MELASMA – TRATAMENTOS

Melasma é uma hiperpigmentação crônica, sem sintomas, que afeta principalmente mulheres jovens antes da menopausa. Como sua causa é desconhecida, o tratamento ainda não é o ideal e nem pode prometer cura.

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A pessoa comprometida pelo melasma precisa usar filtro solar constantemente, que deve ter cor. Trabalhos recentes demonstram que a luz visível, que está nas lâmpadas, televisores e computadores, piora as manchas e talvez até mais que o próprio sol.  O filtro solar deve conter pigmento, preferencialmente de óxido de ferro, que é considerado o melhor para proteger da luz visível. Ele também deve ser, preferencialmente físico, pois esse tipo de filtro reflete a luz, através do óxido de zinco e o dióxido de titânio. Mas, além da cor e de ser físico, o mesmo também deve ter uma boa cobertura, para não sair facilmente e ser capaz de esconder a mancha. Esse filtro deve ser reaplicado, pelo menos, a cada 3 horas.

O melasma deve ser tratado com cremes clareadores, de preferência que não inflamem ou irritem a pele. Há inúmeros ativos clareadores, como hidroquinona, arbutin, ácido ascórbico (vitamina C), ácido azelaico, ácido kógico, ácido retinoico, ácido tranexâmico, entre outros. O ideal é uma combinação adequada de clareadores com antioxidantes e hidratantes que devem ser usados à noite. Os cremes não devem irritar ou manchar a pele e a hidratação é fundamental para manter a barreira cutânea íntegra.

Hoje também se utilizam substâncias de uso interno para contribuir no tratamento do melasma. Nesse caso, o ácido tranexâmico, que é um derivado da lisina, agente antifibrinolítico, tem se mostrado interessante na dose de 250mg de 2 a 3 vezes ao dia, por períodos de 4 a 6 meses. O ácido tranexâmico por via oral, é um remédio usado para pacientes com hemorragia e precisa ser receitado pelo médico, pois há necessidade de avaliação prévia e de exames de sangue, que irão checar se há pré-disposição para trombose ou problemas de coagulação. Ainda não é sabido qual o seu exato mecanismo de ação para tratar o melasma, mas essa substância tem várias ações entre elas, inibir o fator de crescimento endotelial e a melanogênese, evitando os estímulos que pioram o melasma.

O Polipodium leucotomas, também é utilizado como coadjuvante, por via oral, para o tratamento do melasma na dose aproximada de 1000mg por dia e funciona evitando a agressão da luz ultravioleta. Outros agentes antioxidantes como a glutadiona, a vitamina C e a melatonina, também têm sido citados para o tratamento do melasma.

Em relação aos procedimentos para o tratar o melasma, utilizamos: peelings, microagulhamento e laser.

Os peelings são interessantes, pois ajudam a clarear a pele e os indicados são os superficiais, para não provocar inflamação.  Podemos utilizar peelings de ácido glicólico, mandélico,retinoico, além da ATA em baixa concentração. Alguns peelings de fenol com óleo de castor e óleo de cróton, também são preconizados. Os peelings podem ser feitos a cada 15 dias e de 4 a 6 sessões, sempre acompanhado do uso do filtro solar.

O microagulhamento é um tratamento onde se utilizam agulhas que picam a pele que provocam um ligeiro sangramento. É uma técnica interessante para melhorar a qualidade da pele e provoca clareamento relativo. O mecanismo de ação ainda não é conhecido

O laser ideal para o tratamento do melasma é o Q-Switched Nd Yag 1064nm, que tem baixa energia e pulso muito rápido. São realizadas 12 sessões semanais e a pele fica rosada no dia da aplicação, mas não impede as atividades do dia a dia. Esse laser não libera altas quantidades de calor e por isso é o ideal para o tratamento do melasma.

Muitos outros lasers já foram utilizados como o CO2 e também a luz pulsada, porém a maioria provoca muito rebote. Enquanto um laser normal pode ter energia de 30 a 40 J esse só vai até 1.8 J – 2.0 J e com pulso em nanosegundos.

Para o sucesso do tratamento do melasma há necessidade de disciplina e paciência, pois não há milagres e nem cura definitiva. O diagnóstico correto e a utilização adequada de vários recursos combinados, além de fotoproteção e hidratação constantes, irão trazer ótimos resultados.

