EXPOSSOMA

O expossoma é a somatória de exposições que o indivíduo está sujeito desde seu nascimento até a morte. O expossoma inclui agressões externas, como a radiação ultravioleta, poluição, mudanças climáticas, fumo, calor e agressões internas, como doenças, má alimentação, genética fragilizada, estresse e sono inadequado. Esse conceito é extremamente importante de ser introjetado em cada indivíduo, pois sua compreensão ajudará sobremaneira numa longevidade saudável e com qualidade de vida.

Como já entendemos, o expossoma representa tudo aquilo que nos agride ao longo da vida, porém, cada indivíduo dará sua resposta específica aquele estímulo negativo, dependendo da sua tendência e característica genética. Sendo assim, ao longo da vida, posso fumar e ter câncer de pulmão, enquanto outro indivíduo, também fumante, pode geneticamente ser mais resistente e não apresentar este mesmo tipo de tumor. Portanto, é importante reforçar que somos inteiros e únicos e quanto melhor entendermos o expossoma em nossa existência, mais estaremos preparados para defender nossa saúde e qualidade de vida.

Por que a pele é importante em relação ao expossoma?

A pele é o maior órgão do corpo humano, sendo o órgão de choque do expossoma, pois recebe os raios ultravioleta, a fumaça do cigarro, a poluição, as mudanças de temperatura e reflete também as deficiências e inadequações dietéticas e nutricionais, assim como a falta de sono e as doenças como diabetes e eczemas.

Diferente do que imaginamos, a pele é um órgão inteligente, sendo considerada uma barreira multifatorial e multifuncional, que abrange funções como: barreira física, hídrica, antioxidante, fotoprotetora, antimicrobiana.

A função de barreira física, é responsável pela proteção mecânica, assim como proteção a entrada de moléculas diversas, enquanto que a barreira hídrica, significa a capacidade da pele em manter a hidratação adequada, evitando a perda transepidérmica da mesma.

A pele também tem vários componentes antioxidantes, que configuram a barreira antioxidante que são acionados a cada agressão externa. A barreira fotoprotetora da pele é responsável, através dos seus componentes como a melanina, por proteger o indivíduo da radiação ultravioleta.

A barreira antimicrobiana é formada por uma somatória de fatores, como pH, filme hidrolipídico, produção sebácea e descamação natural. Esses fatores em conjunto mantém a microbiota natural e saudável, evitando a entrada e o crescimento de microrganismos patogênicos.

Os cuidados básicos e diários em relação a pele são importantes e necessários para ajudar a mesma na sua função de barreira, pois quando essa está rompida ocorre inflamação, avermelhamento, coceira, descamação e desidratação intensa.

O dano a barreira, quando ocorre frequentemente, promove o adoecimento e envelhecimento da pele e os cuidados básicos e diários evitam a inflamação e o envelhecimento precoce. Limpar profundamente a pele é fundamental para retirar os resíduos dos poluentes que ficam aderidos na pele. A limpeza ajuda a evitar a obstrução dos óstios e evitar a oxidação que os poluentes provocam na pele. O agente limpador deve ser escolhido conforme o tipo de pele. Sabonetes em barra, que desengorduram muito, podem ser usados em peles oleosas, espessas e com tendência a acne. Já as peles mais sensíveis e maduras, podem usar sabonetes líquidos, neutros e hidratantes. Peles sensíveis, vermelhas, assim como pessoas alérgicas, devem escolher agentes de limpeza com pH próximo ao da pele 5,6 e com ativos anti-inflamatórios, como águas micelares ou tônicos suaves.

A hidratação diária também é essencial para o bom funcionamento da pele. A água em quantidade necessárias e suficiente é vital para o funcionamento da barreira cutânea. As peles acneicas e oleosas também precisam de hidratação, pois a água e o óleo são substâncias diferentes e com funções também diferentes. É importante lembrar que a água está dento da pele e a barreira cutânea íntegra evita a perda transepidérmica. O hidratante pode ser de três tipos: oclusivo, emoliente ou as duas funções em conjunto. O hidratante oclusivo faz uma barreira mecânica em relação a perda de água, mas pode ser comedogênico e entupir os óstios foliculares. Exemplos desses seriam a vaselina e óleos como o de amêndoas. Os hidratantes higroscópicos tem na formulação substâncias que atraem a água e mantém a mesma no local, como exemplo temos a ureia, o ácido hialurônico, entre outros. Os hidratantes mais modernos podem misturar sustâncias higroscópicas com outras oclusivas sem provocar a formação de comedões, sendo indicados também para peles oleosas e acneicas. Quando a pele está desidratada, ela pode ficar vermelha, inflamada e descamativa, favorecendo a piora da acne em peles oleosas ou o aparecimento de rosácea em peles mais sensíveis.

