Cabelo também envelhece

Com o passar do tempo envelhecemos, inexoravelmente, através de dois caminhos, o chamado envelhecimento cronológico, pela idade e também o envelhecimento pelo sol, o fotoenvelhecimento.

Mas será que o cabelo também envelhece? Afinal ele faz ciclos constantes e então nasce, cresce, morre e começa tudo de novo e também sabemos que após a morte ele pode ficar muito tempo com a mesma aparência.

Apesar dessas considerações, os trabalhos mais atuais demonstram que o cabelo envelhece. Hoje está sendo conceituada a Alopecia Senescente, onde o cabelo apresenta alterações como: afinamento, rarefação e cabelo branco.

Nós estamos acostumados a tratar e prevenir o envelhecimento do corpo e da pele, mas nem imaginamos quais seriam os fatores antienvelhecimento para o cabelo. As pesquisas têm mostrado que assim como a pele, a oxidação é responsável pelo envelhecimento e embranquecimento do cabelo. Oxidação é o processo de formação de radicais livres que podem acumular e agredir as estruturas e células do cabelo.

Com o passar do tempo, vamos sendo agredidos pelo sol, pelo fumo, por poluentes, entre outros. Sendo assim, a oxidação tende a aumentar. Porém, com a idade nosso sistema de defesa tende a ficar menos competente e não consegue mais neutralizar as agressões com nosso sistema natural antioxidante. Então o circuito fecha. Mais oxidação e menos capacidade de neutralização e, sendo assim, o cabelo vai diminuindo, ficando branco, afinando, ou seja, envelhecendo.

A alopecia senescente, é caracterizada hoje como uma entidade onde ocorre afinamento do fio sem influência hormonal, em pessoas com mais de 60 anos. Ela é confundida com a calvície, principalmente nas mulheres. No caso, a calvície tem a influência genética e hormonal. Muitas vezes ocorre a associação de calvície e alopecia do envelhecimento, promovendo baixa autoestima nas mulheres pós menopausa.

Os fatores principais que levam ao envelhecimento capilar são: radiação ultravioleta, fumo ativo e passivo, poluentes, químicas capilares, algumas medicações, deficiências nutricionais e também o estresse.

Outro fator agravante para as mulheres é a perda do estrógeno na época da menopausa. O estrógeno é um hormônio positivo e estimulante para o cabelo e sua ausência também favorece o afinamento e embranquecimento do fio. E aí outro problema, uma vez que o cabelo está mais frágil, numa época em que a pessoa faz mais procedimentos químicos.

Trabalhos científicos recentes observam associação positiva entre fumo e cabelo branco. O mecanismo de ação está relacionado ao aumento da oxidação. Em vista destes novos conhecimentos é importante certas ações e tratamentos que ajudam a prevenir o envelhecimento capilar.

Os cuidados diários devem ocorrer escolhendo um pente adequado, evitando o secador e chapinha de maneira exagerada e com temperaturas muito altas. O xampu deve ter o pH mais ácido, parecido com o do cabelo, que é de 3,5 e o surfactante que é o ativo de limpeza, precisa ser mais suave. O condicionador é importante, assim como as máscaras de reparação e hidratação. Esses produtos além de melhorar a qualidade da cutícula e ajudar na penteabilidade do cabelo, também podem ter substâncias antioxidantes como vitaminas. As tinturas permanentes e os processos de alisamento devem ser evitados dentro do possível. Escolher tinturas não permanentes, que são menos agressivas e também com ativos a base de óleos, em vez de amônia. Dos procedimentos em geral, a descoloração ou as luzes são as mais agressivas do que o tingimento sem descoloração.

Uso constante de máscaras hidratantes e reparadoras e o filtro solar nos cabelos é fundamental para evitar o envelhecimento dos fios. Também é apontado que complexos vitamínicos, como metionina e cisteína, além do complexo B podem ajudar na prevenção do envelhecimento capilar, inclusive o cabelo branco.

