MEDICINA REGENERATIVA – NOVA FRONTEIRA NO TRATAMENTO DO ENVELHECIMENTO

Ao longo do tempo, muitas técnicas vêm sendo incorporadas para melhorar a aparência do envelhecimento cutâneo. Hoje, associando bons cosmecêuticos com procedimentos como peelings, preenchimento, toxina botulínica, lasers e radiofrequência, podemos conseguir ótimos resultados na prevenção e correção de sinais do envelhecimento.

Em relação aos peelings, favorecemos a troca celular, renovando o tecido; com alguns preenchedores, como a hidroxiapatita de cálcio, estimulamos a formação de colágeno novo através da ação específica do cálcio, e com vários lasers podemos conseguir também a formação de mais colágeno pelo calor que estes aparelhos emitem na profundidade da derme. Em meio a tudo isso, começa a ser vislumbrada uma nova fronteira no tratamento da pele envelhecida, que é a Medicina Regenerativa. Esta nova ciência, através de diversas tecnologias, tem seu início na própria resposta que a pele humana tem no processo cicatricial.

Quando a pele é cortada ou machucada, automaticamente começa um processo de cicatrização, que se inicia com a coagulação, onde as células sanguíneas trazem as citoquinas e fatores de crescimento para reconstruir o tecido, promovendo a neovascularização com formação de novas células e novo colágeno. Baseado no conhecimento das reações reconstrutivas do próprio organismo, começam a ser exploradas técnicas e procedimentos que utilizam o arsenal da medicina regenerativa como:

* Fatores de Crescimento

* Células Tronco

* Plasma Rico em Plaquetas

* Tecidos Reconstrutivos como a Pele sintética

FATORES DE CRESCIMENTO: São proteínas que circulam em nosso organismo e são estimuladas ou neutralizadas, conforme são acionadas por uma intricada rede de receptores, expressões genicas e estímulos hormonais. O fator de crescimento, por exemplo endotelial vascular, induz a vasculogênese e angiogênese. Esse fator é um dos mais importantes na cicatrização de tecido e na pega dos retalhos e enxertos.

O uso clínico de fatores de crescimento, iniciou nos anos 90 e em 2002 o FDA (Food and Drug Administration) aprovou o uso de fatores recombinantes como BMP-2 e BMP-7 para uso em cirurgias de medula e ortopedia. Em relação ao envelhecimento cutâneo, os fatores de crescimento têm sido incluídos em cremes e também usados de forma injetável para estímulos específicos.

PLASMA RICO EM PLAQUETAS: Esta técnica, muito utilizada na Europa e nos Estados Unidos, preconiza o uso da fração rica em plaquetas do sangue do doador para ser utilizado para cicatrização e estimula a melhoria do colágeno da própria pele. O sangue do indivíduo a ser tratado é colhido e centrifugado, separando a parte amarela das plaquetas, que é rica em fatores de crescimento. Esta fração, de acordo com cada protocolo, é aplicada no local a ser tratado, que pode ser uma ferida, queda de cabelo ou sulcos e rugas do fotoenvelhecimento.

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As proteínas contidas nesse plasma rico em plaquetas têm grande quantidade de fatores de crescimento como o fator de crescimento endotelial: esses fatores estimulam a produção de colágeno e a angiogênese, entre outros. Esta técnica, quando realizada com protocolo adequado, tem um grande potencial para a dermatologia e para cirurgia plástica.

CÉLULAS TRONCO: São células com potencial de sofrer diferenciação em várias linhagens celulares. As células tronco adultas são multipotentes e podem se diferenciar em vários tipos celulares, ajudando na recuperação de transplante de medula e regeneração de ossos, entre outros. Nas células do tecido adiposo, colhidas após uma lipoaspiração, existem células tronco adultas, que têm potencial de melhorar o aspecto do fotoenvelhecimento.

Na dermatologia e na cirurgia plástica essas células podem ser separadas após a centrifugação das células gordurosas retiradas da lipoaspiração e, como carregam consigo as células tronco mesenquimais, podem ser utilizadas em várias técnicas de tratamento. Os trabalhos como essa técnica ainda são incipientes, mas podem vir a ser bastante interessantes para melhorar a qualidade do tecido. Nossa publicação “Fração vascular estromal, uma nova terapêutica no fotoenvelhecimento: estudo comparativo e controlado” publicado na Revista Surgical And Cosmetic Dermatology, mostra a comparação entre a aplicação de um preenchedor e a aplicação das células mesenquimais pós lipoaspiração. Nos pacientes que foram tratados com as células tronco mesenquimais, obtivemos o mesmo resultado dos pacientes tratados com preenchedor, porém com duração bem maior que o primeiro.

As técnicas de medicina regenerativa hoje são utilizadas para acelerar a cicatrização de feridas, tratamento da calvície, estimulando o crescimento de mais fios, e no o tratamento de sulcos e rugas de expressão.

Essas técnicas vêm sendo cada vez mais estudadas e mais protocolos científicos estão sendo computados para torná-las parte do arsenal do dia a dia, para tratamento do envelhecimento cutâneo. A pele, como o maior órgão do corpo humano e com várias e complexas funções, é sem dúvida um das protagonistas nessa nova fronteira científica.

Células-tronco em Dermatologia

As células-tronco são também chamadas de célula mãe, pois são capazes de originar vários tipos celulares. Elas se originam das células embrionárias, mas também podem ser encontradas em alguns tecidos, como tecido gorduroso com o nome de célula mesenquimal ou célula-tronco adulta.

O potencial de tratamento para várias doenças na área de dermatologia é enorme, porém são necessários protocolos de estudo para comprovar sua eficácia e segurança.

No Brasil a utilização das células-tronco é considerada experimental pelo Conselho Federal de Medicina. No Congresso Brasileiro de Cirurgia Dermatológica foram apresentadas as principais características dessas células, seus marcadores, sua localização e seu potencial terapêutico para doenças dermatológicas.
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As células-tronco na dermatologia já foram utilizadas para cicatrização de feridas, tratamento de queimados, tratamento de epidermólise bolhosa (doença genética grave), além de protocolos com retalhos em cirurgias de enxerto de pele e preenchimento. Há também alguns trabalhos correlacionando a célula-tronco com o tratamento da calvície – muito promissor.

O protocolo de estudo sob minha coordenação no Serviço Credenciado de Dermatologia da Universidade de Mogi das Cruzes deu início a um protocolo com a fração estromal vascular (que possui grande quantidade de células tronco mesenquimais), para observar sua ação na melhoria da produção de colágeno. Foram selecionadas 10 pacientes de 30 a 48 anos, sem doenças graves, sem reposição ou tratamentos hormonais.

Cinco mulheres foram submetidas a lipoaspiração para retirada do tecido gorduroso. Esse tecido foi centrifugado, separado da parte vermelha e preparado especificamente para ser injetado no sulco nasogeniano e na região retroauricular dessas mulheres. Outras cinco mulheres foram tratadas com um preenchedor que estimula o colágeno também no sulco nasogeniano e região retroauricular.
Foi realizada biópsia retroauricular nas dez mulheres tratadas. Novas biopsias serão feitas com 30 e 90 dias para observar as diferenças e semelhanças no estímulo ao colágeno do preenchedor e da fração vascular estromal.

Esse trabalho vai ajudar a agregar informações importantes sobre o comportamento dessas células e o seu potencial terapêutico.

Acompanhe os resultados desse trabalho – em breve aqui no meu blog!
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