TATUAGEM NAS OLHEIRAS

A causa das olheiras não está determinada, porém estão envolvidos fatores como genética, tipo de pele, calibre dos vasos, formato do rosto, alergia como a atopia, além de pigmentação e flacidez causadas pelo envelhecimento.

O aparecimento das olheiras escuras está relacionado a espessura milimétrica da pele e, sendo assim, por transparência aparecem os vasos e a musculatura provocando a tonalidade azul enegrecida da região. A quantidade de vasos, nesse local, é muito grande e os mesmos estão envolvidos com a irrigação e nutrição, essenciais para manter a qualidade visual.blog dra deniseA pele da região das olheiras, chamada de área periorbital, é uma das mais finas de todo o corpo humano, cerca de 1,0 a 1,66mm. Por esse motivo, há uma grande fragilidade e sensibilidade nessa área. Exemplificando, quando uma pessoa tem alergia ao esmalte o inchaço, a irritação e o avermelhamento, podem aparecer primeiramente na área ao redor dos olhos devido a pouca espessura e fragilidade da área periorbital.

A olheira pode ser tratada com peelings, laser, preenchimento, radiofrequência, entre outros. No entanto, nas pessoas jovens, que geneticamente tem olhos fundos e escuros, há maior dificuldade em conseguir um clareamento satisfatório das olheiras. Em busca de solução, algumas pessoas têm aderido ao tratamento com tatuagem nessa região. É preciso um alerta em relação a essa técnica numa área de espessura mínima, inervação e vascularização complexas e repleta de riscos.

Em primeiro lugar, o perigo está relacionado ao risco de infecções e contaminações, pois em geral, as tintas aplicadas não são estéreis. Colocar uma agulha com material não estéril numa área dessas é contaminação de alto perigo. Em segundo lugar, as máquinas de tatuagem, com suas agulhas, podem romper os vasos sanguíneos dessa região, causando hemorragias e hematomas importantes. Outro risco substancial é o entupimento de algum vaso importante, que pode levar a cegueira.

Na região das olheiras existem vasos de vários calibres. Quando eles são maiores, podem carregar as partículas da tinta, causando alergia ou infecção em qualquer local do organismo. Em relação aos vasos de menor calibre, se os mesmos forem atingidos, pode haver entupimento, comprometendo a irrigação dessa região, podendo, como já foi dito levar a cegueira.

O procedimento é perigoso, principalmente se realizado por profissionais não médicos, que não tiveram a oportunidade de aprender a anatomia detalhada dessa região. Com sorte, algumas pessoas podem ter bons resultados, porém o risco-benefício é muito alto.

A tatuagem, quando realizada por profissionais treinados e com assepsia adequada, em várias regiões do corpo pode ser interessante e segura, mas na região dos olhos a associação de pele muito fina com uma irrigação complexa e repleta de anastomoses torna o procedimento muito arriscado. Portanto, se a questão é mascarar a cor da olheira com uma tinta, então podem ser usados os corretivos, que estão cada vez mais completos e específicos, conseguindo ao mesmo tempo tratar a pele e esconder a cor escurecida. Os corretivos, embora possam durar algumas horas, não são definitivos, mas por outro lado, não oferecem nenhum risco a saúde geral ou ocular.

A visão, um dos 5 sentidos é essencial para uma vida plena e prazerosa, não havendo justificativa estética para colocá-la em risco.

EXPOSSOMA

O expossoma é a somatória de exposições que o indivíduo está sujeito desde seu nascimento até a morte. O expossoma inclui agressões externas, como a radiação ultravioleta, poluição, mudanças climáticas, fumo, calor e agressões internas, como doenças, má alimentação, genética fragilizada, estresse e sono inadequado. Esse conceito é extremamente importante de ser introjetado em cada indivíduo, pois sua compreensão ajudará sobremaneira numa longevidade saudável e com qualidade de vida.

Como já entendemos, o expossoma representa tudo aquilo que nos agride ao longo da vida, porém, cada indivíduo dará sua resposta específica aquele estímulo negativo, dependendo da sua tendência e característica genética. Sendo assim, ao longo da vida, posso fumar e ter câncer de pulmão, enquanto outro indivíduo, também fumante, pode geneticamente ser mais resistente e não apresentar este mesmo tipo de tumor. Portanto, é importante reforçar que somos inteiros e únicos e quanto melhor entendermos o expossoma em nossa existência, mais estaremos preparados para defender nossa saúde e qualidade de vida.