Hoje também existem os dermocosméticos, ou cosmecêuticos multifuncionais e podemos ter produtos hidratantes com outros ativos, como vitaminas, agentes antioxidantes, antipoluidores e antienvelhecimento. O hidratante também pode estar associado a maquiagem e ao filtro solar.

Outro cuidado básico e necessário com a pele é a fotoproteção. Já são muito conhecidos os efeitos deletérios e envelhecedores do sol. A radiação ultravioleta B agride diretamente o DNA celular, provocando danos que são cumulativos e provocam, em última instância, o câncer de pele. A outra parte da radiação UVA provoca agressões diretas nos vasos, nas células formadoras de colágeno, nas glândulas e no folículo piloso. Esta radiação agride todas essas estruturas através da oxidação, provocando uma grande formação de radicais livres, que são agressores constantes, provocando inflamação, degradação e envelhecimento. O uso diário do filtro solar ajuda a evitar essas agressões, mantendo a aparência e evitando o envelhecimento precoce.

Para combater os danos dos expossomas, além desses cuidados com a pele, também são importantes outras ações como: alimentação equilibrada, evitando o excesso de alimentos com alto índice glicêmico e gordura trans e abusando dos alimentos antioxidantes, beber muita água, manter um sono tranquilo e reparador, evitar o consumo excessivo de bebidas alcoólicas, do cigarro, do estresse constante e da poluição. Também é importante manter uma atividade física regular, usar bons produtos dermocosméticos e ter momentos de laser e descanso.

ANTIOXIDANTES

Os radicais livres são moléculas altamente instáveis e com elevada insolubilidade pelo fato de seus átomos possuírem um número ímpar de elétrons. Para atingir a estabilidade, estas moléculas captam elétrons de outras moléculas químicas e também de componentes vitais, como DNA, elementos citoesqueléticos, membranas e proteínas celulares. A peroxidação lipídica, uma das sequelas geradas pela ação dos radicais livres, causa danos às membranas celulares e leva ao ENVELHECIMENTO DA PELE.  

Os radicais livres são formados naturalmente pelo metabolismo humano, mas fatores externos como a poluição do ar, tabagismo, exposição à radiação solar, álcool, processos inflamatórios e ingestão de certas drogas podem também ser fontes de espécies reativas como os superóxidos, ânion hidroxila, peróxido de hidrogênio e unidade simples de oxigênio. O mecanismo de defesa antioxidante do organismo tem como principal função inibir ou reduzir os danos causados às células pelas espécies reativas de oxigênio.  

Existe uma grande variedade de substâncias antioxidantes. O mecanismo de ação dos antioxidantes são classificados como antioxidantes de PREVENÇÃO, que impedem a formação de radicais livres, varredores, que inibem o ataque de radicais livres às células; e antioxidantes de REPARO, que favorecem a remoção de danos da molécula de DNA e a reconstituição das membranas celulares danificadas. 

Os antioxidantes tópicos devem ser absorvidos pela pele e liberados para o tecido alvo em sua forma ativa. Entretanto, muitos produtos se oxidam e se tornam inativos antes mesmo de alcançarem o alvo. A absorção é um processo muito importante e depende de vários outros fatores, como a forma molecular do composto ativo, suas propriedades físico-químicas, se é solúvel em água ou em lipídeos, seu pH e o veículo que contém o produto. 

Princípios ativos antioxidantes

A indústria cosmética utiliza nas formulações uma rede de antioxidantes que atua sinergicamente, potencializando seus efeitos. As redes de maior destaque são as vitaminas C e E, a glutationa, o ácido lipoico e a coezima Q10. Depois que um antioxidante “neutraliza” um radical livre eliminando o número excessivo de elétrons, ele não é mais capaz de atuar novamente como antioxidante, a não ser que seja reciclado.

