Novidades do Congresso Internacional da Academia Americana de Dermatologia – 3 a 7 de março/2017 – MELASMA

Com relação ao melasma, um tema bastante complexo e sempre citado na Academia Americana, falou-se muito sobre a etiopatogênese que aborda suas causas e sua origem. A causa do melasma não está totalmente definida, mas com certeza há várias influências, desde a radiação ultravioleta, uma das principais e já bastante conhecida, até a questão dos hormônios e também,  outras causas mais recentes, como o excesso de vascularização.

Hoje o melasma tem sido considerado também como uma doença vascular, onde os vasos estão dilatados nessa região e há expressão bastante forte de alguns fatores de crescimento relacionados a parte vascular.

Além disso, começa a se dar muita importância à barreira cutânea do melasma, o que significa que essa barreira não pode ser rompida – ela está relacionada a todo tipo de mecanismo que influencia na manutenção das condições da pele. Então, se a pele está desidratada, a barreira fica prejudicada; se a pele está machucada; se esfria muito; se esquenta muito; todas essas situações podem prejudicar o equilíbrio dessa barreira e provocar uma inflamação na pele. Assim, há muita discussão atualmente em relação ao melasma e por isso, cada vez menos se fala de usar produtos muito agressivos que possam provocar irritação.

Outra abordagem falada novamente sobre o melasma, é o uso do ácido tranexâmico, uma substância que inibe a plasmina, que está envolvida no estímulo de melanogênese. Dessa forma, quando usamos uma substância que inibe a plasmina, inibimos estímulos negativos que podem gerar maior produção de melanina.

Falou-se também, a respeito de usar laser para vasos, tecnologia Dye laser, ao invés de só usar laser para combater a pigmentação. Os lasers para vasos eliminariam os vasos dilatados e excessivos e poderiam contribuir muito para a manutenção do melasma.

Em relação ao laser Q-switched ND-YAG, o mais indicado para tratar o melasma, realmente se demonstrou que além de quebrar o pigmento, ele também consegue inibir o melanócito. Se pensarmos no melanócito como uma célula parecida com um polvo com prolongamentos tipo tentáculos, cheio de braços, é como se esse laser conseguisse encolher esses bracinhos. O tratamento com a associação dos dois tipos de lasers também é interessante e deve ser avaliado.

Logicamente nem estou falando da proteção solar que é a premissa fundamental para proteção do melasma. Lembrar também que quando falo de ácido tranexâmico, o principal uso é via oral, com dose de 250 miligramas 3 x ao dia.

Melasma: O que há de novo

O diagnóstico do melasma é feito clinicamente, onde observamos manchas acastanhadas escurecidas, que ocorrem principalmente no rosto de mulheres jovens. Não é uma doença grave nem contagiosa, mas perturba a autoestima e compromete a vida social das mulheres acometidas.

Recentes trabalhos científicos demonstram que o aparecimento da mancha não está relacionado somente ao melanócito, que é a célula produtora do pigmento, denominada melanina. Hoje, já se sabe que no melasma também estão envolvidas várias outras células, como o queratinócito, o fibroblasto e o mastócito. Outra descoberta muito recente é de que os vasos sanguíneos também são responsáveis pelo aparecimento e manutenção do melasma. Mais uma novidade interessante é que o melasma também tem a ver com o fotoenvelhecimento da pele. Além de tudo isso, vários fatores internos e externos também estão implicados no aparecimento do melasma, como sol, calor, hormônios, estresse, medicações, traumas, entre outros.  Com tudo isso é possível entender porque o melasma é tão difícil de tratar e controlar.

No IMCAS – International Master Course on Aging Science 2017, houve algumas aulas muito interessantes sobre essa mancha que podem contribuir para um tratamento mais efetivo.

Algumas dessas novidades são:

O filtro solar deve, obrigatoriamente, ter proteção para UVA + UVB, ser uma combinação de filtro físico e químico com fator de proteção solar (FPS), maior que 50. Ele deve ser colorido como uma base, pois somente o pigmento protege da luz visível que é emitida pelo telefone celular, lâmpadas e computador.

O tratamento para o melasma deve incluir remédios por via oral e também cremes clareadores. m relação aos tratamentos via oral, estão sendo citadas substâncias diferenciadas como ácido tranexâmico e a glutadiona.

