RESSECAMENTO E TONICIDADE VAGINAL

Um assunto que vale a pena ser citado é o REJUVENESCIMENTO VAGINAL, muito comentado nos últimos congressos internacionais: IMCAS (realizado em janeiro deste ano em Paris) e no meeting da Academia Americana de Dermatologia (AAD realizado no início de março em Orlando).

A questão é simples: estamos envelhecendo, ou seja, a expectativa de vida aumentou e vamos viver mais. O Brasil está envelhecendo e estudos apontam que em 2030 o total de idosos será similar ao de jovens no país.

Portanto, já convivemos com uma população mais velha e consequentemente, as mulheres viverão mais tempo após a menopausa. São mulheres ativas, que trabalham, namoram, têm família. Temos que considerar todos os aspectos relacionados a saúde, auto estima, aparência, qualidade de vida e prazer sexual. Não estamos habituados a pensar nessa última questão, pois ainda há preconceito e vergonha e até mesmo com o ginecologista, a mulher não comenta assuntos relacionados ao sexo. Mas esse tema tem vindo à tona à medida que a população envelhece mais.

Percebe-se atualmente que a mulher, principalmente após a menopausa, têm inúmeros problemas; não somente a sensação de calor, mais também uma tendência maior à osteoporose, risco de problemas cardiovasculares e o ressecamento vaginal, que atinge praticamente 100% das mulheres. Mesmo que a mulher não sinta calor ou todos os sintomas associados à menopausa, o ressecamento vaginal, dores na relação sexual e incontinência urinária causam grande constrangimento e afastamento do parceiro.

Pensando nisso, é importante saber que existem tratamentos e alternativas, como a reposição hormonal; porém, nem todas as mulheres podem usá-la. Há também, a utilização de lasers para tratamento da síndrome urogenital, que contribuem muito para a saúde íntima da mulher.

Um dos lasers para o tratamento genital é o que une as duas tecnologias: Erbium Yag + Nd-Yag. A ponteira Erbium Yag é aplicada na mucosa dentro da vagina em um procedimento simples e praticamente indolor, realizado no consultório médico. São necessárias de 2 a 3 sessões com intervalos de 30 a 40 dias, e não há contra indicações ou restrições, a não ser evitar o contato sexual por cerca de 3 dias após a realização do procedimento. Outro benefício do laser é que as atividades do dia a dia não precisam ser interrompidas.

Como funciona o laser vaginal? Ele emite um calor que atrai a água, que é a especificidade da tecnologia Erbium Yag com comprimento de onda de 2940.  O calor emitido na região vaginal melhora o ressecamento e diminui os sintomas da incontinência urinária.

É uma alternativa muito interessante e mulheres com câncer de mama, que não podem fazer a reposição hormonal, podem facilmente melhorar com esse recurso do laser.

Na verdade, estamos em uma nova era em que a mulher deve pensar não somente em tratar os problemas relacionados a fase pós menopausa, mas em prevenir e evitar sintomas que pioram sua qualidade de vida.

Queda de Cabelo

Nos últimos anos, há um foco cada vez maior nos problemas relacionados a queda de cabelo.

Quando participei, em 1996, de um estudo multicêntrico para avaliar a eficácia da finasterida 1mg/dia para a calvície masculina, poucos os dermatologistas se interessaram por este tema. No entanto, nos últimos 10 anos, incentivado pelos avanços científicos e tecnológicos, esse cenário mudou drasticamente para melhor.

A queda de cabelo é uma preocupação constante para as pessoas, porém para as mulheres adultas traz consequências como baixa autoestima, ansiedade e depressão bem mais altas do que em outras doenças dermatológicas.

Quantos fios podem cair num dia? Quando devo me preocupar? Estas perguntas são difíceis, pois a quantidade é relativa e pode variar muito, entre 40 a 100 fios por dia. O mais importante não é o número exato de fios que caem, mas sim se há um aumento perceptível em relação a quantidade anterior. Porém, pior do que a queda é o afinamento do fio, que pode significar um diagnóstico de calvície, principalmente quando esse afinamento ocorrer na parte superior frontal do couro cabeludo. Portanto, havendo percepção de muita queda de cabelo e/ou afinamento, é importante procurar o especialista.