Essas redes de antioxidantes estão sendo incluídas em um número cada vez maior de preparações cosméticas. A solubilidade do composto ativo no veículo da formulação é um dos principais determinantes para sua estabilidade e eficácia do ativo na pele.

A vitamina E é uma família de compostos chamados de tocoferóis, incluindo o tocoferol a, b, g e d. As formas de vitamina E tipicamente utilizadas em cosméticos são o acetato de a-tocoferol. Esses compostos apresentam menos probabilidade de desencadear dermatites de contato e são mais estáveis em temperatura ambiente.O principal antioxidante solúvel em água e também em lipídeos é o ácido lipoico (AAL). Diferentemente de outros antioxidantes, o ácido lipoico é absorvido de forma estável e pode ser usado como um peeling químico superficial para remodelar a pele.

A vitamina C é um forte antioxidante por si só e também recicla a vitamina E, que volta a sua forma ativa, de modo que suas capacidades antioxidantes são amplificadas. Entretanto, quando as preparações de vitamina C são expostas aos raios ultravioletas ou ao ar, a molécula rapidamente se oxida e se torna inativa, inutilizando a preparação. As preparações tópicas de ácido ascórbico podem ser formuladas em base aquosa ou lipídica. O palmitato de ascubil tópico, uma forma lipídica, não causa irritação e é comprovadamente fotoprotetor e anti inflamatório.

É importante lembrar que o ENVELHECIMENTO CUTÂNEO é um tema amplo e complexo, e que novos estudos com relação às substâncias que podem ajudar a neutralizar os efeitos dos radicais livres na pele estão em constante andamento. O conhecimento e acompanhamento das novas tecnologias é fundamental para prevenir e manter a qualidade da pele. Fale sempre com seu dermatologista que saberá orientar com relação às substâncias e formulações mais apropriadas a cada indivíduo.

Luz LED e seus benefícios para a PELE

Nos últimos anos vem se consolidando a ideia de que lasers de baixa potência e também luzes como as LEDs podem trazer benefícios para o tratamento de algumas alterações de pele.

As lâmpadas de LED, cuja tradução remete à língua inglesa (Light Emitting Diode), são dispositivos semicondutores que emitem luz quando acionados por uma corrente elétrica. As luzes LED são diferentes do laser, pois não são monocromáticas ou coerentes. No entanto, ao longo do tempo, com a evolução tecnológica, as novas LEDs estão quase monocromáticas e portanto, consideradas comparáveis aos lasers de baixa potência.

Esse “up grade” que ocorreu com as lâmpadas de LED tornou possível utilizá-las para vários tipos de tratamentos cutâneos. O mecanismo de ação dessas lâmpadas acontece com o estímulo que atinge diretamente a mitocôndria celular. Essa estrutura é responsável pela produção de energia celular (ATP) e quando estimulada, melhora a energia e função celular.

A luz LED entra na célula e, dependendo da profundidade ou comprimento de onda, provoca efeitos benéficos para o organismo. A luz LED tem efeitos anti inflamatórios, calmantes, estimula a formação de colágeno novo, ajudando na cicatrização e reparação da pele, além de promover também a proliferação celular.

Esse mecanismo é denominado de foto bio estimulação, caracterizando um tipo de fototerapia ou tratamento pela luz. Nesse ponto ela se diferencia dos lasers de alta potência, que têm uma função mais agressiva, provocando dano ou morte celular e nesse caso, agem como foto cirurgia. Exemplificando, se usarmos um laser de alta potência para vasos, ele irá, através da sua luz, destruir esses vasos, deixando a pele mais clara. Comparando, a luz LED não é capaz de destruir o vaso mas sim estimular as células a produzirem mais energia e funcionarem melhor.

As indicações para o uso da luz LED são:

  • Acelerar e melhorar a cicatrização.
  • Controlar a inflamação e avermelhamento.
  • Atenuar e controlar a dor intensa.
  • Melhorar o aspecto de cirurgias cosméticas.
  • Rejuvenescer a pele.
  • Prevenir a formação de cicatrizes hipertróficas.
  • Tratar doenças circulatórias como Doença de Raynaud.

