MEDICINA REGENERATIVA – NOVA FRONTEIRA NO TRATAMENTO DO ENVELHECIMENTO

Ao longo do tempo, muitas técnicas vêm sendo incorporadas para melhorar a aparência do envelhecimento cutâneo. Hoje, associando bons cosmecêuticos com procedimentos como peelings, preenchimento, toxina botulínica, lasers e radiofrequência, podemos conseguir ótimos resultados na prevenção e correção de sinais do envelhecimento.

Em relação aos peelings, favorecemos a troca celular, renovando o tecido; com alguns preenchedores, como a hidroxiapatita de cálcio, estimulamos a formação de colágeno novo através da ação específica do cálcio, e com vários lasers podemos conseguir também a formação de mais colágeno pelo calor que estes aparelhos emitem na profundidade da derme. Em meio a tudo isso, começa a ser vislumbrada uma nova fronteira no tratamento da pele envelhecida, que é a Medicina Regenerativa. Esta nova ciência, através de diversas tecnologias, tem seu início na própria resposta que a pele humana tem no processo cicatricial.

Quando a pele é cortada ou machucada, automaticamente começa um processo de cicatrização, que se inicia com a coagulação, onde as células sanguíneas trazem as citoquinas e fatores de crescimento para reconstruir o tecido, promovendo a neovascularização com formação de novas células e novo colágeno. Baseado no conhecimento das reações reconstrutivas do próprio organismo, começam a ser exploradas técnicas e procedimentos que utilizam o arsenal da medicina regenerativa como:

* Fatores de Crescimento

* Células Tronco

* Plasma Rico em Plaquetas

* Tecidos Reconstrutivos como a Pele sintética

FATORES DE CRESCIMENTO: São proteínas que circulam em nosso organismo e são estimuladas ou neutralizadas, conforme são acionadas por uma intricada rede de receptores, expressões genicas e estímulos hormonais. O fator de crescimento, por exemplo endotelial vascular, induz a vasculogênese e angiogênese. Esse fator é um dos mais importantes na cicatrização de tecido e na pega dos retalhos e enxertos.

O uso clínico de fatores de crescimento, iniciou nos anos 90 e em 2002 o FDA (Food and Drug Administration) aprovou o uso de fatores recombinantes como BMP-2 e BMP-7 para uso em cirurgias de medula e ortopedia. Em relação ao envelhecimento cutâneo, os fatores de crescimento têm sido incluídos em cremes e também usados de forma injetável para estímulos específicos.

PLASMA RICO EM PLAQUETAS: Esta técnica, muito utilizada na Europa e nos Estados Unidos, preconiza o uso da fração rica em plaquetas do sangue do doador para ser utilizado para cicatrização e estimula a melhoria do colágeno da própria pele. O sangue do indivíduo a ser tratado é colhido e centrifugado, separando a parte amarela das plaquetas, que é rica em fatores de crescimento. Esta fração, de acordo com cada protocolo, é aplicada no local a ser tratado, que pode ser uma ferida, queda de cabelo ou sulcos e rugas do fotoenvelhecimento.

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As proteínas contidas nesse plasma rico em plaquetas têm grande quantidade de fatores de crescimento como o fator de crescimento endotelial: esses fatores estimulam a produção de colágeno e a angiogênese, entre outros. Esta técnica, quando realizada com protocolo adequado, tem um grande potencial para a dermatologia e para cirurgia plástica.

CÉLULAS TRONCO: São células com potencial de sofrer diferenciação em várias linhagens celulares. As células tronco adultas são multipotentes e podem se diferenciar em vários tipos celulares, ajudando na recuperação de transplante de medula e regeneração de ossos, entre outros. Nas células do tecido adiposo, colhidas após uma lipoaspiração, existem células tronco adultas, que têm potencial de melhorar o aspecto do fotoenvelhecimento.

Na dermatologia e na cirurgia plástica essas células podem ser separadas após a centrifugação das células gordurosas retiradas da lipoaspiração e, como carregam consigo as células tronco mesenquimais, podem ser utilizadas em várias técnicas de tratamento. Os trabalhos como essa técnica ainda são incipientes, mas podem vir a ser bastante interessantes para melhorar a qualidade do tecido. Nossa publicação “Fração vascular estromal, uma nova terapêutica no fotoenvelhecimento: estudo comparativo e controlado” publicado na Revista Surgical And Cosmetic Dermatology, mostra a comparação entre a aplicação de um preenchedor e a aplicação das células mesenquimais pós lipoaspiração. Nos pacientes que foram tratados com as células tronco mesenquimais, obtivemos o mesmo resultado dos pacientes tratados com preenchedor, porém com duração bem maior que o primeiro.

