NOVIDADES – LATINADERM 2017

O câncer de pele não melanoma é o câncer mais comum em nosso meio.

O principal fator de estímulo para o aparecimento do câncer de pele não melanoma é o sol através da radiação ultravioleta. Já sabemos que usar filtro solar de amplo espectro, com cobertura para radiação UVA e UVB é muito importante para a prevenção. Pessoas claras, com olhos e cabelos claros e que têm familiares com câncer de pele, ou que já tiveram algum câncer de pele, são os que apresentam maior risco.

Existem lesões precursoras do câncer de pele, que são as chamadas queratoses actínicas. Elas são lesões avermelhadas, ligeiramente descamativas, arredondadas, que parecem com pequenas feridas e que não cicatrizam. Quando ocorrem várias dessas lesões, chamamos de campo de cancerização, pois existem as lesões visíveis e aquelas ainda em formação, mas que ainda não são visíveis.

queratose 1Há tratamentos específicos para o campo de cancerização, como terapia fotodinâmica e o medicamento Igenol Mebutato. No primeiro caso, usamos uma substância denominada ácido aminolevulínico no rosto, para marcar as células pré-cancerígenas, e ou, já cancerígenas. O produto é espalhado em todo o rosto, ou na área suspeita, sendo precedida por uma limpeza e curetagem (raspagem) leve. Então, o paciente permanecerá com esse medicamento na pele por cerca de 2 a 3 horas, sendo a área coberta para evitar exposição à luz. Após esse período, quando o rosto já está sensibilizado e as células doentes estão marcadas e reativas, a área é submetida a exposição de luz vermelha, que promove uma reação química, destruindo as células pré-cancerígenas, e ou, cancerígenas. Quando da aplicação da luz, há muita dor, principalmente se houver muitas lesões pré-cancerígenas. O rosto fica bastante sensível e a pele avermelhada, sendo o uso do filtro solar, nos dias subsequentes, é extremamente importante.

Outro recurso interessante para o tratamento do campo de cancerização, é o uso do produto chamado Igenol Mebutato, que promove morte e destruição das lesões pré-cancerosas. O creme é espalhado em toda a área a ser tratada, também com uma curetagem prévia. A aplicação deve ser feita preferencialmente pelo médico dermatologista, que é o especialista em reconhecer lesões pré-cancerosas. O creme deve ser bem espalhado e não há nenhuma reação, nem dor ou coceira. Esse medicamento deverá permanecer no local por várias horas e ser usado 3 dias seguidos. Depois que o creme é espalhado, não pode ser usado qualquer outro produto e nem mesmo lavar o rosto ou usar filtro solar. Já no segundo dia, o rosto fica avermelhado e sensível e quanto mais “machucado”, mais lesões suspeitas estão sendo tratadas. O mecanismo de destruição das células é através do apoptose, que é uma morte celular programada. Após os três dias do uso do medicamento, o local descama e fica avermelhado, semelhante a um peeling, recuperando totalmente em cerca de 10 dias.

É importante ressaltar que são tratamentos médicos, com indicação precisa, que podem de forma eficiente, tratar o campo de cancerização, evitando o aparecimento de câncer de pele no futuro. 

MICROAGULHAMENTO

A técnica de microagulhamento está muito em voga nos últimos tempos. Esse procedimento, consiste em utilizar um pequeno instrumento chamado “roller”, que tem muitas agulhas que picam a pele, estimulando a reação da mesma. A medida que a pele é picada, ela reage e desencadeia uma resposta em cascata, com muitos elementos inflamatórios e hormônios do crescimento. Existem, portanto, dois estímulos importantes que ocorrem simultaneamente, sendo um deles a picadura na pele e o outro a reação fisiológica de produção de citoquinas acionadas para cicatrizar a pele.

Embora pareça simples, o procedimento precisa ser feito por médicos especialistas para evitar o trauma em áreas que possam ter pré-câncer de pele e o próprio câncer de pele. Isto porque, o trauma da picada e o sangramento, podem disseminar essas células malignas. Áreas inflamadas ou infectadas, também não podem ser picadas.

O microagulhamento pode ser indicado para várias alterações de pele, como cicatriz de acne, melasma, estrias e fotoenvelhecimento cutâneo. Em cada um desses casos será indicado um “roller” diferente com um número total de agulhas e também com tamanho diferente dessas agulhas. Nas cicatrizes de acne, que são mais fibrosas, usamos agulhas de 2,5mm, enquanto para tratamento do melasma, a agulha é de 1,5mm. O microagulhamento também pode ser feito na área das olheiras, onde usamos agulhas de 0,5mm. O procedimento irá gerar um sangramento maior ou menor e justamente esse sangramento, através das plaquetas, irá carregar os fatores de crescimento naturais, que são importantes para melhorar a qualidade da pele.