Recapitulando, fototerapia com as luzes tipo LED é realizada através do estímulo energético que atinge a mitocôndria de cada célula, provocando as seguintes ações:

  1. Se a célula estiver danificada ela será reparada.
  2. Se a célula tem uma função como por exemplo produzir colágeno e elastina, quando a LED atingi-la ela fará essa função com mais eficiência.
  3. Se a célula precisar proliferar, a luz LED irá estimular essa proliferação.

Hoje já existem chapéus (bonés) com luzes de LED para tratamento da calvície e outras quedas de cabelo. Existem também máscaras com luzes LED usadas no rosto para melhorar a inflamação de vários procedimentos ou melhorar a qualidade da pele. Também já encontramos placas com luz LED que podem ser usadas para melhorar a cicatrização de feridas e úlceras cutâneas.

A acne inflamatória pode ser tratada com lâmpadas LED com comprimento de onda da luz azul. As luzes LED têm sido utilizadas com frequência nos consultórios dermatológicos após procedimentos como peelings, cirurgias, lasers de alta potência e tratamentos capilares, entre outros. Além disso, alguns dispositivos com luz LED podem ser usados em casa como tratamento auxiliar. É importante que ocorra a indicação médica para escolher o melhor comprimento de onda e a frequência do tratamento.

Devemos também lembrar que as luzes LED são eficazes e seguras e funcionam como tratamentos coadjuvantes e não principal. Elas trazem benefícios principalmente se bem indicadas, tanto com relação a energia quanto na frequência do tratamento.

PROBIÓTICOS

Nos últimos anos foram publicados muitos estudos científicos sobre PROBIÓTICOS, que são micro organismos vivos que podem ser ingeridos, visando melhorar a saúde do individuo.

Assim como nossos genes foram estudados no projeto GENOMA, identificando influências do meio ambiente sobre os mesmos,  agora há estudos sobre a comunidade de micro-organismos que convivem conosco, denominada microbiota. Temos cerca de 3 milhões de micro-organismos, entre eles bactérias e fungos, que têm seus próprios genes, tornando tudo um só organismo.

Logo no início de nossa vida, temos uma colonização desses micro-organismos que depois permanecem conosco pela vida toda. A maioria dessas bactérias e fungos nos ajuda e protege, sendo que,  existe uma quantidade específica de cada um deles. Problemas ocorrem quando acontece o desequilíbrio dessas quantidades favorecendo o crescimento de organismos prejudiciais.  Sendo assim, desequilíbrios com a microbiota intestinal, podem causar cólicas, diarreias e má absorção de nutrientes. Quando tomamos um antibiótico para atacar uma bactéria que está nos prejudicando, nós automaticamente desequilibramos a microbiota, fazendo com que possa surgir algum efeito colateral.  Vemos então que o  EQUILÍBRIO da nossa microbiota, é a questão mais importante, preservando nossa saúde.

Estudos mais recentes têm delineado a microbiota da pele especificando os microrganismos e suas quantidades. Esses trabalhos científicos enfatizam que cada pessoa tem sua composição de fungos e bactérias como se fosse sua impressão digital.

Uma das primeiras doenças  de pele onde se percebeu a influência positiva do uso de probióticos é a DERMATITE ATÓPICA.  A atopia é uma doença que desregula o sistema imunológico, causando manifestações respiratórias, como asma ou bronquite e/ou inflamações de pele, como eczemas. Estudos recentes demonstraram que o uso concomitante do probiótico com tratamento específico, em indivíduos atópicos, ajudam a diminuir as crises da doença.

Como o um assunto é relativamente novo, os estudos ainda estão no início, sendo necessário estabelecer padrões que podem ser interessantes para cada situação. Com a abertura desse novo caminho, será possível estudar melhor o probiótico, sua especificidade e a sua interferência nas diferentes doenças de pele.

Existem duas outras doenças com alguns estudos em relação ao uso de probióticos, que são a ACNE INFLAMATÓRIA e a psoríase. Na primeira as bactérias tem muita importância e quando há piora das lesões, detectou-se desequilíbrio da microbiota. Na psoríase, o uso de probióticos parece ajudar, diminuindo a inflamação da pele.