As técnicas de medicina regenerativa hoje são utilizadas para acelerar a cicatrização de feridas, tratamento da calvície, estimulando o crescimento de mais fios, e no o tratamento de sulcos e rugas de expressão.

Essas técnicas vêm sendo cada vez mais estudadas e mais protocolos científicos estão sendo computados para torná-las parte do arsenal do dia a dia, para tratamento do envelhecimento cutâneo. A pele, como o maior órgão do corpo humano e com várias e complexas funções, é sem dúvida um das protagonistas nessa nova fronteira científica.

Envelhecimento Cutâneo

O processo de envelhecimento do organismo está relacionado com a perda da capacidade funcional e de reserva, mudança da resposta celular aos estímulos, perda da capacidade de reparação e predisposição do organismo à doença. As células humanas têm capacidade finita de reprodução entrando então, no processo chamado senescência. A idade é paralela à senescência celular e tem o mesmo controle genético. Existem exceções como células germinativas, “stem cells” (totipotentes) e células cancerosas que reproduzem sem parar, influenciadas por mecanismos desconhecidos.

O telômero é a porção terminal do cromossomo eucariótico e protege o mesmo da degradação. Com a idade, o telômero torna-se mais curto em todas as células, menos naquelas germinativas e cancerosas. Estas têm maior quantidade de telomerase, que é uma transcriptase reversa com capacidade de replicar o telômero. A telomerase se expressa nas células germinativas e cancerosas evitando o desaparecimento do telômero e consequentemente o desgaste e senescência das células.

A oxidação ocorre constantemente no organismo humano causando dano, principalmente ao DNA celular. Ela aumenta com a idade e nas células senescentes. Quanto mais oxidação, menor grau de reparação, maior número de mutações, maior deteriorização celular e maior formação de tumores.

No envelhecimento do organismo há queda dos hormônios de uma maneira geral. Ocorre a andropausa com diminuição dos andrógenos, menopausa com menos quantidade de estrógenos e também a chamada somatopausa com rebaixamento do nível do hormônio do crescimento. Este é produzido durante o sono pela glândula pitutária em grande quantidade na puberdade. Sua diminuição provoca perda da massa magra e aumento do depósito de gordura. Homens de mais de 60 anos, quando tratados com hormônio do crescimento aumentaram a massa muscular, perderam o excesso de gordura e aumentaram o tônus da pele. A reposição do hormônio do crescimento vem sendo cogitada em certas situações específicas.

O envelhecimento cutâneo pode ser divido em envelhecimento intrínseco e fotoenvelhecimento. O primeiro representa aquele comum aos órgãos e o segundo, mais intenso e evidente, ocorre em decorrência dos danos causados pela radiação ultravioleta.

O envelhecimento causado pela idade é mais suave, lento e gradual, causando danos estéticos muito pequenos. Já o fotoenvelhecimento é mais danoso e agressivo à superfície da pele, sendo responsável por modificações como rugas, engrossamento, manchas e o próprio câncer de pele. O fotoenvelhecimento não é a intensificação do envelhecimento cronológico, mas tem características próprias muito diferentes do envelhecimento comum. Sendo assim, a pele vai apresentar características diferentes em áreas expostas e não expostas. Além disso, o sol passa a ser o principal fator em relação ao fotoenvelhecimento.

Existem diferenças marcantes entre o envelhecimento intrínseco e o fotoenvelhecimento que são coerentes com as alterações bioquímicas e moleculares. No envelhecimento pela idade, a textura da pele é lisa, homogênea e suave com atrofia da epiderme e derme, menor número de manchas e discreta formação de rugas. No fotoevelhecimento a superfície da cútis é áspera, nodular, espessada, com inúmeras manchas e rugas profundas e demarcadas.

Histologicamente a atrofia e retificação da epiderme no envelhecimento cronológico contrasta com a acantose da pele actínica. Os queratinócitos são normais na primeira e displásicos na pele fotoexposta. Os melanócitos são diminuídos conforme a idade, mas aumentam em número e distribuem irregularmente o pigmento na pele lesada pela luz ultravioleta. A pele envelhecida tem menor quantidade de elastina e colágeno e vascularização hormonal. Na pele actínica aparece a zona de GRENZ (faixa eosinofílica cicatricial). As fibras de colágeno tem maior desorganização e as elásticas transformam-se em massas amorfas (elastose), enquanto os vasos tem parede duplicada e infiltrado linfo-histiocitário ao seu redor, caracterizando a heliodermatite.