Hoje, devido ao maior conhecimento em relação ao funcionamento do folículo e também da genética e fisiologia envolvidos com suas respostas, podemos agir de forma mais abrangente. Exames de sangue, avaliando sobre as funções da tireoide, além de pesquisar anemia, fatores inflamatórios e distúrbios hormonais da adrenal ou ovário; também é interessante checar o nível de ferritina, vitamina D, vitamina B e zinco.

O exame local, com um programa de dermatoscopia, chamado trichoscan, ajuda para sabermos a contagem dos fios na fase de crescimento, repouso e também de fios que afinam muito e são miniaturizados. Descamação, coceira, ardência e dor no couro cabeludo, devem ser considerados na abordagem terapêutica. O tratamento específico da queda de cabelo, sempre dependerá da causa envolvida. Muitas vezes será necessário tratar alterações da tireoide ou aquelas do ovário policístico.

No meeting da Academia Americana de Dermatologia, realizado no início de março, foram citados vários tratamentos para a queda de cabelo, sempre frisando a importância de conhecer a causa e também de encarar a multiplicidade de fatores envolvidos com a mesma.

O uso de vitaminas, fitoterápicos, aminoácidos sempre são interessantes na composição destes tratamentos. Zinco, vitamina b12, biotina, cisteína, são algumas das substâncias interessantes. A finasterida e o minoxidil continuam sendo interessantes para tratar a queda de cabelo.

A grande vedete foi o Plasma Rico em Plaquetas, que consiste em retirar sangue do paciente, separar a fração, que é rica em plaquetas para aplicá-la no couro cabeludo. Esse concentrado de plaquetas tem muitos fatores de crescimento naturais que são capazes de estimular o crescimento do folículo piloso.

Variantes desse procedimento são realizadas em nosso meio com boa perspectiva de melhora.

Novidades do Congresso Internacional da Academia Americana de Dermatologia – 3 a 7 de março/2017 – MELASMA

Com relação ao melasma, um tema bastante complexo e sempre citado na Academia Americana, falou-se muito sobre a etiopatogênese que aborda suas causas e sua origem. A causa do melasma não está totalmente definida, mas com certeza há várias influências, desde a radiação ultravioleta, uma das principais e já bastante conhecida, até a questão dos hormônios e também,  outras causas mais recentes, como o excesso de vascularização.

Hoje o melasma tem sido considerado também como uma doença vascular, onde os vasos estão dilatados nessa região e há expressão bastante forte de alguns fatores de crescimento relacionados a parte vascular.

Além disso, começa a se dar muita importância à barreira cutânea do melasma, o que significa que essa barreira não pode ser rompida – ela está relacionada a todo tipo de mecanismo que influencia na manutenção das condições da pele. Então, se a pele está desidratada, a barreira fica prejudicada; se a pele está machucada; se esfria muito; se esquenta muito; todas essas situações podem prejudicar o equilíbrio dessa barreira e provocar uma inflamação na pele. Assim, há muita discussão atualmente em relação ao melasma e por isso, cada vez menos se fala de usar produtos muito agressivos que possam provocar irritação.

Outra abordagem falada novamente sobre o melasma, é o uso do ácido tranexâmico, uma substância que inibe a plasmina, que está envolvida no estímulo de melanogênese. Dessa forma, quando usamos uma substância que inibe a plasmina, inibimos estímulos negativos que podem gerar maior produção de melanina.

Falou-se também, a respeito de usar laser para vasos, tecnologia Dye laser, ao invés de só usar laser para combater a pigmentação. Os lasers para vasos eliminariam os vasos dilatados e excessivos e poderiam contribuir muito para a manutenção do melasma.

Em relação ao laser Q-switched ND-YAG, o mais indicado para tratar o melasma, realmente se demonstrou que além de quebrar o pigmento, ele também consegue inibir o melanócito. Se pensarmos no melanócito como uma célula parecida com um polvo com prolongamentos tipo tentáculos, cheio de braços, é como se esse laser conseguisse encolher esses bracinhos. O tratamento com a associação dos dois tipos de lasers também é interessante e deve ser avaliado.

Logicamente nem estou falando da proteção solar que é a premissa fundamental para proteção do melasma. Lembrar também que quando falo de ácido tranexâmico, o principal uso é via oral, com dose de 250 miligramas 3 x ao dia.

HIPERIDROSE

O suor é um liquido produzido pelas glândulas sudoríparas da pele para manter a temperatura do corpo. Nossa temperatura deve ficar entre 36 e 42 graus Celsius, sendo que a transpiração regula essa manutenção.

