Cabelo também envelhece

Com o passar do tempo envelhecemos, inexoravelmente, através de dois caminhos, o chamado envelhecimento cronológico, pela idade e também o envelhecimento pelo sol, o fotoenvelhecimento.

Mas será que o cabelo também envelhece? Afinal ele faz ciclos constantes e então nasce, cresce, morre e começa tudo de novo e também sabemos que após a morte ele pode ficar muito tempo com a mesma aparência.

Apesar dessas considerações, os trabalhos mais atuais demonstram que o cabelo envelhece. Hoje está sendo conceituada a Alopecia Senescente, onde o cabelo apresenta alterações como: afinamento, rarefação e cabelo branco.

Nós estamos acostumados a tratar e prevenir o envelhecimento do corpo e da pele, mas nem imaginamos quais seriam os fatores antienvelhecimento para o cabelo. As pesquisas têm mostrado que assim como a pele, a oxidação é responsável pelo envelhecimento e embranquecimento do cabelo. Oxidação é o processo de formação de radicais livres que podem acumular e agredir as estruturas e células do cabelo.

Com o passar do tempo, vamos sendo agredidos pelo sol, pelo fumo, por poluentes, entre outros. Sendo assim, a oxidação tende a aumentar. Porém, com a idade nosso sistema de defesa tende a ficar menos competente e não consegue mais neutralizar as agressões com nosso sistema natural antioxidante. Então o circuito fecha. Mais oxidação e menos capacidade de neutralização e, sendo assim, o cabelo vai diminuindo, ficando branco, afinando, ou seja, envelhecendo.

A alopecia senescente, é caracterizada hoje como uma entidade onde ocorre afinamento do fio sem influência hormonal, em pessoas com mais de 60 anos. Ela é confundida com a calvície, principalmente nas mulheres. No caso, a calvície tem a influência genética e hormonal. Muitas vezes ocorre a associação de calvície e alopecia do envelhecimento, promovendo baixa autoestima nas mulheres pós menopausa.

Os fatores principais que levam ao envelhecimento capilar são: radiação ultravioleta, fumo ativo e passivo, poluentes, químicas capilares, algumas medicações, deficiências nutricionais e também o estresse.

Outro fator agravante para as mulheres é a perda do estrógeno na época da menopausa. O estrógeno é um hormônio positivo e estimulante para o cabelo e sua ausência também favorece o afinamento e embranquecimento do fio. E aí outro problema, uma vez que o cabelo está mais frágil, numa época em que a pessoa faz mais procedimentos químicos.

Trabalhos científicos recentes observam associação positiva entre fumo e cabelo branco. O mecanismo de ação está relacionado ao aumento da oxidação. Em vista destes novos conhecimentos é importante certas ações e tratamentos que ajudam a prevenir o envelhecimento capilar.

Os cuidados diários devem ocorrer escolhendo um pente adequado, evitando o secador e chapinha de maneira exagerada e com temperaturas muito altas. O xampu deve ter o pH mais ácido, parecido com o do cabelo, que é de 3,5 e o surfactante que é o ativo de limpeza, precisa ser mais suave. O condicionador é importante, assim como as máscaras de reparação e hidratação. Esses produtos além de melhorar a qualidade da cutícula e ajudar na penteabilidade do cabelo, também podem ter substâncias antioxidantes como vitaminas. As tinturas permanentes e os processos de alisamento devem ser evitados dentro do possível. Escolher tinturas não permanentes, que são menos agressivas e também com ativos a base de óleos, em vez de amônia. Dos procedimentos em geral, a descoloração ou as luzes são as mais agressivas do que o tingimento sem descoloração.

Uso constante de máscaras hidratantes e reparadoras e o filtro solar nos cabelos é fundamental para evitar o envelhecimento dos fios. Também é apontado que complexos vitamínicos, como metionina e cisteína, além do complexo B podem ajudar na prevenção do envelhecimento capilar, inclusive o cabelo branco.

Alguns trabalhos demonstram que o uso do PABA em doses de 300mg/dia podem escurecer o cabelo enquanto a medicação for mantida. No entanto, essa dose é bastante alta, promovendo efeitos colaterais como sintomas gastrointestinais e alergia. A melatonina sistêmica e tópica também demonstrou ter efeitos positivos na qualidade do fio e em evitar o envelhecimento.

Nunca esquecer a autoestima e a qualidade de vida, onde estão envolvidos boa alimentação, qualidade do sono, lazer e tranquilidade. A história demonstrou que personagens famosos, como Maria Antonieta e Thomas More, ficaram repentinamente, de um dia para o outro, com os cabelos brancos, após saberem que seriam executados. Vamos então lembrar que o envelhecimento ainda é inevitável, mas como a expectativa de vida aumentou muito, podemos prevenir e evitar o desgaste precoce e ajudar o organismo a manter a qualidade dos órgãos, garantindo um envelhecimento saudável e gratificante.