 

 

 

PEELING DE FENOL

peelingO peeling de fenol é considerado um peeling profundo, pois atinge camadas internas da pele como derme média. Qualquer peeling provoca renovação e troca de pele, mas nesse caso, a profundidade atingida, promove grande estímulo a formação de colágeno novo. O período ideal do ano para realizar qualquer tipo de peeling é o inverno, pois a pele precisa ser protegida do sol.

Existem muitos tipos de peeling de fenol, conforme seja utilizado somente o fenol 88% ou misturas com óleo de cróton, septisol e água.

Esse peeling precisa ser realizado por médico dermatologista, pois a substância é muito agressiva, sendo cardiotóxica e nefrotóxica. Isto significa, que todo paciente, que for realizar esse tipo de peeling, precisa de uma avaliação prévia com exames de sangue e também eletrocardiograma. Além disso, a pele deve ser preparada para que a cicatrização seja mais eficiente e também para que haja menos hiperpigmentação.

O procedimento é feito pelo médico especialista, em ambiente adequadoe em toda a face, com ênfase nas regiões com mais rugas. No pescoço, o peeling deverá ser mais fraco, respeitando a diferença na cicatrização.

O peeling de fenol é indicado para peles fotoenvelhecidas, preferencialmente mais claras, com muitas rugas e também flacidez. A região em volta dos olhos e também ao redor da boca são especialmente beneficiadas.

A recuperação deste peeling é demorada e por cerca de 7 a 10 dias haverá descamação e crostas que devem receber cuidados específicos. A limpeza, a hidratação e a alta proteção solar são fundamentais.

O resultado é especial, com melhoria marcante da textura da pele, assim como das rugas e flacidez. Devido ao fato dessa boa resposta estar relacionada a resposta da pele com renovação, produção de colágeno e remodelação, ela será muito duradoura. No entanto, esse resultado final irá depender da indicação, do tipo de pele, preparo, técnica em si e também os cuidados no pós procedimento.

TATUAGEM NAS OLHEIRAS

A causa das olheiras não está determinada, porém estão envolvidos fatores como genética, tipo de pele, calibre dos vasos, formato do rosto, alergia como a atopia, além de pigmentação e flacidez causadas pelo envelhecimento.

O aparecimento das olheiras escuras está relacionado a espessura milimétrica da pele e, sendo assim, por transparência aparecem os vasos e a musculatura provocando a tonalidade azul enegrecida da região. A quantidade de vasos, nesse local, é muito grande e os mesmos estão envolvidos com a irrigação e nutrição, essenciais para manter a qualidade visual.blog dra deniseA pele da região das olheiras, chamada de área periorbital, é uma das mais finas de todo o corpo humano, cerca de 1,0 a 1,66mm. Por esse motivo, há uma grande fragilidade e sensibilidade nessa área. Exemplificando, quando uma pessoa tem alergia ao esmalte o inchaço, a irritação e o avermelhamento, podem aparecer primeiramente na área ao redor dos olhos devido a pouca espessura e fragilidade da área periorbital.

A olheira pode ser tratada com peelings, laser, preenchimento, radiofrequência, entre outros. No entanto, nas pessoas jovens, que geneticamente tem olhos fundos e escuros, há maior dificuldade em conseguir um clareamento satisfatório das olheiras. Em busca de solução, algumas pessoas têm aderido ao tratamento com tatuagem nessa região. É preciso um alerta em relação a essa técnica numa área de espessura mínima, inervação e vascularização complexas e repleta de riscos.

Em primeiro lugar, o perigo está relacionado ao risco de infecções e contaminações, pois em geral, as tintas aplicadas não são estéreis. Colocar uma agulha com material não estéril numa área dessas é contaminação de alto perigo. Em segundo lugar, as máquinas de tatuagem, com suas agulhas, podem romper os vasos sanguíneos dessa região, causando hemorragias e hematomas importantes. Outro risco substancial é o entupimento de algum vaso importante, que pode levar a cegueira.

Na região das olheiras existem vasos de vários calibres. Quando eles são maiores, podem carregar as partículas da tinta, causando alergia ou infecção em qualquer local do organismo. Em relação aos vasos de menor calibre, se os mesmos forem atingidos, pode haver entupimento, comprometendo a irrigação dessa região, podendo, como já foi dito levar a cegueira.