A quantidade de suor produzida por uma pessoa varia segundo a idade, sexo, raça e local de moradia. Os estímulos que influenciam as glândulas sudoríparas são: calor externo, exercício físico, vários tipos de doenças e alterações emocionais. Podemos afirmar também que não existe relação direta do aumento da transpiração com a ingestão de certos tipos de alimentos, embora, algumas vezes, o odor da pessoa possa ser modificado e ela fique com cheiro da substância ingerida que, depois, passa a ser eliminado pelo suor. Isso ocorre também quando a pessoa está tomando algum medicamento que pode facilitar o excesso de transpiração.

Um aspecto interessante e que deve ser lembrado é que o suor propriamente dito, eliminado da glândula sudorípara, não apresenta nenhum odor. Mas, à medida que ele permanece na pele, há um crescimento de bactérias provocando um cheiro desagradável. Na verdade existe um paralelo, quanto maior a quantidade de suor, mais intenso será o odor, porque as bactérias vão crescer com mais facilidade e intensidade.

Eventualmente, há uma disfunção desses mecanismos e teremos então a hiperidrose. Ela ocorre em cerca de 1% da população, trazendo importante desconforto a essas pessoas do ponto de vista social. O individuo tende a se retrair, pois se constrange ao contato físico com as pessoas, e um simples aperto de mão torna-se um problema.

O aumento excessivo do suor (hiperidrose) atrapalha a autoestima e até diminui a vida social da pessoa. A sudorese excessiva pode ocorrer nas axilas, deixando a roupa manchada, com cheiro mais forte, ou pode acontecer nos pés ou nas mãos. Neste último caso, as mãos ficam constantemente molhadas, dificultando a realização de determinados tipos de trabalho, como escrever, digitar, etc.

A hiperidrose pode ocorrer como consequência do hipertireoidismo, de distúrbios psiquiátricos, de menopausa ou da obesidade. O inicio dos sintomas pode ocorrer na infância, na adolescência ou somente na idade adulta, por razões desconhecidas. Eventualmente, podemos encontrar histórico familiar. Mas em geral, não há doenças associadas à hiperidrose, e ela está ligada a uma tendência pessoal ou a uma situação de estresse com muita ansiedade.

Contudo, os casos de hiperidrose nas axilas, por exemplo, podem ser revertidos com uma cirurgia específica que consiste num corte na pele e a retirada de uma quantidade de glândulas. Trata-se de uma cirurgia relativamente simples, feita pelos dermatologistas. O resultado é bastante satisfatório com uma significativa diminuição da sudorese.

Outra opção de tratamento para hiperidrose é o uso da toxina botulínica que bloqueia a ação da acetilcolina, necessária para a sudorese. Ela é aplicada com agulha ponto a ponto, em toda região das mãos e dos pés, e se for o caso, nas axilas. Com o bloqueio a acetilcolina há uma suspensão de cerca de 80% da sudorese nos locais onde a toxina é aplicada, sem causar efeitos colaterais, uma vez que a pessoa continua suando no restante do corpo. Na realidade, o tratamento inibe o excesso de suor que prejudica a pessoa e tem duração de em média de 8 meses.

O mais importante é procurar o serviço especializado, que possa diagnosticar cada caso e escolher o melhor tratamento.

OLHEIRAS

As olheiras representam alterações de relevo e cor que ocorrem na área abaixo dos olhos. A verdadeira ou única causa desta alteração não existe, pois trata-se de uma combinação de fatores, que acabam provocando as olheiras propriamente ditas. Vale lembrar que elas são muito perturbadoras em relação a qualidade de vida, sendo que, para escondê-las, vale tudo, desde óculos escuros, até vários tipos de maquiagem corretiva.

Existem muitos tipos de olheiras e, portanto, o diagnóstico e a especificação são cruciais para escolher o melhor tratamento. A seguir vamos enumerar essas variações para entender a escolha terapêutica.

Olheira por pigmentação vascular, geralmente ocorre em pessoas jovens com pele fina, que por transparência permite a visualização dos vasos, deixando a área bem escurecida. Esse tipo de olheira ocorre com frequência em certos povos, como árabe e mediterrâneo. Neste tipo de olheira, usamos alguns lasers que destroem os vasos. São necessárias de 3 a 6 sessões, com intervalo quinzenal e o resultado final ocorrerá somente após 3 a 4 meses. A olheira em pessoas jovens também pode ocorrer devido a conformação da face, que apresenta o olho afundado, repercutindo sombras escurecidas. Neste caso, o tratamento é feito com preenchedor para diminuir esse degrau e melhorar a aparência da olheira. O ácido hialurônico, com menos viscosidade, é usado em pequenas quantidades e a duração é de cerca de 2 anos. O procedimento é feito com anestesia local e uso de cânula, que evita o aparecimento de hematomas.