É importante frisar que o ácido tranexâmico, por via oral, é um remédio of-label, que precisa ser receitado pelo médico, que fará exames de sangue para saber da possibilidade de usar essa substância.O ácido tranexâmico em doses de 500 a 750mg por dia mostrou bons resultados no controle da doença. Seu mecanismo de ação é bloquear os vários estímulos negativos que provocam o melasma, como radiação ultravioleta, estresse oxidativo, alterações hormonais, aumento dos vasos sanguíneos.

A glutadiona é outra medicação inovadora que precisa ser indicada pelo médico, pois também tem contraindicações específicas. O potencial de ação dessa substância está relacionado a ação anti-inflamatória e antioxidante.

Também embasado em trabalhos científicos, se observou que é necessário tratar os vasos que estão aumentados. Sendo assim, hoje utilizam-se lasers com comprimento de onda para agredir a hemoglobina. Sendo assim, podem ser usados o Dye laser, a Luz Pulsada e o Nd Yag, todos que destroem vasos mais superficiais. Esse tipo de tratamento evita que haja a manutenção da inflamação, que é sempre constante no melasma.

Para o tratamento do melasma também são utilizados lasers para a mancha, e nesse caso, o laser tem que ser especial, liberando pouca energia e com pulso muito rápido. Esse tipo de laser é chamado Nd Yag Q-Switched, sendo necessárias várias sessões, já que a energia é baixa e pontual. Também pode ser utilizado o microagulhametno e/ou microinfusão de medicamento. Nesse caso, o procedimento é uma picadura na pele, com ou sem medicação. Essa técnica é inovadora e são usadas várias combinações de tratamento como: vitamina C, niacinamida, glucosamina, entre outras.

A última dica é que a pele do melasma deve estar sempre bem hidratada e calma, pois, pele vermelha e descamativa induzem a maior produção do pigmento melanina.

O estresse deve ser controlado e o filtro repassado a cada 2horas. 

MELASMA

Melasma não é simplesmente uma mancha, mas sim uma manifestação especial em indivíduos predispostos, decorrente de vários estímulos e reações químicas específicas.

Hoje já se sabe que além da célula chamada melanócito, responsável pela produção de melanina, o queratinócito e o fibroblasto, células importantes na pele, também comandam a orquestra que determina o aparecimento do melasma. Há vários fatores que interferem no melasma como: sol, luz visível, calor, hormônios, estresse, doenças, medicamentos, entre outros. Todas essas causas acionam receptores específicos na pele, que funcionam como uma chave na fechadura, abrindo uma porta para várias reações químicas, que culmina, com a excessiva produção de melanina. Além disso, hoje já se conhecem diversos genes que estão desregulados relacionados diretamente a produção dessas manchas. Sendo assim, há maior dificuldade em tratar as pessoas cuja família é comprometida pelo melasma.

Pontos importantes para um tratamento mais abrangente e eficaz:

Conversar muito com seu médico para passar todas informações relacionadas e tirar suas dúvidas. O médico dermatologista é o especialista apto para realizar o tratamento dessa mancha, pois há diagnósticos diferenciais importantes, inclusive alergia e ocronose.

Conversar sobre o uso de anticoncepcionais ou hormônios. Caso você tenha começado a tomar pílula e o melasma aparecer, é importante suspender a mesma. Caso você já tome há muito tempo, sem relação com o melasma, então não vale a pena essa suspensão. Outros remédios hormonais ou não, também podem influenciar na mancha. Discuta a possibilidade de suspendê-los.

Usar filtro solar de amplo espectro com substâncias orgânicas e não orgânicas, ou seja, um filtro físico e um filtro químico. Além disso, é importante que o filtro tenha cor, pois a cor protege contra a radiação da luz visível, que é a de lâmpadas e computadores. Fique longe de muito calor e repita o filtro quatro vezes ao dia.

O tratamento com cremes clareadores é importante, porém não deve irritar a sua pele. Converse com seu médico, caso esteja ficando vermelha e ardida.

O uso do ácido tranexâmico em creme, injetável ou uso oral, pode ser uma opção, já que trabalhos mais atuais têm comprovado sua atuação, bloqueando vias que são estimuladoras da melanogenese. Converse com seu médico dermatologista, pois essa indicação embora eficaz, pode ter contraindicação para você.

Controlar o estresse e ter alimentação saudável e equilibrada, com antioxidantes e vitaminas, além de manter atividade física moderada vão ajudar no tratamento.

