Queda de Cabelo

Nos últimos anos, há um foco cada vez maior nos problemas relacionados a queda de cabelo.

Quando participei, em 1996, de um estudo multicêntrico para avaliar a eficácia da finasterida 1mg/dia para a calvície masculina, poucos os dermatologistas se interessaram por este tema. No entanto, nos últimos 10 anos, incentivado pelos avanços científicos e tecnológicos, esse cenário mudou drasticamente para melhor.

A queda de cabelo é uma preocupação constante para as pessoas, porém para as mulheres adultas traz consequências como baixa autoestima, ansiedade e depressão bem mais altas do que em outras doenças dermatológicas.

Quantos fios podem cair num dia? Quando devo me preocupar? Estas perguntas são difíceis, pois a quantidade é relativa e pode variar muito, entre 40 a 100 fios por dia. O mais importante não é o número exato de fios que caem, mas sim se há um aumento perceptível em relação a quantidade anterior. Porém, pior do que a queda é o afinamento do fio, que pode significar um diagnóstico de calvície, principalmente quando esse afinamento ocorrer na parte superior frontal do couro cabeludo. Portanto, havendo percepção de muita queda de cabelo e/ou afinamento, é importante procurar o especialista.

Hoje, devido ao maior conhecimento em relação ao funcionamento do folículo e também da genética e fisiologia envolvidos com suas respostas, podemos agir de forma mais abrangente. Exames de sangue, avaliando sobre as funções da tireoide, além de pesquisar anemia, fatores inflamatórios e distúrbios hormonais da adrenal ou ovário; também é interessante checar o nível de ferritina, vitamina D, vitamina B e zinco.

O exame local, com um programa de dermatoscopia, chamado trichoscan, ajuda para sabermos a contagem dos fios na fase de crescimento, repouso e também de fios que afinam muito e são miniaturizados. Descamação, coceira, ardência e dor no couro cabeludo, devem ser considerados na abordagem terapêutica. O tratamento específico da queda de cabelo, sempre dependerá da causa envolvida. Muitas vezes será necessário tratar alterações da tireoide ou aquelas do ovário policístico.

No meeting da Academia Americana de Dermatologia, realizado no início de março, foram citados vários tratamentos para a queda de cabelo, sempre frisando a importância de conhecer a causa e também de encarar a multiplicidade de fatores envolvidos com a mesma.

O uso de vitaminas, fitoterápicos, aminoácidos sempre são interessantes na composição destes tratamentos. Zinco, vitamina b12, biotina, cisteína, são algumas das substâncias interessantes. A finasterida e o minoxidil continuam sendo interessantes para tratar a queda de cabelo.

A grande vedete foi o Plasma Rico em Plaquetas, que consiste em retirar sangue do paciente, separar a fração, que é rica em plaquetas para aplicá-la no couro cabeludo. Esse concentrado de plaquetas tem muitos fatores de crescimento naturais que são capazes de estimular o crescimento do folículo piloso.

Variantes desse procedimento são realizadas em nosso meio com boa perspectiva de melhora.

Opções terapêuticas para a alopecia androgenética

A alopecia androgenética é a forma mais comum de queda de cabelo, com uma prevalência estimada entre 50 a 80% no sexo masculino e 20 a 40% no sexo feminino. Atinge as áreas andrógeno-dependentes do couro cabeludo, com ação específica do DHT nos folículos pilosos, principalmente em indivíduos geneticamente suscetíveis. O mecanismo mais prevalente é a miniaturização, ou seja, a transformação dos fios terminais em fios velus, que são menores e mais finos.

Em relação ao tratamento, é importante observar a micro inflamação que possa existir no couro cabeludo, associada a dermatite seborreica, danos actínicos da radiação ultravioleta [UV], produtos químicos ou bactérias ativadas pela radiação UV – fatores que parecem influenciar a epigenética e devem orientar o tratamento. Excluindo os transplantes capilares e a micropigmentação, há várias alternativas para tratamento da alopecia androgenética, dos medicamentos que tem ação biológica, destaca-se o minoxidil; antiandrógenos com ação específica no recetor; e bloqueadores enzimáticos, os que mais se destacam são a finasterida e a dutasterida.

