PLASMA RICO EM PLAQUETAS: UMA OPÇÃO DE TRATAMENTO PARA ENVELHECIMENTO, CICATRIZAÇÃO E QUEDA DE CABELO

Nos últimos anos houve muita evolução no conhecimento da imunologia, genética e biologia molecular. O maior conhecimento dos mecanismos de comunicação celular, como a liberação de fatores de crescimento e hormônios, além do conhecimento dos passos da cicatrização, comprovam que há caminhos naturais do organismo para reverter o fotoenvelhecimento. Sendo assim, os processos de reparação do nosso corpo também podem ser aqueles que evitam e neutralizam o envelhecimento.

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Nessa linha de raciocínio tratamentos como o Plasma Rico em Plaquetas, o microagulhamento, o drug delivery e células tronco mesenquimais, caminham nesta direção. O plasma rico em plaquetas, é um tratamento que consiste em retirar o sangue do próprio paciente, separar a fase de plaquetas, que é extremamente rico em fatores de crescimento e pode ser aplicado na pele para o tratamento do envelhecimento, para cicatrização e também para queda de cabelo, chamada de alopecia androgenética. Vários estudos mostraram bons resultados do plasma rico em plaquetas para o tratamento da calvície.

Na Universidade de Mogi das Cruzes, foi realizado um estudo piloto com plasma rico em plaquetas (PRP) para o tratamento da calvície. Foram selecionados pacientes com calvície e definidos critérios de inclusão. Esses critérios incluíam o diagnóstico correto, ausência de doenças sistêmicas, remédios quimioterápicos ou hormonais. Antes do procedimento, os pacientes fizeram exame para estabelecer a quantidade de plaquetas no sangue, que precisaria ser de pelo menos 150.000 plaquetas. No dia do procedimento foi colhido o sangue do paciente e o mesmo centrifugado, separando a parte vermelha da amarela. Há processos específicos, colocando fatores potencializadores no sangue. A fase amarela, mais rica em plaquetas foi aspirada e aplicada em uma parte da área de calvície, que foi dividida em duas partes, a outra parte recebeu soro fisiológico. As áreas de calvície receberam injeções intradérmicas 1 vez ao mês, durante 3 meses. Como resultado, tivemos melhora da calvície mais importante do lado que foi aplicado o PRP, comparado com o lado que recebeu soro fisiológico. A explicação para isso, relaciona-se a quantidade de fatores de crescimento na fração plaquetária, que estimulam as células tronco foliculares, facilitando o engrossamento dos folículos e diminuição da queda. O procedimento é doloroso somente no momento da aplicação e não houve efeitos colaterais significativos após a aplicação. Os resultados foram avaliados após 3 meses do tratamento. O tratamento com PRP é promissor no tratamento da calvície, no entanto há necessidade de estudos sistematizados para estabelecer os parâmetros de quantidade do produto, a frequência, o número de aplicações e duração dos efeitos do tratamento. Esse tratamento também tem sido feito para acelerar a cicatrização de feridas e melhorar o fotoenvelhecimento cutâneo. O custo benefício pode ser bem interessante e natural.

 

MEDICINA REGENERATIVA – NOVA FRONTEIRA NO TRATAMENTO DO ENVELHECIMENTO

Ao longo do tempo, muitas técnicas vêm sendo incorporadas para melhorar a aparência do envelhecimento cutâneo. Hoje, associando bons cosmecêuticos com procedimentos como peelings, preenchimento, toxina botulínica, lasers e radiofrequência, podemos conseguir ótimos resultados na prevenção e correção de sinais do envelhecimento.

Em relação aos peelings, favorecemos a troca celular, renovando o tecido; com alguns preenchedores, como a hidroxiapatita de cálcio, estimulamos a formação de colágeno novo através da ação específica do cálcio, e com vários lasers podemos conseguir também a formação de mais colágeno pelo calor que estes aparelhos emitem na profundidade da derme. Em meio a tudo isso, começa a ser vislumbrada uma nova fronteira no tratamento da pele envelhecida, que é a Medicina Regenerativa. Esta nova ciência, através de diversas tecnologias, tem seu início na própria resposta que a pele humana tem no processo cicatricial.