Existem recursos como peelings e lasers que podem ser usados com sucesso. O laser não poder ser qualquer um, pois energias muitos altas irão provocar rebote. O mais indicado hoje é o Q-Switched-Nd Yag com nanosegundos.

Hoje também se fala sobre o microagulhamento, que pode ser feito com agulhas de 1,5mm e orvalho sangrante bem incipiente.

Confiança e empatia com seu médico dermatologista, são fundamentais para o sucesso do tratamento.

Melasma: mancha perturbadora e reveladora

O melasma se apresenta como uma mancha marrom simétrica sem sintomatologia, que ocorre na face de mulheres em idade fértil. Essa espécie de máscara perturba muito a autoestima das mulheres comprometidas. Embora, o melasma possa em algumas situações, ser confundido com outras manchas, tem características muito próprias, que suscitam algumas especulações.

Por que essa mancha só aparece na face? O sol é o causador ou há predisposição familiar?

Por que ocorre muito mais em mulheres? Qual a relação dessa hiperpigmentação como os hormônios? Por que melhora após a menopausa?

Por que as mulheres morenas apresentam essa mancha com mais frequência? Qual a relação do estresse com o melasma?

Algumas dessas perguntas começam a ser respondidas a luz de estudos profundos de epidemiologia, biologia molecular e histopatologia. Há aparentemente uma grande influência da genética para o aparecimento do melasma. Em alguns estudos epidemiológicos a ocorrência familiar varia de 15% a 60%. Além disso, outras avaliações demonstraram que as peles mais morenas, como as das latinas americanas, são mais suscetíveis ao aparecimento do melasma.

Quanto ao sol, ele realmente é significativo para o aparecimento do melasma. O sol, através dos raios UVA e UVB, provoca uma agressão Às células da pele. O sol agride a própria célula da pigmentação, chamada melanócito, que produz mais melanina. O sol também agride as células das camadas mais superficiais, chamadas queratinócitos, além das células da derme, chamadas fibroblastos. A interação entre os queratinócitos, fibroblastos e melanócitos é muito afinada e complexa. Essas células reagem ao sol e estimulam vários elementos, como hormônios da pigmentação e também várias citocinas inflamatórias. Por este motivo, podemos utilizar novos medicamentos, como ácido tranexâmico, que evita o impacto desse estímulo ao queratinócito e, sendo assim, impede a comunicação com o melanócito e, portanto impede a pigmentação.

A luz visível, aquela das lâmpadas e computadores, também provoca escurecimento da pele, principalmente nas peles mais morenas, que são mais predispostas a ter melasma. Esse também é um aspecto importante na escolha do tratamento, pois não temos filtro solar especifico para a luz visível. O filtro para proteger da luz visível precisa ter cor, pois o pigmento bloqueia essa radiação.

Respondendo porque mulheres tem mais melasma comparado com homens, isso deve a fatores hormonais, pois hoje se sabe que a pele manchada tem mais receptores para o estradiol (estrogênio) do que aquela sem mancha. Quanto a grávida, além desse fator, também há aumento da produção do hormônio melanócito estimulante.

Aulas no Congresso Brasileiro de Cirurgia Dermatológica – Abril 2016

Muito orgulho de participar com 3 temas distintos de aulas no Congresso Brasileiro de Cirurgia Dermatológica.

Plasma Rico em Plaquetas:

Este tema é controverso e ainda não aprovado pelo Conselho Federal de Medicina. Trata-se do uso da fração de plaquetas recolhido do sangue do paciente após a centrifugação do mesmo. A literatura aponta bons resultados na área de dermatologia para cicatrização de feridas, queimaduras, envelhecimento e alopecia androgenética e areata.

O Serviço de Mogi das Cruzes vem se aprofundando no estudo desta técnica, com protocolos científicos. Esta é a maneira correta de demonstrarmos a validade de certas inovações.  

Novidades no tratamento clinico MELASMA:

O melasma é uma hiperpigmentação crônica que afeta principalmente o rosto de mulheres adultas. A causa não está totalmente esclarecida, é muito prevalente em nosso meio e afeta a autoestima e vida social dos pacientes acometidos.

O uso do ácido tranexâmico vem sendo citado na literatura e no último Congresso da Academia Americana de Dermatologia, teve muito realce principalmente quando utilizado por via oral. Essa substância inibe a plasmina que por sua vez favorece a produção de melanina relacionada a interação do queratinócito/melanócito.