IMG_5112Para cada indicação do microagulhamento será indicado o número de sessões necessárias, que pode variar de 4 a 8, com intervalos de 2 a 4 semanas. Após o procedimento, podem ser usados princípios terapêuticos específicos para melhorar ainda mais a doença que está sendo tratada. No caso do melasma, pode ser usado ácido tranexâmico, enquanto no fotoenvelhecimento podemos utilizar vários ativos como a própria vitamina C. Vale lembrar que o ideal é que o produto utilizado seja estéril para evitar contaminação. O resultado pode ser notado após 8 a 10 dias. Em geral, a pele fica sensível por 3 a 4 dias, sendo necessário o uso de filtro solar.

Outra indicação interessante é o uso do microagulhamento no couro cabeludo, para melhorar a queda de cabelo. Nesse caso, podem ser usados ativos com a finasterida e minoxidil.

O microagulhamento sempre melhora muito a qualidade e saúde da pele. Esta é uma técnica simples, com preço muito acessível e com seus riscos específicos, porém muito promissora na área da dermatologia.

VITILIGO

O vitiligo é uma doença de pele que causa manchas brancas acrômicas, tipo leite, em qualquer parte do corpo, podendo comprometer, inclusive, os pelos. Essa doença ocorre muito em jovens e crianças acometendo, praticamente, 2% da população mundial.

Embora, na maioria dos casos, o vitiligo não apresente nenhum aspecto de perigo à pessoa acometida, nem seja contagioso, é um tipo de doença de pele que causa um grande impacto na autoestima das pessoas devido à sua característica inestética. Os pacientes com vitiligo têm a parte psicológica bastante crítica, porque não há quem suporte as mudanças de cor em sua pele.

Recentemente, descobriu-se que há alterações imunológicas no vitiligo e que esse fato tem interferência direta com o aparecimento das manchas. Contudo, ainda não se sabe exatamente as causas dessa doença. Há algumas teorias para explica-las e a mais importante é a que o vitiligo é uma doença autoimune, ou seja, um mal onde o organismo produz auto-anticorpos contra estruturas dele próprio. Isso ocorre em relação à célula que produz o pigmento denominado melanócito.

Já foram detectados auto-anticorpos contra o melanócito em indivíduos com vitiligo, especialmente naqueles em que a doença está em atividade. O tratamento dessa doença sempre foi um desafio para os dermatologistas, e até há pouco tempo, as únicas terapias viáveis para tratar as manchas do vitiligo contavam sempre com a utilização da luz ultravioleta.

O tratamento é feito com medicação sistêmica e/ou via oral utilizando-se quase sempre uma radiação ultravioleta fototerapia para estimular a pigmentação. Além disso, o médico pode adotar medidas como a prescrição de vitaminas que sejam anti-oxidantes (vitamina C, por exemplo), que combinados a outros fatores como ácido fólico e vitamina B12, podem ajudar significativamente na fabricação de melanina.

Vale destacar que qualquer tipo de tratamento aqui citado deve ser prescrito e acompanhado pelo médico. Existem ainda os tratamentos à base de aminoácidos e fenilalanina que também são combinados com a aplicação de luz e aqueles que estão em fase de desenvolvimento, com cremes anti-oxidantes que podem pigmentar a pele.

Há ainda os procedimentos cirúrgicos, cada vez mais em evidência, e que podem ser feitos de diferentes maneiras, mas basicamente consistem em trazer uma célula boa para o local em que não existe mais pigmento.

Nos últimos congressos da especialidade, foram apresentadas novas descobertas sobre o vitiligo e algumas opções de tratamento muito promissoras.

Como sabemos, a causa do vitiligo não está totalmente conhecida, mas já se descobriu que o melanócito é agredido por células inflamatórias. Já foram descobertos alguns dos fatores inflamatórios específicos dessa doença como a citocina CXCL-10. Sendo assim, as pesquisas se concentram em tentar neutralizar ou acabar com as fases dessa inflamação. A sinvastatina, por exemplo, que é um remédio utilizado para reduzir os níveis de colesterol, pode melhorar o vitiligo, pois apresenta ação anti-inflamatória.

Outras medicações como os inibidores da Jack, que são enzimas específicas de receptores de membrana, podem reverter o vitiligo porque neutralizam a citocina CXCL-10. Uma dessas drogas foi aprovada pelo FDA para tratamento de artrite reumatoide. Recentemente um paciente que tinha artrite e vitiligo reverteu as manchas quase na totalidade, quando fazia o tratamento para reumatismo. Os nomes comerciais desses produtos que podem tratar o vitiligo são: Tofacitinib e Ruxolitinib.