ESTRIAS

As estrias são cicatrizes que causam danos profundos nas mulheres por comprometer a estética e a autoestima.

Além da mudança de cor, são descritas como áreas atróficas com depressão ou elevação do tecido comprometido. No início são rosadas, depois purpúricas e finalmente, após meses ou anos, tornam-se brancas e atróficas.

Ocorrem em pes­soas obesas, na gravidez, associadas ao rápido ganho ou perda de peso, síndrome de Cushing e em terapias prolongadas ou aplicação tópica de corticosteróides. Locali­zam-se preferencialmente nas coxas, nádegas, peito, região lombar e abdômen. Incidem de 5% a 35% da população, sendo que atinge as mu­lheres cerca de 2,5 vezes mais que os homens.

As estrias representam o estiramento e a ruptu­ra das ligações cruzadas das fibras de colágeno e elastina. Estas rupturas resultam ocasionalmente em anormalidade clínica na forma de estria.

Tanto na puberdade quanto na gravidez, as estrias surgem nas áreas de maior modificação do corpo da mulher, como seios, nádegas e coxas. É interessante a grávida ter cuidados apropriados neste período e saber que existem procedimentos específicos que podem melhorar a aparência da estria.

Tratamento das estrias:

O tratamento depende do tipo, da quantidade e da localização das estrias. Além disso, a cor e a espessura da pele, assim como o perfil psicológico da paciente, devem ser analisados.

Quando a estria ainda é vermelha e inicial podem ser usados o laser ou a luz pulsada. Os peelings com ácido retinoico, ácido glicólico ou ácido tricloroacético melhoram as estrias brancas e superficiais. A dermoabrasão é um peeling mecânico, que utiliza uma lixa de diamante na região afetada. Geralmente, tanto os peelings químicos quanto o mecânico (dermoabrasão) são feitos associados a outro tipo de tratamento.

A microdermoabrasão é um procedimento em que partículas calcárias são emitidas na superfície cutânea. Elas estimulam o tecido de forma mecânica e segura. Este procedimento é feito uma vez por semana por cerca de 10 semanas e melhora a cor e a aparência das estrias.

A subcisão é um procedimento que tem como objetivo estimular o processo de produção de fibras da pele. Consiste em anestesiar o local com xilocaína 2% e em seguida introduzir uma agulha especial na pele e na região derme/hipoderme, fazer movimentos de vai e vem que estimulem o local e acentuem o mecanismo de regeneração do tecido, pra haver maior produção de fibras. O resultado final será visto dois a três meses depois. A subcisão não deve ser repetida em períodos menores do que dois meses no mesmo local, porque ainda não seria possível avaliar os resultados. A formação de hematoma é importante, pois tem relação com a agressão que foi feita a pele. Devem ser tomados cuidados locais com as roupas, traumas e higiene para que não haja infecção local.

Hoje também está em voga, o tratamento das estrias com microagulhamento, radiofrequência microagulhada e micro infusão de medicamentos na pele (MMP).

No caso do microagulhamento, se utiliza um “roller” – aparelho com agulhas entre 0,5 e 2,5mm que vão perfurar a pele. Este mecanismo estimula o colágeno, além de promover a ação dos fatores de crescimento pelo sangue. A radiofrequência utiliza energia e microagulhas para estimular o local. A MMP usa um sistema de agulhas similar ao que leva um aparelho de tatuagens. A MMP além de estimular o local com as agulhas, também requisita fatores de crescimento via orvalho sangrante e soma a ação do medicamento contra as estrias.

Os tratamentos como subcisão, microdermoabrasão, microagulhamento, radiofrequência e peelings não devem ser realizados no período de gestação.

É importante ter em mente que a melhor forma ainda é prevenir as estrias com alguns cuidados básicos, como hidratar, massagear a pele e cuidar do peso.

Toxina Botulínica no tratamento da depressão

A toxina botulínica é muito conhecida desde 1992, quando houve a publicação de estudos interessantes sobre sua ação nas rugas de expressão.

Tudo começou quando o casal Carruthers, ela oftalmologista e ele dermatologista, notaram que os tratamentos feitos para blefaroespasma (contrações involuntárias na área dos olhos) também melhoravam as rugas de envelhecimento. Desde então, milhares de pessoas já foram tratadas, melhorando a estética facial.

Hoje a toxina botulínica é conhecida e respeitada como um dos melhores tratamentos para melhoria dos aspectos do envelhecimento cutâneo. É considerada muito segura e eficaz, e existem centenas de milhares de tratamentos comprovando sua eficácia e segurança.