O procedimento é perigoso, principalmente se realizado por profissionais não médicos, que não tiveram a oportunidade de aprender a anatomia detalhada dessa região. Com sorte, algumas pessoas podem ter bons resultados, porém o risco-benefício é muito alto.

A tatuagem, quando realizada por profissionais treinados e com assepsia adequada, em várias regiões do corpo pode ser interessante e segura, mas na região dos olhos a associação de pele muito fina com uma irrigação complexa e repleta de anastomoses torna o procedimento muito arriscado. Portanto, se a questão é mascarar a cor da olheira com uma tinta, então podem ser usados os corretivos, que estão cada vez mais completos e específicos, conseguindo ao mesmo tempo tratar a pele e esconder a cor escurecida. Os corretivos, embora possam durar algumas horas, não são definitivos, mas por outro lado, não oferecem nenhum risco a saúde geral ou ocular.

A visão, um dos 5 sentidos é essencial para uma vida plena e prazerosa, não havendo justificativa estética para colocá-la em risco.

Luz LED e seus benefícios para a PELE

Nos últimos anos vem se consolidando a ideia de que lasers de baixa potência e também luzes como as LEDs podem trazer benefícios para o tratamento de algumas alterações de pele.

As lâmpadas de LED, cuja tradução remete à língua inglesa (Light Emitting Diode), são dispositivos semicondutores que emitem luz quando acionados por uma corrente elétrica. As luzes LED são diferentes do laser, pois não são monocromáticas ou coerentes. No entanto, ao longo do tempo, com a evolução tecnológica, as novas LEDs estão quase monocromáticas e portanto, consideradas comparáveis aos lasers de baixa potência.

Esse “up grade” que ocorreu com as lâmpadas de LED tornou possível utilizá-las para vários tipos de tratamentos cutâneos. O mecanismo de ação dessas lâmpadas acontece com o estímulo que atinge diretamente a mitocôndria celular. Essa estrutura é responsável pela produção de energia celular (ATP) e quando estimulada, melhora a energia e função celular.

A luz LED entra na célula e, dependendo da profundidade ou comprimento de onda, provoca efeitos benéficos para o organismo. A luz LED tem efeitos anti inflamatórios, calmantes, estimula a formação de colágeno novo, ajudando na cicatrização e reparação da pele, além de promover também a proliferação celular.

Esse mecanismo é denominado de foto bio estimulação, caracterizando um tipo de fototerapia ou tratamento pela luz. Nesse ponto ela se diferencia dos lasers de alta potência, que têm uma função mais agressiva, provocando dano ou morte celular e nesse caso, agem como foto cirurgia. Exemplificando, se usarmos um laser de alta potência para vasos, ele irá, através da sua luz, destruir esses vasos, deixando a pele mais clara. Comparando, a luz LED não é capaz de destruir o vaso mas sim estimular as células a produzirem mais energia e funcionarem melhor.

As indicações para o uso da luz LED são:

  • Acelerar e melhorar a cicatrização.
  • Controlar a inflamação e avermelhamento.
  • Atenuar e controlar a dor intensa.
  • Melhorar o aspecto de cirurgias cosméticas.
  • Rejuvenescer a pele.
  • Prevenir a formação de cicatrizes hipertróficas.
  • Tratar doenças circulatórias como Doença de Raynaud.

Recapitulando, fototerapia com as luzes tipo LED é realizada através do estímulo energético que atinge a mitocôndria de cada célula, provocando as seguintes ações:

  1. Se a célula estiver danificada ela será reparada.
  2. Se a célula tem uma função como por exemplo produzir colágeno e elastina, quando a LED atingi-la ela fará essa função com mais eficiência.
  3. Se a célula precisar proliferar, a luz LED irá estimular essa proliferação.

Hoje já existem chapéus (bonés) com luzes de LED para tratamento da calvície e outras quedas de cabelo. Existem também máscaras com luzes LED usadas no rosto para melhorar a inflamação de vários procedimentos ou melhorar a qualidade da pele. Também já encontramos placas com luz LED que podem ser usadas para melhorar a cicatrização de feridas e úlceras cutâneas.