O ácido tranexâmico previne a ativação do melanócito pela radiação ultravioleta e outros estímulos como: hormonal, mecânico, calor, e estresse. Sendo assim, o ácido tranexâmico é adjuvante importante no tratamento do melasma.

A Glutadiona também foi objeto de aulas no Congresso Americano de Dermatologia como tratamento para clareamento do melasma. Ela é um potente antioxidante e o seu mecanismo de ação está relacionado a inibição da tirosinase e ação antioxidante. Um trabalho demonstrou resultados interessantes com a dose de 250mg/2x ao dia.

Fios de ÁCIDO POLILÁTICO associados a preenchedores:

Cada vez mais as pessoas desejam combater o envelhecimento precoce e manter a aparência mais jovem, natural e saudável. O fio de ácido polilático é uma nova alternativa para a flacidez cutânea e pode ser acrescentado ao arsenal pré-existente de tratamento para o fotoenvelhecimento.

Foco:

Trata-se de fios bidirecionais com cones predominantemente de ácido polilático. A ideia é provocar efeito de levantamento associado ao estímulo do colágeno. Os fios não são definitivos e têm a duração de cerca de dois anos. O desenho e a colocação dos mesmos deve ser analisado caso a caso, baseado na queixa de cada paciente, além da avaliação clínica do médico.

Associar os fios a algum preenchedor local, como a hidroxiapatita de cálcio pode ser um tratamento mais completo e com resultados mais globais.

74º Annual Meeting – Washington – EUA – 4 a 8 de março – NOVIDADES

O meeting da Academia Americana de Dermatologia (AAD) é um dos maiores congressos da área dermatológica, que traz novos conhecimentos, tecnologias e excelência à especialidade.

Uma das novidades do Congresso Americano de Dermatologia foi o ácido tranexâmico. Ele promove uma proteção em relação ao sol e outras agressões externas, evitando o aparecimento do melasma. Ele tem um mecanismo que inibe a plasmina e, através deste mecanismo, consegue evitar todas as inflamações desencadeadas por essas agressões externas. É bom lembrar que já temos trabalhos publicados a respeito do ácido tranexâmico, mas é sempre bom conhecer a opinião de outros especialistas.

Ainda sobre o melasma, outra novidade é que pode ser acrescentada com o ácido tranexâmico a glutadiana via oral. Demonstrou-se que essa substância é um poderoso anti oxidante e pode proteger a pele das agressões externas. Nota-se que cada vez mais que o melasma é explicado como uma reação inflamatória causada pelo melanócito que se desequilibra, e as substâncias que, de alguma forma, cortam as vias metabólicas dessas inflamações, podem proteger a pele e clareá-la.

O fio de sutura com ácido polilático também foi muito comentado no meeting. Ele tem duas funções: uma de tracionar a pele e outra de estimular o colágeno através da substância que é o ácido polilático. São feitos muitos tipos de desenho no rosto para que o levantamento seja o ideal. Isso também pode ser incorporado ao tratamento do envelhecimento cutâneo.

MELASMA

As mulheres com melasma pioram muito nesta época do ano e frequentemente ouvimos a frase: “Eu não tomei sol e o melasma piorou”.

O melasma é traiçoeiro e piora mesmo na sombra, pois está sujeito a vários estímulos como: sol, calor, estresse, remédios e irritações locais. O exato mecanismo que favorece o aparecimento desta mancha não está totalmente esclarecido.

A grande vilã, responsável pelo escurecimento da pele, é uma célula bastante sofisticada e complexa, chamada melanócito. Esta célula tem origem no sistema nervoso central e durante o período fetal, migra até a pele onde se localiza numa camada intermediária entre a epiderme e a derme. Essa célula parece um polvo e possui vários receptores, que recebem estímulos de todas as fontes do organismo. Por esse motivo, o estresse pode piorar a mancha, uma vez que provoca o aumento do cortisol, que é um hormônio que favorece o estimulo de produção de melanina.

A melanina é uma proteína que se espalha na superfície da nossa pele, contribuindo para nossa cor e funcionando como uma proteção às agressões externas, como por exemplo, a radiação ultravioleta. Sendo um mecanismo protetor, a produção de melanina é aumentada por agressões como queimadura solar, peelings, depilação com cera, ácidos, entre outros. Por esse motivo, é importante que o tratamento para o melasma não irrite a pele, pois, caso isso ocorra, haverá mais produção de pigmento e a mancha ficará mais escura.