A aplicação é feita nos músculos que provocam as rugas, como frontal, corrugador e orbicular do olho. A toxina botulínica também é utilizada para algumas alterações como hiperidrose, excesso de suor e desidrose, que é um tipo de eczema que compromete as mãos e pés com muita inflamação e coceira. Também há trabalhos demonstrando sua ação no avermelhamento da rosácea e na melhoria de cicatrizes hipertróficas. Lembramos que seu uso nas doenças musculares, fazendo com que ocorra o relaxamento desses músculos. É usada em paralisia cerebral e várias distonias, levando a um conforto muito grande e na melhoria da qualidade de vida dos pacientes.

Nos últimos anos vem sendo observada uma nova ação: TOXINA BOTULÍNICA NA MELHORIA DOS TRANSTORNOS DEPRESSIVOS. Efeitos positivos no humor foram observados em pacientes que tratavam as rugas da glabela com toxina botulínica.

Um estudo com 30 pacientes em 2012, tratando 15 pacientes com a toxina botulínica e 15 pacientes com placebo, mostrou que um simples tratamento da região glabelar com toxina botulínica, foi suficiente para aliviar os sintomas de pacientes deprimidos que não respondiam ao tratamento convencional. Várias hipóteses vêm sendo propostas para esse tipo de efeito:

  • A toxina botulínica, por melhorar os efeitos estéticos, indiretamente melhora o humor.
  • A melhoria da aparência com uma expressão mais leve, levaria a um feedback social positivo.
  • A diminuição da ativação do músculo da glabela diminuiria os sinais aferentes ao cérebro, diminuindo os efeitos negativos.
  • A toxina atingiria o cérebro diretamente, afetando o processo emocional.
  • A paralisia do corrugador, que impediria de fazer expressões negativas, faria com que essas pessoas se sentissem mais felizes.
  • Mecanismos proprioceptivos de feedback atuariam ajudando a pessoa a se sentir melhor. Esse mecanismo é sustentado por outros estudos que mostram que a toxina melhora a percepção emocional das pessoas tratadas.
  • A melhoria estética, propriamente dita, estaria descartada como mecanismo principal, uma vez que as pessoas que fizeram parte do estudo não se queixavam de rugas. Portanto, não foi o fato de melhorar rugas que ajudou a melhorar a depressão.

Recentemente, em 2016, foi feito uma grande revisão para avaliação dos trabalhos sobre esta questão. Foram avaliados 639 artigos e 5 deles, que agruparam 194 indivíduos, que tinham entre 49  +/- 9,4 anos foram verificados. Além disso, três grandes estudos randomizados e controlados com 134 pacientes incluídos, foram estudados nesta meta analise.

Esta avaliação, que é chamada de medicina baseada em evidência, mostrou que a diminuição da depressão foi significativa nos pacientes tratados com toxina botulínica. A melhoria da depressão foi expressiva quando comparada com pacientes tratados com placebo. Após meta-analise é possível acreditar que a toxina botulínica causa melhoria significativa nos sintomas de depressão. Importante ressaltar que este tratamento pode ser associado às terapias clássicas medicamentosas e ou psicológicas. Este é um campo promissor e relevante, considerando que a depressão é muito prevalente e difícil de tratar. A toxina botulínica, por sua vez, é um tratamento relativamente simples, muito segura e tem a duração de cerca de 6 meses, tornando razoável seu custo/benefício. Além disso, este tipo de pesquisa ajuda a explicar ainda mais o complexo mecanismo de funcionamento do cérebro.

OLHEIRAS

A etiologia das olheiras é multifatorial. Na maior parte dos casos há um componente genético, familiar, que, associado a outros fatores, resulta no escurecimento da região ao redor dos olhos. Outra questão a considerar é que a pele que envolve a área dos olhos é muito delicada – tem apenas 0,4 milímetros de espessura, enquanto a do restante do corpo tem 2 milímetros.

Algumas populações tem mais tendência a desenvolver olheiras, como descendentes de árabes, indianos e negros, pois acumulam maior quantidade de melanina nas pálpebras – são os fatores raciais.

Na maioria dos casos, as olheiras são resultado da combinação de fatores como:

  • excesso de vasos superficiais (olheira vascular)
  • excesso de melanina – pigmento que dá cor à pele (olheira pigmentar)
  • bolsas de gordura

Vasos superficiais ou telangiectasiasOlheiras arroxeadas que surgem cedo – às vezes até na infância – normalmente estão relacionadas à predisposição genética e têm excesso de vasos na região embaixo dos olhos. Esses casos são os mais difíceis de tratar. Estresse, noites mal dormidas, cigarro, excesso de bebidas alcoólicas, café e até mesmo o período menstrual pioram o quadro, pois estimulam o fluxo sanguíneo e dilatam os vasos da região. Também ocorrem traumas permanentes de depósito de hemossiderina.

