REPERCUSSÕES DA OBESIDADE NA PELE

A maioria dos textos médicos e leigos ressalta a associação da obesidade e de colesterol (além do LDL – Low Density Lipid – gordura de baixa densidade), que propicia aparecimento da doença cardiovascular arterosclerótica.

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Contudo, o aumento dessas substâncias interfere, também, em outros sistemas do corpo humano, em especial no seu maior órgão em extensão: A PELE e seus anexos (cabelos e unhas).

Cabe destacar que qualquer indivíduo com 20% a mais de seu peso ideal deve ser considerado obeso e isso certamente interfere na pele, tanto quando se trata de homens, quanto de mulheres. No caso das mulheres há, ainda, uma associação mais negativa, quando está ligada ao período do climatério, onde as alterações hormonais são mais evidentes.

A concentração de gordura em certas regiões do corpo como nas pernas, por exemplo, associada ao peso, provoca uma dilatação nos vasos sanguíneos e, além disso,há o risco de entupimento ocasionado pela deposição de gordura na parede das artérias, o que leva o aparecimento de varizes e, eventualmente, de tromboses.

Outro problema comum nas pessoas obesas é o aparecimento, na área do pescoço e axilas, de lesões de pele pedunculares, chamadas fibromas moles ou acrocórdons, que são semelhantes as verrugas. Para eliminar esse tipo de lesão o dermatologista utiliza-se do procedimento cirúrgico, através de aparelhos eletrônicos que emitem radiação, como é o caso do laser.

Os quilos extras causam, também, uma diminuição da globulina transportadora de esteroides sexuais (hormônios) – “SHGB” – levando a um aumento de testosterona livre, criando um terreno favorável para a pele oleosa, a acne e o hirsutismo – aumento de pelos no corpo das mulheres.

Outra ocorrência ocasionada pelo excesso de testosterona circulado pelo corpo é o escurecimento das axilas, virilhas e de outras áreas onde existem dobras.

O peso além do normal pode provocar também nas mulheres um aumento dos seios causando, como consequência, além de problemas na coluna dorsal, um estiramento excessivo da pele, levando ao aparecimento de estrias, que podem surgir também em outras partes do corpo. No caso das estrias, há vários tratamentos que devem ser indicados pelo dermatologista.

Ainda com relação aos problemas de pele ligados à obesidade pode-se citar o fato de que a região que fica entre os dedos e a área localizada sob os seios tende a descamar, com mais facilidade, tornando-se suscetível ao aparecimento de micoses (tinhas).

Problemas de cabelo relacionados ao aumento de peso 

Atualmente, tem-se conhecimento que a calvície – uma das grandes preocupações dos homens em geral -, é causada por uma miniaturização dos pelos do couro cabeludo devidoà ação da dihidrotestosterona, que é um metabólito da testosterona, cujo aumento na circulação depende, em muito, do colesterol.

Pesquisadores do Inaba Hair Institute de Tóquio, Japão, publicaram um trabalho onde consta quegrande número de japoneses calvos que surgiram, após a 2 Grande Guerra, foi devido à ocidentalização da alimentação naquele país.

A dieta da Terra do Sol Nascente do pós-guerra inclui muito mais gordura animal, o que ocasionaria um aumento dos níveis de colesterol, da produção de glândulas sebáceas e do excesso de oleosidade no couro cabeludo.

Outro problema que pode ocorrer é um encarceramento da haste do cabelo, porque o folículo piloso, por onde o cabelo cresce, fica “selado” pela oleosidade.

Contudo, estudos recentes mostram também que quando o couro cabeludo é limpo, estes cabelosalgumas vezes, reaparecem com alguns centímetros de comprimento.

Obviamente não são os cabelos terminais (adultos) que ficam presos, mas, sim os fios novos, menores em diâmetro, que não conseguem preencher a abertura do folículo.

Isso tudo pode explicar a conclusão a que chegaram os pesquisadores japoneses do Inaba Hair Institute de que a calvície hereditária pode ser agravada, ou acelerada, por uma dieta rica em gordura animal.

HANSENÍASE

A hanseníase também chamada de lepra, não está tão distante como podíamos imaginar. Somos o pior país no controle de número de casos novos, mostrando que não temos eficácia nos programas ora implantados.

A hanseníase é causada por um bacilo, evoluindo de forma lenta e progressiva. Algumas pessoas, mesmo tendo contato, podem ser resistentes e outras, mesmo que incorporem o bacilo, podem eliminá-lo sem desenvolver a doença. O mais importante é que a primeira manifestação, pode ser uma mancha esbranquiçada ou mesmo quase da cor da pele. O principal sintoma dessa mancha é a anestesia, por isso, áreas anestesiadas da pele e mesmo sensações estranhas na sensibilidade da pele, devem ser valorizadas. Estas manchas pouco evidentes e com sensação de anestesia ou parestesia, são a forma inicial da hanseníase. O ideal seria tratar neste momento, evitando sua evolução. No entanto, muitas e muitas vezes essa mancha passa desapercebida e a doença pode evoluir para graus mais intensos e/ou mais comprometedores. No caso da evolução, ela pode se desenvolver para as seguintes situações:

Polo tuberculoide – a pessoa tem muita resistência ao bacilo, e portanto, reage contra o mesmo. Neste caso, podem ocorrer lesões unitárias poucas, bem demarcadas e também já pode haver comprometimento neural (o bacilo tem atração pelos nervos superficiais). Neste caso há dor e inflamação, podendo levar a mão ou pé caídos.

Polo virchowiano – onde há pouquíssima resistência e muito bacilo e disseminação, aparecendo caroços e manchas no corpo todo, anestesia mais generalizada e queda de sobrancelha. A pessoa também pode ficar infiltrada, parecendo muito inchada. As extremidades, como lóbulo da orelha e cotovelos podem ter caroços de cor azulada.

É crucial entender que essa doença é infecciosa e lenta, mas que tem controle e cura. Qualquer sinal suspeito deve ser visto por especialistas para que o diagnóstico seja o mais precoce possível.

O tratamento é feito pela saúde pública (em postos de saúde da prefeitura) e há necessidade de notificação compulsória.

Converse com seu dermatologista, deixe o preconceito de lado e procure tratamento. O tratamento, chamado poli químico terapia é oferecido gratuitamente.

Para o polo tuberculoide o tratamento em geral é de 6 meses a 1 ano e para o polo virchowiano é de 1,6 meses a dois anos.

O paciente de hanseníase não deve ser estigmatizado, sendo obrigação moral dos trabalhadores da área de saúde acolhe-lo e ajudar no esclarecimento sobre o contágio e a doença.

O último domingo de janeiro foi instituído para combate e prevenção da doença.