Por que a pele é importante em relação ao expossoma?

A pele é o maior órgão do corpo humano, sendo o órgão de choque do expossoma, pois recebe os raios ultravioleta, a fumaça do cigarro, a poluição, as mudanças de temperatura e reflete também as deficiências e inadequações dietéticas e nutricionais, assim como a falta de sono e as doenças como diabetes e eczemas.

Diferente do que imaginamos, a pele é um órgão inteligente, sendo considerada uma barreira multifatorial e multifuncional, que abrange funções como: barreira física, hídrica, antioxidante, fotoprotetora, antimicrobiana.

A função de barreira física, é responsável pela proteção mecânica, assim como proteção a entrada de moléculas diversas, enquanto que a barreira hídrica, significa a capacidade da pele em manter a hidratação adequada, evitando a perda transepidérmica da mesma.

A pele também tem vários componentes antioxidantes, que configuram a barreira antioxidante que são acionados a cada agressão externa. A barreira fotoprotetora da pele é responsável, através dos seus componentes como a melanina, por proteger o indivíduo da radiação ultravioleta.

A barreira antimicrobiana é formada por uma somatória de fatores, como pH, filme hidrolipídico, produção sebácea e descamação natural. Esses fatores em conjunto mantém a microbiota natural e saudável, evitando a entrada e o crescimento de microrganismos patogênicos.

Os cuidados básicos e diários em relação a pele são importantes e necessários para ajudar a mesma na sua função de barreira, pois quando essa está rompida ocorre inflamação, avermelhamento, coceira, descamação e desidratação intensa.

O dano a barreira, quando ocorre frequentemente, promove o adoecimento e envelhecimento da pele e os cuidados básicos e diários evitam a inflamação e o envelhecimento precoce. Limpar profundamente a pele é fundamental para retirar os resíduos dos poluentes que ficam aderidos na pele. A limpeza ajuda a evitar a obstrução dos óstios e evitar a oxidação que os poluentes provocam na pele. O agente limpador deve ser escolhido conforme o tipo de pele. Sabonetes em barra, que desengorduram muito, podem ser usados em peles oleosas, espessas e com tendência a acne. Já as peles mais sensíveis e maduras, podem usar sabonetes líquidos, neutros e hidratantes. Peles sensíveis, vermelhas, assim como pessoas alérgicas, devem escolher agentes de limpeza com pH próximo ao da pele 5,6 e com ativos anti-inflamatórios, como águas micelares ou tônicos suaves.

A hidratação diária também é essencial para o bom funcionamento da pele. A água em quantidade necessárias e suficiente é vital para o funcionamento da barreira cutânea. As peles acneicas e oleosas também precisam de hidratação, pois a água e o óleo são substâncias diferentes e com funções também diferentes. É importante lembrar que a água está dento da pele e a barreira cutânea íntegra evita a perda transepidérmica. O hidratante pode ser de três tipos: oclusivo, emoliente ou as duas funções em conjunto. O hidratante oclusivo faz uma barreira mecânica em relação a perda de água, mas pode ser comedogênico e entupir os óstios foliculares. Exemplos desses seriam a vaselina e óleos como o de amêndoas. Os hidratantes higroscópicos tem na formulação substâncias que atraem a água e mantém a mesma no local, como exemplo temos a ureia, o ácido hialurônico, entre outros. Os hidratantes mais modernos podem misturar sustâncias higroscópicas com outras oclusivas sem provocar a formação de comedões, sendo indicados também para peles oleosas e acneicas. Quando a pele está desidratada, ela pode ficar vermelha, inflamada e descamativa, favorecendo a piora da acne em peles oleosas ou o aparecimento de rosácea em peles mais sensíveis.

Hoje também existem os dermocosméticos, ou cosmecêuticos multifuncionais e podemos ter produtos hidratantes com outros ativos, como vitaminas, agentes antioxidantes, antipoluidores e antienvelhecimento. O hidratante também pode estar associado a maquiagem e ao filtro solar.