Vale lembrar que os recentes estudos não invalidam os benefícios do uso de probióticos ingeridos para ajudar o intestino, mas as comunidades bacterianas na pele e no intestino são bem diferentes. Dessa forma, ainda há muito a ser estudado.

O que acaba sendo mais utilizado no momento são os prebióticos, que não são organismos vivos, mas sim, substâncias  como se fossem um alimento que equilibram a população bacteriana. Esse tipo de prebiótico, que geralmente são moléculas de açúcar não digeríveis, começa a ser utilizado em alguns cremes, para que haja mais um benefício, além da hidratação e ação antienvelhecimento.

É um tema muito interessante, novo, promissor, que depende de muitos estudos ainda, mas que caminha para uma linha mais natural, respeitando a identidade de cada organismo.

Diabete e Envelhecimento da Pele

A diabete é uma doença grave, crônica, muito frequente, que provoca hiperglicemia e resistência à insulina. Nos últimos anos ela tem aumentado muito na população idosa. Existe dois tipos de diabete: tipo 1 que ocorre já na infância e é considerada autoimune, com grande influência genética. A tipo 2, aparece com a idade, comprometendo mais idosos, sendo explicada em parte pelo desgaste dos órgãos. A diabete apresenta muitas complicações, como insuficiência renal, arteriosclerose, comprometimento ocular, entre outros.

Qual a relação da doença diabete com as rugas?

Sabemos que a pele do diabético é mais seca e que cicatriza com dificuldade. Esses fenômenos estão relacionados com um processo de glicação proteica. Essa glicação ocorre quando uma molécula de glicose (açúcar) adere a uma molécula de proteína e sem a ajuda de enzimas, forma complexos avançados de glicação, que são chamados AGEs. Essas cadeias, com uma ligação muito forte, entre o açúcar e a proteína, formam complexos permanentes, que endurecem o colágeno (proteína) provocando arteriosclerose, catarata, comprometimento neurológico e também as rugas.

A hiperglicemia, que ocorre no diabete parece favorecer a formação desses AGEs, que também são formados com o envelhecimento natural. Então concluímos que a diabete é uma doença que envelhece e quanto melhor controlada, mais irá preservar os órgãos e tecidos.

Fatores importantes no dia a dia podem favorecer a formação dos AGEs e contribuírem com o envelhecimento precoce. Entre eles estão: o sol excessivo, estresse e a dieta. Se a glicação ficar fora de controle, muitas proteínas vitais serão degradadas e destruídas. A capacidade natural de proteção contra a glicação diminui com a idade e por isso os danos são mais intensos nos idosos, principalmente após os 65 anos.

Produzimos AGEs endógenos quando ingerimos alimentos com alto índice glicêmico, ou seja, aqueles que se transformam em glicose rapidamente. Esses alimentos provocam picos de açúcar no sangue, o que resulta em inflamação e produção excessiva de AGEs, tornando esse processo um círculo vicioso. Os AGEs podem ser produzidos quando cozinhamos proteínas em altas temperaturas, ou também em baixas temperaturas por muito tempo. Grelhar a carne de um churrasco ou caramelizar cebolas, verduras, frituras, levam a formação excessiva de AGEs. Cozinhar batatas ou alimentos ricos em amidos pode gerar a formação de uma substância tóxica, como a acrilamida que por sua vez intensifica a ação dos AGEs.

Além da proteção solar, a saúde do idoso deve ter cuidados especiais com a dieta para manter a pele mais jovem e com menos rugas.

Seguem alimentos que podem ter AGEs excessivos:

Todos os alimentos cozidos em altas temperaturas.

Alimentos cozidos a baixas temperaturas por períodos longos, sem líquido.

Carnes na brasa, carnes assadas no fogo.

Aves: frangos, peru- assadas em rotisserie. Deixando a pele dourada.

Alimentos fritos.

Nozes e sementes assadas ou torradas.

Alimentos assados e embalados, de cor marrom-escura acentuada.

Lanches ou alimentos prontos (batatas chips, pretzels, etc).

Fast-foods (a maioria, tem gorduras trans).

Café (tem os grãos torrados até escurecer, o que favorece a formação de AGEs).