Minoxidil

Apesar de utilizado há muitos anos, o seu mecanismo de ação ainda não está totalmente definido, mas parece prolongar a fase anágena. A dose de 5% é comprovadamente mais eficaz que a dose de 2%. Atualmente, além da loção, que é aplicada duas vezes/dia, também há a espuma 5%, que pode ser aplicada uma vez/dia proporcionando uma maior comodidade, além disso, recentemente ela foi aprovada também para uso em mulheres. São poucos os efeitos coloterais relatados em relação ao uso do minoxidil, por períodos bastante prolongados.

Antiandrogênicos

A espironolactona, indicada apenas para mulheres, é bastante utilizada devido ao seu efeito antiandrogênico. Por ser a única droga administrada para o tratamento da alopecia androgenética, a dose diária é de 100 a 200 mg/dia, durante seis meses, o que provoca muitos efeitos colaterais, sendo necessário o controle da função hepática e dos níveis de potássio. Por esses motivos, cada vez mais esta droga deixa de ser uma opção terapêutica isolada, dando-se preferência para o uso da espironolactona associada a outros tratamentos.

É importante lembrar que os progestágenos utilizados na composição de diversas pílulas anticoncecionais (como o acetato de ciproterona, a drospirenona e o acetato de clormadinona) também podem auxiliar no tratamento da alopecia androgenética, pela sua ação antiandrogénica.

Controvérsias com finasterida

A finasterida está entre as drogas mais utilizadas no tratamento da alopecia androgenética masculina. Trata-se de um inibidor específico e competitivo da 5-alfa-redutase II, reduz os níveis de DHT em cerca de 65% e deve ser administrada na dose de 1 mg/dia – nem mais, nem menos.

Contraindicada no sexo feminino e, em mulheres com idade fértil, pois pode levar à feminilização do feto masculino. Porém, exista na literatura relatos (of-label) dos seus efeitos benéficos em mulheres com hiperandrogenismo – por exemplo, em casos de ovário policístico – com doses mais elevadas – de 2,5 mg/dia até 5 mg/dia.

Inúmeras controvérsias foram relatadas em torno da finasterida, entre elas o fato da droga alterar o marcador tumoral PSA [antígeneo específico da próstata]. Mesmo com estudos concluindo sobre a diminuição da prevalência de câncer da próstata em 24,8%, ainda subsiste na comunidade científica, a dúvida sobre a sua relação com a ocorrência de tumores mais graves, principalmente com a dose de 5 mg/dia.

Mas os efeitos colaterais da finasterida na esfera sexual são, atualmente, os mais controversos. Um trabalho recentemente publicado fez ressurgir uma dúvida já amplamente debatida: a continuidade dos efeitos colaterais da finasterida – entre os quais a diminuição da líbido e da qualidade da ejaculação e do orgasmo – mesmo após a descontinuação dessa droga. Mas a causa deste mecanismo é imprevisível e desconhecida, não havendo uma conclusão formal sobre esta questão. Uma meta-análise recente, considerou que os trabalhos até hoje publicados não são adequados para determinar se haverá ou não persistência dos efeitos colaterais da finasterida após a sua descontinuação. Neste sentido, estão sendo conduzidos vários trabalhos de investigação e por isso, este é um tema que merece reflexão.

Dutasterida

A dutasterida também tem sido muito utilizada na abordagem da alopecia androgenética, pelo seu efeito inibidor da 5-alfa-redutase I e II, diminuindo os níveis séricos e tópicos de DHT em mais de 90%. Contudo, esta droga tem efeitos colaterais significativos de impotência sexual, diminuição da líbido e também interação medicamentosa. Porém, há relatos na literatura de melhoria com a sua utilização em mulheres, na dose de 0,5 mg/dia, durante 12 meses.