Outro tipo de olheira muito frequente é aquele que combina alteração de cor, tanto do pigmento melanina, como pigmento vascular, com flacidez. Nesse caso usamos peelings e também a radiofrequência microagulhada. O peeling pode ser médio (ácido tricloroacético)  ou profundo (fenol) e irá provocar descamação com clareamento e tonificação da pele. O peeling médio e profundo é feito 1 ou 2 vezes e a recuperação da pele demora cerca de 10 dias. A radiofrequência microagulhada, é um aparelho que emite uma onda de calor associada à puntura das microagulhas. Trata-se de uma ponteira, que quando entra em contato com a pele fura e ao mesmo tempo emite calor. Esse “furo” das agulhas é microscópico, sendo que a pele fica edemaciada e vermelha por 4 a 5 dias.

Existem pessoas com olheiras que apresentam bolsas de gordura, escurecimento e flacidez. Nesses casos, além da radiofrequência e do laser para os vasos, também podemos utilizar o ultrassom microfocado. Este aparelho emite ondas de calor que atingem a profundidade da pele, melhorando a flacidez e diminuindo o excesso de gordura.

Os cremes para o tratamento das olheiras não conseguem eliminá-las, mas sim, melhorar a qualidade da pele e também promover um grau de clareamento. São usadas vitamina K, C, E, ácido tranexâmico, ácido tioglicólico, além de hidratantes e corretivos.

A olheira é um grande desafio para o médico e o paciente.

Como lição final deste texto, lembrar da importância do diagnóstico do tipo de olheira, pois este vai definir o melhor tratamento possível para cada caso.

Melasma: O que há de novo

O diagnóstico do melasma é feito clinicamente, onde observamos manchas acastanhadas escurecidas, que ocorrem principalmente no rosto de mulheres jovens. Não é uma doença grave nem contagiosa, mas perturba a autoestima e compromete a vida social das mulheres acometidas.

Recentes trabalhos científicos demonstram que o aparecimento da mancha não está relacionado somente ao melanócito, que é a célula produtora do pigmento, denominada melanina. Hoje, já se sabe que no melasma também estão envolvidas várias outras células, como o queratinócito, o fibroblasto e o mastócito. Outra descoberta muito recente é de que os vasos sanguíneos também são responsáveis pelo aparecimento e manutenção do melasma. Mais uma novidade interessante é que o melasma também tem a ver com o fotoenvelhecimento da pele. Além de tudo isso, vários fatores internos e externos também estão implicados no aparecimento do melasma, como sol, calor, hormônios, estresse, medicações, traumas, entre outros.  Com tudo isso é possível entender porque o melasma é tão difícil de tratar e controlar.

No IMCAS – International Master Course on Aging Science 2017, houve algumas aulas muito interessantes sobre essa mancha que podem contribuir para um tratamento mais efetivo.

Algumas dessas novidades são:

O filtro solar deve, obrigatoriamente, ter proteção para UVA + UVB, ser uma combinação de filtro físico e químico com fator de proteção solar (FPS), maior que 50. Ele deve ser colorido como uma base, pois somente o pigmento protege da luz visível que é emitida pelo telefone celular, lâmpadas e computador.

O tratamento para o melasma deve incluir remédios por via oral e também cremes clareadores. m relação aos tratamentos via oral, estão sendo citadas substâncias diferenciadas como ácido tranexâmico e a glutadiona.

É importante frisar que o ácido tranexâmico, por via oral, é um remédio of-label, que precisa ser receitado pelo médico, que fará exames de sangue para saber da possibilidade de usar essa substância.O ácido tranexâmico em doses de 500 a 750mg por dia mostrou bons resultados no controle da doença. Seu mecanismo de ação é bloquear os vários estímulos negativos que provocam o melasma, como radiação ultravioleta, estresse oxidativo, alterações hormonais, aumento dos vasos sanguíneos.

A glutadiona é outra medicação inovadora que precisa ser indicada pelo médico, pois também tem contraindicações específicas. O potencial de ação dessa substância está relacionado a ação anti-inflamatória e antioxidante.