Alguns trabalhos demonstram que o uso do PABA em doses de 300mg/dia podem escurecer o cabelo enquanto a medicação for mantida. No entanto, essa dose é bastante alta, promovendo efeitos colaterais como sintomas gastrointestinais e alergia. A melatonina sistêmica e tópica também demonstrou ter efeitos positivos na qualidade do fio e em evitar o envelhecimento.

Nunca esquecer a autoestima e a qualidade de vida, onde estão envolvidos boa alimentação, qualidade do sono, lazer e tranquilidade. A história demonstrou que personagens famosos, como Maria Antonieta e Thomas More, ficaram repentinamente, de um dia para o outro, com os cabelos brancos, após saberem que seriam executados. Vamos então lembrar que o envelhecimento ainda é inevitável, mas como a expectativa de vida aumentou muito, podemos prevenir e evitar o desgaste precoce e ajudar o organismo a manter a qualidade dos órgãos, garantindo um envelhecimento saudável e gratificante.

CABELOS – principais danos e como combatê-los

A saúde do cabelo tem relação com a alimentação, herança genética, estado de saúde, idade e hábitos ligados ao cabelo.

O envelhecimento do fio é um processo contínuo que sofre influências da genética, da idade e dos fatores ambientais. Basicamente o fio vai ficando mais fino e também, com a cutícula desgastada, mais poroso e ressecado. Este processo é acelerado pelas agressões da radiação ultravioleta, pelos poluentes, por procedimentos químicos, pelas doenças, pelo envelhecimento e também é mais rápido em quem tem calvície. A idade na qual se começa a perceber o envelhecimento capilar é após os 50 anos, sendo que na mulher, a menopausa também intensifica o processo.

Para prevenir, é importante cuidar da alimentação, hidratação, tratamento sistêmico da calvície, proteção em relação ao sol e evitar o fumo. Lavar com frequência para evitar a dermatite seborreica, com xampu adequado para o tipo de cabelo, além de evitar calor em excesso – secador.

Quando há queda de cabelo é necessário checar doenças internas, como problemas na tireoide e também regimes violentos, dieta inadequada, estresse intenso entre outros. Lembramos que regimes desequilibrados podem enfraquecer os cabelos. É importante procurar o dermatologista, que é quem cuida dos cabelos, sempre que necessário. Hoje são utilizadas drogas como a finasterida, além de suplementos como biotina, zinco, taurina entre outros. Também o minoxidil e o 5-alfa estradiol auxiliam no tratamento de queda e do fio muito fino.

Luzes como LED, lasers de baixa potência, tratamentos com CO2, radiofrequência mais fatores de crescimento são utilizados como coadjuvantes no tratamento capilar. Também é importante para a saúde do fio de cabelo manter os níveis normais de ferro, ferritina e vitamina D.

EXPOSIÇÃO SOLAR: 

A exposição aos raios UV pode induzir a oxidação das moléculas de enxofre dentro da haste capilar, que são importantes para a força dos cabelos. Quando ocorre essa oxidação, os cabelos se tornam quebradiços, ressecados e ásperos.

Os cabelos descoloridos ou com luzes podem também apresentar pequenas mudanças de cor quando expostos aos raios UV. O cabelo loiro pode desenvolver um “foto descoloramento”, deixando-o amarelado. Até mesmo os cabelos castanhos podem mudar de cor, tendem a desenvolver uma coloração avermelhada, devido à oxidação dos pigmentos de melanina.

Para proteger seus cabelos dos danos causados pelos raios solares, procure usar condicionadores “leave-in” que contenham óxido nítrico.

Outra proteção são os bonés e chapéus feitos com trama fechada e também com proteção solar específica. Hoje existem roupas e chapéus com essa característica.