Outro cuidado básico e necessário com a pele é a fotoproteção. Já são muito conhecidos os efeitos deletérios e envelhecedores do sol. A radiação ultravioleta B agride diretamente o DNA celular, provocando danos que são cumulativos e provocam, em última instância, o câncer de pele. A outra parte da radiação UVA provoca agressões diretas nos vasos, nas células formadoras de colágeno, nas glândulas e no folículo piloso. Esta radiação agride todas essas estruturas através da oxidação, provocando uma grande formação de radicais livres, que são agressores constantes, provocando inflamação, degradação e envelhecimento. O uso diário do filtro solar ajuda a evitar essas agressões, mantendo a aparência e evitando o envelhecimento precoce.

Para combater os danos dos expossomas, além desses cuidados com a pele, também são importantes outras ações como: alimentação equilibrada, evitando o excesso de alimentos com alto índice glicêmico e gordura trans e abusando dos alimentos antioxidantes, beber muita água, manter um sono tranquilo e reparador, evitar o consumo excessivo de bebidas alcoólicas, do cigarro, do estresse constante e da poluição. Também é importante manter uma atividade física regular, usar bons produtos dermocosméticos e ter momentos de laser e descanso.

Luz LED e seus benefícios para a PELE

Nos últimos anos vem se consolidando a ideia de que lasers de baixa potência e também luzes como as LEDs podem trazer benefícios para o tratamento de algumas alterações de pele.

As lâmpadas de LED, cuja tradução remete à língua inglesa (Light Emitting Diode), são dispositivos semicondutores que emitem luz quando acionados por uma corrente elétrica. As luzes LED são diferentes do laser, pois não são monocromáticas ou coerentes. No entanto, ao longo do tempo, com a evolução tecnológica, as novas LEDs estão quase monocromáticas e portanto, consideradas comparáveis aos lasers de baixa potência.

Esse “up grade” que ocorreu com as lâmpadas de LED tornou possível utilizá-las para vários tipos de tratamentos cutâneos. O mecanismo de ação dessas lâmpadas acontece com o estímulo que atinge diretamente a mitocôndria celular. Essa estrutura é responsável pela produção de energia celular (ATP) e quando estimulada, melhora a energia e função celular.

A luz LED entra na célula e, dependendo da profundidade ou comprimento de onda, provoca efeitos benéficos para o organismo. A luz LED tem efeitos anti inflamatórios, calmantes, estimula a formação de colágeno novo, ajudando na cicatrização e reparação da pele, além de promover também a proliferação celular.

Esse mecanismo é denominado de foto bio estimulação, caracterizando um tipo de fototerapia ou tratamento pela luz. Nesse ponto ela se diferencia dos lasers de alta potência, que têm uma função mais agressiva, provocando dano ou morte celular e nesse caso, agem como foto cirurgia. Exemplificando, se usarmos um laser de alta potência para vasos, ele irá, através da sua luz, destruir esses vasos, deixando a pele mais clara. Comparando, a luz LED não é capaz de destruir o vaso mas sim estimular as células a produzirem mais energia e funcionarem melhor.

As indicações para o uso da luz LED são:

  • Acelerar e melhorar a cicatrização.
  • Controlar a inflamação e avermelhamento.
  • Atenuar e controlar a dor intensa.
  • Melhorar o aspecto de cirurgias cosméticas.
  • Rejuvenescer a pele.
  • Prevenir a formação de cicatrizes hipertróficas.
  • Tratar doenças circulatórias como Doença de Raynaud.

Recapitulando, fototerapia com as luzes tipo LED é realizada através do estímulo energético que atinge a mitocôndria de cada célula, provocando as seguintes ações:

  1. Se a célula estiver danificada ela será reparada.
  2. Se a célula tem uma função como por exemplo produzir colágeno e elastina, quando a LED atingi-la ela fará essa função com mais eficiência.
  3. Se a célula precisar proliferar, a luz LED irá estimular essa proliferação.

Hoje já existem chapéus (bonés) com luzes de LED para tratamento da calvície e outras quedas de cabelo. Existem também máscaras com luzes LED usadas no rosto para melhorar a inflamação de vários procedimentos ou melhorar a qualidade da pele. Também já encontramos placas com luz LED que podem ser usadas para melhorar a cicatrização de feridas e úlceras cutâneas.