Novos tratamentos:

Estão em estudo várias alternativas de tratamentos, entre eles, os análogos da prostaglandina (entre os quais o setipiprant, um antagonista da PGD 2 e do recetor GPR 44, com resultados iniciais promissores); os tratamentos com luz e laser em baixa frequência; o plasma rico em plaquetas (apesar de serem poucos os estudos consistentes a sustentar cientificamente a sua possível utilização) e das células tronco.

Atualmente, a terapêutica transdérmica também é outra possibilidade de abordagem da alopecia androgenética. Este método, que começou a ser desenvolvido com a utilização do laser fracionado ablativo e da radiofrequência fracionada em associação com ultrassom, é aplicado através da pele, formando microcanais, seguida de infusão de substâncias ativas, por um aparelho semelhante ao utilizado na realização das tatuagens.

Conclusões: É fundamental que haja uma avaliação completa do paciente para a indicação do tratamento da alopecia androgenética, como o controle da micro inflamação, a correção dos níveis hormonais e de nutrientes que possam estar alterados, como o ferro, o zinco e algumas vitaminas; o controle do stress e de algumas doenças concomitantes, como da tiroide; a administração de finasterida e/ou minoxidil e de luz e laser de baixa frequência.

CABELOS

A importância do cabelo para o ser humano tem duas óticas: a primeira, fisiológica, da proteção contra o meio ambiente; a outra, psicológica ou emocional, sendo esta incomensurável.

Como assume uma importância grande na esfera emocional, é interessante notar que, quando uma pessoa começa a perder cabelos, ela fica desesperada, pois esta é uma parte do corpo que se tem bastante controle, isto é, podemos cortar, pintar, fazer penteados, alisar, enrolar etc., e que, quando não podemos mais controlar, dá-nos a sensação de impotência em relação ao nosso corpo.

Os cabelos existem para proteger regiões, como o couro cabeludo, contra a ação do frio, do calor e do excesso de luz solar. Além disso, também revelam a saúde do nosso organismo e podem sofrer por causa de doenças internas, ou mesmo, agressões externas, como uso de produtos inadequados ou excesso de química (tinturas, por exemplo) e de sol. No caso de doenças, eles podem cair ou afinar e, em relação às tinturas, podem ressecar.

No couro cabeludo existem de 100 mil a 150 mil fios. O cabelo tem um ciclo de vida contínuo e passa por fases de crescimento e de repouso. Cada fio vive uma etapa específica, que se distribui em 85% no período de crescimento (anágena) e 15% no período de repouso (telógena). Isso significa que temos sempre mais cabelo crescendo do que caindo. A duração da fase de crescimento é, em média, de quatro anos. A queda de alguns fios ao lavar ou pentear é normal e podemos perder cerca de 100 fios por dia. É preciso, sim, prestar atenção quando houver aumento significativo da quantidade de fios que caem.

O fio de cabelo cresce através do acúmulo de proteínas e minerais em sua base (bulbo) e elas são diretamente influenciadas pela nutrição e fatores hormonais. O cabelo está em constante renovação, passa por ciclos de crescimento, repouso e queda. Porém, se caírem excessivamente e demorarem a crescer deve-se procurar um profissional, a fim de fazer uma avaliação das possíveis causas desta queda. Fatores como hereditariedade, alterações hormonais, uso de medicamentos, utilização de químicas de tratamento capilar, carência nutricional (por exemplo deficiência de ferro), fluxo menstrual na mulher muito intenso ou de duração prolongado, diabetes, alteração da tireoide, gravidez, interrupção do uso de anticoncepcionais, seborreia, dietas restritivas, infecções ou febres, ovário policístico, entre outros; podem interferir na saúde dos cabelos. Muitas vezes, existem alterações hormonais ou metabólicas que precisam ser controladas, para que os fios cresçam saudáveis. Alimentação é outro fator importante, deficiência vitamínica ou de ferro, por exemplo, muito comum nas mulheres, devem ser corrigidas. É importante que o dermatologista faça uma avaliação completa para direcionar adequadamente as medidas terapêuticas.