TINTURAS:

Colorir os cabelos é uma das mudanças visuais mais praticadas pelas mulheres. A cor dos cabelos é dada por uma proteína chamada melanina. Ela é o pigmento que dá cor à pele, cabelos e olhos. Quando se quer mudar a cor dos cabelos pode-se usar três tipos de técnicas:

1.Tintura temporária: usa-se tonalizante – um tipo de produto indicado para realçar o tom natural do cabelo e disfarçar os fios brancos. Consiste em aplicar pigmentos na parte externa dos cabelos. Essa tintura, dura em média 20 lavagens e não é tão agressiva à cutícula.

2.Tintura semipermanente: Nesse caso os pigmentos aderem a pequenas aberturas na junção das células da cutícula. Por ficar aderido, o pigmento não sai tão facilmente. Nesse caso, há o somatório da cor natural dos cabelos e do pigmento, resultando numa nova cor.

3.Tintura permanente: Em geral tem amônia e água oxigenada na fórmula para que possa alterar a cor original do fio. Como tem duração mais longa e é mais agressiva, consiste em um processo químico mais complexo. Deve sempre ser aplicada por um profissional habilitado. Aplica-se um produto químico que abre a cutícula, logo após usa-se o peróxido de hidrogênio (água oxigenada), que descolore o fio. Em seguida, aplica-se um novo pigmento, que dará a nova cor aos cabelos.

DICAS PARA COMBATER OS DANOS QUÍMICOS:

Use xampus condicionantes e condicionadores regularmente, para melhorar a aparência dos cabelos, evitando ressecamento e efeito frizz.

Opte por produtos que contenham dimeticone, disponível em xampus, condicionadores, cremes de pentear e sprays. Este ingrediente diminui a eletricidade estática, aumenta o brilho e facilita o manejo dos fios.

Tente usar os séruns capilares recentemente introduzidos no mercado a base de óleos como silicone e argan, aplicando algumas gotas nas mãos e deslizando-as nos fios (não devem ser aplicados diretamente no couro cabeludo).

Evite tingir os cabelos, opte pela cor natural, quando possível. Caso seja realmente necessário pintar o cabelo, opte por tonalidades próximas à sua cor natural, usando no máximo três tons de diferença. Escurecer os cabelos ao invés de clareá-los é sempre uma melhor opção.

Quando a pessoa pratica um processo químico no cabelo é importante hidratar sempre, pois o maior prejuízo destas práticas é o ressecamento capilar. O fio tem uma cutícula (escama) aderente ao fio que, quando rompida, pode expor o córtex e lesar o fio de forma intensa.

CABELOS

A importância do cabelo para o ser humano tem duas óticas: a primeira, fisiológica, da proteção contra o meio ambiente; a outra, psicológica ou emocional, sendo esta incomensurável.

Como assume uma importância grande na esfera emocional, é interessante notar que, quando uma pessoa começa a perder cabelos, ela fica desesperada, pois esta é uma parte do corpo que se tem bastante controle, isto é, podemos cortar, pintar, fazer penteados, alisar, enrolar etc., e que, quando não podemos mais controlar, dá-nos a sensação de impotência em relação ao nosso corpo.

Os cabelos existem para proteger regiões, como o couro cabeludo, contra a ação do frio, do calor e do excesso de luz solar. Além disso, também revelam a saúde do nosso organismo e podem sofrer por causa de doenças internas, ou mesmo, agressões externas, como uso de produtos inadequados ou excesso de química (tinturas, por exemplo) e de sol. No caso de doenças, eles podem cair ou afinar e, em relação às tinturas, podem ressecar.

No couro cabeludo existem de 100 mil a 150 mil fios. O cabelo tem um ciclo de vida contínuo e passa por fases de crescimento e de repouso. Cada fio vive uma etapa específica, que se distribui em 85% no período de crescimento (anágena) e 15% no período de repouso (telógena). Isso significa que temos sempre mais cabelo crescendo do que caindo. A duração da fase de crescimento é, em média, de quatro anos. A queda de alguns fios ao lavar ou pentear é normal e podemos perder cerca de 100 fios por dia. É preciso, sim, prestar atenção quando houver aumento significativo da quantidade de fios que caem.