A acne inflamatória pode ser tratada com lâmpadas LED com comprimento de onda da luz azul. As luzes LED têm sido utilizadas com frequência nos consultórios dermatológicos após procedimentos como peelings, cirurgias, lasers de alta potência e tratamentos capilares, entre outros. Além disso, alguns dispositivos com luz LED podem ser usados em casa como tratamento auxiliar. É importante que ocorra a indicação médica para escolher o melhor comprimento de onda e a frequência do tratamento.

Devemos também lembrar que as luzes LED são eficazes e seguras e funcionam como tratamentos coadjuvantes e não principal. Elas trazem benefícios principalmente se bem indicadas, tanto com relação a energia quanto na frequência do tratamento.

PELE NEGRA

A pele negra e a pele branca, por incrível que possa parecer, são mais semelhantes do que diferentes. No entanto, a capacidade do melanócito, que é a célula produtora de melanina, da pele negra é muito maior, produzindo grandes quantidades do pigmento, principalmente quando estimuladas por sol ou outras agressões.  O cabelo da raça negra também tem características próprias, sendo mais enrolado e mais fino, justificando cuidados especiais.

Os negros têm algumas doenças como queloide e dermatose papulosa nigra em maior proporção que os brancos. Algumas características também ocorrem, como melanoma acral que é mais grave nos negros. Porém, a grande diferença clínica consiste em responder mais intensamente a qualquer tipo de agressão seja doença, medicamento ou procedimento. A pele negra mancha mais e escurece mais quando são realizados procedimentos como peelings ou laser. 

Como já foi dito, as peles negra e branca são basicamente iguais e as doenças são as mesmas. A pele negra pode apresentar doenças como o vitiligo, o que, neste caso, fica mais evidentes devido ao contraste das cores. Outra característica é que quando a pele negra está ressecada também pode apresentar manchas hipocrômicas mal delimitadas, relacionadas a desidratação da pele.  Além disso, nos negros, toda lesão inflamatória, como a acne e o líquen plano, vão apresentar uma coloração bem mais marcante do que na pele branca. 

Não há tratamentos específicos para a pele negra e sim adaptações, usando menores concentrações de ativos nos peelings ou menor energia com os aparelhos de laser, por isso ela pode ser submetida a procedimentos variados como peelings, lasers, microagulhamento, toxina botulínica e preenchimento. Caso a pele seja muito agredida por estar mal preparada, ela pode manchar devido a hiperpigmentação pós-inflamatória.

O tratamento com laser é sempre mais difícil na pele negra, porque a maioria dos lasers age em alvos específicos, denominados cromóforos, sendo um dos mais importantes a melanina. Neste caso, os parâmetros precisam ser mais suaves para que a pele não fique queimada. Além disso, no caso dos peelings, se houver muita inflamação, tende a ocorrer maior produção de pigmento em resposta a agressão. Assim como no caso dos lasers, os peelings também devem ser ajustados para a pele negra, utilizando-se concentrações mais baixas, menos camadas, menos pressão, além de preparar a pele com tretinoína (derivado da vitamina A) e hidroquinona que é um clareador. Podemos utilizar peelings de ácido retinoico, alfahidroxiácidos e também ácido salicílico. Durante o período de descamação a pele deve ser protegida com filtro solar e a recuperação da pele negra ou miscigenada, quando realizamos um peeling, é mais difícil do que na pele branca. 

A pele negra tem a proteção extra de maior quantidade de melanina sendo menos susceptível ao chamado fotoenvelhecimento, apresentando menos rugas e manchas que a pele branca da mesma idade. Isto não quer dizer que a mesma envelheça menos, pois a pele negra também pode apresentar grau importante de flacidez.

MEDICINA REGENERATIVA – NOVA FRONTEIRA NO TRATAMENTO DO ENVELHECIMENTO

Ao longo do tempo, muitas técnicas vêm sendo incorporadas para melhorar a aparência do envelhecimento cutâneo. Hoje, associando bons cosmecêuticos com procedimentos como peelings, preenchimento, toxina botulínica, lasers e radiofrequência, podemos conseguir ótimos resultados na prevenção e correção de sinais do envelhecimento.