Todos os tipos de refrigerantes; pelo alto o teor de açúcar, presença de xarope de milho com alto teor de frutose e benzoato de sódio, um conservante comum que pode ser cancerígeno.

Dicas para alimentação mais saudável no idoso:

Dieta leve e balanceada.

Evitar excesso de carboidrato.

Evitar gorduras trans.

Evitar carne grelhada.

Ingerir 5 porções de frutas por dia.

Ingerir grande quantidade de legumes e verduras verdes.

Cozinhar alimentos com água.

Abusar dos peixes: salmão, sardinha, anchova, atum.

Sempre seguir a instrução do médico especialista em relação às medicações específicas, uso de antioxidantes e vitaminas e até cosméticos adequados. Estão sendo desenvolvidas novas drogas que no futuro terão capacidade de neutralizar os AGEs e evitar o envelhecimento precoce.

Poluição e Pele

A pele é o único órgão do corpo humano que possui dois tipos de envelhecimento: o cronológico ou intrínseco e o extrínseco, decorrente de fatores ambientais.

O primeiro (intrínseco) é regido pelo relógio biológico de cada pessoa e  é causado por uma série de alterações genéticas e metabólicas, que leva ao desgaste das estruturas e perda progressiva do colágeno.

O envelhecimento extrínseco é causado por agentes externos, como: poluição, estresse, exposição solar, alimentação. Um dos principais fatores envolvidos no envelhecimento extrínseco é a exposição solar, decorrente do efeito da radiação ultravioleta do sol sobre a pele ao longo da vida.

Estudos têm apontado que as grandes cidades estão cada vez mais sob uma nuvem de poluição. A poluição nos grandes centros metropolitanos, ao redor do mundo, tem alcançado níveis máximos de tolerância, segundo a Organização Mundial de Saúde. A exposição contínua à poluição tem forte impacto no desgaste e envelhecimento cutâneos. Esse tema tem sido alvo de inúmeros congressos na área de dermatologia.

Poluição e Envelhecimento:

Imperceptíveis aos nossos olhos, as finas partículas de substâncias contaminantes do ar vão se depositando e acumulando em nossa pele, prejudicando a dinâmica do funcionamento celular e consequentemente, acelerando o processo de envelhecimento.

É importante entender que essas partículas invisíveis de substâncias contaminantes presentes no ar poluído, se acumulam aos milhões na superfície da epiderme, prejudicando as células cutâneas, que aumentam a produção de toxinas e radicais livres. Associando a produção de radicais livres pelo nosso organismo e a contínua exposição à poluição, as células se desgastam e os mecanismos de defesa naturais da pele ficam esgotados e prejudicados. O resultado desse impacto é uma pele mais envelhecida, opaca, sem vitalidade. Outros problemas também podem se agravar, como a oleosidade da pele e a acne, que pioram devido ao entupimento dos óstios pelas toxinas.

Afinal, como se proteger da ação das toxinas na pele? É possível que essas toxinas sejam eliminadas e controladas com hábitos diários e produtos específicos. É fundamental estabelecer um ritual de cuidados diários de limpeza, tonificação, hidratação e proteção da pele.

Poluição Também Envelhece a Pele:

Nos últimos anos os prejuízos causados pela poluição têm sido muito estudados, principalmente em relação as doenças respiratórias, que muito desencadeiam ou pioram com ambientes mais poluídos.

Agora, estudos mais recentes, têm demonstrado que a poluição também prejudica a pele, causando manchas, inflamação e envelhecimento precoce. Os mecanismos que comprovam a agressão que os poluentes agridem a pele ainda não estão totalmente esclarecidos. Os poluentes parecem provocar a inflamação e consequentemente levam a formação de radicais livres, perpetuando assim o papel da inflamação.

O ozônio, por exemplo, parece ter alguns alvos específicos, que são agredidos provocando a formulação de radicais livres. Esse processo de oxidação provoca a depleção de vitamina C e vitamina E, além de provocar o acúmulo de uma substância tóxica, como o malondialdeído, que sabidamente é um subproduto da oxidação.

