação solar atravessam as nuvens e chegam à Terra; deve-se usar filtro solar também nestes dias.

Filtro solar deve ser usado diariamente. Mesmo quando não se vai à praia, mas se expõe ao sol no dia-a-dia. É preciso aplicar o filtro solar nas áreas expostas, evitando o dano solar que se acumula durante os anos.

A proteção das crianças é responsabilidade dos pais. É necessário estimular o uso de protetor solar desde cedo. Deve se utilizar somente protetores solares hipoalergênicos, formulados em base dermatológica ou prescritos por um dermatologista.

Alguns antibióticos e outros medicamentos (inclusive anticoncepcionais) podem causar manchas na pele. Em caso de dúvida, recomenda-se conversar com o dermatologista.

Nunca se deve passar na pele bronzeadores caseiros, óleos, refrigerantes, chás ou folhas de plantas, ou qualquer outra receita caseira. Podem irritar a pele e causar queimaduras graves.

Fotoproteção – Proteção em Relação ao Sol

O sol agride a pele mais do que é possível visualizar. Sorrateiramente ele vai deixando as células com pequenos defeitos que, se persistirem, poderão se transformar, mais tarde, em manchas e câncer da pele. É muito importante para a saúde da pele usar protetor solar.

Por que o sol pode fazer mal à pele?

A luz emitida por ele, principalmente aquela chamada UVB (ultravioleta B), chega à pele e agride várias estruturas como: DNA (proteína do núcleo celular), melanócitos (células que fazem a melanina), vasos (que promovem a irrigação da pele), fibras de colágeno e elastina (responsáveis pela firmeza da pele), entre outras. Essa agressão é neutralizada, em parte, pelas defesas naturais da pessoa, mas vai se acumulando até que com idades mais avançadas (por volta dos 40 anos) começam a aparecer as consequências dessa agressão: aspereza, manchas, rugas e os vários tipos de câncer de pele.

O sol não é necessário à saúde?

O sol promove bem-estar e também é responsável pela ativação da vitamina D na pele. Essa vitamina é importante para diversas funções do organismo, e principalmente para manter a boa saúde dos ossos. Sabemos hoje em dia que não são necessários grandes períodos de exposição solar para ativação da vitamina D, principalmente em países tropicais como o Brasil. Ao mesmo tempo, são mais que conhecidos os riscos à saude que a exposição solar em excesso nos traz.

O que é o filtro solar?

Filtro solar é um produto cuja formulação terá ingredientes capazes de proteger a pele dos raios ultravioletas do sol. Existem dois tipos de filtros solares: o filtro químico e o filtro físico. O primeiro interage quimicamente com a radiação ultravioleta transformando-a em calor. O segundo protege por meio de uma barreira, promovendo a reflexão dos raios ultravioleta. Os filtros também podem ter outros princípios ativos como: hidratantes, vitaminas antioxidantes e clareadores. O filtro também pode ter vários veículos diferentes, como cremes, géis, loções ou seruns, que vão ser indicados conforme o tipo de pele.

Como escolher o fator de proteção?

O filtro solar protege a pele tanto em relação aos danos agudos, como a queimadura solar, assim como dos crônicos, como envelhecimento da pele e o câncer de pele. Imaginemos que uma pessoa vá à praia sem filtro solar e fique vermelha após 10 minutos. O fator de proteção solar 15 significa que após passá-lo, esta mesma pessoa poderá ficar um tempo 15 vezes maior antes de ficar vermelha, isto é, 150 minutos (cerca de duas horas). O fator de proteção solar para usar na praia deve ser pelo menos 30, mesmo em pessoas morenas.

Na hora de escolher o fator de proteção solar (FPS) ideal para sua pele é importante verificar se o produto oferece proteção contra os raios UVA e UVB, essa observação deve estar no rótulo. Opte por marcas conhecidas e aprovadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Observe se entre seus princípio ativos há antioxidantes, que ajudam a neutralizar a ação dos radicais livres. Há uma regrinha básica para saber o número do FPS mais adequado. Tome como base a classificação dos tipos de pele no gráfico abaixo, você verá que as quer têm classificação I e II devem usar FPS 30, no mínimo. Já as do Tipo III, PFS 20; e as demais (IV, V e VI) FPS 15. Lembre-se de que não é necessário mudar sua rotina para se proteger do sol. Basta evitar os excessos e incluir um bom filtro solar o cuidado diário com a pele. Habitue-se a usá-lo mesmo em dias nublados.fotoprotecao

Como usar o filtro solar?

O filtro solar precisa ser passado todos os dias nas áreas que ficam expostas ao sol em quantidade suficiente para deixar uma camada espessa e protetora. Ele deve ser espalhado em toda área exposta ao sol, inclusive orelhas, pés e mãos 15 a 30 minutos antes da exposição solar. Reaplique 30 minutos após o inicio da exposição e, depois disso, a cada duas horas, ou sempre que suar muito ou molhar-se. As pessoas que se expõem de forma intensa por praticar esportes ao ar livre devem usar protetores solares resistentes à água, mas principalmente roupas adequadas para proteger a pele dos danos provocados pelo sol.