Ainda foi enfatizado que a vitamina D e o zinco estão em níveis baixos nesta doença. Mas a suplementação com essas substâncias pode promover a produção de pigmento e melhorar o problema.

EXPOSSOMA

O expossoma é a somatória de exposições que o indivíduo está sujeito desde seu nascimento até a morte. O expossoma inclui agressões externas, como a radiação ultravioleta, poluição, mudanças climáticas, fumo, calor e agressões internas, como doenças, má alimentação, genética fragilizada, estresse e sono inadequado. Esse conceito é extremamente importante de ser introjetado em cada indivíduo, pois sua compreensão ajudará sobremaneira numa longevidade saudável e com qualidade de vida.

Como já entendemos, o expossoma representa tudo aquilo que nos agride ao longo da vida, porém, cada indivíduo dará sua resposta específica aquele estímulo negativo, dependendo da sua tendência e característica genética. Sendo assim, ao longo da vida, posso fumar e ter câncer de pulmão, enquanto outro indivíduo, também fumante, pode geneticamente ser mais resistente e não apresentar este mesmo tipo de tumor. Portanto, é importante reforçar que somos inteiros e únicos e quanto melhor entendermos o expossoma em nossa existência, mais estaremos preparados para defender nossa saúde e qualidade de vida.

Por que a pele é importante em relação ao expossoma?

A pele é o maior órgão do corpo humano, sendo o órgão de choque do expossoma, pois recebe os raios ultravioleta, a fumaça do cigarro, a poluição, as mudanças de temperatura e reflete também as deficiências e inadequações dietéticas e nutricionais, assim como a falta de sono e as doenças como diabetes e eczemas.

Diferente do que imaginamos, a pele é um órgão inteligente, sendo considerada uma barreira multifatorial e multifuncional, que abrange funções como: barreira física, hídrica, antioxidante, fotoprotetora, antimicrobiana.

A função de barreira física, é responsável pela proteção mecânica, assim como proteção a entrada de moléculas diversas, enquanto que a barreira hídrica, significa a capacidade da pele em manter a hidratação adequada, evitando a perda transepidérmica da mesma.

A pele também tem vários componentes antioxidantes, que configuram a barreira antioxidante que são acionados a cada agressão externa. A barreira fotoprotetora da pele é responsável, através dos seus componentes como a melanina, por proteger o indivíduo da radiação ultravioleta.

A barreira antimicrobiana é formada por uma somatória de fatores, como pH, filme hidrolipídico, produção sebácea e descamação natural. Esses fatores em conjunto mantém a microbiota natural e saudável, evitando a entrada e o crescimento de microrganismos patogênicos.

Os cuidados básicos e diários em relação a pele são importantes e necessários para ajudar a mesma na sua função de barreira, pois quando essa está rompida ocorre inflamação, avermelhamento, coceira, descamação e desidratação intensa.

O dano a barreira, quando ocorre frequentemente, promove o adoecimento e envelhecimento da pele e os cuidados básicos e diários evitam a inflamação e o envelhecimento precoce. Limpar profundamente a pele é fundamental para retirar os resíduos dos poluentes que ficam aderidos na pele. A limpeza ajuda a evitar a obstrução dos óstios e evitar a oxidação que os poluentes provocam na pele. O agente limpador deve ser escolhido conforme o tipo de pele. Sabonetes em barra, que desengorduram muito, podem ser usados em peles oleosas, espessas e com tendência a acne. Já as peles mais sensíveis e maduras, podem usar sabonetes líquidos, neutros e hidratantes. Peles sensíveis, vermelhas, assim como pessoas alérgicas, devem escolher agentes de limpeza com pH próximo ao da pele 5,6 e com ativos anti-inflamatórios, como águas micelares ou tônicos suaves.

A hidratação diária também é essencial para o bom funcionamento da pele. A água em quantidade necessárias e suficiente é vital para o funcionamento da barreira cutânea. As peles acneicas e oleosas também precisam de hidratação, pois a água e o óleo são substâncias diferentes e com funções também diferentes. É importante lembrar que a água está dento da pele e a barreira cutânea íntegra evita a perda transepidérmica. O hidratante pode ser de três tipos: oclusivo, emoliente ou as duas funções em conjunto. O hidratante oclusivo faz uma barreira mecânica em relação a perda de água, mas pode ser comedogênico e entupir os óstios foliculares. Exemplos desses seriam a vaselina e óleos como o de amêndoas. Os hidratantes higroscópicos tem na formulação substâncias que atraem a água e mantém a mesma no local, como exemplo temos a ureia, o ácido hialurônico, entre outros. Os hidratantes mais modernos podem misturar sustâncias higroscópicas com outras oclusivas sem provocar a formação de comedões, sendo indicados também para peles oleosas e acneicas. Quando a pele está desidratada, ela pode ficar vermelha, inflamada e descamativa, favorecendo a piora da acne em peles oleosas ou o aparecimento de rosácea em peles mais sensíveis.