A acne inflamatória pode ser tratada com lâmpadas LED com comprimento de onda da luz azul. As luzes LED têm sido utilizadas com frequência nos consultórios dermatológicos após procedimentos como peelings, cirurgias, lasers de alta potência e tratamentos capilares, entre outros. Além disso, alguns dispositivos com luz LED podem ser usados em casa como tratamento auxiliar. É importante que ocorra a indicação médica para escolher o melhor comprimento de onda e a frequência do tratamento.

Devemos também lembrar que as luzes LED são eficazes e seguras e funcionam como tratamentos coadjuvantes e não principal. Elas trazem benefícios principalmente se bem indicadas, tanto com relação a energia quanto na frequência do tratamento.

MEDICINA REGENERATIVA – NOVA FRONTEIRA NO TRATAMENTO DO ENVELHECIMENTO

Ao longo do tempo, muitas técnicas vêm sendo incorporadas para melhorar a aparência do envelhecimento cutâneo. Hoje, associando bons cosmecêuticos com procedimentos como peelings, preenchimento, toxina botulínica, lasers e radiofrequência, podemos conseguir ótimos resultados na prevenção e correção de sinais do envelhecimento.

Em relação aos peelings, favorecemos a troca celular, renovando o tecido; com alguns preenchedores, como a hidroxiapatita de cálcio, estimulamos a formação de colágeno novo através da ação específica do cálcio, e com vários lasers podemos conseguir também a formação de mais colágeno pelo calor que estes aparelhos emitem na profundidade da derme. Em meio a tudo isso, começa a ser vislumbrada uma nova fronteira no tratamento da pele envelhecida, que é a Medicina Regenerativa. Esta nova ciência, através de diversas tecnologias, tem seu início na própria resposta que a pele humana tem no processo cicatricial.

Quando a pele é cortada ou machucada, automaticamente começa um processo de cicatrização, que se inicia com a coagulação, onde as células sanguíneas trazem as citoquinas e fatores de crescimento para reconstruir o tecido, promovendo a neovascularização com formação de novas células e novo colágeno. Baseado no conhecimento das reações reconstrutivas do próprio organismo, começam a ser exploradas técnicas e procedimentos que utilizam o arsenal da medicina regenerativa como:

* Fatores de Crescimento

* Células Tronco

* Plasma Rico em Plaquetas

* Tecidos Reconstrutivos como a Pele sintética

FATORES DE CRESCIMENTO: São proteínas que circulam em nosso organismo e são estimuladas ou neutralizadas, conforme são acionadas por uma intricada rede de receptores, expressões genicas e estímulos hormonais. O fator de crescimento, por exemplo endotelial vascular, induz a vasculogênese e angiogênese. Esse fator é um dos mais importantes na cicatrização de tecido e na pega dos retalhos e enxertos.

O uso clínico de fatores de crescimento, iniciou nos anos 90 e em 2002 o FDA (Food and Drug Administration) aprovou o uso de fatores recombinantes como BMP-2 e BMP-7 para uso em cirurgias de medula e ortopedia. Em relação ao envelhecimento cutâneo, os fatores de crescimento têm sido incluídos em cremes e também usados de forma injetável para estímulos específicos.

PLASMA RICO EM PLAQUETAS: Esta técnica, muito utilizada na Europa e nos Estados Unidos, preconiza o uso da fração rica em plaquetas do sangue do doador para ser utilizado para cicatrização e estimula a melhoria do colágeno da própria pele. O sangue do indivíduo a ser tratado é colhido e centrifugado, separando a parte amarela das plaquetas, que é rica em fatores de crescimento. Esta fração, de acordo com cada protocolo, é aplicada no local a ser tratado, que pode ser uma ferida, queda de cabelo ou sulcos e rugas do fotoenvelhecimento.

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As proteínas contidas nesse plasma rico em plaquetas têm grande quantidade de fatores de crescimento como o fator de crescimento endotelial: esses fatores estimulam a produção de colágeno e a angiogênese, entre outros. Esta técnica, quando realizada com protocolo adequado, tem um grande potencial para a dermatologia e para cirurgia plástica.

CÉLULAS TRONCO: São células com potencial de sofrer diferenciação em várias linhagens celulares. As células tronco adultas são multipotentes e podem se diferenciar em vários tipos celulares, ajudando na recuperação de transplante de medula e regeneração de ossos, entre outros. Nas células do tecido adiposo, colhidas após uma lipoaspiração, existem células tronco adultas, que têm potencial de melhorar o aspecto do fotoenvelhecimento.