Em relação aos peelings, favorecemos a troca celular, renovando o tecido; com alguns preenchedores, como a hidroxiapatita de cálcio, estimulamos a formação de colágeno novo através da ação específica do cálcio, e com vários lasers podemos conseguir também a formação de mais colágeno pelo calor que estes aparelhos emitem na profundidade da derme. Em meio a tudo isso, começa a ser vislumbrada uma nova fronteira no tratamento da pele envelhecida, que é a Medicina Regenerativa. Esta nova ciência, através de diversas tecnologias, tem seu início na própria resposta que a pele humana tem no processo cicatricial.

Quando a pele é cortada ou machucada, automaticamente começa um processo de cicatrização, que se inicia com a coagulação, onde as células sanguíneas trazem as citoquinas e fatores de crescimento para reconstruir o tecido, promovendo a neovascularização com formação de novas células e novo colágeno. Baseado no conhecimento das reações reconstrutivas do próprio organismo, começam a ser exploradas técnicas e procedimentos que utilizam o arsenal da medicina regenerativa como:

* Fatores de Crescimento

* Células Tronco

* Plasma Rico em Plaquetas

* Tecidos Reconstrutivos como a Pele sintética

FATORES DE CRESCIMENTO: São proteínas que circulam em nosso organismo e são estimuladas ou neutralizadas, conforme são acionadas por uma intricada rede de receptores, expressões genicas e estímulos hormonais. O fator de crescimento, por exemplo endotelial vascular, induz a vasculogênese e angiogênese. Esse fator é um dos mais importantes na cicatrização de tecido e na pega dos retalhos e enxertos.

O uso clínico de fatores de crescimento, iniciou nos anos 90 e em 2002 o FDA (Food and Drug Administration) aprovou o uso de fatores recombinantes como BMP-2 e BMP-7 para uso em cirurgias de medula e ortopedia. Em relação ao envelhecimento cutâneo, os fatores de crescimento têm sido incluídos em cremes e também usados de forma injetável para estímulos específicos.

PLASMA RICO EM PLAQUETAS: Esta técnica, muito utilizada na Europa e nos Estados Unidos, preconiza o uso da fração rica em plaquetas do sangue do doador para ser utilizado para cicatrização e estimula a melhoria do colágeno da própria pele. O sangue do indivíduo a ser tratado é colhido e centrifugado, separando a parte amarela das plaquetas, que é rica em fatores de crescimento. Esta fração, de acordo com cada protocolo, é aplicada no local a ser tratado, que pode ser uma ferida, queda de cabelo ou sulcos e rugas do fotoenvelhecimento.

blog 3

As proteínas contidas nesse plasma rico em plaquetas têm grande quantidade de fatores de crescimento como o fator de crescimento endotelial: esses fatores estimulam a produção de colágeno e a angiogênese, entre outros. Esta técnica, quando realizada com protocolo adequado, tem um grande potencial para a dermatologia e para cirurgia plástica.

CÉLULAS TRONCO: São células com potencial de sofrer diferenciação em várias linhagens celulares. As células tronco adultas são multipotentes e podem se diferenciar em vários tipos celulares, ajudando na recuperação de transplante de medula e regeneração de ossos, entre outros. Nas células do tecido adiposo, colhidas após uma lipoaspiração, existem células tronco adultas, que têm potencial de melhorar o aspecto do fotoenvelhecimento.

Na dermatologia e na cirurgia plástica essas células podem ser separadas após a centrifugação das células gordurosas retiradas da lipoaspiração e, como carregam consigo as células tronco mesenquimais, podem ser utilizadas em várias técnicas de tratamento. Os trabalhos como essa técnica ainda são incipientes, mas podem vir a ser bastante interessantes para melhorar a qualidade do tecido. Nossa publicação “Fração vascular estromal, uma nova terapêutica no fotoenvelhecimento: estudo comparativo e controlado” publicado na Revista Surgical And Cosmetic Dermatology, mostra a comparação entre a aplicação de um preenchedor e a aplicação das células mesenquimais pós lipoaspiração. Nos pacientes que foram tratados com as células tronco mesenquimais, obtivemos o mesmo resultado dos pacientes tratados com preenchedor, porém com duração bem maior que o primeiro.