Hoje também existem os dermocosméticos, ou cosmecêuticos multifuncionais e podemos ter produtos hidratantes com outros ativos, como vitaminas, agentes antioxidantes, antipoluidores e antienvelhecimento. O hidratante também pode estar associado a maquiagem e ao filtro solar.

Outro cuidado básico e necessário com a pele é a fotoproteção. Já são muito conhecidos os efeitos deletérios e envelhecedores do sol. A radiação ultravioleta B agride diretamente o DNA celular, provocando danos que são cumulativos e provocam, em última instância, o câncer de pele. A outra parte da radiação UVA provoca agressões diretas nos vasos, nas células formadoras de colágeno, nas glândulas e no folículo piloso. Esta radiação agride todas essas estruturas através da oxidação, provocando uma grande formação de radicais livres, que são agressores constantes, provocando inflamação, degradação e envelhecimento. O uso diário do filtro solar ajuda a evitar essas agressões, mantendo a aparência e evitando o envelhecimento precoce.

Para combater os danos dos expossomas, além desses cuidados com a pele, também são importantes outras ações como: alimentação equilibrada, evitando o excesso de alimentos com alto índice glicêmico e gordura trans e abusando dos alimentos antioxidantes, beber muita água, manter um sono tranquilo e reparador, evitar o consumo excessivo de bebidas alcoólicas, do cigarro, do estresse constante e da poluição. Também é importante manter uma atividade física regular, usar bons produtos dermocosméticos e ter momentos de laser e descanso.

ANTIOXIDANTES

Os radicais livres são moléculas altamente instáveis e com elevada insolubilidade pelo fato de seus átomos possuírem um número ímpar de elétrons. Para atingir a estabilidade, estas moléculas captam elétrons de outras moléculas químicas e também de componentes vitais, como DNA, elementos citoesqueléticos, membranas e proteínas celulares. A peroxidação lipídica, uma das sequelas geradas pela ação dos radicais livres, causa danos às membranas celulares e leva ao ENVELHECIMENTO DA PELE.  

Os radicais livres são formados naturalmente pelo metabolismo humano, mas fatores externos como a poluição do ar, tabagismo, exposição à radiação solar, álcool, processos inflamatórios e ingestão de certas drogas podem também ser fontes de espécies reativas como os superóxidos, ânion hidroxila, peróxido de hidrogênio e unidade simples de oxigênio. O mecanismo de defesa antioxidante do organismo tem como principal função inibir ou reduzir os danos causados às células pelas espécies reativas de oxigênio.  

Existe uma grande variedade de substâncias antioxidantes. O mecanismo de ação dos antioxidantes são classificados como antioxidantes de PREVENÇÃO, que impedem a formação de radicais livres, varredores, que inibem o ataque de radicais livres às células; e antioxidantes de REPARO, que favorecem a remoção de danos da molécula de DNA e a reconstituição das membranas celulares danificadas. 

Os antioxidantes tópicos devem ser absorvidos pela pele e liberados para o tecido alvo em sua forma ativa. Entretanto, muitos produtos se oxidam e se tornam inativos antes mesmo de alcançarem o alvo. A absorção é um processo muito importante e depende de vários outros fatores, como a forma molecular do composto ativo, suas propriedades físico-químicas, se é solúvel em água ou em lipídeos, seu pH e o veículo que contém o produto. 

Princípios ativos antioxidantes

A indústria cosmética utiliza nas formulações uma rede de antioxidantes que atua sinergicamente, potencializando seus efeitos. As redes de maior destaque são as vitaminas C e E, a glutationa, o ácido lipoico e a coezima Q10. Depois que um antioxidante “neutraliza” um radical livre eliminando o número excessivo de elétrons, ele não é mais capaz de atuar novamente como antioxidante, a não ser que seja reciclado.

Essas redes de antioxidantes estão sendo incluídas em um número cada vez maior de preparações cosméticas. A solubilidade do composto ativo no veículo da formulação é um dos principais determinantes para sua estabilidade e eficácia do ativo na pele.