O fio de cabelo cresce através do acúmulo de proteínas e minerais em sua base (bulbo) e elas são diretamente influenciadas pela nutrição e fatores hormonais. O cabelo está em constante renovação, passa por ciclos de crescimento, repouso e queda. Porém, se caírem excessivamente e demorarem a crescer deve-se procurar um profissional, a fim de fazer uma avaliação das possíveis causas desta queda. Fatores como hereditariedade, alterações hormonais, uso de medicamentos, utilização de químicas de tratamento capilar, carência nutricional (por exemplo deficiência de ferro), fluxo menstrual na mulher muito intenso ou de duração prolongado, diabetes, alteração da tireoide, gravidez, interrupção do uso de anticoncepcionais, seborreia, dietas restritivas, infecções ou febres, ovário policístico, entre outros; podem interferir na saúde dos cabelos. Muitas vezes, existem alterações hormonais ou metabólicas que precisam ser controladas, para que os fios cresçam saudáveis. Alimentação é outro fator importante, deficiência vitamínica ou de ferro, por exemplo, muito comum nas mulheres, devem ser corrigidas. É importante que o dermatologista faça uma avaliação completa para direcionar adequadamente as medidas terapêuticas.

Os cabelos precisam ser limpos com frequência. A lavagem pode ser feita dependendo da necessidade de cada um, sendo que lavar todos os dias, ou duas vezes por semana não provoca queda, contanto que o cabelo permaneça limpo. O xampu ideal é aquele adequado para cada tipo de cabelo.  Ele é a formulação com um balanço entre substâncias limpadoras e condicionadoras indicadas para cabelos oleosos, mistos e secos. O xampu não causa queda de cabelo e também não combate a mesma.

Outro mito é que lavar os cabelos todos os dias faz com que a raiz apodreça. Isso não é verdade. A frequência das lavagens deve ser determinada pelas características do couro cabeludo. Um couro cabeludo que produz mais oleosidade, deve ser lavado mais frequentemente do que um couro cabeludo mais seco. O importante é manter a raiz sempre limpa, livre do acúmulo de suor, sebo e impurezas. A água não entra na raiz dos cabelos, portanto, não pode apodrece-la.

Os xampus são formulações que contêm substâncias que limpam os fios e couro cabeludo, evitando dermatites, caspa e infecções por fungos e bactérias. Hoje há produtos com funções mais complexas, como aumentar ou diminuir o volume, restaurar e facilitar o ato de pentear. Não existem xampus anti-queda, os assim denominados, apenas melhoram a condição do couro cabeludo e podem ajudar em outros tratamentos, mas xampus que façam os cabelos crescerem ou nascerem, infelizmente ainda não foram criados.

Os indicados para cabelos oleosos possuem mais componentes de limpeza, enquanto os formulados para cabelos secos, apresentam mais elementos condicionadores. Existem os que contêm agentes anti-caspa, vitaminas e hidratantes. O ideal, é a pelo menos, a cada 15 dias, lavar os cabelos com um xampu anti-resíduo, para eliminar produtos que se acumulam nos fios, deixando-os com aspecto pesado. Também, é interessante alternar pelo menos dois tipos de xampus.

Existem ainda os condicionadores. Ricos em proteínas, eles têm com função devolver a gordura natural perdida durante a lavagem. Também devem deixar os cabelos fáceis de pentear e restaurar a uniformidade dos fios agredidos química ou mecanicamente. Dê preferência aos que são feitos com extratos de substâncias naturais, ou enriquecidos com proteínas. Por último, protegem os fios da fricção, diminuindo a eletrostática. Cremes condicionadores ou rinse não fazem os cabelos caírem, a função desses produtos é a de facilitar o penteado e de dar brilho aos cabelos. Aqueles que caem já estavam soltos e foram apenas liberados dos outros.

Muitas pessoas têm dúvida se as substâncias modeladoras, como gel, e fixador sem álcool, causam danos. Esses produtos não prejudicam e, quando são de qualidade, não provocam queda de cabelo.