Finalizando, enfatizamos a importância do estudo e conhecimento do envelhecimento cutâneo, pois quanto mais conhecemos, mais podemos oferecer ao nosso paciente.

Tratamento do fotoenvelhecimento com foco na flacidez

Envelhecemos desde o dia do nosso nascimento, num processo complexo e dinâmico que é orquestrado por respostas químicas e imunológicas às nossas tendências genéticas e agressões ambientais.

A questão genética, embora não imutável é preponderante em determinar como vamos envelhecer e quais são as doenças e tendências para as quais teremos mais facilidade, e, portanto, nos direcionar em relação as nossas prevenções. Eu sou você amanhã é uma frase sábia e profunda, que pode nos alertar sobre nossas fragilidades. Sendo assim, tudo que se refere a histórico familiar é importante para cuidarmos da nossa saúde e aparência. Isto também vale para o envelhecimento da pele, relacionado mais ou menos ao desenvolvimento de rugas, flacidez, manchas e tudo mais.

Hoje existem tratamentos com alta tecnologia, que podem tratar e principalmente prevenir o envelhecimento cutâneo. Podemos citar várias tecnologias interessantes como: Laser de CO2, Ultrassom Microfocado, Luz Pulsada, Preenchedores e ou Toxina Botulínica. Vou discorrer a respeito de uma nova tecnologia bastante interessante, inovadora e eficaz na abordagem do envelhecimento cutâneo; trata-se da tecnologia 4D, utilizada com o aparelho Fotona.

Esta tecnologia preconiza a junção de dois tipos de laser, denominados Erbium Yag e Nd Yag, além de parâmetros totalmente inovadores, que permitem o tratamento com estímulo do colágeno de forma suave e eficaz. Este mesmo aparelho, utilizando um parâmetro denominado Smooth, é usado para tratamento íntimo, ajudando muitas mulheres que não podem ou não querem fazer tratamento de reposição hormonal. Essa ponteira é introduzida na vagina e libera calor controlado a essa mucosa, promovendo estímulo colagênico, sem dor e com recuperação rápida.

Pois bem, para tratamento da face, já com algum grau de fotoenvelhecimento e flacidez, essa ponteira também é utilizada na região intra oral, promovendo estímulo do colágeno nesta mucosa e concomitantemente, melhoria do aspecto externo da pele, contorno bucal e dos lábios. O tratamento completo com a tecnologia 4D segue os seguintes passos:

1-Uso da ponteira do laser Erbium Yag no modo Smooth. Em geral o laser Erbium Yag de 240nm é ablativo. Neste caso o modo Smooth, preconiza um trem de pulsos que não provoca ablação, mas utiliza um calor controlado que irá estimular o colágeno. A energia pode ser variável conforme o efeito desejado, porém, não deve provocar ablação. O número de passadas também pode ser variável, sendo mais numerosa nas áreas dos sulcos e linhas. Conforme a combinação de energia e número de passadas, podemos obter uma troca de pele, provocando renovação cutânea e melhoria de manchas e linhas finas, assim como de cicatrizes leves de acne residual.

2-Na sequência, no passo 2, utilizamos o laser Nd Yag, com variante FRAC 3, que preconiza o uso de um pico de pulso bem alto, com ação tridimensional. Neste caso, quando existem pelos muito finos, eles são eliminados e também alguns vasos, muito superficiais, podem provocar lesões púrpuricas.

3-O terceiro passo é caracterizado pelo uso da ponteira intra oral, que também é feito com o Erbium Yag modo Smooth. Em geral, podemos aumentar a energia em relação àquela que fazemos para a parte externa do rosto. O modo de aplicação segue o estaqueamento pontual da repetição no mesmo ponto por 3 -4 vezes.

Esta aplicação é indolor e bem suportada, com exceção das áreas muito próximas ao lábio. Na região intra oral, equivalente ao suco nasogeniano, podemos fazer um número de passadas maior.

4- O quarto e último passo também utiliza o Nd Yag num modo denominado Piano, que tem um pulso muito longo, age também no subcutâneo e ajuda na flacidez local.

A somatória desses 4 passos, usando 4 ponteiras, com 2 tipos de laser, promove um resultado com ótimo custo/benefício. Este tratamento, denominado tecnologia 4D pode ser feito em qualquer idade e fototipo, logicamente no caso de haver flacidez e fotoenvelhecimento.

O paciente não precisa ter preparo especial e pode estar bronzeado, diferente das tecnologias que preconizam a fototermólize seletiva. No dia da aplicação é feita anestesia local, que permanece cerca de 20 a 30 minutos. A aplicação é ligeiramente dolorosa, mas suportável e o tratamento com quatro fases, dura cerca de 90 minutos. O tempo de recuperação consiste em 4-5 dias, havendo um craquelamento da pele com descamação suave por 3-5 dias. É possível o paciente realizar suas atividades normais usando sempre muito filtro solar.