A pele mais propensa a ter melasma é a pele morena e a miscigenada, pois nestas peles o melanócito é mais competente e ativo. Considerando as características dessa célula de origem nervosa e muito reativa aos mais variados estímulos, aí vão alguns conselhos sobre o tratamento dessa mancha que mexe tanto com a autoestima das pessoas comprometidas:

-Proteger a pele com filtro solar, de preferência físico, com numeração alta e com cor.

-O filtro físico reflete a luz e a cor bloqueia a luz visível (computador, luz das casas, etc..).

-O filtro deve ser repetido várias vezes ao dia, principalmente se houver trabalho ao ar livre.

-O tratamento com cremes para melasma deve ser prescrito pelo dermatologista e não deve irritar, arder ou descamar a pele.

-Tratamentos como depilação da face ou esfoliações devem ter a aprovação do seu médico.

-O tratamento complementar com laser deve ser específico e pouco agressivo. O laser mais indicado é aquele onde a energia é baixa e o pulso é curto (Q-Switched), para que o calor liberado não seja agressivo e não piore a mancha.

-Lembrar que o tratamento é médico, mas a pele é sua, portanto você deve entender tudo o que está acontecendo com ela.

-Durante o tratamento com laser, é necessário proteger a pele e evitar agressões externas.

-Lembre-se que a melhoria do melasma tem a ver com o todo, o que significa estar saudável, alimentar-se bem e diminuir o estresse.

-Substâncias como o polypodium leucotomas e ácido tranexâmico podem ser ingeridas e ajudam a proteger a pele. Ultimamente, essas substâncias são muito estudadas e demonstram cientificamente, que podem ajudar no controle do melasma. No entanto, elas devem ser prescritas pelo médico dermatologista que conhece o mecanismo desses medicamentos e pode indicar doses corretas e também evitá-las em caso de contraindicações especificas.

O melasma não deve e não pode atrapalhar sua vida.

Novidades do Congresso de Dermatologia de Portugal – Novembro de 2015

MELASMA:

O melasma apresenta-se como manchas castanhas que aparecem em áreas peculiares do rosto, como a região logo abaixo dos olhos, buço e no meio da testa, causando muito desgosto e baixa autoestima em suas portadoras. Há anos lutamos para tratar essa dermatose de forma específica, mas os resultados deixam a desejar.

Muito fatores estão relacionados ao aparecimento do melasma, como sol, calor, luzes em geral, além de estresse, doenças da tireoide e alguns remédios. A pílula anticoncepcional, assim como os implantes ou DIU, podem ajudar a desencadear, porém, quando descontinuados não ajudam no tratamento. Neste sentido, é inútil parar o tratamento hormonal para melhorar o melasma.

Uma grande novidade é que os vasos estão em maior quantidade na região do melasma;  sabe-se que os fatores de crescimento endoteliais vasculares estão aumentados no melasma e funcionam como grandes estimuladores da produção de manchas. É por esse motivo que muitas pacientes com melasma ficam vermelhas em vários tipos de situações. Atualmente o tratamento do melasma precisa incluir a destruição dos vasos em excesso, o que, por enquanto, é feito com lasers cujo alvo é a hemoglobina.

Um laser qualquer pode piorar o melasma, pois libera muito o calor. No entanto, lasers de baixa potência e pulsos curtos, como os Q-Switcheds, podem ser ótima opção para o tratamento do melasma, já que liberam pouco calor.  É importante frisar que detalhes do tratamento fazem diferença. A energia não pode ser muito elevada e o eritema após a sessão deve ser muito leve. Não podemos realizar este tratamento em associação com clareadores agressivos que deixam a pele vermelha.

Outra grande novidade é o uso do ácido tranexâmico injetável ou por via sistêmica. Essa substância é usada para hemorragias e bloqueia a chamada plasmina. Essa plasmina é responsável, em última instância, pela propagação dos estímulos da luz e do sol para o melanócito, e com isso, faz que o mesmo produza mais pigmento. Ao bloquearmos a plasmina com o ácido tranexâmico, estaremos bloqueando esses estímulos e, além de proteger a pele, também evitando a produção de melanina.

O filtro solar ideal para usar no melasma é o com cor e chamado de filtro de barreira, que é aquele que reflete a luz.

Em breve, sob a luz dessas novas descobertas, teremos mais opções para o tratamento do melasma.

