NOVIDADES – LATINADERM 2017

O câncer de pele não melanoma é o câncer mais comum em nosso meio.

O principal fator de estímulo para o aparecimento do câncer de pele não melanoma é o sol através da radiação ultravioleta. Já sabemos que usar filtro solar de amplo espectro, com cobertura para radiação UVA e UVB é muito importante para a prevenção. Pessoas claras, com olhos e cabelos claros e que têm familiares com câncer de pele, ou que já tiveram algum câncer de pele, são os que apresentam maior risco.

Existem lesões precursoras do câncer de pele, que são as chamadas queratoses actínicas. Elas são lesões avermelhadas, ligeiramente descamativas, arredondadas, que parecem com pequenas feridas e que não cicatrizam. Quando ocorrem várias dessas lesões, chamamos de campo de cancerização, pois existem as lesões visíveis e aquelas ainda em formação, mas que ainda não são visíveis.

queratose 1Há tratamentos específicos para o campo de cancerização, como terapia fotodinâmica e o medicamento Igenol Mebutato. No primeiro caso, usamos uma substância denominada ácido aminolevulínico no rosto, para marcar as células pré-cancerígenas, e ou, já cancerígenas. O produto é espalhado em todo o rosto, ou na área suspeita, sendo precedida por uma limpeza e curetagem (raspagem) leve. Então, o paciente permanecerá com esse medicamento na pele por cerca de 2 a 3 horas, sendo a área coberta para evitar exposição à luz. Após esse período, quando o rosto já está sensibilizado e as células doentes estão marcadas e reativas, a área é submetida a exposição de luz vermelha, que promove uma reação química, destruindo as células pré-cancerígenas, e ou, cancerígenas. Quando da aplicação da luz, há muita dor, principalmente se houver muitas lesões pré-cancerígenas. O rosto fica bastante sensível e a pele avermelhada, sendo o uso do filtro solar, nos dias subsequentes, é extremamente importante.

Outro recurso interessante para o tratamento do campo de cancerização, é o uso do produto chamado Igenol Mebutato, que promove morte e destruição das lesões pré-cancerosas. O creme é espalhado em toda a área a ser tratada, também com uma curetagem prévia. A aplicação deve ser feita preferencialmente pelo médico dermatologista, que é o especialista em reconhecer lesões pré-cancerosas. O creme deve ser bem espalhado e não há nenhuma reação, nem dor ou coceira. Esse medicamento deverá permanecer no local por várias horas e ser usado 3 dias seguidos. Depois que o creme é espalhado, não pode ser usado qualquer outro produto e nem mesmo lavar o rosto ou usar filtro solar. Já no segundo dia, o rosto fica avermelhado e sensível e quanto mais “machucado”, mais lesões suspeitas estão sendo tratadas. O mecanismo de destruição das células é através do apoptose, que é uma morte celular programada. Após os três dias do uso do medicamento, o local descama e fica avermelhado, semelhante a um peeling, recuperando totalmente em cerca de 10 dias.

É importante ressaltar que são tratamentos médicos, com indicação precisa, que podem de forma eficiente, tratar o campo de cancerização, evitando o aparecimento de câncer de pele no futuro. 

Envelhecimento Cutâneo

O processo de envelhecimento do organismo está relacionado com a perda da capacidade funcional e de reserva, mudança da resposta celular aos estímulos, perda da capacidade de reparação e predisposição do organismo à doença. As células humanas têm capacidade finita de reprodução entrando então, no processo chamado senescência. A idade é paralela à senescência celular e tem o mesmo controle genético. Existem exceções como células germinativas, “stem cells” (totipotentes) e células cancerosas que reproduzem sem parar, influenciadas por mecanismos desconhecidos.

O telômero é a porção terminal do cromossomo eucariótico e protege o mesmo da degradação. Com a idade, o telômero torna-se mais curto em todas as células, menos naquelas germinativas e cancerosas. Estas têm maior quantidade de telomerase, que é uma transcriptase reversa com capacidade de replicar o telômero. A telomerase se expressa nas células germinativas e cancerosas evitando o desaparecimento do telômero e consequentemente o desgaste e senescência das células.

A oxidação ocorre constantemente no organismo humano causando dano, principalmente ao DNA celular. Ela aumenta com a idade e nas células senescentes. Quanto mais oxidação, menor grau de reparação, maior número de mutações, maior deteriorização celular e maior formação de tumores.

No envelhecimento do organismo há queda dos hormônios de uma maneira geral. Ocorre a andropausa com diminuição dos andrógenos, menopausa com menos quantidade de estrógenos e também a chamada somatopausa com rebaixamento do nível do hormônio do crescimento. Este é produzido durante o sono pela glândula pitutária em grande quantidade na puberdade. Sua diminuição provoca perda da massa magra e aumento do depósito de gordura. Homens de mais de 60 anos, quando tratados com hormônio do crescimento aumentaram a massa muscular, perderam o excesso de gordura e aumentaram o tônus da pele. A reposição do hormônio do crescimento vem sendo cogitada em certas situações específicas.

O envelhecimento cutâneo pode ser divido em envelhecimento intrínseco e fotoenvelhecimento. O primeiro representa aquele comum aos órgãos e o segundo, mais intenso e evidente, ocorre em decorrência dos danos causados pela radiação ultravioleta.

O envelhecimento causado pela idade é mais suave, lento e gradual, causando danos estéticos muito pequenos. Já o fotoenvelhecimento é mais danoso e agressivo à superfície da pele, sendo responsável por modificações como rugas, engrossamento, manchas e o próprio câncer de pele. O fotoenvelhecimento não é a intensificação do envelhecimento cronológico, mas tem características próprias muito diferentes do envelhecimento comum. Sendo assim, a pele vai apresentar características diferentes em áreas expostas e não expostas. Além disso, o sol passa a ser o principal fator em relação ao fotoenvelhecimento.

Existem diferenças marcantes entre o envelhecimento intrínseco e o fotoenvelhecimento que são coerentes com as alterações bioquímicas e moleculares. No envelhecimento pela idade, a textura da pele é lisa, homogênea e suave com atrofia da epiderme e derme, menor número de manchas e discreta formação de rugas. No fotoevelhecimento a superfície da cútis é áspera, nodular, espessada, com inúmeras manchas e rugas profundas e demarcadas.

Histologicamente a atrofia e retificação da epiderme no envelhecimento cronológico contrasta com a acantose da pele actínica. Os queratinócitos são normais na primeira e displásicos na pele fotoexposta. Os melanócitos são diminuídos conforme a idade, mas aumentam em número e distribuem irregularmente o pigmento na pele lesada pela luz ultravioleta. A pele envelhecida tem menor quantidade de elastina e colágeno e vascularização hormonal. Na pele actínica aparece a zona de GRENZ (faixa eosinofílica cicatricial). As fibras de colágeno tem maior desorganização e as elásticas transformam-se em massas amorfas (elastose), enquanto os vasos tem parede duplicada e infiltrado linfo-histiocitário ao seu redor, caracterizando a heliodermatite.

Finalizando, enfatizamos a importância do estudo e conhecimento do envelhecimento cutâneo, pois quanto mais conhecemos, mais podemos oferecer ao nosso paciente.