Também embasado em trabalhos científicos, se observou que é necessário tratar os vasos que estão aumentados. Sendo assim, hoje utilizam-se lasers com comprimento de onda para agredir a hemoglobina. Sendo assim, podem ser usados o Dye laser, a Luz Pulsada e o Nd Yag, todos que destroem vasos mais superficiais. Esse tipo de tratamento evita que haja a manutenção da inflamação, que é sempre constante no melasma.

Para o tratamento do melasma também são utilizados lasers para a mancha, e nesse caso, o laser tem que ser especial, liberando pouca energia e com pulso muito rápido. Esse tipo de laser é chamado Nd Yag Q-Switched, sendo necessárias várias sessões, já que a energia é baixa e pontual. Também pode ser utilizado o microagulhametno e/ou microinfusão de medicamento. Nesse caso, o procedimento é uma picadura na pele, com ou sem medicação. Essa técnica é inovadora e são usadas várias combinações de tratamento como: vitamina C, niacinamida, glucosamina, entre outras.

A última dica é que a pele do melasma deve estar sempre bem hidratada e calma, pois, pele vermelha e descamativa induzem a maior produção do pigmento melanina.

O estresse deve ser controlado e o filtro repassado a cada 2horas. 

HERPES – O que você precisa saber sobre esse mal

O herpes é um dos problemas de pele causado por vírus e, justamente por isso, no momento de atividade da doença, é altamente contagioso.

Basicamente existem dois tipos de herpes – o herpes simples tipo 1 e 2 e o herpes zoster. No primeiro caso, ou seja, o do tipo 1 e 2, a doença apresenta as mesmas características e o único diferencial é a área do corpo atingida. O herpes tipo 1 aparece principalmente na boca, mas pode também se localizar em qualquer outra região. Já no caso do herpes tipo 2, atinge somente a área genital, podendo aparecer em homens e mulheres.

É importante destacar que em se tratando de herpes tipo 1 e 2, a lesão configura-se como um grupo de vesículas – bolhinhas, com uma base avermelhada, que provoca ardor e dor. Na fase final do surto surge uma casquinha, parecendo um machucado.

Outro fato que deve ser mencionado nesse tipo de herpes é que, normalmente, ele é precedido por uma estomatite – tipo 1 – ou vulvite – tipo 2, causando muito mal estar e apresentando um quadro doloroso para a pessoa.

Convém lembrar que, com relação ao herpes tipo 1 e 2, o primeiro contato da pessoa com o vírus provoca uma grande inflamação. Quando essa primeira vez ocorre em criança, o herpes tipo 1 pode comprometer toda a parte interna da boca.

O mesmo pode acontecer no caso do herpes tipo 2 que, na sua primeira manifestação, pode causar uma grande inflamação tanto no homem (região peri-anal ou glande), como na mulher (grandes lábios, vulva ou região da vagina).

Outra característica desse tipo de herpes é que, após a primeira vez, ele pode voltar a se manifestar, principalmente se a pessoa estiver com baixa resistência.

Contudo, o alento para as pessoas que venham a contrair o herpes simples é que, ao surgir e por se tratar de um vírus, ele terá um tempo de permanência no organismo e mesmo se a pessoa não fizer nenhum tratamento, no período de 7 a 10 dias, no máximo, já estará curada, sem nenhuma sequela do surto.

Herpes x tratamento

Com relação à cura, conforme já mencionado, o herpes tipo 1 e 2 podem ficar encubados no organismo, após a pessoa ter sido infectada uma primeira vez. Ou seja, ele pode voltar a se manifestar a qualquer momento, desde que a pessoa esteja debilitada. Portanto, embora o surto tenha um tempo de permanência no organismo, até os dias de hoje, não há cura definitiva.

E, mesmo sem cura definitiva, é possível que algumas pessoas possam vir a manifestar a doença uma única vez na vida. Ou seja, trata-se de uma questão individual, e mesmo aqueles que só tiveram um surto de herpes tipo 1 e 2 não estão isentos de desenvolver a doença novamente.

Então, o que deve ser controlado é a queda de resistência da pessoa, para que não haja recidivas. Por exemplo, para evitar o herpes labial, a pessoa deverá evitar o sol excessivo e usar um protetor solar nos lábios para protegê-los.

