Novidades e avanços sobre a ACNE

A acne é uma doença inflamatória do folículo pilo sebáceo. Vários fatores estão envolvidos na etiopatogênese como produção de sebo, crescimento bacteriano e excesso de produção de queratina com entupimento do óstio. Cada vez mais tem se questionado a importância da inflamação na formação da acne. Hoje vários trabalhos demonstram que ela pode ser o fator principal e primordial nessa doença.

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Durante o 11º Congresso Mundial da Academia Internacional de Dermatologia Cosmética – IACD – que reúne especialistas da área dermatológica estética de vários países, foram apresentadas novidades no tratamento da acne.

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O que precisamos focar durante a terapêutica? Principalmente ativos que possam ter papel anti-inflamatório.

Medicamentos em desenvolvimento:

  • Anti androgênicos tópicos
  • Inibidores de produção de sebo
  • Moduladores de receptores proliferadores de Peroxissoma
  • Reguladores da queratinização
  • Antibactericidas
  • Anti inflamatórios (moduladores da resposta inflamatória)

Anti androgênicos tópicos:

Cortexolona 17 – creme 1% – Interage com os receptores andrógenos, diminuindo a ação dos mesmos

Óxido nítrico – diminui a síntese dos andrógenos do colesterol, reduz atividade da 5 alfa redutase e da produção de sebo. Tem efeito anti bacteriano.

Anti inflamatórios (inibidores da produção de sebo):

Zileuton VO 600mg – mecanismo PPAR (receptor proliferador –ativador de peroxissoma)

Inibe 5lipooxigenase, reduz IL6 e leucotrieno

Ácido dicarboxílico – (DCA): Arlatone

  • trabalha como receptor proliferador do ativador de peroxissoma (PPARs)
  • ação anti inflamatória e antibiótica
  • reduz a produção de sebo
  • melhora a diferenciação dos corneócitos

Arlatone Gel veículo aquoso: 2 a 10% – 1x dia 

  • Acne moderada com pápulas e pústulas
  • Alternativa não antibiótica

 

Outros inibidores de produção de sebo

  • Inibidor da acetilcolinesterase
  • Inibidor acetilado da coenzima A Decarboxilase
  • Receptor agonista da Melanocortina (atua na produção do sebo, efeito anti-inflamatório)

 

Regulador de queratinização do epitélio folicular:

  • Talarozole ou Rambazole (vo) – receptor andrógeno do epitélio folicular
  • Inibe o citocromo 26 envolvido no metabolismo do receptor andrógeno do epitélio.
  • Similar ao retinoide.

Vitiligo

O vitiligo é uma doença de pele que causa manchas brancas acrômicas, tipo leite, em qualquer parte do corpo, podendo comprometer, inclusive, os pelos. Essa doença ocorre muito em jovens e crianças acometendo, praticamente, 2% da população mundial.

Embora na maioria dos casos, o vitiligo não apresente nenhum aspecto de perigo à pessoa acometida, nem seja contagioso, é um tipo de doença de pele que causa um grande impacto na autoestima das pessoas devido à sua característica inestética. Os pacientes com vitiligo têm a parte psicológica bastante crítica, porque não há quem suporte as mudanças de cor em sua pele.

Recentemente, descobriu-se que há alterações imunológicas no vitiligo e que esse fato tem interferência direta com o aparecimento das manchas. Contudo, ainda não se sabe exatamente as causas dessa doença. Há algumas teorias para explica-las e a mais importante é a que o vitiligo é uma doença autoimune, ou seja, um mal onde o organismo produz auto-anticorpos contra estruturas dele próprio. Isso ocorre em relação à célula que produz o pigmento denominado melanócito.

Já foram detectados auto-anticorpos contra o melanócito em indivíduos com vitiligo, especialmente naqueles em que a doença está em atividade. O tratamento dessa doença sempre foi um desafio para os dermatologistas, e até há pouco tempo, as únicas terapias viáveis para tratar as manchas do vitiligo contavam sempre com a utilização da luz ultravioleta.

O tratamento é feito com medicação sistêmica e/ou via oral utilizando-se sempre uma radiação ultravioleta para estimular a pigmentação.