Na dermatologia e na cirurgia plástica essas células podem ser separadas após a centrifugação das células gordurosas retiradas da lipoaspiração e, como carregam consigo as células tronco mesenquimais, podem ser utilizadas em várias técnicas de tratamento. Os trabalhos como essa técnica ainda são incipientes, mas podem vir a ser bastante interessantes para melhorar a qualidade do tecido. Nossa publicação “Fração vascular estromal, uma nova terapêutica no fotoenvelhecimento: estudo comparativo e controlado” publicado na Revista Surgical And Cosmetic Dermatology, mostra a comparação entre a aplicação de um preenchedor e a aplicação das células mesenquimais pós lipoaspiração. Nos pacientes que foram tratados com as células tronco mesenquimais, obtivemos o mesmo resultado dos pacientes tratados com preenchedor, porém com duração bem maior que o primeiro.

As técnicas de medicina regenerativa hoje são utilizadas para acelerar a cicatrização de feridas, tratamento da calvície, estimulando o crescimento de mais fios, e no o tratamento de sulcos e rugas de expressão.

Essas técnicas vêm sendo cada vez mais estudadas e mais protocolos científicos estão sendo computados para torná-las parte do arsenal do dia a dia, para tratamento do envelhecimento cutâneo. A pele, como o maior órgão do corpo humano e com várias e complexas funções, é sem dúvida um das protagonistas nessa nova fronteira científica.

Estrias e Gravidez

Estrias podem aparecer em até 90% das mulheres durante a gravidez.  Sua etiologia é desconhecida até o momento e há poucos trabalhos sobre o assunto. Elas se desenvolvem em uma variedade de circunstâncias, algumas envolvendo o estiramento físico da pele, como grandes aumentos de peso ou estirão de crescimento do adolescente, e outras envolvendo alterações hormonais como no uso crônico de esteróides ou síndrome de Cushing.

Na gravidez, dois fatores principais parecem estar relacionados ao seu surgimento. O primeiro seria o nível aumentado de alguns hormônios, que estimulam a produção de mucopolissacarídeos, diminuindo as forças de coesão e encharcando a pele. O segundo fator é o estiramento físico sobre a derme, causando pontos de fragilidade nas fibras de colágeno. As estrias surgem mais em mulheres que ganham muito peso e são mais jovens. Parece haver também uma predisposição genética, relação com os fatores ambientais e etnia.

As estrias são lesões lineares, que aparecem mais frequentemente em mamas, abdômen, quadris e coxas. A sua localização está relacionada com hábitos, como por exemplo os levantadores de peso que tem estrias nas axilas e raiz de braços, enquanto na gravidez são mais propensas a aparecer no abdômen e mama. Em geral, elas começam como lesões avermelhadas ou arroxeadas, e ao longo do tempo, perdem pigmentação e ficam brancas e atróficas. Ocasionalmente, são pruriginosas e ligeiramente doloridas.

Nenhuma terapia provou definitivamente sua eficácia em prevenir o desenvolvimento de estrias durante a gravidez. O tratamento consagrado inclui hidratação com emoliente especiais, além de alguns ativos como vitaminas e peptídeos. Essas formulações têm comprovação científica e são seguras para uso nesse período. Elas ajudam a prevenir as estrias principalmente por deixar a pele com maior resiliência. Para hidratação da pele há duas formas: forma ativa com substâncias que formam o fator natural de umectação (ex, lactato, ácido pirrolidônico, uréia) e forma passiva com compostos emoliente e oclusivos (ex: glicerina, vaselina, óleo mineral, silicones, lanolina, sorbitol).

Na sequência do parto e amamentação exclusiva, podem ser utilizados outros recursos terapêuticos como: tratamento a laser (585nm, pulsed dye laser), peelings com ácido retinóico e baixas concentrações de ácido tricloracético (15-20%). Luz intensa pulsada em estrias avermelhadas; lasers fracionados (1540nm) e luz com emissão de UVB (ex: excimer laser 308-nm) em estrias brancas.