Quem deve usar filtro solar?

Todas as pessoas, independentemente da cor da pele e da idade, até mesmo crianças e idosos. No entanto, uso de filtros solares é apenas um aspecto da fotoproteção. Compreender que a exposição solar em excesso é prejudicial e adotar um comportamento adequado neste sentido é fundamental para quem quiser manter uma boa vitalidade da pele.

Melasma tem cura? Não poderei tomar sol nunca mais? O laser piora o melasma? Tenho que parar a pílula?

Estas são algumas das muitas perguntas que estão na cabeça das pessoas afetadas por essa mancha tão devastadora.

O melasma não tem cura, mas pode regredir e ficar sob controle. Para tanto, é muito importante conhecer alguns fatores que estão envolvidos com o risco de aparecimento do melasma.

O sol é o fator mais importante relacionado ao desencadeamento do melasma. A radiação crônica prolongada, facilita a manutenção dessa mancha.

O uso constante e correto do filtro solar é um dos fundamentos do tratamento do melasma. Esse filtro tem que ser físico ou orgânico, com proteção alta e com cor, pois o pigmento tem capacidade de bloquear a luz visível. Os filtros solares têm que ter amplo espectro e precisam proteger da radiação UVA e UVB. Se possível, devem ser físicos misturados com químicos, propiciando essa amplitude. Não existe filtro especifico que proteja da radiação da luz visível e, portanto, a cor torna-se importante, pois bloqueia a luz de lâmpadas e computadores.  Hoje já está comprovado que a luz visível mancha apele, principalmente a luz azul, que se mistura com o UVA longo. O filtro solar deve ser passado em quantidade generosa, ser bem espalhado e repetido a cada 3 horas. As pessoas que trabalham horas e horas com a luz diretamente no rosto precisam ter cuidado redobrado. As grávidas, que têm mais chance de ter melasma, precisam ficar protegidas.

A pele comprometida pelo melasma não deve ficar irritada, pois qualquer inflamação provoca mais produção de melanina. Isso significa que deve ser evitada a depilação de pelos e caso, o tratamento especifico do melasma, esteja provocando a irritação, deve ser reavaliado.

A pílula anticoncepcional pode piorar o melasma, mas não necessariamente deve ser interrompida. O estradiol parece ser o responsável pela piora. E em relação aos progestágenos, o efeito ainda é controverso.

Hoje são usadas algumas substâncias sistêmicas para ajudar a evitar a mancha. Uma delas é o polipodium leucotomas, que é um fitoterápico antioxidante com efeitos benéficos em relação a evitar a oxidação e inflamação.

A novidade em relação ao tratamento do melasma é o ácido tranexâmico. Alguns trabalhos, enfatizam o papel dessa substância, que neutraliza os efeitos das substâncias melanogênicas. O ácido tranexâmico inibe a formação da plasmina, que é a provocadora da melanogenese, evitando a ação de várias substâncias, que estimulam a inflamação, melanogenese. Além disso, o ácido tranexâmico, diminui o tamanho e a quantidade de vasos no local. Ele tem a função de diminuir a angiogenêse e também o nível do fator de crescimento endotelial.

Não é qualquer pessoa que pode tomar o ácido tranexâmico, cuja dose é de 250mg 2x ao dia para tratamento do melasma. É preciso checar alguns exames relacionados com a coagulação, assim como, histórico de trombose prévia. Este medicamento tem que ser receitado e acompanhado pelo médico dermatologista. Algum resultado começa a ser visto após um mês, mas o tratamento deve ser mais prolongado.

O laser pode ser contraindicado para o uso no melasma, especialmente se liberar muito calor. O laser ideal é o Nd-Yag Q-Switched, que libera energia baixa e tem pulso curto. Num laser qualquer, a energia seria variável de 30-40J, enquanto nesse laser as energias são de 1 a 3J e o pulso que seria de milissegundos em alguns lasers, nesse é 1000 vezes menor (nanosegundos). A baixa energia e o pulso ultrarrápido, fazem com que o calor liberado seja mínimo. O pigmento é destruído de forma mecânica e não libera calor significativo. O número de sessões necessárias é de 12 a 15, 1 vez por semana. A pele após cada sessão fica rosada por cerca de 30 minutos e o paciente pode trabalhar normalmente. Esse laser parece agir, contendo o melanócito e diminuindo seus prolongamentos. Além do laser, também são usados peelings superficiais seriados com ácido retinoico, ácido glicólico, resorcinol, entre outros.

Vale lembrar que o microagulhamento desponta como um tratamento interessante para o melasma. Neste caso, são feitas 2 a 4 sessões, 1 vez ao mês associado aos clareadores tópicos.

O mais importante é manter a confiança entre médico e paciente, sem esquecer da fotoproteção local.

FIM DE CARNAVAL

O carnaval de 2016 está terminando com sol intenso e muito calor.

Em geral, após esse período, nossa pele fica judiada, torna-se um pouco desgastada, principalmente pelo sol e o calor em excesso. Há grande desidratação devido ao calor, que gera suor. Além disso, os raios ultravioletas (UV) danificam o DNA celular e geram uma reação inflamatória.