São preconizadas 3 sessões, com intervalo mensal e o melhor resultado é visto 3 meses após a última sessão, quando então já temos o efeito da neocolagenese. Essa tecnologia traz um grande custo/benefício, tem o diferencial do tratamento intra oral e recuperação rápida. Lembrar que o papel preventivo, evitando a degradação e envelhecimento cutâneo é a questão mais interessante de todas.

Plasma Rico em Plaquetas

O organismo humano é um sistema complexo e inteligente, que comanda com perfeição uma série de atividades fisiológicas para manter a vida.

O Plasma Rico em Plaquetas é uma possibilidade que o corpo humano detém para ajudar na regeneração e cicatrização dos tecidos. Trata-se de um conteúdo que está no sangue, onde existe grande quantidade de plaquetas.

No procedimento em questão, que pode ser utilizado em várias especialidades médicas como, ortopedia, cirurgia plástica e dermatologia, o sangue é retirado e centrifugado para separar a fração que é rico em plaquetas. Essa fração tem no seu conteúdo, inúmeros fatores de crescimento e bio estimuladores, que podem sinalizar e ativar os mecanismos de regeneração e cicatrização, tornando-os mais rápidos e eficientes. Hoje, graças aos avanços na medicina biomolecular, imunologia, genética, entre outros, é possível aproveitar citoquinas pertencentes ao plasma, e dessa forma, aperfeiçoar os mecanismos que regeneram e estimulam os diversos tecidos do corpo humano.

O procedimento segue o passo a passo:

Coleta de sangue do paciente selecionado, que além de saudável, deve ter os critérios para inclusão no protocolo. 

Após a coleta, o sangue é centrifugado em aparelho específico que tem uma rotação e um tempo pré-determinados. Na sequência, o sangue já centrifugado é ativado com cloreto de sódio e a parte vermelha é dispensada. O sobrenadante especificado que é rico em plaquetas é aspirado para ser utilizado no tratamento selecionado. 

Em relação aos tratamentos e indicações na área da dermatologia podemos enumerar:

Tratamento de feridas abertas

Cicatrizes em geral e cicatrizes de acne

Envelhecimento cutâneo

Lipoenxertos

Calvície ou alopecia androgenética

Em todas essas situações, o plasma vai ser utilizado em forma de gel sobre as feridas ou injetado no local tratado. A ideia é aproveitar todos os fatores de crescimento e também bio estimuladores que existem neste extrato e ajudar na regeneração do tecido. Por exemplo, no caso do tratamento do fotoenvelhecimento, o extrato rico em plaquetas é injetado na pele envelhecida com a intenção de promover estímulo do colágeno e também melhorar a capacidade de troca da epiderme.

Na Universidade de Mogi das Cruzes, temos um protocolo piloto em andamento, utilizando o plasma rico em plaquetas  para tratamento da calvície ou alopecia androgenética. Inicialmente foram selecionados 8 homens saudáveis, com calvície, sem tratamento para a alopecia androgenética. Foram realizadas 3 sessões, 1 vez ao mês de plasma rico em plaquetas injetado em metade do couro cabeludo e na outra metade a mesma quantidade de soro fisiológico. Os pacientes foram fotografados e foi utilizado um programa denominado Trichoscan, que faz a contagem dos fios e analisa vários parâmetros, como número de fios terminais e tipo velus, proporção de cabelos na fase anágena e telógena, entre outros.

Como conclusão do estudo piloto, houve melhora significativa dos parâmetros analisados comparando o lado tratado com plasma rico em plaquetas com aquele que usamos o soro. O número de pacientes foi pequeno, porém avaliamos que esse tratamento é uma perspectiva alentadora para a terapia da calvície.

Fatores de Crescimento como Princípios Cosmecêuticos

O envelhecimento cutâneo é mediado por uma combinação de efeitos do tempo (envelhecimento intrínseco) e fatores ambientais (envelhecimento extrínseco), com alteração na infraestrutura celular e extracelular. São dois processos independentes, clinicamente e biologicamente distintos, que afetam estrutura e função simultaneamente. Evidências crescentes sugerem que os dois processos de envelhecimento têm caminhos bioquímicos e moleculares convergentes que conduzem ao foto envelhecimento cutâneo. Os mecanismos comuns aos dois processos podem fornecer oportunidade única para o desenvolvimento de novas terapias anti envelhecimento. Os recentes avanços na compreensão do papel dos fatores de crescimento no processo de envelhecimento, podem ajudar no desenvolvimento de produtos cosmecêuticos.