Hoje novas tecnologias também são acrescentadas ao arsenal de tratamento para as estrias, como:

– A radiofrequência fracionada associada ao ultrassom, que contribui para a penetração de ativos potentes na pele;

-Microagulhamento – centenas de microagulhas dispostas em um pequeno dispositivo que, quando passado várias vezes, danifica a pele, contribuindo para a formação de novo colágeno na área afetada;

– Microinfusão de medicamentos na pele – um pequeno aparelho agulhado que, semelhante aos usados na técnica de tatuagem, introduz ativos na parte mais profunda da pele;

– Associação de lasers como Erbium Yag e Nd Yag, que através da emissão de calor, estimulam o colágeno, melhorando a flacidez e a tonicidade da pele acometida;

– Laser CO2 Fracionado, que também, através da emissão do calor, atinge a derme profunda, estimulando a formação de colágeno.

Todos os tipos de tratamento para as estrias devem ser indicados por médicos especializados, que primeiramente, observam as contraindicações e em seguida escolhem aquele ou aqueles mais apropriados para cada caso.

ACNE e a AUTO ESTIMA na adolescência

A acne é um processo inflamatório que causa cravos ou comedões, pápulas, pústulas (espinhas), nódulos e cicatrizes.

Este quadro é muito prevalente e atinge um grande número de pessoas, tanto homens como mulheres, principalmente no período da puberdade.

A acne é responsável pela perda da autoestima e um comprometimento importante das alterações emocionais. A transição do período da infância para a idade adulta é muito estressante e complexa. Trata-se de um momento onde meninos e meninas estão se desenvolvendo, trocando as características infantis por outras de adultos e tentando desesperadamente ser aceito pelo grupo. Neste período, é muito importante a inserção e aceitação no grupo.

Mesmo num período de transição saudável, esta fase causa bastante sofrimento porque as mudanças emocionais e físicas são profundas e difíceis de serem metabolizadas.

Os pais de crianças/adolescentes acometidos pela acne precisam estar atentos ao comportamento dos filhos.

Nos últimos anos, a discussão profissional e científica sobre as alterações psíquicas do adolescente com acne vem aumentando e se aprofundando. Enumeramos alguns dos problemas que podem ocorrer:

Auto estima e imagem corporal – Os adolescentes com acne evitam o contato no olho no olho. Alguns deixam o cabelo crescer para esconder o rosto e as meninas usam maquiagem pesada e inadequada, que pode piorar a acne. Quando os adolescentes têm acne no tronco, evitam participar dos eventos esportivos em grupos.

Convívio pessoal e construção de relacionamentos – Os adolescentes se sentem inseguros e evitam novos contatos, principalmente afetivos e de namoro. Tendem a se isolar. Justamente nesse período em que são ampliados os relacionamentos, eles ficam reclusos e alguns desenvolvem fobia social.

Trabalho e estudo – Alguns jovens com acne não querem mais ir a escola ou ao trabalho. A acne também contribui para que eles tenham menores chances de escolhas profissionais, pois evitam aquelas que dependem de boa aparência. Os adolescentes com acne, devido a sua baixa auto estima, não têm sucesso no estudo e no trabalho por vergonha e falta de iniciativa.

Em alguns casos, os pacientes com acne desenvolvem depressão em parte iniciada por esta baixa autoestima. Certos sinais de depressão, nesta fase, precisam ser reconhecidos pelos pais, como por exemplo: perda de apetite, letargia, variações de humor, problemas de comportamento, choro espontâneo, falta de sono, falta de indignação.

A acne na adolescência pode significar isolamento ou dificuldade escolar extrema. É comum que eles utilizem frases com os pais como: “não tenho vontade de acordar pela manhã”, “seria melhor se eu morresse”, “você estaria melhor sem mim”.

Em casos graves, pode haver tentativa de suicídio. Lembrar que muitas vezes a depressão, que ocorre na acne, está relacionada ao tratamento com isotretinoína. Como vemos, a acne, devido a todas as mudanças do adolescente, é muito mais relacionada a depressão do que a medicação.

Nesse sentido, é importante tratar a acne tão logo ela apareça para evitar sequelas físicas e emocionais. Existem vários tratamentos para a acne, como retinoides tópicos, antibióticos tópicos e sistêmicos, isotretinoína e pílulas anticoncepcionais.