Alguns trabalhos têm mostrado que o ozônio causa oxidação lipídica e proteica, causando dano a barreira cutânea e deixando a pele sensível e fragilizada. Os poluentes também provocam estresse celular, que induz a produção de marcadores inflamatórios, como COX2 -, proteínas do choque e também as metaloproteínases que facilitam a destruição do colágeno.

Estratégias para ação anti-poluição:

A estratégia geral preconiza evitar a deposição e posterior penetração das partículas potentes. Isso inclui foto protetores, que protegem e fortificam a barreira cutânea. Os hidratantes emolientes também são importantes, pois evitam a perda de água transepidérmica e, portanto, também protegem e reforçam a barreira cutânea.

A utilização de produtos com antioxidantes também é útil, pois evitam as agressões causadas pelo ozônio, isto porque os poluentes agem também produzindo grande oxidação. Também estão em desenvolvimento ativos cosméticos, que através de vias especificas, podem neutralizar a ação oxidativa dos poluentes, principalmente evitar a ação negativa dos mesmos na expressão genética da pele. Um exemplo é a ectoína, que é um ativo cosmecêutico que parece prevenir a ação deletéria da partícula poluente na expressão genética do queratinócito, incluindo a expressão das metaloproteínases. Os caminhos estão sendo desbravados para a proteção especifica contra a poluição e assim, como já temos alguns produtos comerciais com esta função, muitos outros irão aparecer.

Dicas para proteção:

Limpeza adequada da pele

Usar produtos que tenham proteção contra radiação UV e também contra a oxidação

Usar hidratantes para proteção da barreira cutânea

Evitar excesso de lavagem e agressões que gerem oxidação

FIM DE CARNAVAL

O carnaval de 2016 está terminando com sol intenso e muito calor.

Em geral, após esse período, nossa pele fica judiada, torna-se um pouco desgastada, principalmente pelo sol e o calor em excesso. Há grande desidratação devido ao calor, que gera suor. Além disso, os raios ultravioletas (UV) danificam o DNA celular e geram uma reação inflamatória.

Beber muito líquido e manter uma alimentação saudável são atitudes fundamentais para reequilibrar o organismo. Chás, sucos verdes com antioxidantes, são interessantes para essa ocasião. A alimentação mais leve, com folhas verdes, legumes, frutas e muita água é o ideal para desinchar e desintoxicar.

Os polypodium leucotomos, ativos encontrados numa planta da família das samambaias, podem ser ingeridos para dar uma proteção extra à pele.

Passar hidratantes suaves que possuam vitaminas E ou C, além de moléculas que atraiam a água e mantenham a pele mais próxima da fisiologia natural. Manter banhos rápidos, quase frios, usar sabonetes neutros e hidratante após o banho, espalhando bem. Insistir nos pés, joelhos e cotovelos. Evitar esfoliantes, especialmente se a pele estiver avermelhada.

No rosto, usar cremes calmantes com antioxidantes (vitamina C, vitamina E, resveratrol, azuleno, alfa-bisabolol, entre outros, que ajudam a hidratar e desinflamar.

Evitar lugares quentes e calor excessivo na pele. Evitar também, ácidos retinoico e glicólico, pelo menos por uma semana. As manchas podem até estar piores, porém, quando a pele está muito bronzeada ou desgastada, devemos evitar o uso de lasers, pois a luz dos aparelhos pode queimar a pele.

Esses cuidados são importantes para o organismo e especialmente para a pele, que pode ser preparada para os tratamentos de outono-inverno.

A IMPORTÂNCIA DA PELE

A pele é o maior órgão do corpo humano. Ela faz o contato com o meio exterior do qual recebe os estímulos positivos e negativos, modulando a resposta interna do organismo. 

Até algum tempo atrás, a pele era considerada um simples envoltório que tinha como única função ser uma barreira protetora. Hoje, sabe-se que ela é um órgão extremamente interativo, com funções de regulação, homeostase e defesa imunológica do organismo. Sendo assim, protagoniza as ações de defesa do corpo humano.  A pele revela o que está ocorrendo no interior do nosso organismo e dessa maneira podemos responder de forma mais adequada. O cabelo e a unha também fazem parte deste envoltório e reforçam essa função, pois através de certos sinais, como queda de cabelo e alterações das unhas, podemos antecipar um diagnóstico.  