Os cabelos precisam ser limpos com frequência. A lavagem pode ser feita dependendo da necessidade de cada um, sendo que lavar todos os dias, ou duas vezes por semana não provoca queda, contanto que o cabelo permaneça limpo. O xampu ideal é aquele adequado para cada tipo de cabelo.  Ele é a formulação com um balanço entre substâncias limpadoras e condicionadoras indicadas para cabelos oleosos, mistos e secos. O xampu não causa queda de cabelo e também não combate a mesma.

Outro mito é que lavar os cabelos todos os dias faz com que a raiz apodreça. Isso não é verdade. A frequência das lavagens deve ser determinada pelas características do couro cabeludo. Um couro cabeludo que produz mais oleosidade, deve ser lavado mais frequentemente do que um couro cabeludo mais seco. O importante é manter a raiz sempre limpa, livre do acúmulo de suor, sebo e impurezas. A água não entra na raiz dos cabelos, portanto, não pode apodrece-la.

Os xampus são formulações que contêm substâncias que limpam os fios e couro cabeludo, evitando dermatites, caspa e infecções por fungos e bactérias. Hoje há produtos com funções mais complexas, como aumentar ou diminuir o volume, restaurar e facilitar o ato de pentear. Não existem xampus anti-queda, os assim denominados, apenas melhoram a condição do couro cabeludo e podem ajudar em outros tratamentos, mas xampus que façam os cabelos crescerem ou nascerem, infelizmente ainda não foram criados.

Os indicados para cabelos oleosos possuem mais componentes de limpeza, enquanto os formulados para cabelos secos, apresentam mais elementos condicionadores. Existem os que contêm agentes anti-caspa, vitaminas e hidratantes. O ideal, é a pelo menos, a cada 15 dias, lavar os cabelos com um xampu anti-resíduo, para eliminar produtos que se acumulam nos fios, deixando-os com aspecto pesado. Também, é interessante alternar pelo menos dois tipos de xampus.

Existem ainda os condicionadores. Ricos em proteínas, eles têm com função devolver a gordura natural perdida durante a lavagem. Também devem deixar os cabelos fáceis de pentear e restaurar a uniformidade dos fios agredidos química ou mecanicamente. Dê preferência aos que são feitos com extratos de substâncias naturais, ou enriquecidos com proteínas. Por último, protegem os fios da fricção, diminuindo a eletrostática. Cremes condicionadores ou rinse não fazem os cabelos caírem, a função desses produtos é a de facilitar o penteado e de dar brilho aos cabelos. Aqueles que caem já estavam soltos e foram apenas liberados dos outros.

Muitas pessoas têm dúvida se as substâncias modeladoras, como gel, e fixador sem álcool, causam danos. Esses produtos não prejudicam e, quando são de qualidade, não provocam queda de cabelo.

Para ter cabelos saudáveis e bonitos são necessários cuidados tão importantes como os cuidados com a sua pele. A melhor maneira de prevenir e reparar as agressões aos cabelos é entender como ocorrem os danos.

Os danos aos cabelos resultam de traumas mecânicos e químicos que alteram as estruturas físicas do cabelo. O cabelo tem três camadas básicas, a cutícula, o córtex e a medula. A cutícula é a camada mais externa da escala de proteção. É a principal estrutura do cabelo e é responsável pela força, brilho, textura, maciez e maleabilidade dos fios. Existe também uma camada de sebo, uma substância oleosa, secretada pelos folículos capilares, que recobre a cutícula e adiciona brilho e maleabilidade ao cabelo. O córtex, fornece força ao eixo do cabelo, e determina a cor e a textura. A medula é a camada mais interna do cabelo, onde são determinados o corpo e a força do cabelo. A cutícula pode ser lesionada por meios químicos ou mecânicos, como descoloração ou secadores de cabelos. Os fatores ambientais, como exposição à luz solar, poluição, vento, água do mar ou piscina também podem causar danos. Quando a cutícula é agredida por esses fatores, a proteção é diminuída e as outras camadas do cabelo são expostas. Em alguns casos, até mesmo a camada mais interna, a medula, é exposta e pode sofrer danos.