Lembrar que nas mulheres, inclusive adolescentes, pode haver ovário policístico, associado ao quadro de acne. Além dos tratamentos convencionais, podem ser utilizados peelings e laser.

É importante procurar ajuda especializada do dermatologista para ser analisada toda a circunstância do caso e escolher o melhor tratamento. É muito importante que os pais estejam atentos e ajudem o adolescente/jovem a buscar auxílio médico especializado para tratar a acne, que, muitas vezes, envolve também, ajuda psicológica/emocional.

ESTRIAS

As estrias são cicatrizes que causam danos profundos nas mulheres por comprometer a estética e a autoestima.

Além da mudança de cor, são descritas como áreas atróficas com depressão ou elevação do tecido comprometido. No início são rosadas, depois purpúricas e finalmente, após meses ou anos, tornam-se brancas e atróficas.

Ocorrem em pes­soas obesas, na gravidez, associadas ao rápido ganho ou perda de peso, síndrome de Cushing e em terapias prolongadas ou aplicação tópica de corticosteróides. Locali­zam-se preferencialmente nas coxas, nádegas, peito, região lombar e abdômen. Incidem de 5% a 35% da população, sendo que atinge as mu­lheres cerca de 2,5 vezes mais que os homens.

As estrias representam o estiramento e a ruptu­ra das ligações cruzadas das fibras de colágeno e elastina. Estas rupturas resultam ocasionalmente em anormalidade clínica na forma de estria.

Tanto na puberdade quanto na gravidez, as estrias surgem nas áreas de maior modificação do corpo da mulher, como seios, nádegas e coxas. É interessante a grávida ter cuidados apropriados neste período e saber que existem procedimentos específicos que podem melhorar a aparência da estria.

Tratamento das estrias:

O tratamento depende do tipo, da quantidade e da localização das estrias. Além disso, a cor e a espessura da pele, assim como o perfil psicológico da paciente, devem ser analisados.

Quando a estria ainda é vermelha e inicial podem ser usados o laser ou a luz pulsada. Os peelings com ácido retinoico, ácido glicólico ou ácido tricloroacético melhoram as estrias brancas e superficiais. A dermoabrasão é um peeling mecânico, que utiliza uma lixa de diamante na região afetada. Geralmente, tanto os peelings químicos quanto o mecânico (dermoabrasão) são feitos associados a outro tipo de tratamento.

A microdermoabrasão é um procedimento em que partículas calcárias são emitidas na superfície cutânea. Elas estimulam o tecido de forma mecânica e segura. Este procedimento é feito uma vez por semana por cerca de 10 semanas e melhora a cor e a aparência das estrias.

A subcisão é um procedimento que tem como objetivo estimular o processo de produção de fibras da pele. Consiste em anestesiar o local com xilocaína 2% e em seguida introduzir uma agulha especial na pele e na região derme/hipoderme, fazer movimentos de vai e vem que estimulem o local e acentuem o mecanismo de regeneração do tecido, pra haver maior produção de fibras. O resultado final será visto dois a três meses depois. A subcisão não deve ser repetida em períodos menores do que dois meses no mesmo local, porque ainda não seria possível avaliar os resultados. A formação de hematoma é importante, pois tem relação com a agressão que foi feita a pele. Devem ser tomados cuidados locais com as roupas, traumas e higiene para que não haja infecção local.

Hoje também está em voga, o tratamento das estrias com microagulhamento, radiofrequência microagulhada e micro infusão de medicamentos na pele (MMP).

No caso do microagulhamento, se utiliza um “roller” – aparelho com agulhas entre 0,5 e 2,5mm que vão perfurar a pele. Este mecanismo estimula o colágeno, além de promover a ação dos fatores de crescimento pelo sangue. A radiofrequência utiliza energia e microagulhas para estimular o local. A MMP usa um sistema de agulhas similar ao que leva um aparelho de tatuagens. A MMP além de estimular o local com as agulhas, também requisita fatores de crescimento via orvalho sangrante e soma a ação do medicamento contra as estrias.

Os tratamentos como subcisão, microdermoabrasão, microagulhamento, radiofrequência e peelings não devem ser realizados no período de gestação.

É importante ter em mente que a melhor forma ainda é prevenir as estrias com alguns cuidados básicos, como hidratar, massagear a pele e cuidar do peso.