A exposição à radiação ultravioleta gera lesões cumulativas que aceleram o envelhecimento cronológico normal e exacerbam as injúrias do tecido cutâneo, resultando em foto envelhecimento. O interesse dos consumidores em corrigir os sinais do foto envelhecimento, como rugas, alterações da pigmentação, flacidez e irregularidades da superfície, aumenta à medida que a população envelhece. Os tratamentos disponíveis são os retinoides e antioxidantes tópicos, peelings químicos, dermoabrasão, lasers, e várias cirurgias do tipo lifting, dependendo da severidade do dano cutâneo.

Na última década, os pesquisadores têm focado na fisiopatologia do foto envelhecimento e encontraram correlações com alguns aspectos da cicatrização de feridas agudas e crônicas. De interesse específico para os fabricantes de cosmecêuticos são os efeitos dos fatores de crescimento no processo de cicatrização. Os fatores de crescimento são proteínas reguladoras que mediam as vias de sinalização entre as células e dentro das células. Depois que uma ferida é produzida, uma série de fatores de crescimento chegam ao sítio da mesma e interagem sinergicamente para iniciar e coordenar cada fase da cicatrização. Esse processo é complexo e não completamente compreendido. Centenas de fatores de crescimento foram identificados. Os que têm importância na cicatrização de feridas são citocinas envolvidas na resposta imunológica e fagocitose e fatores de crescimento que induzem síntese de colágeno, elastina e GAGs, componentes da matriz extracelular dérmica que são afetados pela radiação ultravioleta.

A cicatrização das feridas é dependente da interação sinérgica entre muitos fatores de crescimento. Após a injúria, citocinas e outros fatores de crescimento inundam o sítio da ferida para mediar à resposta inflamatória, promover o crescimento celular e diminuir a contração e formação do tecido cicatricial. O processo cicatricial é comumente dividido em 4 fases que se sobrepõem e representam a resposta fisiológica à injúria. Essas fases incluem hemostasia, inflamação, proliferação e remodelação. Durante a hemostasia, as plaquetas liberam várias citocinas e outros fatores de crescimento no sítio da ferida para promover a quimiotaxia e mitogênese. Na fase inflamatória, neutrófilos e monócitos migram para o sítio da ferida em resposta a citocinas e fatores de crescimento específicos para iniciar a fagocitose e liberar fatores de crescimento adicionais que atrairão fibroblastos. A fase de proliferação é marcada pela epitelização, angiogênese, formação de tecido de granulação e deposição de colágeno. Durante a proliferação, os queratinócitos restauram a função de barreira da pele e secretam fatores de crescimento adicionais que estimulam à expressão de novas proteínas queratina. Este ciclo de produção de colágeno e secreção de fatores de crescimento se mantém graças a uma forma de feedback autócrino que promove reparação contínua da ferida.

A fase de remodelação é o passo final no processo de reparação da ferida e tipicamente leva vários meses. Durante a remodelação, a matriz extracelular é reorganizada, tecido cicatricial é formado e a ferida é reforçada. Colágeno tipo III se deposita durante a fase de proliferação e gradualmente é substituído por colágeno tipo I, o qual apresenta ligações cruzadas mais firmes e proporciona maior força de tensão à matriz do que o colágeno tipo III. As células no sítio da ferida secretam diversos fatores de crescimento que funcionam especificamente remodelando e formando a matriz. Por exemplo, a síntese de colágeno e fibronectina são iniciadas pelo TGF-β, enquanto PDGF e TGF-β estimulam os fibroblastos para que produzam GAGs e modulam a proliferação de células do músculo liso. Outros fatores de crescimento modificam a vascularização. Ao longo do tempo, há aumento da densidade celular e o tecido cutâneo adquire maior resistência.

Determinados fatores de crescimento iniciam de maneira direta a atividade que promove a cicatrização de feridas, bem como modificam a atividade de células da matriz extracelular e outros fatores de crescimento. Os fatores de crescimento são capazes de estimular e/ou inibir ações específicas. A atividade dos fatores de crescimento é modulada por outros fatores de crescimento e através de vários fatores intrínsicos que interagem para conseguir hemostasia e equilíbrio durante a cicatrização de feridas. As pesquisas continuam para que se descubram mais informações sobre as funções individuais de determinados fatores de crescimento na cicatrização, e, sobre a interação sinérgica dos fatores de crescimento entre si e com os outros componentes envolvidos na cicatrização. Não se sabe se a presença ou ausência de um único fator de crescimento é significativa no processo de cicatrização de feridas. Os dados atuais sugerem que o importante é a interação de vários fatores de crescimento, sendo que nenhum fator de crescimento por si só é determinante na evolução do processo cicatricial.