A vitamina E é uma família de compostos chamados de tocoferóis, incluindo o tocoferol a, b, g e d. As formas de vitamina E tipicamente utilizadas em cosméticos são o acetato de a-tocoferol. Esses compostos apresentam menos probabilidade de desencadear dermatites de contato e são mais estáveis em temperatura ambiente.O principal antioxidante solúvel em água e também em lipídeos é o ácido lipoico (AAL). Diferentemente de outros antioxidantes, o ácido lipoico é absorvido de forma estável e pode ser usado como um peeling químico superficial para remodelar a pele.

A vitamina C é um forte antioxidante por si só e também recicla a vitamina E, que volta a sua forma ativa, de modo que suas capacidades antioxidantes são amplificadas. Entretanto, quando as preparações de vitamina C são expostas aos raios ultravioletas ou ao ar, a molécula rapidamente se oxida e se torna inativa, inutilizando a preparação. As preparações tópicas de ácido ascórbico podem ser formuladas em base aquosa ou lipídica. O palmitato de ascubil tópico, uma forma lipídica, não causa irritação e é comprovadamente fotoprotetor e anti inflamatório.

É importante lembrar que o ENVELHECIMENTO CUTÂNEO é um tema amplo e complexo, e que novos estudos com relação às substâncias que podem ajudar a neutralizar os efeitos dos radicais livres na pele estão em constante andamento. O conhecimento e acompanhamento das novas tecnologias é fundamental para prevenir e manter a qualidade da pele. Fale sempre com seu dermatologista que saberá orientar com relação às substâncias e formulações mais apropriadas a cada indivíduo.

Luz LED e seus benefícios para a PELE

Nos últimos anos vem se consolidando a ideia de que lasers de baixa potência e também luzes como as LEDs podem trazer benefícios para o tratamento de algumas alterações de pele.

As lâmpadas de LED, cuja tradução remete à língua inglesa (Light Emitting Diode), são dispositivos semicondutores que emitem luz quando acionados por uma corrente elétrica. As luzes LED são diferentes do laser, pois não são monocromáticas ou coerentes. No entanto, ao longo do tempo, com a evolução tecnológica, as novas LEDs estão quase monocromáticas e portanto, consideradas comparáveis aos lasers de baixa potência.

Esse “up grade” que ocorreu com as lâmpadas de LED tornou possível utilizá-las para vários tipos de tratamentos cutâneos. O mecanismo de ação dessas lâmpadas acontece com o estímulo que atinge diretamente a mitocôndria celular. Essa estrutura é responsável pela produção de energia celular (ATP) e quando estimulada, melhora a energia e função celular.

A luz LED entra na célula e, dependendo da profundidade ou comprimento de onda, provoca efeitos benéficos para o organismo. A luz LED tem efeitos anti inflamatórios, calmantes, estimula a formação de colágeno novo, ajudando na cicatrização e reparação da pele, além de promover também a proliferação celular.

Esse mecanismo é denominado de foto bio estimulação, caracterizando um tipo de fototerapia ou tratamento pela luz. Nesse ponto ela se diferencia dos lasers de alta potência, que têm uma função mais agressiva, provocando dano ou morte celular e nesse caso, agem como foto cirurgia. Exemplificando, se usarmos um laser de alta potência para vasos, ele irá, através da sua luz, destruir esses vasos, deixando a pele mais clara. Comparando, a luz LED não é capaz de destruir o vaso mas sim estimular as células a produzirem mais energia e funcionarem melhor.

As indicações para o uso da luz LED são:

  • Acelerar e melhorar a cicatrização.
  • Controlar a inflamação e avermelhamento.
  • Atenuar e controlar a dor intensa.
  • Melhorar o aspecto de cirurgias cosméticas.
  • Rejuvenescer a pele.
  • Prevenir a formação de cicatrizes hipertróficas.
  • Tratar doenças circulatórias como Doença de Raynaud.

Recapitulando, fototerapia com as luzes tipo LED é realizada através do estímulo energético que atinge a mitocôndria de cada célula, provocando as seguintes ações:

  1. Se a célula estiver danificada ela será reparada.
  2. Se a célula tem uma função como por exemplo produzir colágeno e elastina, quando a LED atingi-la ela fará essa função com mais eficiência.
  3. Se a célula precisar proliferar, a luz LED irá estimular essa proliferação.

Hoje já existem chapéus (bonés) com luzes de LED para tratamento da calvície e outras quedas de cabelo. Existem também máscaras com luzes LED usadas no rosto para melhorar a inflamação de vários procedimentos ou melhorar a qualidade da pele. Também já encontramos placas com luz LED que podem ser usadas para melhorar a cicatrização de feridas e úlceras cutâneas.

