MELASMA – TRATAMENTOS

Melasma é uma hiperpigmentação crônica, sem sintomas, que afeta principalmente mulheres jovens antes da menopausa. Como sua causa é desconhecida, o tratamento ainda não é o ideal e nem pode prometer cura.

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A pessoa comprometida pelo melasma precisa usar filtro solar constantemente, que deve ter cor. Trabalhos recentes demonstram que a luz visível, que está nas lâmpadas, televisores e computadores, piora as manchas e talvez até mais que o próprio sol.  O filtro solar deve conter pigmento, preferencialmente de óxido de ferro, que é considerado o melhor para proteger da luz visível. Ele também deve ser, preferencialmente físico, pois esse tipo de filtro reflete a luz, através do óxido de zinco e o dióxido de titânio. Mas, além da cor e de ser físico, o mesmo também deve ter uma boa cobertura, para não sair facilmente e ser capaz de esconder a mancha. Esse filtro deve ser reaplicado, pelo menos, a cada 3 horas.

O melasma deve ser tratado com cremes clareadores, de preferência que não inflamem ou irritem a pele. Há inúmeros ativos clareadores, como hidroquinona, arbutin, ácido ascórbico (vitamina C), ácido azelaico, ácido kógico, ácido retinoico, ácido tranexâmico, entre outros. O ideal é uma combinação adequada de clareadores com antioxidantes e hidratantes que devem ser usados à noite. Os cremes não devem irritar ou manchar a pele e a hidratação é fundamental para manter a barreira cutânea íntegra.

Hoje também se utilizam substâncias de uso interno para contribuir no tratamento do melasma. Nesse caso, o ácido tranexâmico, que é um derivado da lisina, agente antifibrinolítico, tem se mostrado interessante na dose de 250mg de 2 a 3 vezes ao dia, por períodos de 4 a 6 meses. O ácido tranexâmico por via oral, é um remédio usado para pacientes com hemorragia e precisa ser receitado pelo médico, pois há necessidade de avaliação prévia e de exames de sangue, que irão checar se há pré-disposição para trombose ou problemas de coagulação. Ainda não é sabido qual o seu exato mecanismo de ação para tratar o melasma, mas essa substância tem várias ações entre elas, inibir o fator de crescimento endotelial e a melanogênese, evitando os estímulos que pioram o melasma.

O Polipodium leucotomas, também é utilizado como coadjuvante, por via oral, para o tratamento do melasma na dose aproximada de 1000mg por dia e funciona evitando a agressão da luz ultravioleta. Outros agentes antioxidantes como a glutadiona, a vitamina C e a melatonina, também têm sido citados para o tratamento do melasma.

Em relação aos procedimentos para o tratar o melasma, utilizamos: peelings, microagulhamento e laser.

Os peelings são interessantes, pois ajudam a clarear a pele e os indicados são os superficiais, para não provocar inflamação.  Podemos utilizar peelings de ácido glicólico, mandélico,retinoico, além da ATA em baixa concentração. Alguns peelings de fenol com óleo de castor e óleo de cróton, também são preconizados. Os peelings podem ser feitos a cada 15 dias e de 4 a 6 sessões, sempre acompanhado do uso do filtro solar.

O microagulhamento é um tratamento onde se utilizam agulhas que picam a pele que provocam um ligeiro sangramento. É uma técnica interessante para melhorar a qualidade da pele e provoca clareamento relativo. O mecanismo de ação ainda não é conhecido

O laser ideal para o tratamento do melasma é o Q-Switched Nd Yag 1064nm, que tem baixa energia e pulso muito rápido. São realizadas 12 sessões semanais e a pele fica rosada no dia da aplicação, mas não impede as atividades do dia a dia. Esse laser não libera altas quantidades de calor e por isso é o ideal para o tratamento do melasma.

Muitos outros lasers já foram utilizados como o CO2 e também a luz pulsada, porém a maioria provoca muito rebote. Enquanto um laser normal pode ter energia de 30 a 40 J esse só vai até 1.8 J – 2.0 J e com pulso em nanosegundos.