O estudo do papel dos fatores de crescimento na cicatrização de feridas permitiu que fossem demonstrados resultados cosméticos e clínicos positivos para o tratamento da pele fotoenvelhecida. Apesar da utilização tópica de fatores de crescimento ser uma abordagem emergente, os estudos iniciais sugerem que a produção de colágeno dérmico e a melhora clínica da pele fotoenvelhecida, são substanciais. Os fatores de crescimento desempenham um papel importante para reverter os efeitos do envelhecimento da pele devido à ação cronológica e aos fatores ambientais. O aumento do colágeno dérmico induzido pelos fatores de crescimento pode ser mensurado através de biópsia. Apesar da função dos fatores de crescimento no processo natural de cicatrização de feridas ser complexa e não totalmente esclarecida, parece que depende da interação sinérgica de muitos fatores de crescimento. A aplicação tópica de fatores de crescimento humanos em múltiplos estudos clínicos, tem demonstrado reduzir os sinais e sintomas do envelhecimento da pele, incluindo redução estatisticamente significativa de linhas finas e rugas, além de aumento da síntese de colágeno dérmico. Embora não esteja claro como as proteínas de grande peso molecular, como os fatores de crescimento, realmente penetram no local de ação, os resultados de múltiplos estudos clínicos demonstraram efeitos benéficos do uso tópico dessas substâncias para reduzir os sinais e sintomas do envelhecimento cutâneo. O emprego de múltiplos fatores de crescimento em formulações tópicas parece proporcionar um tratamento promissor de primeira linha para a pele com fotoenvelhecimento leve a moderado.

TOXINA BOTULÍNICA – muito mais que tratamento de rugas…

A procura por tratamentos estéticos permitiu o desenvolvimento de diferentes tratamentos para retardar o envelhecimento, e a combinação de várias técnicas é a melhor forma de se conseguir uma pele bonita e jovem. Entretanto, a grande oferta de possibilidades também pode fazer com que haja exageros com resultados muitas vezes desastrosos. A regra para a estética é o bom senso, o que se deseja é um resultado natural e harmônico. A boa notícia é que isso é perfeitamente possível.

Toxina Botulínica

Os primeiros trabalhos científicos publicados para o uso estético da toxina botulínica datam da década de 90. Desde então, sua aplicação para tratamento das rugas de expressão se tornou popular e utilizada em todo o mundo. É importante conhecer o modo de funcionamento, a técnica de aplicação e os cuidados necessários que envolvem esse procedimento médico. A toxina botulínica é produzida pela bactéria Clostridium botulinum e provoca relaxamento muscular através da inibição da liberação de uma substância química chamada acetilcolina, na junção entre o nervo e o músculo (placa neuromuscular). Alguns dias depois da sua aplicação o músculo fica relaxado, diminuindo sua força de contração.

Trata-se de um procedimento que tem por objetivo tratar e, principalmente, prevenir as rugas de expressão como pés de galinha, rugas da testa e do cenho (glabela). A toxina botulínica age na ruga dinâmica, ou seja, naquela ruga que aparece durante a contração dos músculos da mímica facial. Ela apresenta pouco ou nenhum efeito sobre as rugas de repouso, ou seja, aquelas já visíveis mesmo na ausência de contração dos músculos da mímica facial. Isso é um fator de confusão, pois acredita-se que a toxina trata todas as rugas, o que não é verdade. A proposta é prevenir as rugas de repouso ao tratar as rugas dinâmicas e por isso a melhor idade para sua utilização é, em geral, a partir dos 30 anos.

A aplicação é feita através da injeção da toxina diretamente no músculo a ser tratado por médico qualificado. O procedimento é bem tolerado e podem-se usar cremes anestésicos para alívio da dor. O efeito começa a ser percebido cerca de 48 horas após a aplicação e 15 dias depois tem-se o resultado final que dura de 4 a 6 meses, período em que a acetilcolina gradativamente volta a agir na placa neuromuscular. Não há qualquer alteração na sensibilidade da pele, pois a toxina atua apenas no músculo. Apesar de ser uma substância tóxica, a dose utilizada é mais de mil vezes menor que a dose tóxica e não ocorre absorção da mesma para outros órgãos.

Vários locais têm indicação de uso da toxina botulínica, tais como:

Face: ruga de severidade entre as sobrancelhas (cenho, glabela), rugas de espanto na testa, pés de galinha na área dos olhos, levantamento das sobrancelhas, abertura dos olhos (ocidentalização de orientais), levantamento do nariz, melhora das rugas periorais em fumantes, levantamento do canto da boca, correção do sorriso gengival.