ROSÁCEA:

A rosácea é um quadro que provoca avermelhamento na face e que piora com álcool, sol, calor e estresse. Podem aparecer lesões pápulo-pustulosas, além de vasos de grande calibre e evidentes, que envergonham os pacientes.  A causa da rosácea ainda não é conhecida de forma completa, mas existe, com certeza, um comprometimento vascular que está exacerbado. Além disso, também está implicado o ácaro chamado Demodex foliculorum que provoca a inflamação da pele.

Como novidade, também são utilizados medicamentos como a ivermectina tópica que diminui a população desses ácaros e ajuda acalmar e clarear a pele com rosácea.

BENEFÍCIOS DO ÁCIDO TRANEXÂMICO NO TRATAMENTO DO MELASMA

Já falamos aqui no meu blog sobre os benefícios do ácido tranexâmico no tratamento do melasma. 

Melasma é um assunto de grande importância na dermatologia, pois acomete muitas mulheres e costuma ser reincidente. Gostaria de acrescentar algumas informações que foram apresentadas durante o último Congresso Mundial, visando complementar meu artigo anterior e disponibilizar  novidades sobre recentes estudos a respeito deste tema.

O ÁCIDO TRANEXÂMICO PARA TRATAMENTO DO MELASMA FOI BASTANTE COMENTADO DURANTE O COGRESSO.

O ácido tranexâmico oral, com ação anti-inflamatória, diminui a reação à resposta À RUV. Dermatologistas brasileiros já utilizam essa opção de tratamento, mas o uso do ácido foi um dos temas mais debatidos no evento, no que diz respeito ao melasma.

Ácido tranexâmico: 250mg VO 2x por 3 a 6 meses. Diversos estudos mostraram efetividade no melasma – inibição da melanogênese. Derivado sintético do aminoácido lisina, amplamente utilizado como hemostático (1g/dia). Hemostasia decorrente do efeito antifrinolítico (ausência de interferência nos parâmetros da coagulação). Uso no tratamento do melasma relatado pela primeira vez em 1979 no Japão. Inibição da síntese de melanina por interferir na interação melanócitos X queratinócitos através da inibição do sistema plasminogênio-plasmina. Efeitos colaterais: desconforto gastrointestinal (5,4%) e hipomenorréia (8,1%). Contra indicações: tendência a eventos troboembólicos, pró-coagulação evidenciada por testes laboratoriais.

O ácido tranexâmico pode ser combinado com qualquer tecnologia. Seu mecanismo de ação está associado ao sistema de proteção da pele. Ele evita a transformação do plasminogênio em plasmina e dessa forma, evita que vários fatores inflamatórios sejam acionados através da interação entre queratinócitos e melanócitos. A substância não é um clareador, mas sim um inibidor da cascata inflamatória gerada pelo sol, que após atingir o DNA das células (queratinócitos) que por sua vez repercute no melanócito devido à formação de plasmina.

MELASMA

O melasma também pode estar associado à resistência a insulina e excesso de peso, por esse motivo é importante a avaliação do paciente de uma maneira global. O tratamento e controle da resistência à insulina deve ser a abordagem inicial para que tenhamos melhores resultados no clareamento das manchas.

Melasma

Todos sabemos o quanto o melasma é perturbador para seus portadores. Essa mancha não é simplesmente o excesso de melanina, mas sim um conjunto de alterações que favorece um desequilíbrio no melanócito que responde exageradamente a vários estímulos. É por essa razão que o melasma, além de piorar com o sol e o calor, também piora com a pílula anticoncepcional, remédios, doenças e estresse.

No Congresso da Academia Americana de Dermatologia foi apresentado o ácido tranexâmico (via oral), como droga promissora no controle do melasma. Temos estudado e utilizado essa substância na forma tópica, injetável e sistêmica para o tratamento do melasma, já há algum tempo. Nossa experiência está publicada na Revista Surgical And Cosmetic Dermatology, revista oficial da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

O ácido tranexâmico inibe a transformação do plasminogênio em plasmina que é responsável por ativar fatores melanogênicos e piorar as manchas da pele. Essa substância (ácido tranexâmico) neutraliza a plasmina e funciona como um protetor que preserva a pele da inflamação causada pela luz ultravioleta.

O medicamento deve ser indicado e prescrito pelo médico, pois existem algumas contra indicações que devem ser respeitadas.

O ácido tranexâmico é um tratamento promissor para melhorar essa mancha tão perturbadora para a qualidade de vida do seu portador.

Denise Steiner