A acne inflamatória pode ser tratada com lâmpadas LED com comprimento de onda da luz azul. As luzes LED têm sido utilizadas com frequência nos consultórios dermatológicos após procedimentos como peelings, cirurgias, lasers de alta potência e tratamentos capilares, entre outros. Além disso, alguns dispositivos com luz LED podem ser usados em casa como tratamento auxiliar. É importante que ocorra a indicação médica para escolher o melhor comprimento de onda e a frequência do tratamento.

Devemos também lembrar que as luzes LED são eficazes e seguras e funcionam como tratamentos coadjuvantes e não principal. Elas trazem benefícios principalmente se bem indicadas, tanto com relação a energia quanto na frequência do tratamento.

PEELING DE FENOL

O peeling de fenol é um procedimento estético que promove a melhora das rugas e da flacidez. Apesar de não ser considerado uma cirurgia plástica, ele chega até a derme reticular (a camada mais profunda da pele), envolvendo a troca de várias camadas e, por isso, necessita de acompanhamento médico. Seus resultados, porém, são bastante expressivos, melhorando a aparência da pele foto envelhecida. 

O peeling de fenol é o mais profundo de todos os peelings, enquanto outros só conseguem resultados mais superficiais e menos expressivos, sendo conhecido também, como peeling profundo e fórmula de Baker. 

Por se tratar de um tratamento muito agressivo, o peeling de fenol é indicado às pessoas com reais necessidades, que tenham rugas profundas e que sofreram muito com os efeitos do foto envelhecimento – alterações decorrentes da ação da radiação solar sobre a pele. 

O paciente precisa ser previamente avaliado, pois o fenol é uma substância tóxica, especialmente para pessoas com problemas cardíacos, hepáticos e insuficiência renal. Por essa razão, esse peeling precisa ser realizado por médicos dermatologistas experientes. Durante o procedimento, o paciente é acompanhado de perto, a fim de impedir qualquer tipo de complicação. Portanto, o ideal é realizar uma avaliação médica para saber se o paciente tem o perfil indicado para este tipo de tratamento. 

Os preparativos para o procedimento devem ter início um mês antes, com aplicação de um crime à base de ácido retinoico e hidroquinona. É preciso tomar cuidado extra com a radiação solar, evitando expor-se ao sol sem a proteção adequada, que consiste em protetor solar com fator maior ou igual a 50. Além disso, é necessário tomar uma medicação antiviral por via oral antes de realizar o procedimento, pois o peeling favorece o aparecimento de herpes simples.  

O tempo estimado de duração da aplicação do peeling de fenol é de 2 horas. O produto é aplicado em áreas chamadas de unidades anatômicas; então espera-se 20 minutos para aplicar em outra área e assim por diante. Isto porque é em 20 minutos que o fenol é metabolizado. O frost (mudança de cor) é imediato. Este frost é causando pela coagulação, com ação imediata. São passadas várias camadas do produto, e então, uma máscara oclusiva, que tem propriedades calmantes é colocada sobre a pele. 

Logo depois da aplicação, o paciente deve fazer uso de medicamentos analgésicos e anti-inflamatórios nas primeiras 12 a 24 horas. Depois, é necessário manter a pele limpa, hidratada e protegida, evitando a exposição solar. É interessante manter uma alimentação saudável – de preferência com suplementos que ajudem a evitar a queda de imunidade e o surgimento de infecções oportunistas, lembrando que, após a descamação da pele e reepitalização, pode permanecer vermelha por um longo período. A recuperação total após o peeling ocorre em até três meses e os resultados do tratamento podem levar até seis meses para aparecer. 

É fundamental realizar o procedimento somente com dermatologistas e cirurgiões plásticos por serem os profissionais preparados para tratamentos estéticos que envolvem agressão à pele, e vale mencionar que existem alternativas menos agressivas quando se trata de problemas mais leves. 

O peeling de fenol ficou conhecido pelos resultados apresentados, pois um  único procedimento promove melhora intensa de rugas profundas e flacidez  e, mesmo sem necessidade de intervenção cirúrgica, é capaz de rejuvenescer a pele em mais ou menos 20 anos, recuperando a cor, os contornos, tônus e luminosidade. Mas, por outro lado, o tratamento ainda é doloroso, exige muitos cuidados e acompanhamento médico, e a recuperação é lenta.

PROBIÓTICOS

Nos últimos anos foram publicados muitos estudos científicos sobre PROBIÓTICOS, que são micro organismos vivos que podem ser ingeridos, visando melhorar a saúde do individuo.