No caso de uma gripe forte, quando normalmente o organismo já está debilitado, a pessoa deve se cuidar bastante e evitar fatores como o estresse.

O tratamento para esse tipo de herpes é feito à base de anti virais potentes, por via oral, e além disso há utilização de antibióticos locais para aliviar os sintomas mais rapidamente.

E, como medida geral, existe um aminoácido chamado lisina, que pode ser usado em doses altas para prevenir o aparecimento das recidivas. Esse aminoácido impediria, em algum momento, uma fase do metabolismo do vírus.

Há ainda a possibilidade de diminuir as recidivas com determinados tipos de lasers, que ajudam na cicatrização e diminuem o tempo de duração do surto.

Porém, vale ressaltar que todos esses tratamentos não eliminam o vírus, mas fazem com que melhore uma situação local com a redução do tempo de inflamação.

HANSENÍASE

A hanseníase também chamada de lepra, não está tão distante como podíamos imaginar. Somos o pior país no controle de número de casos novos, mostrando que não temos eficácia nos programas ora implantados.

A hanseníase é causada por um bacilo, evoluindo de forma lenta e progressiva. Algumas pessoas, mesmo tendo contato, podem ser resistentes e outras, mesmo que incorporem o bacilo, podem eliminá-lo sem desenvolver a doença. O mais importante é que a primeira manifestação, pode ser uma mancha esbranquiçada ou mesmo quase da cor da pele. O principal sintoma dessa mancha é a anestesia, por isso, áreas anestesiadas da pele e mesmo sensações estranhas na sensibilidade da pele, devem ser valorizadas. Estas manchas pouco evidentes e com sensação de anestesia ou parestesia, são a forma inicial da hanseníase. O ideal seria tratar neste momento, evitando sua evolução. No entanto, muitas e muitas vezes essa mancha passa desapercebida e a doença pode evoluir para graus mais intensos e/ou mais comprometedores. No caso da evolução, ela pode se desenvolver para as seguintes situações:

Polo tuberculoide – a pessoa tem muita resistência ao bacilo, e portanto, reage contra o mesmo. Neste caso, podem ocorrer lesões unitárias poucas, bem demarcadas e também já pode haver comprometimento neural (o bacilo tem atração pelos nervos superficiais). Neste caso há dor e inflamação, podendo levar a mão ou pé caídos.

Polo virchowiano – onde há pouquíssima resistência e muito bacilo e disseminação, aparecendo caroços e manchas no corpo todo, anestesia mais generalizada e queda de sobrancelha. A pessoa também pode ficar infiltrada, parecendo muito inchada. As extremidades, como lóbulo da orelha e cotovelos podem ter caroços de cor azulada.

É crucial entender que essa doença é infecciosa e lenta, mas que tem controle e cura. Qualquer sinal suspeito deve ser visto por especialistas para que o diagnóstico seja o mais precoce possível.

O tratamento é feito pela saúde pública (em postos de saúde da prefeitura) e há necessidade de notificação compulsória.

Converse com seu dermatologista, deixe o preconceito de lado e procure tratamento. O tratamento, chamado poli químico terapia é oferecido gratuitamente.

Para o polo tuberculoide o tratamento em geral é de 6 meses a 1 ano e para o polo virchowiano é de 1,6 meses a dois anos.

O paciente de hanseníase não deve ser estigmatizado, sendo obrigação moral dos trabalhadores da área de saúde acolhe-lo e ajudar no esclarecimento sobre o contágio e a doença.

O último domingo de janeiro foi instituído para combate e prevenção da doença.

Verão e mosquitos

Estamos num país tropical que é muito ensolarado, quente e úmido, além de possuir uma grande variedade de mosquitos e insetos. No verão, época de férias escolares e viagens, é muito importante alguns cuidados em relação as picadas de pernilongos e insetos. Todos nós sabemos que alguns deles transmitem doenças graves, como Dengue, Zika, Chikungunya e Febre Amarela.

O Aedes Aegypti é o inseto mais perigoso e resistente. Ele é aquele mosquito listrado de branco e preto, espalhado em todo o Brasil. É interessante frisar que esse mosquito está mais presente no começo da manhã e final da tarde, momentos onde devemos ter a maior proteção.