Beber muito líquido e manter uma alimentação saudável são atitudes fundamentais para reequilibrar o organismo. Chás, sucos verdes com antioxidantes, são interessantes para essa ocasião. A alimentação mais leve, com folhas verdes, legumes, frutas e muita água é o ideal para desinchar e desintoxicar.

Os polypodium leucotomos, ativos encontrados numa planta da família das samambaias, podem ser ingeridos para dar uma proteção extra à pele.

Passar hidratantes suaves que possuam vitaminas E ou C, além de moléculas que atraiam a água e mantenham a pele mais próxima da fisiologia natural. Manter banhos rápidos, quase frios, usar sabonetes neutros e hidratante após o banho, espalhando bem. Insistir nos pés, joelhos e cotovelos. Evitar esfoliantes, especialmente se a pele estiver avermelhada.

No rosto, usar cremes calmantes com antioxidantes (vitamina C, vitamina E, resveratrol, azuleno, alfa-bisabolol, entre outros, que ajudam a hidratar e desinflamar.

Evitar lugares quentes e calor excessivo na pele. Evitar também, ácidos retinoico e glicólico, pelo menos por uma semana. As manchas podem até estar piores, porém, quando a pele está muito bronzeada ou desgastada, devemos evitar o uso de lasers, pois a luz dos aparelhos pode queimar a pele.

Esses cuidados são importantes para o organismo e especialmente para a pele, que pode ser preparada para os tratamentos de outono-inverno.

Novidades do Congresso Mundial de Dermatologia: SOL, CÂNCER DE PELE, VITAMINA D

Dando continuidade aos temas de maior destaque abordados no 23º Congresso Mundial de Dermatologia, vou falar hoje sobre o SOL, CÂNCER DE PELE e a VITAMINA D.

Num país tropical como o nosso, com incidência de sol  durante o ano todo, é praticamente impossível evitarmos totalmente a ação da radiação solar na pele. Confira a seguir, as informações mais atuais e os novos aprendizados sobre esses assuntos.

SOL, LUZ VISÍVEL, INFRAVERMELHO

Se considerarmos a radiação total que recebemos por dia, temos abaixo o percentual de cada tipo de radiação e observamos que, tanto a luz visível como o infravermelho, são bem maiores do que a radiação ultravioleta:

UV – 3%

Visível 44% – exposição a qual estamos expostos

IR infravermelho 53%

O sol é bastante agressivo, como já sabemos, porém a luz visível e o infravermelho chegam a nossa pele em maior quantidade. A agressão causada por essas radiações é feita de forma indireta, estimulando a formação de radicais livres. Precisamos conseguir proteção em relação a essas radiações, pois elas ainda não existem. Nenhum filtro solar do mercado protege da luz visível.

A luz visível atinge muito mais as pessoas que têm maior concentração de pigmentos e, portanto, agride mais aos negros do que brancos, causando eritema e melanogênese. Talvez essa seja a causa dos pacientes mestiços terem mais melasma e também maior dificuldade para evitar o escurecimento da lesão.

Vários trabalhos e medidas têm sido feitas, medindo a agressão da luz visível. Há também agressões imunológicas, como o aumento da expressão do CCL18 que tem sido associado à dermatite atópica e linfomas. A novidade é que através desses estudos conclui-se que a luz visível aumenta a pigmentação, a tirosinase e o CCL18 somente na pele escura e não na pele clara. Atualmente filtros com vitaminas antioxidantes e filtros com cor protegem em parte da luz visível.

TRATAMENTO PARA O CÂNCER DE PELE COM A LUZ DO SOL

Trata-se do uso da terapia fotodinâmica para o tratamento das lesões pré-cancerosas e o próprio câncer de pele (basocelular) quando superficial.

Utiliza-se um creme que é passado nas áreas afetadas (campo cancerizável). Esse creme tem afinidade pelas células cancerígenas e promove uma reação química que deixa essas células evidenciadas. A luz do sol seria o fator de tratamento final, pois teria mais afinidade por essas células marcadas e promoveria a destruição das mesmas. O produto é utilizado em casa e o paciente é orientado como deve tomar sol.

VITAMINA D

Excesso de gordura está associado à Vitamina D baixa. A obesidade pode estar associada a índices mais baixos de Vitamina D, assim como, síndrome metabólica e dislipidemia. Também contribuem para níveis baixos de Vitamina D, vida urbana e doenças em geral.

 Estudos mostram que o nível de vitamina D está relacionado a cor da pele. Estudos diferenciados mostram que pequenas quantidades de luz UVB nos braços 4x por semana é suficiente para manter o nível de Vitamina D em pessoas saudáveis. Lembrar que muitos países consideram valores normais acima de 20ng/dia, normais, e portanto, a interpretação dos exames de sangue que dosam Vitamina D é controversa.

Conclusão: há muitas duvidas sobre a vitamina D, sendo importante estudos que pesquisem esse assunto na profundidade, porém o mais evidente é que não sabemos muito sobre esse assunto.