Para ter cabelos saudáveis e bonitos são necessários cuidados tão importantes como os cuidados com a sua pele. A melhor maneira de prevenir e reparar as agressões aos cabelos é entender como ocorrem os danos.

Os danos aos cabelos resultam de traumas mecânicos e químicos que alteram as estruturas físicas do cabelo. O cabelo tem três camadas básicas, a cutícula, o córtex e a medula. A cutícula é a camada mais externa da escala de proteção. É a principal estrutura do cabelo e é responsável pela força, brilho, textura, maciez e maleabilidade dos fios. Existe também uma camada de sebo, uma substância oleosa, secretada pelos folículos capilares, que recobre a cutícula e adiciona brilho e maleabilidade ao cabelo. O córtex, fornece força ao eixo do cabelo, e determina a cor e a textura. A medula é a camada mais interna do cabelo, onde são determinados o corpo e a força do cabelo. A cutícula pode ser lesionada por meios químicos ou mecânicos, como descoloração ou secadores de cabelos. Os fatores ambientais, como exposição à luz solar, poluição, vento, água do mar ou piscina também podem causar danos. Quando a cutícula é agredida por esses fatores, a proteção é diminuída e as outras camadas do cabelo são expostas. Em alguns casos, até mesmo a camada mais interna, a medula, é exposta e pode sofrer danos.

No próximo artigo vou abordar os principais danos ao cabelo e como combatê-los.

A IMPORTÂNCIA DA PELE

A pele é o maior órgão do corpo humano. Ela faz o contato com o meio exterior do qual recebe os estímulos positivos e negativos, modulando a resposta interna do organismo. 

Até algum tempo atrás, a pele era considerada um simples envoltório que tinha como única função ser uma barreira protetora. Hoje, sabe-se que ela é um órgão extremamente interativo, com funções de regulação, homeostase e defesa imunológica do organismo. Sendo assim, protagoniza as ações de defesa do corpo humano.  A pele revela o que está ocorrendo no interior do nosso organismo e dessa maneira podemos responder de forma mais adequada. O cabelo e a unha também fazem parte deste envoltório e reforçam essa função, pois através de certos sinais, como queda de cabelo e alterações das unhas, podemos antecipar um diagnóstico.  

Discorreremos algumas situações onde a pele demonstra sua importância. Por exemplo, a infecção pelo vírus Zica, pode repercutir em manchas vermelhas na pele, detectando a presença do agende infeccioso que provoca as células de defesa. Nesse caso, não é possível reverter a infecção, mas é interessante para alertar que a virose pode estar presente e certos cuidados devem ser tomados, como evitar a gravidez ou contato com mulheres no início da gestação. 

A pele também pode revelar alergia a medicamentos, alimentos e contactantes, como tecidos e cosméticos. Nesse caso, a epiderme tem uma célula muito ativa chamada Langerhans que reconhece certas moléculas como metal, corantes, aditivos e apresenta as mesmas aos linfócitos, que então respondem com lesões na pele, que podem se caracterizar por exantemas (manchas vermelhas), urticárias e eczemas. Neste caso, a pele mantém sua memória e permanece alérgica para sempre. O aviso da pele, neste caso é muito importante porque a reação inicialmente é localizada, mas se a substância não for suspensa, pode ser muito mais grave e generalizada. Alguns remédios, quando ingeridos, podem apresentar reações na pele, demonstrando prioritariamente que é melhor suspender o mesmo antes de maiores estragos. 

Certas doenças, como o lúpus eritematoso sistêmico, são primeiramente diagnosticados na pele, pois muitas vezes a primeira manifestação é um avermelhamento no rosto, lembrando asa de borboleta na região central do rosto. Também algumas vezes pode ocorrer a queda de cabelo como primeira manifestação dessa mesma doença. A pele pode apresentar caroços não inflamados cor da pele chamados xantomas ou manchas amarelas (xantelasma) nas pálpebras, que podem representar problemas com o colesterol. Além disso, a pele fica fina, seca e flácida quando está desidratada. As unhas também podem ter alterações que indiquem doenças da tireoide ou renais.  