Para o sucesso do tratamento do melasma há necessidade de disciplina e paciência, pois não há milagres e nem cura definitiva. O diagnóstico correto e a utilização adequada de vários recursos combinados, além de fotoproteção e hidratação constantes, irão trazer ótimos resultados.

 

 

 

Novidades do Congresso Mundial de Dermatologia: SOL, CÂNCER DE PELE, VITAMINA D

Dando continuidade aos temas de maior destaque abordados no 23º Congresso Mundial de Dermatologia, vou falar hoje sobre o SOL, CÂNCER DE PELE e a VITAMINA D.

Num país tropical como o nosso, com incidência de sol  durante o ano todo, é praticamente impossível evitarmos totalmente a ação da radiação solar na pele. Confira a seguir, as informações mais atuais e os novos aprendizados sobre esses assuntos.

SOL, LUZ VISÍVEL, INFRAVERMELHO

Se considerarmos a radiação total que recebemos por dia, temos abaixo o percentual de cada tipo de radiação e observamos que, tanto a luz visível como o infravermelho, são bem maiores do que a radiação ultravioleta:

UV – 3%

Visível 44% – exposição a qual estamos expostos

IR infravermelho 53%

O sol é bastante agressivo, como já sabemos, porém a luz visível e o infravermelho chegam a nossa pele em maior quantidade. A agressão causada por essas radiações é feita de forma indireta, estimulando a formação de radicais livres. Precisamos conseguir proteção em relação a essas radiações, pois elas ainda não existem. Nenhum filtro solar do mercado protege da luz visível.

A luz visível atinge muito mais as pessoas que têm maior concentração de pigmentos e, portanto, agride mais aos negros do que brancos, causando eritema e melanogênese. Talvez essa seja a causa dos pacientes mestiços terem mais melasma e também maior dificuldade para evitar o escurecimento da lesão.

Vários trabalhos e medidas têm sido feitas, medindo a agressão da luz visível. Há também agressões imunológicas, como o aumento da expressão do CCL18 que tem sido associado à dermatite atópica e linfomas. A novidade é que através desses estudos conclui-se que a luz visível aumenta a pigmentação, a tirosinase e o CCL18 somente na pele escura e não na pele clara. Atualmente filtros com vitaminas antioxidantes e filtros com cor protegem em parte da luz visível.

TRATAMENTO PARA O CÂNCER DE PELE COM A LUZ DO SOL

Trata-se do uso da terapia fotodinâmica para o tratamento das lesões pré-cancerosas e o próprio câncer de pele (basocelular) quando superficial.

Utiliza-se um creme que é passado nas áreas afetadas (campo cancerizável). Esse creme tem afinidade pelas células cancerígenas e promove uma reação química que deixa essas células evidenciadas. A luz do sol seria o fator de tratamento final, pois teria mais afinidade por essas células marcadas e promoveria a destruição das mesmas. O produto é utilizado em casa e o paciente é orientado como deve tomar sol.

VITAMINA D

Excesso de gordura está associado à Vitamina D baixa. A obesidade pode estar associada a índices mais baixos de Vitamina D, assim como, síndrome metabólica e dislipidemia. Também contribuem para níveis baixos de Vitamina D, vida urbana e doenças em geral.

 Estudos mostram que o nível de vitamina D está relacionado a cor da pele. Estudos diferenciados mostram que pequenas quantidades de luz UVB nos braços 4x por semana é suficiente para manter o nível de Vitamina D em pessoas saudáveis. Lembrar que muitos países consideram valores normais acima de 20ng/dia, normais, e portanto, a interpretação dos exames de sangue que dosam Vitamina D é controversa.

Conclusão: há muitas duvidas sobre a vitamina D, sendo importante estudos que pesquisem esse assunto na profundidade, porém o mais evidente é que não sabemos muito sobre esse assunto.