Quando a pele é cortada ou machucada, automaticamente começa um processo de cicatrização, que se inicia com a coagulação, onde as células sanguíneas trazem as citoquinas e fatores de crescimento para reconstruir o tecido, promovendo a neovascularização com formação de novas células e novo colágeno. Baseado no conhecimento das reações reconstrutivas do próprio organismo, começam a ser exploradas técnicas e procedimentos que utilizam o arsenal da medicina regenerativa como:

* Fatores de Crescimento

* Células Tronco

* Plasma Rico em Plaquetas

* Tecidos Reconstrutivos como a Pele sintética

FATORES DE CRESCIMENTO: São proteínas que circulam em nosso organismo e são estimuladas ou neutralizadas, conforme são acionadas por uma intricada rede de receptores, expressões genicas e estímulos hormonais. O fator de crescimento, por exemplo endotelial vascular, induz a vasculogênese e angiogênese. Esse fator é um dos mais importantes na cicatrização de tecido e na pega dos retalhos e enxertos.

O uso clínico de fatores de crescimento, iniciou nos anos 90 e em 2002 o FDA (Food and Drug Administration) aprovou o uso de fatores recombinantes como BMP-2 e BMP-7 para uso em cirurgias de medula e ortopedia. Em relação ao envelhecimento cutâneo, os fatores de crescimento têm sido incluídos em cremes e também usados de forma injetável para estímulos específicos.

PLASMA RICO EM PLAQUETAS: Esta técnica, muito utilizada na Europa e nos Estados Unidos, preconiza o uso da fração rica em plaquetas do sangue do doador para ser utilizado para cicatrização e estimula a melhoria do colágeno da própria pele. O sangue do indivíduo a ser tratado é colhido e centrifugado, separando a parte amarela das plaquetas, que é rica em fatores de crescimento. Esta fração, de acordo com cada protocolo, é aplicada no local a ser tratado, que pode ser uma ferida, queda de cabelo ou sulcos e rugas do fotoenvelhecimento.

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As proteínas contidas nesse plasma rico em plaquetas têm grande quantidade de fatores de crescimento como o fator de crescimento endotelial: esses fatores estimulam a produção de colágeno e a angiogênese, entre outros. Esta técnica, quando realizada com protocolo adequado, tem um grande potencial para a dermatologia e para cirurgia plástica.

CÉLULAS TRONCO: São células com potencial de sofrer diferenciação em várias linhagens celulares. As células tronco adultas são multipotentes e podem se diferenciar em vários tipos celulares, ajudando na recuperação de transplante de medula e regeneração de ossos, entre outros. Nas células do tecido adiposo, colhidas após uma lipoaspiração, existem células tronco adultas, que têm potencial de melhorar o aspecto do fotoenvelhecimento.

Na dermatologia e na cirurgia plástica essas células podem ser separadas após a centrifugação das células gordurosas retiradas da lipoaspiração e, como carregam consigo as células tronco mesenquimais, podem ser utilizadas em várias técnicas de tratamento. Os trabalhos como essa técnica ainda são incipientes, mas podem vir a ser bastante interessantes para melhorar a qualidade do tecido. Nossa publicação “Fração vascular estromal, uma nova terapêutica no fotoenvelhecimento: estudo comparativo e controlado” publicado na Revista Surgical And Cosmetic Dermatology, mostra a comparação entre a aplicação de um preenchedor e a aplicação das células mesenquimais pós lipoaspiração. Nos pacientes que foram tratados com as células tronco mesenquimais, obtivemos o mesmo resultado dos pacientes tratados com preenchedor, porém com duração bem maior que o primeiro.

As técnicas de medicina regenerativa hoje são utilizadas para acelerar a cicatrização de feridas, tratamento da calvície, estimulando o crescimento de mais fios, e no o tratamento de sulcos e rugas de expressão.

Essas técnicas vêm sendo cada vez mais estudadas e mais protocolos científicos estão sendo computados para torná-las parte do arsenal do dia a dia, para tratamento do envelhecimento cutâneo. A pele, como o maior órgão do corpo humano e com várias e complexas funções, é sem dúvida um das protagonistas nessa nova fronteira científica.

Queda de Cabelo

Nos últimos anos, há um foco cada vez maior nos problemas relacionados a queda de cabelo.

Quando participei, em 1996, de um estudo multicêntrico para avaliar a eficácia da finasterida 1mg/dia para a calvície masculina, poucos os dermatologistas se interessaram por este tema. No entanto, nos últimos 10 anos, incentivado pelos avanços científicos e tecnológicos, esse cenário mudou drasticamente para melhor.