As técnicas de medicina regenerativa hoje são utilizadas para acelerar a cicatrização de feridas, tratamento da calvície, estimulando o crescimento de mais fios, e no o tratamento de sulcos e rugas de expressão.

Essas técnicas vêm sendo cada vez mais estudadas e mais protocolos científicos estão sendo computados para torná-las parte do arsenal do dia a dia, para tratamento do envelhecimento cutâneo. A pele, como o maior órgão do corpo humano e com várias e complexas funções, é sem dúvida um das protagonistas nessa nova fronteira científica.

ACNE e a AUTO ESTIMA na adolescência

A acne é um processo inflamatório que causa cravos ou comedões, pápulas, pústulas (espinhas), nódulos e cicatrizes.

Este quadro é muito prevalente e atinge um grande número de pessoas, tanto homens como mulheres, principalmente no período da puberdade.

A acne é responsável pela perda da autoestima e um comprometimento importante das alterações emocionais. A transição do período da infância para a idade adulta é muito estressante e complexa. Trata-se de um momento onde meninos e meninas estão se desenvolvendo, trocando as características infantis por outras de adultos e tentando desesperadamente ser aceito pelo grupo. Neste período, é muito importante a inserção e aceitação no grupo.

Mesmo num período de transição saudável, esta fase causa bastante sofrimento porque as mudanças emocionais e físicas são profundas e difíceis de serem metabolizadas.

Os pais de crianças/adolescentes acometidos pela acne precisam estar atentos ao comportamento dos filhos.

Nos últimos anos, a discussão profissional e científica sobre as alterações psíquicas do adolescente com acne vem aumentando e se aprofundando. Enumeramos alguns dos problemas que podem ocorrer:

Auto estima e imagem corporal – Os adolescentes com acne evitam o contato no olho no olho. Alguns deixam o cabelo crescer para esconder o rosto e as meninas usam maquiagem pesada e inadequada, que pode piorar a acne. Quando os adolescentes têm acne no tronco, evitam participar dos eventos esportivos em grupos.

Convívio pessoal e construção de relacionamentos – Os adolescentes se sentem inseguros e evitam novos contatos, principalmente afetivos e de namoro. Tendem a se isolar. Justamente nesse período em que são ampliados os relacionamentos, eles ficam reclusos e alguns desenvolvem fobia social.

Trabalho e estudo – Alguns jovens com acne não querem mais ir a escola ou ao trabalho. A acne também contribui para que eles tenham menores chances de escolhas profissionais, pois evitam aquelas que dependem de boa aparência. Os adolescentes com acne, devido a sua baixa auto estima, não têm sucesso no estudo e no trabalho por vergonha e falta de iniciativa.

Em alguns casos, os pacientes com acne desenvolvem depressão em parte iniciada por esta baixa autoestima. Certos sinais de depressão, nesta fase, precisam ser reconhecidos pelos pais, como por exemplo: perda de apetite, letargia, variações de humor, problemas de comportamento, choro espontâneo, falta de sono, falta de indignação.

A acne na adolescência pode significar isolamento ou dificuldade escolar extrema. É comum que eles utilizem frases com os pais como: “não tenho vontade de acordar pela manhã”, “seria melhor se eu morresse”, “você estaria melhor sem mim”.

Em casos graves, pode haver tentativa de suicídio. Lembrar que muitas vezes a depressão, que ocorre na acne, está relacionada ao tratamento com isotretinoína. Como vemos, a acne, devido a todas as mudanças do adolescente, é muito mais relacionada a depressão do que a medicação.

Nesse sentido, é importante tratar a acne tão logo ela apareça para evitar sequelas físicas e emocionais. Existem vários tratamentos para a acne, como retinoides tópicos, antibióticos tópicos e sistêmicos, isotretinoína e pílulas anticoncepcionais.

Lembrar que nas mulheres, inclusive adolescentes, pode haver ovário policístico, associado ao quadro de acne. Além dos tratamentos convencionais, podem ser utilizados peelings e laser.

É importante procurar ajuda especializada do dermatologista para ser analisada toda a circunstância do caso e escolher o melhor tratamento. É muito importante que os pais estejam atentos e ajudem o adolescente/jovem a buscar auxílio médico especializado para tratar a acne, que, muitas vezes, envolve também, ajuda psicológica/emocional.