No próximo artigo vou abordar os principais danos ao cabelo e como combatê-los.

Novidades do Meeting da Academia Americana de Dermatologia – realizado de 4-8 março/2016 em Washington

Vitiligo

O vitiligo é uma doença crônica não contagiosa que causa manchas brancas na pele. A causa não está totalmente conhecida, mas já se descobriu que o melanócito é agredido por células inflamatórias. Já foram descobertos alguns dos fatores inflamatórios específicos dessa doença como a citocina CXCL-10. Sendo assim, as pesquisas se concentram em tentar neutralizar ou acabar com as fases dessa inflamação.

A sinvastatina, por exemplo, que é um remédio utilizado para reduzir os níveis de colesterol, pode melhorar o vitiligo, pois apresenta ação anti-inflamatória.

Outras medicações como os inibidores da Jack, que são enzimas específicas de receptores de membrana, podem reverter o vitiligo porque neutralizam a citocina CXCL-10. Uma dessas drogas foi aprovada pelo FDA para tratamento de artrite reumatoide. Recentemente um paciente que tinha artrite e vitiligo reverteu as manchas quase na totalidade, quando fazia o tratamento para reumatismo. Os nomes comerciais desses produtos que podem tratar o vitiligo são: Tofacitinib e Ruxolitinib.

Outra opção é o Afamelanotide, que é um análogo do hormônio melanócito estimulante. Este remédio melhora o vitiligo quando associado a luz ultravioleta B e age provocando o estímulo do hormônio que produz o pigmento denominado melanina.

Ainda foi enfatizado que a vitamina D e o zinco estão em níveis baixos nesta doença. A suplementação com essas substâncias pode promover a produção de pigmento e melhorar o problema. 

Queda de cabelo: Minociclina na alopecia fibrosante frontal inibe metaloproteinase e evita cicatriz.

A alopecia fibrosante frontal é um tipo específico de queda de cabelo que ocorre mais em mulheres após a menopausa. Ela é uma alopecia cicatricial, onde o folículo pilo-sebáceo é destruído. Nos últimos anos, há um aumento muito grande de casos, configurando quase uma epidemia.

Nesta doença, a testa aumenta de tamanho devido à diminuição dos folículos que desaparecem do local. Lembrar que o mais importante em relação ao tratamento é o fato de ser uma alopecia cicatricial, que é irreversível e dessa forma, quanto antes iniciar o tratamento melhor.

No Meeting da Academia Americana de Dermatologia, uma aula sobre este tema foi dada pela professora e pesquisadora, referência no assunto, Dra. Antonella Tosti, que realçou a finasterida e dutasterida como os melhores tratamentos para alopecia fibrosante frontal. Ela também utiliza outras medicações como: hidroxicloroquina, minoxidil, corticoide, inclusive fazendo a combinação de alguns deles. 

A Minociclina, que é um antibiótico imunomodulador, promove a melhora da alopecia fibrosante frontal, pois além de tratar a inflamação, inibe também a enzima metaloproteinase, evitando cicatriz posterior.

É importante enfatizar que a parada da progressão da doença já melhora a autoestima dos pacientes.

9º Congresso de Pesquisas sobre Cabelos realizado em Miami – 18 a 21 Nov 2015 – Novidades

A queda de cabelo em qualquer idade e de qualquer tipo, provoca uma alteração muito significativa na autoestima da pessoa. Em uma consulta dermatológica sobre alguma queixa, é muito frequente haver lágrimas por causa da queda de cabelo, mesmo quando comparamos com o câncer.