A queda de cabelo é uma preocupação constante para as pessoas, porém para as mulheres adultas traz consequências como baixa autoestima, ansiedade e depressão bem mais altas do que em outras doenças dermatológicas.

Quantos fios podem cair num dia? Quando devo me preocupar? Estas perguntas são difíceis, pois a quantidade é relativa e pode variar muito, entre 40 a 100 fios por dia. O mais importante não é o número exato de fios que caem, mas sim se há um aumento perceptível em relação a quantidade anterior. Porém, pior do que a queda é o afinamento do fio, que pode significar um diagnóstico de calvície, principalmente quando esse afinamento ocorrer na parte superior frontal do couro cabeludo. Portanto, havendo percepção de muita queda de cabelo e/ou afinamento, é importante procurar o especialista.

Hoje, devido ao maior conhecimento em relação ao funcionamento do folículo e também da genética e fisiologia envolvidos com suas respostas, podemos agir de forma mais abrangente. Exames de sangue, avaliando sobre as funções da tireoide, além de pesquisar anemia, fatores inflamatórios e distúrbios hormonais da adrenal ou ovário; também é interessante checar o nível de ferritina, vitamina D, vitamina B e zinco.

O exame local, com um programa de dermatoscopia, chamado trichoscan, ajuda para sabermos a contagem dos fios na fase de crescimento, repouso e também de fios que afinam muito e são miniaturizados. Descamação, coceira, ardência e dor no couro cabeludo, devem ser considerados na abordagem terapêutica. O tratamento específico da queda de cabelo, sempre dependerá da causa envolvida. Muitas vezes será necessário tratar alterações da tireoide ou aquelas do ovário policístico.

No meeting da Academia Americana de Dermatologia, realizado no início de março, foram citados vários tratamentos para a queda de cabelo, sempre frisando a importância de conhecer a causa e também de encarar a multiplicidade de fatores envolvidos com a mesma.

O uso de vitaminas, fitoterápicos, aminoácidos sempre são interessantes na composição destes tratamentos. Zinco, vitamina b12, biotina, cisteína, são algumas das substâncias interessantes. A finasterida e o minoxidil continuam sendo interessantes para tratar a queda de cabelo.

A grande vedete foi o Plasma Rico em Plaquetas, que consiste em retirar sangue do paciente, separar a fração, que é rica em plaquetas para aplicá-la no couro cabeludo. Esse concentrado de plaquetas tem muitos fatores de crescimento naturais que são capazes de estimular o crescimento do folículo piloso.

Variantes desse procedimento são realizadas em nosso meio com boa perspectiva de melhora.

Aulas no Congresso Brasileiro de Cirurgia Dermatológica – Abril 2016

Muito orgulho de participar com 3 temas distintos de aulas no Congresso Brasileiro de Cirurgia Dermatológica.

Plasma Rico em Plaquetas:

Este tema é controverso e ainda não aprovado pelo Conselho Federal de Medicina. Trata-se do uso da fração de plaquetas recolhido do sangue do paciente após a centrifugação do mesmo. A literatura aponta bons resultados na área de dermatologia para cicatrização de feridas, queimaduras, envelhecimento e alopecia androgenética e areata.

O Serviço de Mogi das Cruzes vem se aprofundando no estudo desta técnica, com protocolos científicos. Esta é a maneira correta de demonstrarmos a validade de certas inovações.  

Novidades no tratamento clinico MELASMA:

O melasma é uma hiperpigmentação crônica que afeta principalmente o rosto de mulheres adultas. A causa não está totalmente esclarecida, é muito prevalente em nosso meio e afeta a autoestima e vida social dos pacientes acometidos.

O uso do ácido tranexâmico vem sendo citado na literatura e no último Congresso da Academia Americana de Dermatologia, teve muito realce principalmente quando utilizado por via oral. Essa substância inibe a plasmina que por sua vez favorece a produção de melanina relacionada a interação do queratinócito/melanócito.

O ácido tranexâmico previne a ativação do melanócito pela radiação ultravioleta e outros estímulos como: hormonal, mecânico, calor, e estresse. Sendo assim, o ácido tranexâmico é adjuvante importante no tratamento do melasma.