Assim como nossos genes foram estudados no projeto GENOMA, identificando influências do meio ambiente sobre os mesmos,  agora há estudos sobre a comunidade de micro-organismos que convivem conosco, denominada microbiota. Temos cerca de 3 milhões de micro-organismos, entre eles bactérias e fungos, que têm seus próprios genes, tornando tudo um só organismo.

Logo no início de nossa vida, temos uma colonização desses micro-organismos que depois permanecem conosco pela vida toda. A maioria dessas bactérias e fungos nos ajuda e protege, sendo que,  existe uma quantidade específica de cada um deles. Problemas ocorrem quando acontece o desequilíbrio dessas quantidades favorecendo o crescimento de organismos prejudiciais.  Sendo assim, desequilíbrios com a microbiota intestinal, podem causar cólicas, diarreias e má absorção de nutrientes. Quando tomamos um antibiótico para atacar uma bactéria que está nos prejudicando, nós automaticamente desequilibramos a microbiota, fazendo com que possa surgir algum efeito colateral.  Vemos então que o  EQUILÍBRIO da nossa microbiota, é a questão mais importante, preservando nossa saúde.

Estudos mais recentes têm delineado a microbiota da pele especificando os microrganismos e suas quantidades. Esses trabalhos científicos enfatizam que cada pessoa tem sua composição de fungos e bactérias como se fosse sua impressão digital.

Uma das primeiras doenças  de pele onde se percebeu a influência positiva do uso de probióticos é a DERMATITE ATÓPICA.  A atopia é uma doença que desregula o sistema imunológico, causando manifestações respiratórias, como asma ou bronquite e/ou inflamações de pele, como eczemas. Estudos recentes demonstraram que o uso concomitante do probiótico com tratamento específico, em indivíduos atópicos, ajudam a diminuir as crises da doença.

Como o um assunto é relativamente novo, os estudos ainda estão no início, sendo necessário estabelecer padrões que podem ser interessantes para cada situação. Com a abertura desse novo caminho, será possível estudar melhor o probiótico, sua especificidade e a sua interferência nas diferentes doenças de pele.

Existem duas outras doenças com alguns estudos em relação ao uso de probióticos, que são a ACNE INFLAMATÓRIA e a psoríase. Na primeira as bactérias tem muita importância e quando há piora das lesões, detectou-se desequilíbrio da microbiota. Na psoríase, o uso de probióticos parece ajudar, diminuindo a inflamação da pele.

Vale lembrar que os recentes estudos não invalidam os benefícios do uso de probióticos ingeridos para ajudar o intestino, mas as comunidades bacterianas na pele e no intestino são bem diferentes. Dessa forma, ainda há muito a ser estudado.

O que acaba sendo mais utilizado no momento são os prebióticos, que não são organismos vivos, mas sim, substâncias  como se fossem um alimento que equilibram a população bacteriana. Esse tipo de prebiótico, que geralmente são moléculas de açúcar não digeríveis, começa a ser utilizado em alguns cremes, para que haja mais um benefício, além da hidratação e ação antienvelhecimento.

É um tema muito interessante, novo, promissor, que depende de muitos estudos ainda, mas que caminha para uma linha mais natural, respeitando a identidade de cada organismo.

Preenchimento com realce em MD Codes

A novidade do curso de MD Codes realizado em Cancun foi principalmente realçar e enfatizar a importância da reestruturação facial e não somente o preenchimento de locais específicos.

No curso de preenchimento da Universidade de Mogi das Cruzes, que ocorreu nos dias 12 e 13 de maio de 2017, foram tratadas gratuitamente 14 mulheres, promovendo esta técnica, que além de levantar, harmoniza os contornos e previne a progressão da flacidez na face.

O procedimento sempre deve ser procedido de um histórico completo, avaliando possíveis riscos em relação ao mesmo. Deve ser evitada a escolha de pacientes com doenças autoimunes, como lúpus e dermatomiosite, assim como, também devem ser evitados pacientes em uso de drogas que possam provocar sangramento como ginkgo-biloba e vitamina E. No dia do procedimento, toda a maquiagem deve ser retirada do rosto que deve ser higienizado de forma rigorosa. O ambiente deve ser cirúrgico, com toda a assepsia compatível com o mesmo e o procedimento deve ser sempre realizado por médico. O conhecimento profundo da anatomia e áreas de risco é fundamental. O rosto deve ser avaliado de forma completa e os pontos de aplicação são então, definidos. Não há idade específica e mesmo pessoas mais jovens podem receber a aplicação de preenchedores para evitar a flacidez e a perda do tônus facial. Vejam algumas indicações em pessoas mais jovens:

Os pontos mais interessantes de levantamento localizam-se na área zigomática e na região temporal. Após a aplicação nesta região, as pacientes muitas vezes não precisam de maior quantidade de preenchedor no chamado bigode chinês. A grande novidade é aplicar na região do contorno facial e também na região do queixo, produtos que estimulam a formação de colágeno. Os produtos utilizados no momento são aprovados pela ANVISA e podem projetar a pele e/ou melhorar a quantidade de colágeno. A região do queixo e também a área da mandíbula são responsáveis, em parte, pela definição do contorno facial. Quando esse contorno é indefinido, perdemos a harmonia da face e, consequentemente, envelhecemos precocemente. Nesta área do contorno facial, pode ser aplicado tanto o ácido hialurônico, como a hidroxiapatita de cálcio. O produto é aplicado em pontos específicos do queixo dependendo da necessidade de cada um.

imagem blogAs 14 pacientes, com necessidades variadas, atendidas no Curso sobre preenchimento na Universidade de Mogi das Cruzes, tiveram através da técnica de MD Codes, o levantamento e harmonização facial. Mantendo os cuidados específicos com cremes adequados, o resultado é bastante satisfatório e duradouro. Esta técnica inovadora traz resultados naturais, com maior durabilidade e previne a progressão do envelhecimento.

Lifting de Pele

Eu gosto de estudar, aprender, evoluir e assim oferecer ao meu paciente resultados melhores naquilo que o aflige e incomoda sua autoestima.

Com o passar do tempo envelhecemos e precisamos cada vez mais, ajudar nosso organismo e a nossa pele a se proteger, neutralizar os danos, estimular a produção de fatores naturais e assim, promover um envelhecimento saudável.

Tive a oportunidade de estar num encontro cientifico sobre preenchedores e preenchimentos, conhecendo mais sobre este procedimento tão interessante, cientifico e mágico, que de maneira natural pode melhorar, reestruturar e rejuvenescer nossa aparência.

O preenchimento é uma técnica que utiliza substâncias compatíveis e aprovadas cientificamente, que são injetadas na pele para promover estímulo do colágeno, levantamento, e reestruturação da face. O preenchimento não é o “botox” ou uso de toxina botulínica, que age na musculatura, promovendo relaxamento e melhoria das rugas de expressão, mas sim um material compatível, colocado na pele, que tem capacidade de preencher, estimular e reestruturar.

Neste encontro realizado em Cancun, ficou claro que as técnicas de preenchimento têm evoluído cada vez mais e não significam mais colocar um produto num sulco ou numa ruga, mas sim, são técnicas de reestruturação da face, com pontos de sustentação que levantam e previnem o seu deslocamento. Podemos então dividir o preenchimento em três grandes funções: reestruturar, embelezar e prevenir a evolução do envelhecimento.

Fazendo uma analogia com uma casa, a primeira função significa arrumar e alicerçar a casa antes de decorá-la com objetos de arte mais sofisticados. Neste caso, vamos utilizar o produto em pontos estratégicos, que levantam e sustentam o rosto. Estes pontos configuram o segredo do MD Codes, ou códigos médicos de rejuvenescimento. cancun 3

A segunda função traz os objetos de arte especiais para a casa, ou seja, corrige e embeleza os lábios, projeta o queixo e preenche as olheiras profundas.

A terceira função, que é a mais importante e está relacionada a ajudar a pele e suas estruturas a suportar e reagir contra as agressões externas, sustenta a pele com mais colágeno e otimiza o processo.

O preenchimento é essencialmente uma ARTE, que parte da avaliação estética minuciosa do médico, observando as proporções, tendências, movimentos, estímulos e diferenças de gênero e raça, além da individualização e capacidade de beleza de cada ser humano.

O médico dermatologista, para preencher bem, necessita ter uma bagagem ampla de conhecimento cientifico que passa pela anatomia da face, fisiologia da pele e conhecimento dos produtos a serem utilizados para cada especificidade. Ele também precisa conhecer as doenças e contraindicações de cada organismo, além da capacidade de corrigir qualquer possível complicação advinda dessa aplicação. O resultado do preenchimento não tem absolutamente nada a ver com caricaturas ou rostos artificiais e marcados, mas sim com resultados naturais, preventivos e duradouros.

Portanto, é uma nova era que se inicia e que propicia reestruturação sem corte, sustentação sem cicatrizes, tonicidade com resposta da própria pele, naturalidade e prevenção, mas acima de tudo, harmonia com as funções fisiológicas da pele. Ficar bem após um procedimento de preenchimento não é ter o lábio ou o rosto da Angelina Jolie, mas ter o seu lábio no seu rosto de maneira mais harmoniosa e natural e com a capacidade de reagir de forma mais eficaz contra as agressões que levam ao envelhecimento.

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