O cabelo é uma estrutura multifuncional complexa e que responde a inúmeros estímulos, desde hormônios até inflamações.

O 9th World Congress for Hair Research realizado em Miami foi excelente, pois levantou as principais questões relacionadas às diversas doenças do couro cabeludo e queda de cabelo.

Foram apresentadas pesquisas mais recentes em cabelos e as possíveis drogas que fazem parte destes estudos. É muito importante lembrar que, em vista do grau de alteração emocional relacionado aos problemas de cabelo, é muito fácil se iludir com tratamentos milagrosos. Nesse momento, a crítica, a honestidade e a ética devem priorizar a indicação dos tratamentos específicos.

A alopecia areata apresenta áreas arredondadas ou ovaladas sem cabelo e é conhecida como “pelada”. A doença não é inflamatória e não causa nem dor, nem coceira ou avermelhamento. Pode ser universal, comprometendo as sobrancelhas e pelos de todo o corpo, causando significativa baixa de autoestima.

Hoje os tratamentos são diversificados, sendo utilizados corticoides na forma tópica ou infiltração. Também é feita a sensibilização com difenciprona, que depois, em doses menores, provoca dermatite de contato no local. Essa dermatite, que é uma inflamação, compete com a inflamação imunológica específica, que ataca o folículo piloso e melhora a alopecia com o retorno dos fios. Essa terapia tem que ser feita por médicos; que aplicam a substância 1 x semana até melhora total da queda de cabelo.

Pesquisas recentes apontam o uso de uma nova substância para o tratamento da alopecia areata. Trata-se do tofacitinibe que é um inibidor da JAK, enzima que participa de uma via metabólica já bem conhecida. Esse remédio, por via oral, é indicado para a artrite reumatoide. Em um dos protocolos onde os resultados foram averiguados, foi observada, em princípio “por acaso”, a melhora da alopecia areata.

Os estudos estão agora com o foco no tratamento da alopecia areata, procurando observar qual é a melhor dose. O remédio ainda não está liberado pelos órgãos reguladores – FDA e também ANVISA. Ele é bastante caro e tem efeitos colaterais, porém é uma esperança, principalmente para tratar a alopecia areata grave.

Durante o congresso foram mostrados estudos para avaliar o uso desses inibidores da JAK, de uso tópico. Neste caso haverá menos efeitos colaterais.

Este desafio continua…

Novidades do Congresso de Dermatologia de Portugal – Novembro de 2015 – Parte II

OUTRAS FACES OU VISÕES SOBRE A ALOPECIA ANDROGENÉTICA

A alopecia androgenética, também conhecida como calvície, é uma doença muito prevalente, comprometendo cerca de 80% dos homens e quase 50% das mulheres até a idade de 80 anos. As mulheres ficam literalmente desesperadas e com grandes feridas na sua autoestima, a ponto de cancelarem compromissos sociais, se isolarem e ficarem com depressão.

Hoje, a visão da alopecia não é de algo simplesmente genético, onde a mulher e o homem tem a pré-disposição. Atualmente, é sabido que a partir do conhecimento da epigenética, que estuda e analisa os fatores ambientais e circundantes, podem influenciar na mesma. Sendo assim, fatores hormonais, doenças, estresse, remédios, procedimentos estéticos, dermatite seborreica, alimentação, podem afetar esse quadro. Portanto, uma anamnese profunda, detalhada e competente é necessária para fazer o diagnóstico correto, avaliando todas as influências que existem em cada caso.

É necessário evitar a caspa e a inflamação no couro cabeludo, assim como combater o excesso de oleosidade. Doenças da tireoide, anemia, artralgias e a diabetes precisam ser controladas e tratadas. A alimentação deve ser equilibrada evitando leite e derivados do leite em excesso, assim como, alimentos de alto índice glicêmico que podem favorecer o aumento do hormônio do crescimento similar a insulina,que facilita e aumenta a inflamação. Todos esses fatores assim como a complementação com vitaminas e o uso de medicações especificas podem ajudar.