A Glutadiona também foi objeto de aulas no Congresso Americano de Dermatologia como tratamento para clareamento do melasma. Ela é um potente antioxidante e o seu mecanismo de ação está relacionado a inibição da tirosinase e ação antioxidante. Um trabalho demonstrou resultados interessantes com a dose de 250mg/2x ao dia.

Fios de ÁCIDO POLILÁTICO associados a preenchedores:

Cada vez mais as pessoas desejam combater o envelhecimento precoce e manter a aparência mais jovem, natural e saudável. O fio de ácido polilático é uma nova alternativa para a flacidez cutânea e pode ser acrescentado ao arsenal pré-existente de tratamento para o fotoenvelhecimento.

Foco:

Trata-se de fios bidirecionais com cones predominantemente de ácido polilático. A ideia é provocar efeito de levantamento associado ao estímulo do colágeno. Os fios não são definitivos e têm a duração de cerca de dois anos. O desenho e a colocação dos mesmos deve ser analisado caso a caso, baseado na queixa de cada paciente, além da avaliação clínica do médico.

Associar os fios a algum preenchedor local, como a hidroxiapatita de cálcio pode ser um tratamento mais completo e com resultados mais globais.

Plasma Rico em Plaquetas

O organismo humano é um sistema complexo e inteligente, que comanda com perfeição uma série de atividades fisiológicas para manter a vida.

O Plasma Rico em Plaquetas é uma possibilidade que o corpo humano detém para ajudar na regeneração e cicatrização dos tecidos. Trata-se de um conteúdo que está no sangue, onde existe grande quantidade de plaquetas.

No procedimento em questão, que pode ser utilizado em várias especialidades médicas como, ortopedia, cirurgia plástica e dermatologia, o sangue é retirado e centrifugado para separar a fração que é rico em plaquetas. Essa fração tem no seu conteúdo, inúmeros fatores de crescimento e bio estimuladores, que podem sinalizar e ativar os mecanismos de regeneração e cicatrização, tornando-os mais rápidos e eficientes. Hoje, graças aos avanços na medicina biomolecular, imunologia, genética, entre outros, é possível aproveitar citoquinas pertencentes ao plasma, e dessa forma, aperfeiçoar os mecanismos que regeneram e estimulam os diversos tecidos do corpo humano.

O procedimento segue o passo a passo:

Coleta de sangue do paciente selecionado, que além de saudável, deve ter os critérios para inclusão no protocolo. 

Após a coleta, o sangue é centrifugado em aparelho específico que tem uma rotação e um tempo pré-determinados. Na sequência, o sangue já centrifugado é ativado com cloreto de sódio e a parte vermelha é dispensada. O sobrenadante especificado que é rico em plaquetas é aspirado para ser utilizado no tratamento selecionado. 

Em relação aos tratamentos e indicações na área da dermatologia podemos enumerar:

Tratamento de feridas abertas

Cicatrizes em geral e cicatrizes de acne

Envelhecimento cutâneo

Lipoenxertos

Calvície ou alopecia androgenética

Em todas essas situações, o plasma vai ser utilizado em forma de gel sobre as feridas ou injetado no local tratado. A ideia é aproveitar todos os fatores de crescimento e também bio estimuladores que existem neste extrato e ajudar na regeneração do tecido. Por exemplo, no caso do tratamento do fotoenvelhecimento, o extrato rico em plaquetas é injetado na pele envelhecida com a intenção de promover estímulo do colágeno e também melhorar a capacidade de troca da epiderme.

Na Universidade de Mogi das Cruzes, temos um protocolo piloto em andamento, utilizando o plasma rico em plaquetas  para tratamento da calvície ou alopecia androgenética. Inicialmente foram selecionados 8 homens saudáveis, com calvície, sem tratamento para a alopecia androgenética. Foram realizadas 3 sessões, 1 vez ao mês de plasma rico em plaquetas injetado em metade do couro cabeludo e na outra metade a mesma quantidade de soro fisiológico. Os pacientes foram fotografados e foi utilizado um programa denominado Trichoscan, que faz a contagem dos fios e analisa vários parâmetros, como número de fios terminais e tipo velus, proporção de cabelos na fase anágena e telógena, entre outros.

Como conclusão do estudo piloto, houve melhora significativa dos parâmetros analisados comparando o lado tratado com plasma rico em plaquetas com aquele que usamos o soro. O número de pacientes foi pequeno, porém avaliamos que esse tratamento é uma perspectiva alentadora para a terapia da calvície.