Melanina – Concentração de melanina na região das pálpebras inferiores; mais comum em pessoas depois dos 35 anos. Neste caso a mancha é acastanhada.

Bolsas – Surgem devido à retenção de líquidos ou o acúmulo de gordura nas pálpebras inferiores; formam uma sombra na pele e pioram o aspecto das olheiras.

A cura total das olheiras é praticamente impossível, sendo o primeiro passo, antes de se optar dentre as várias formas de tratamento, diagnosticar a causa do problema através de avaliação médica.

Como tratar as olheiras causadas por excesso de vasos sanguíneos

  1. Compressas de chá de camomila gelado funcionam em casos de olheiras causadas por vasodilatação. Elas promovem uma constrição dos vasos do local, aliviando o tom arroxeado. A camomila é calmante e tem ação vascular.
  2. Cremes específicos que contêm ingredientes que clareiam as olheiras (vitamina C, ácido Kójico, ácido fítico, arbutin e hidroquinona) – ativam a circulação e drenam os líquidos da região, evitando a inchaço (camomila, hamamélis, tília, arnica, bardana e vitamina K1). Sozinhos os produtos anti olheiras não fazem milagre. São mais eficientes quando usados como coadjuvantes de outros tratamentos. Os cremes devem ser aplicados fazendo massagem no sentido horário, de forma suave, em movimentos circulares, 2 x ao dia. Se houver bolsas de gordura embaixo dos olhos, aplicar pequenas porções do creme na região, dando leves batidinhas com a ponta dos dedos.
  3. Fontes de Luz (Luz Pulsada, Lasers Nd-Yag e Dye Laser) são os métodos mais modernos para eliminar olheiras. A energia do laser é atraída pelo pigmento do vaso e acaba destruindo o mesmo, que então é metabolizado. Produz bons resultados em pessoas de pele clara, que têm vasos bem aparentes. São necessárias, no mínimo, seis sessões. Durante esse período, filtro solar é indispensável, pois a pele pode manchar em contato com o sol.
  4. Preenchimento com ácido hialurônico (AH): o preenchimento do sulco nasojugal e canal lacrimal com AH pode ser uma boa opção. Ele ameniza a sombra causada pelo sulco devido a perda de colágeno na região. Deve ser realizado por médico especializado.

Como tratar o excesso de melanina

Peelings suaves, à base de ácidos retinóico ou glicólico, em concentrações adequadas, promovem a renovação da camada superficial da pele, amenizando o problema. Realizado no consultório médico, o procedimento pode ser aplicado apenas nas pálpebras ou em todo rosto, dependendo da qualidade da pele da paciente.

Laser ND-Yag e peeling feito com o laser Erbium Yag são os mais indicados para tratar esse tipo de olheira.

Como tratar as bolsas

Dependendo da causa: retenção de líquido ou acúmulo de gordura, há tratamentos específicos.

  1. A drenagem linfática, massagem que estimula a circulação sanguínea e linfática, é indicada para casos de retenção de líquidos na região embaixo dos olhos. A drenagem pode ser feita manualmente por uma esteticista especializada.
  2. A cirurgia plástica é uma solução definitiva para quem tem acúmulo de gordura embaixo da pálpebra. Com bisturi ou laser, o médico remove a bolsa de gordura e, se necessário, o excesso de pele.

Disfarçando as olheiras com corretivo – O uso de corretivo é uma boa alternativa para o dia a dia.

Corretivo amarelado – Ele neutraliza os pigmentos arroxeados das olheiras e é usado como um pré-corretivo. Deve ser aplicado sobre as manchas com leves batidinhas. Após alguns segundos, é indicado espalhar o corretivo bege. Para acertar na tonalidade do corretivo, teste-o no pulso; ele deve ter a mesma cor dessa área do corpo.

O SONO, UM FORTE ALIADO O sono permite que a pele se renove. Depois de uma noite bem dormida, a pele fica descansada. Cada organismo tem necessidades diferentes em relação ao sono. Há pessoas que se sentem bem com 5 horas, outras precisam de 10 horas. O importante é descobrir a sua necessidade de sono diário e respeitar este período. A média é de 8 horas e se você é daquelas que pensam que dormir é perda de tempo, saiba que durante o sono o organismo libera hormônios indispensáveis para uma série de processos vitais. Muitas atividades de regeneração são feitas durante o sono. Exemplos? O cansaço estimula a flacidez, acentuando o problema da bolsa de gordura. O estresse acentua a vasodilatação e a produção de melanina, piorando a olheira.