Hoje a proteção em relação a esses mosquitos é feita com repelentes de uso local. O repelente é uma formulação que contém alguma substância agressiva em relação ao mosquito. Apesar de proteger em relação a picada, ele não pode ser repetido inúmeras vezes, pois tem algum grau de toxicidade, principalmente para as crianças e grávidas. Sendo assim, devemos contar com outros métodos protetores, como:

1- Fechar as janelas com telas de proteção nos horários mais críticos e usar mosqueteiros nos berços de crianças pequenas.

2-Usar roupas com trama de tecido bem fechada, que ajudam na proteção.

3-Usar obrigatoriamente, quando fizer passeios na mata ou trilhas, calças compridas leves e blusas com mangas compridas, além de meias, sapatos ou tênis.

4-Utilizar o ar-condicionado, sempre que possível, pois temperaturas mais baixas diminuem a quantidade de mosquitos e insetos.

Existem alguns tipos de repelentes, porém o mais utilizado é aquele com Icaridina 20 a 25% e com duração de 4 a 10 horas. É importante a leitura atenta do rótulo do produto, que deve ser bem espalhado nas áreas expostas e em quantidade que seja suficiente para cobrir a pele de forma homogênea. Não adianta passar o repelente e se cobrir ou colocar roupa por cima. O repelente não deve ser passado infinitas vezes; primeiro porque tem duração prolongada e segundo, porque tem algum grau de toxicidade.

Nos locais ensolarados, o filtro solar precisa ser utilizado sempre antes do repelente. As roupas usadas nas férias e em todas essas situações devem ser folgadas e de preferência claras. Evitar perfumes de qualquer tipo porque esses atraem os insetos. Os repelentes podem irritar a área dos olhos e não devem ser ingeridos. Os pais não devem deixar o produto ao alcance das crianças e as mesmas não devem usar os repelentes sozinhas, mas sim com o auxílio de um adulto.

Não esquecer desses cuidados para evitar o contágio de doenças graves que podem ter consequências irreparáveis.

DOENÇAS DE VERÃO

O verão é um período onde as pessoas têm mais lazer e tomam mais sol. Para que não haja problemas, principalmente nas férias, e também  para que o período seja seguro e com muito divertimento, valem algumas dicas. 

MICOSES – As micoses são doenças superficiais da pele, causadas por fungos e leveduras. Estes fungos crescem com facilidade no calor e umidade – são muito ativos no verão. Há inúmeros tipos de micoses que comprometem as pessoas em quase todas as idades.

A micose pode ocorrer no couro cabeludo, pele do corpo, mãos, pés e também nas unhas. A micose mais comum do verão é aquela chamada pitiríase versicolor. Trata-se de manchas brancas, arredondadas com discreta descamação que aparecem principalmente no pescoço, braços e costas. Ela não arde e não coça, mas deixa um aspecto inestético e constrangedor. As manchas brancas podem espalhar pelo corpo todo e estas áreas não ficam bronzeadas. O tratamento é feito com cremes antifúngicos tópicos ou orais. Deve-se utilizar xampus adequados, pois o fungo também fica no couro cabeludo.

Os cuidados importantes são:

     – não permanecer com roupa úmidas por um longo tempo

     – secar bem toda a pele, principalmente as dobras, deixando-as bem arejadas

Fazer o tratamento correto até a cura, pois é fácil o fungo crescer novamente. Após o tratamento, as manchas brancas precisam ser estimuladas pelo sol.  

Outras micoses comuns são aquelas causadas pelos fungos chamados DERMATÓFITOS que comprometem a pele e também os pés, e nos homens a virilha.

Neste caso, ocorrem placas vermelhas redondas, com bordas elevadas e descamação ou crostas. As lesões coçam e aumentam com facilidade. Na virilha pode haver lesões bem avermelhadas com verdadeiras bordas elevadas e geográficas e também maceração e aspecto de assadura. Nos pés pode ocorrer até bolhas que coçam muito e descamam.

As FRIEIRAS entre os dedos do pé também são comuns e contaminam os espaços comunitários.

As micoses são muito contagiosas e este é um motivo pelo qual deve haver o exame médico prévio, antes de frequentar as piscinas.

Os cuidados são os mesmos, secando muito bem tanto a virilha, como a área entre os dedos dos pés. O tratamento deve ser indicado pelo médico. A lesão dura cerca de 10 dias, deixando a área vermelha e manchada. Evite a auto medicação.

Os corticoides melhoram o quadro mas mascaram o crescimento dos fungos. Além disso, há também o perigo de aparecerem estrias com o uso indiscriminado do corticoide, principalmente nas dobras.