Pescoço: redução da flacidez e linhas horizontais.

Colo: diminuição das rugas, região do decote.

A toxina botulínica também é usada para o excesso de suor “hiperidrose”, promovendo redução da sudorese nas axilas, palmas das mãos, plantas dos pés e outras áreas onde haja o excesso de suor. A toxina é um neuromodulador que também age em receptores específicos que melhoram e diminuem estímulos inflamatórios. Isto significa que ela pode melhorar a acne e a rosácea.

Tratamento do contorno facial – A toxina botulínica pode ser utilizada para melhorar o contorno facial e também para aprimorar o formato da face. O principal músculo para interferir no contorno facial é o masseter, que também é o músculo relacionado a sintomas como o bruxismo. O conhecimento da anatomia facial e localização dos vasos e nervos é imprescindível para que não ocorram efeitos colaterais na aplicação da toxina botulínica no músculo masseter.

A toxina também pode ser aplicada na glândula parótida, ajudando ainda mais nesse afinamento facial. Novas técnicas, onde a substância é mais diluída e aplicada mais superficialmente, em maior número de pontos, também auxiliam no levantamento da face.

Para melhorar o contorno facial como um todo, também podem ser tratados os seguintes músculos: musculo abaixador do canto da boca e musculo platisma, que se localiza no pescoço. O relaxamento do músculo abaixador do canto da boca, levanta essa região, melhorando o aspecto do bigode chinês. O tratamento do platisma, que é o musculo do pescoço, inserido na mandíbula, provoca a definição do contorno facial.  O resultado final dessas aplicações especificas, promoverá um formato de rosto mais alongado e com contornos mais precisos.

É fundamental discutir com o médico a indicação do procedimento, qual é o resultado esperado, qual é a duração dos efeitos, quais as contra indicações e efeitos adversos e quais os custos.

É importante estar consciente que o preenchimento e a toxina botulínica fazem parte de um rol de tratamentos para melhorar o envelhecimento cutâneo e que a combinação dessas técnicas promove um resultado final satisfatório e natural.

SÉRIE: Nutracêuticos na prevenção e tratamento do envelhecimento cutâneo – Parte II

Hoje vou abordar a importância dos radicais livres no envelhecimento. Afinal, é possível ou não neutralizar seu efeito no organismo?

OS RADICAIS LIVRES ACELARAM O ENVELHECIMENTO

De acordo com a teoria dos radicais livres (Denham Harman – Universidade de Nebraska 1950), espécies reativas de oxigênio (ROS), decorrentes principalmente do metabolismo oxidativo celular, desempenham um papel importante, tanto no envelhecimento cronológico, quanto no foto envelhecimento. Apesar dos diversos mecanismos antioxidantes existentes no organismo, que se deterioram com o aumento da idade, mantém-se um dano celular abundante pelas ROS. Esse dano leva ao aumento secundário ainda maior das ROS e à diminuição das capacidades antioxidantes, e, por fim, ao envelhecimento celular. Tanto no envelhecimento extrínseco, quanto no intrínseco, pode-se culpar as ROS pelo favorecimento de transcrição c-Jun via MAPK (proteino kinases ativadas por mitógenos). Essa indução ativa o decisivo fator de transcrição AP-1 (proteína ativadora-1), levando à expressão de metaloproteinases de matriz MMP-1 (colagenase intersticial), MMP-3 (estromalisina-1) e MMP-9 (gelatinase-b) e prejudicando a manifestação do procolágeno tipo 1.

O organismo é capaz de utilizar processos fisiológicos para neutralizar os radicais livres. Por exemplo, enzimas como a catalase e a glutationa peroxidase quebram o peróxido de hidrogênio, transformando-o em água, ajudando assim, a eliminar as espécies reativas de oxigênio. Infelizmente, com o envelhecimento e sob algumas condições, como tabagismo, ingestão de toxinas e exposição à radiação ultravioleta, formam-se mais radicais livres do que o sistema antioxidante do corpo é capaz de neutralizar, criando um processo chamado “estresse oxidativo”.

PESQUISAS DEMONSTRAM QUE ADICIONAR ANTIOXIDANTES EXÓGENOS PARA SUPLEMENTAR A RESERVA DE ANTIOXIDANTES ENDÓGENOS DO CORPO, PODE REDUZIR O ESTRESSE OXIDATIVO A UM NÍVEL MÍNIMO.