Discorreremos algumas situações onde a pele demonstra sua importância. Por exemplo, a infecção pelo vírus Zica, pode repercutir em manchas vermelhas na pele, detectando a presença do agende infeccioso que provoca as células de defesa. Nesse caso, não é possível reverter a infecção, mas é interessante para alertar que a virose pode estar presente e certos cuidados devem ser tomados, como evitar a gravidez ou contato com mulheres no início da gestação. 

A pele também pode revelar alergia a medicamentos, alimentos e contactantes, como tecidos e cosméticos. Nesse caso, a epiderme tem uma célula muito ativa chamada Langerhans que reconhece certas moléculas como metal, corantes, aditivos e apresenta as mesmas aos linfócitos, que então respondem com lesões na pele, que podem se caracterizar por exantemas (manchas vermelhas), urticárias e eczemas. Neste caso, a pele mantém sua memória e permanece alérgica para sempre. O aviso da pele, neste caso é muito importante porque a reação inicialmente é localizada, mas se a substância não for suspensa, pode ser muito mais grave e generalizada. Alguns remédios, quando ingeridos, podem apresentar reações na pele, demonstrando prioritariamente que é melhor suspender o mesmo antes de maiores estragos. 

Certas doenças, como o lúpus eritematoso sistêmico, são primeiramente diagnosticados na pele, pois muitas vezes a primeira manifestação é um avermelhamento no rosto, lembrando asa de borboleta na região central do rosto. Também algumas vezes pode ocorrer a queda de cabelo como primeira manifestação dessa mesma doença. A pele pode apresentar caroços não inflamados cor da pele chamados xantomas ou manchas amarelas (xantelasma) nas pálpebras, que podem representar problemas com o colesterol. Além disso, a pele fica fina, seca e flácida quando está desidratada. As unhas também podem ter alterações que indiquem doenças da tireoide ou renais.  

A pele pode manifestar os primeiros sinais de um câncer interno. Lesões lembrando um eczema podem ser o primeiro sinal de linfoma, assim como, lesões de queratose seborreica disseminadas, podem também traduzir um câncer interno. O aparecimento de herpes zoster, que é uma virose causada pelo mesmo vírus da catapora, também ocorre na pele e evidência baixa de resistência do organismo. 

Como visto acima, prestar atenção aos sinas de sua pele é muito importante para manutenção da saúde. 

Microbiota e Pele

A palavra microbiota está em evidência. Trata-se do conjunto de bactérias que habita amigavelmente o nosso organismo. Temos cerca de 100 trilhões desses microrganismos, pesando cerca de 2,5k convivendo naturalmente em nossos órgãos, como intestino e pele.

Por que isso é importante? Na realidade, assim como temos os nossos genes e nos tornamos indivíduos únicos, também nossas bactérias têm suas características específicas e próprias. O projeto Human Microbioma Project vem estudando, através de técnicas muito avançadas, a característica do microbioma humano. O mais interessante é que o microbioma de cada um funciona como uma impressão digital, sendo único e especifico.

Muitos fatores interferem no tipo e comportamento das bactérias em nossa pele. A alimentação, o clima, a saúde de uma maneira geral, a raça, o local do corpo e principalmente remédios como os antibióticos, que modificam a característica desta microbiota mudando a aparência e saúde da pele.

As doenças da pele vêm sendo estudadas sob o ponto de vista do microbioma. Entre elas, uma em particular, onde os estudos estão mais aprofundados, é a dermatite atópica. Nesse caso, foi observado que quando a pele do individuo atópico está inflamada, o microbioma torna-se menos diversificado com aumento excessivo do staphylococcus aureus. Quando a pele acalma e melhora, o microbioma volta a ficar diversificado.

Também tem sido estudado o microbioma na acne, psoríase, rosácea, entre outras. Essa é uma nova perspectiva de conhecimento trazendo opções terapêuticas inovadoras. Também evidencia que a antibioticoterapia, que é necessária em muitas situações, desequilibra a flora residente e por isso deve ser suspensa o mais rápido possível para evitar efeitos colaterais. Também é uma nova ciência que pode ajudar a serem desenvolvidos cosméticos que auxiliem o indivíduo a manter sua microbiota equilibrada, evitando inflamações e o envelhecimento precoce.