A pele pode manifestar os primeiros sinais de um câncer interno. Lesões lembrando um eczema podem ser o primeiro sinal de linfoma, assim como, lesões de queratose seborreica disseminadas, podem também traduzir um câncer interno. O aparecimento de herpes zoster, que é uma virose causada pelo mesmo vírus da catapora, também ocorre na pele e evidência baixa de resistência do organismo. 

Como visto acima, prestar atenção aos sinas de sua pele é muito importante para manutenção da saúde. 

9º Congresso de Pesquisas sobre Cabelos realizado em Miami – 18 a 21 Nov 2015 – Novidades

A queda de cabelo em qualquer idade e de qualquer tipo, provoca uma alteração muito significativa na autoestima da pessoa. Em uma consulta dermatológica sobre alguma queixa, é muito frequente haver lágrimas por causa da queda de cabelo, mesmo quando comparamos com o câncer.

O cabelo é uma estrutura multifuncional complexa e que responde a inúmeros estímulos, desde hormônios até inflamações.

O 9th World Congress for Hair Research realizado em Miami foi excelente, pois levantou as principais questões relacionadas às diversas doenças do couro cabeludo e queda de cabelo.

Foram apresentadas pesquisas mais recentes em cabelos e as possíveis drogas que fazem parte destes estudos. É muito importante lembrar que, em vista do grau de alteração emocional relacionado aos problemas de cabelo, é muito fácil se iludir com tratamentos milagrosos. Nesse momento, a crítica, a honestidade e a ética devem priorizar a indicação dos tratamentos específicos.

A alopecia areata apresenta áreas arredondadas ou ovaladas sem cabelo e é conhecida como “pelada”. A doença não é inflamatória e não causa nem dor, nem coceira ou avermelhamento. Pode ser universal, comprometendo as sobrancelhas e pelos de todo o corpo, causando significativa baixa de autoestima.

Hoje os tratamentos são diversificados, sendo utilizados corticoides na forma tópica ou infiltração. Também é feita a sensibilização com difenciprona, que depois, em doses menores, provoca dermatite de contato no local. Essa dermatite, que é uma inflamação, compete com a inflamação imunológica específica, que ataca o folículo piloso e melhora a alopecia com o retorno dos fios. Essa terapia tem que ser feita por médicos; que aplicam a substância 1 x semana até melhora total da queda de cabelo.

Pesquisas recentes apontam o uso de uma nova substância para o tratamento da alopecia areata. Trata-se do tofacitinibe que é um inibidor da JAK, enzima que participa de uma via metabólica já bem conhecida. Esse remédio, por via oral, é indicado para a artrite reumatoide. Em um dos protocolos onde os resultados foram averiguados, foi observada, em princípio “por acaso”, a melhora da alopecia areata.

Os estudos estão agora com o foco no tratamento da alopecia areata, procurando observar qual é a melhor dose. O remédio ainda não está liberado pelos órgãos reguladores – FDA e também ANVISA. Ele é bastante caro e tem efeitos colaterais, porém é uma esperança, principalmente para tratar a alopecia areata grave.

Durante o congresso foram mostrados estudos para avaliar o uso desses inibidores da JAK, de uso tópico. Neste caso haverá menos efeitos colaterais.

Este desafio continua…

Novidades do Congresso Mundial de Dermatologia: Cabelos

Durante minha participação no 23º Congresso Mundial de Dermatologia, realizado em Junho no Canadá, tive a oportunidade de participar de várias conferências e cursos com diversos palestrantes internacionais de renome, que agregaram ainda mais conhecimento sobre os temas abordados e as novas formas de tratamento disponíveis atualmente. 

No post de hoje no meu blog e nas próximas semanas, vou discorrer sobre os temas que mais me chamaram a atenção, que ainda geram dúvidas e contínuas pesquisas para aprimoramento, além de serem assuntos de muita procura em meu consultório. Vou iniciar com um assunto que causa muita angústia nos pacientes: a queda de cabelos

Espero que aproveitem a leitura.