ANTIOXIDANTES E A PELE

Os antioxidantes têm sido utilizados há muito tempo pela indústria cosmecêutica devido aos seus prováveis benefícios, prenunciando propriedades anti envelhecimento e anti-inflamatórias. Além disso, apresentam características anticarcinogênicas, por neutralizarem os radicais livres gerados pelo metabolismo celular e radiação ultravioleta.

O uso de substâncias com propriedades antioxidantes, capazes de combater os efeitos deletérios dos radicais livres é cada vez mais difundido.

São considerados antioxidantes clássicos a vitamina C, a vitamina E, o betacaroteno, o zinco e o selênio, mas novos compostos são cada vez mais estudados na tentativa de otimizar os resultados.

Um estudo de 2008 publicado no International Journal of Edidemiology demonstrou que uma dieta mediterrânea, constituída por peixes, frutas, verduras e nozes, poderia proteger contra o melanoma, mesmo após análise do tipo de pele, exposição ao sol e histórico familiar. Outros estudos de caso-controle demonstraram de forma semelhante, uma relação inversamente significativa entre o consumo de alimentos ricos em vitamina A e o risco de melanoma maligno, indicando um potencial efeito de proteção. Outro grupo de pesquisa da Inglaterra, evidenciou que uma alimentação rica em licopeno oferece cerca de um terço a mais de proteção contra queimaduras de sol. Alguns estudos investigaram se a alimentação estava relacionada ao envelhecimento da pele em locais de exposição solar, sendo evidenciado que um alto consumo de verduras e azeite de oliva aparentemente fornecia proteção contra os danos cutâneos actínicos.

Um estudo foi realizado com voluntários saudáveis, de idades entre 40 e 50 anos, sobre a relação da concentração de antioxidantes na pele e a aspereza cutânea. A aspereza foi determinada pela profundidade e densidade dos sulcos e rugas. Descobriu-se que indivíduos com alta concentração de antioxidantes na pele exibiam níveis menores de aspereza cutânea que indivíduos com níveis menores de antioxidantes. Um estudo adicional investigou a melhora da estrutura da superfície cutânea após a ingestão sistêmica de antioxidantes e/ou uso tópico de cremes contendo antioxidantes.

SÉRIE: NUTRACÊUTICOS NA PREVENÇÃO E TRATAMENTO DO ENVELHECIMENTO CUTÂNEO

Esta semana vou falar sobre a PELE E O ENVELHECIMENTO. Fatores intrínsecos e extrínsecos e sua influência no processo de envelhecimento.

O processo de envelhecimento do organismo está relacionado com a perda da capacidade funcional e de reserva, mudança da resposta celular aos estímulos; perda da capacidade de reparação e predisposição do organismo à doença.

A oxidação ocorre constantemente no organismo humano causando dano, principalmente ao DNA celular. Ela aumenta com a idade e nas células senescentes. Quanto mais oxidação, menor o grau de reparação, maior número de mutações, maior exteriorização celular e maior formação de tumores.

Nos humanos, o processo de envelhecimento é afetado por fatores intrínsecos e extrínsecos. Estes processos distintos modificam a estrutura e a função da pele de forma independente. O envelhecimento intrínsico, ou interno, é um processo natural que ocorre pela degeneração irreversível e progressiva do tecido ao passar do tempo. O encurtamento dos telômeros, os danos metabólicos oxidativos e as espécies reativas de oxigênio (radicais livres) têm um papel significativo no processo de envelhecimento intrínseco, afetando os indivíduos em diferentes escalas, dependendo da sua constituição genética.

O envelhecimento extrínseco é desencadeado por fatores externos, como as radiações ultravioleta (UV) e infravermelha, poluentes ambientais, produtos químicos agressivos e doenças. O envelhecimento extrínseco decorre principalmente da exposição à radiação UV (80%).

A maior compreensão dos efeitos da radiação ultravioleta sobre a pele permitiu grandes avanços científicos nos últimos anos. Atualmente o conceito mais abrangente é o de que a luz solar, em todo seu espectro, desencadeia um processo inflamatório cumulativo na pele, com implicações agudas e crônicas na sua microestrutura. Estas alterações são resultado de vários mecanismos, dentre os quais se destacam:

  1. Dano direto ao DNA nuclear por absorção de fótons da radiação ultravioleta.
  2. Geração de espécies altamente reativas de oxigênio – radicais livres.
  3. Geração de prostaglandinas, histaminas e citrocinas inflamatórias.

Em conjunto, estes elementos são alguns dos responsáveis pelo envelhecimento extrínseco, caracterizado pelo aparecimento de manchas, rugas e progressiva perda da elasticidade da pele.