Nesse congresso foi apresentada uma nova droga tópica que parece promissora no tratamento da alopecia androgenética. Trata-se da adenosina 0,75%, substância que foi usada em 38 pacientes 1x ao dia por 6 meses e mostrou-se segura e eficaz. Todas as medidas gerais também devem ser utilizadas.

O tratamento complementar com terapia transdérmica é interessante e consiste em fazer tratamentos semanais no consultório médico, onde serão provocados microfuros na pele com aparelho similar ao de fazer tatuagem, e também associada ao uso da bimatoprosta no couro cabeludo.

É importante realçar que essas propostas terapêuticas têm poucos efeitos colaterais e eximem o indivíduo de usar remédios sistêmicos que têm efeitos mais gerais e comprometedores.

RAPAMICINA NO TRATAMENTO DOS ANGIOFIBROMAS E HEMANGIOMAS

Os angiofibromas são tumores benignos que aparecem na pele principalmente nos casos de esclerose tuberosa. São lesões papulosas avermelhadas e endurecidas que, devido a grande quantidade, acabam constrangendo a pessoa comprometida.

Alguns trabalhos recentes têm demonstrado que o uso tópico do sirolimus ou rapamicina pode reverter e diminuir a angiogenese e melhorar o aspecto desses tumores, assim como evitar seu crescimento. Essa descoberta pode abrir caminho para o tratamento de outras doenças inflamatórias como a rosácea e a psoríase. O mecanismo de ação não está totalmente explicado, mas a substância parece diminuir a formação e aumento dos vasos, diminuindo também a inflamação.

Calvície

Uma das queixas mais frequentes no meu consultório é relativa à queda de cabelos. Não há desespero maior, principalmente para as mulheres, do que observar fios no travesseiro, no banho ou escova, além de sua diminuição progressiva e gradual.

A calvície é um processo crônico, também chamado de alopécia androgenética. Acomete homens e mulheres e prejudica muito a autoestima. Sua origem é essencialmente genética e sofre a influência dos hormônios masculinos que são os andrógenos. Vários outros fatores podem contribuir para acelerar a calvície como: alterações de tireoide, anemia, estresse intenso, remédios e regimes radicais.

Muitos fazem transplante de cabelo para melhorar a aparência e não ficarem carecas. Porém, por ser genética, a queda continua durante toda a vida. Portanto, mesmo que o transplante seja feito, os fios remanescentes continuam afinando e caindo. Por este motivo é importante fazer o tratamento prévio e a devida manutenção para evitar que haja progressão do processo de queda.

Alguns medicamentos são utilizados, como: minoxidil 5% e 17 alfa estradiol tópicos, finasterida, espironolactona, acetato de ciproterona sistêmicos, entre outros. A avaliação clínica, pelo dermatologista, tanto para fazer o diagnóstico, como para escolher o melhor tratamento é fundamental. Vale realçar que o conhecimento sobre o cabelo tem sido acelerado nos últimos anos.

Há muitos mitos sobre a finasterida, que é um dos principais tratamentos para calvície masculina e feminina. Gostaria de esclarecer que vários estudos têm mostrado que é um remédio seguro e eficaz e tem que ser usado conforme a orientação médica. Há relatos de cerca de 2% das pessoas com diminuição da libido no início do tratamento, o que costuma regredir depois de alguns meses. Ao contrário do que acreditam alguns, o homem pode ingerir o medicamento mesmo que a sua mulher queira engravidar.

As mulheres também podem ser tratadas com finasterida ou dutasterida, a critério do medico. O medicamento para as mulheres é “off label” e precisa de indicação e acompanhamento do dermatologista, que é o especialista em cabelo.

Existem atualmente outros recursos para evitar a queda definitiva dos fios, incluindo tratamento com lasers e luzes que estimulam o seu crescimento.

No primeiro sinal de rarefação dos fios, busque ajuda médica!