ALOPECIA AREATA

Alopecia areata é uma doença autoimune que leva a queda de cabelo parcial ou total, com o aparecimento de áreas de alopecia circulares ou ovaladas, sem qualquer sintoma, como inflamação ou coceira. O diagnóstico é clinico e a etiologia ainda não é definida. O tratamento para a alopecia areata é variado, podendo ser utilizado corticoide tópico, infiltração e também por via oral. São utilizados outros imunossupressores como ciclosporina e também o tratamento com difenciprona.

No Congresso Mundial de Dermatologia foi apresentada uma conferência que mostrou novas opções para essa doença com excelentes resultados como os inibidores de JAK, que foram aprovados recentemente pelo FDA. Uma delas é o tofacitinib em capsulas de 5mg. Outra droga, o ruxolitinib capsulas de 20mg por 3 meses. Essas drogas foram utilizadas em cerca de 50 pacientes com estudos controlados e no prazo de 3 meses , demonstraram ótima resposta terapêutica com efeitos colaterais não significativos. Essas drogas também são usadas para psoríase e o mecanismo de ação apesar de anti-inflamatório não está totalmente esclarecido. 

FOLÍCULO PILO SEBÁCEO

Há muitas pesquisas em relação à chamada bioengenharia do folículo pilo sebáceo. Estes estudos apontaram que podemos ter recuperação dos cabelos utilizando as células tronco progenitoras do folículo pilo sebáceo. Estes trabalhos de bioengenharia ainda não estão inseridos na prática clínica. Os asiáticos estão bastante adiantados nesse assunto.

Calvície

Uma das queixas mais frequentes no meu consultório é relativa à queda de cabelos. Não há desespero maior, principalmente para as mulheres, do que observar fios no travesseiro, no banho ou escova, além de sua diminuição progressiva e gradual.

A calvície é um processo crônico, também chamado de alopécia androgenética. Acomete homens e mulheres e prejudica muito a autoestima. Sua origem é essencialmente genética e sofre a influência dos hormônios masculinos que são os andrógenos. Vários outros fatores podem contribuir para acelerar a calvície como: alterações de tireoide, anemia, estresse intenso, remédios e regimes radicais.

Muitos fazem transplante de cabelo para melhorar a aparência e não ficarem carecas. Porém, por ser genética, a queda continua durante toda a vida. Portanto, mesmo que o transplante seja feito, os fios remanescentes continuam afinando e caindo. Por este motivo é importante fazer o tratamento prévio e a devida manutenção para evitar que haja progressão do processo de queda.

Alguns medicamentos são utilizados, como: minoxidil 5% e 17 alfa estradiol tópicos, finasterida, espironolactona, acetato de ciproterona sistêmicos, entre outros. A avaliação clínica, pelo dermatologista, tanto para fazer o diagnóstico, como para escolher o melhor tratamento é fundamental. Vale realçar que o conhecimento sobre o cabelo tem sido acelerado nos últimos anos.

Há muitos mitos sobre a finasterida, que é um dos principais tratamentos para calvície masculina e feminina. Gostaria de esclarecer que vários estudos têm mostrado que é um remédio seguro e eficaz e tem que ser usado conforme a orientação médica. Há relatos de cerca de 2% das pessoas com diminuição da libido no início do tratamento, o que costuma regredir depois de alguns meses. Ao contrário do que acreditam alguns, o homem pode ingerir o medicamento mesmo que a sua mulher queira engravidar.

As mulheres também podem ser tratadas com finasterida ou dutasterida, a critério do medico. O medicamento para as mulheres é “off label” e precisa de indicação e acompanhamento do dermatologista, que é o especialista em cabelo.

Existem atualmente outros recursos para evitar a queda definitiva dos fios, incluindo tratamento com lasers e luzes que estimulam o seu crescimento.

No primeiro sinal de rarefação dos fios, busque ajuda médica!