Além disso, o médico pode adotar medidas como a prescrição de vitaminas que sejam anti-oxidantes (vitamina C, por exemplo), que combinados a outros fatores como ácido fólico e vitamina B12, podem ajudar significativamente na fabricação de melanina.

Vale destacar que qualquer tipo de tratamento aqui citado deve ser prescrito e acompanhado pelo médico. Existem ainda os tratamentos à base de aminoácidos e fenilalanina que também são combinados com a aplicação de luz e aqueles que estão em fase de desenvolvimento, com cremes anti-oxidantes que podem pigmentar a pele.

Há ainda os procedimentos cirúrgicos, cada vez mais em evidência, e que podem ser feitos de diferentes maneiras, mas basicamente consistem em trazer uma célula boa para o local em que não existe mais pigmento.

Novidades AAD – março/2016 em Washington

No último “meeting” da Academia Americana de Dermatologia realizado em março de 2016, foram apresentadas novas descobertas sobre o vitiligo e algumas opções de tratamento promissoras.

Como sabemos, a causa do vitiligo não está totalmente conhecida, mas já se descobriu que o melanócito é agredido por células inflamatórias. Já foram descobertos alguns dos fatores inflamatórios específicos dessa doença como a citocina CXCL-10. Sendo assim, as pesquisas se concentram em tentar neutralizar ou acabar com as fases dessa inflamação.

A sinvastatina, por exemplo, que é um remédio utilizado para reduzir os níveis de colesterol, pode melhorar o vitiligo, pois apresenta ação anti-inflamatória.

Outras medicações como os inibidores da Jack, que são enzimas específicas de receptores de membrana, podem reverter o vitiligo porque neutralizam a citocina CXCL-10. Uma dessas drogas foi aprovada pelo FDA para tratamento de artrite reumatoide. Recentemente um paciente que tinha artrite e vitiligo reverteu as manchas quase na totalidade, quando fazia o tratamento para reumatismo. Os nomes comerciais desses produtos que podem tratar o vitiligo são: Tofacitinib e Ruxolitinib.

Outra opção é o Afamelanotide, que é um análogo do hormônio melanócito estimulante. Este remédio melhora o vitiligo quando associado a luz ultravioleta B e age provocando o estímulo do hormônio que produz o pigmento denominado melanina.

Ainda foi enfatizado que a vitamina D e o zinco estão em níveis baixos nesta doença. A suplementação com essas substâncias pode promover a produção de pigmento e melhorar o problema.

Opções terapêuticas para a alopecia androgenética

A alopecia androgenética é a forma mais comum de queda de cabelo, com uma prevalência estimada entre 50 a 80% no sexo masculino e 20 a 40% no sexo feminino. Atinge as áreas andrógeno-dependentes do couro cabeludo, com ação específica do DHT nos folículos pilosos, principalmente em indivíduos geneticamente suscetíveis. O mecanismo mais prevalente é a miniaturização, ou seja, a transformação dos fios terminais em fios velus, que são menores e mais finos.

Em relação ao tratamento, é importante observar a micro inflamação que possa existir no couro cabeludo, associada a dermatite seborreica, danos actínicos da radiação ultravioleta [UV], produtos químicos ou bactérias ativadas pela radiação UV – fatores que parecem influenciar a epigenética e devem orientar o tratamento. Excluindo os transplantes capilares e a micropigmentação, há várias alternativas para tratamento da alopecia androgenética, dos medicamentos que tem ação biológica, destaca-se o minoxidil; antiandrógenos com ação específica no recetor; e bloqueadores enzimáticos, os que mais se destacam são a finasterida e a dutasterida.

Minoxidil

Apesar de utilizado há muitos anos, o seu mecanismo de ação ainda não está totalmente definido, mas parece prolongar a fase anágena. A dose de 5% é comprovadamente mais eficaz que a dose de 2%. Atualmente, além da loção, que é aplicada duas vezes/dia, também há a espuma 5%, que pode ser aplicada uma vez/dia proporcionando uma maior comodidade, além disso, recentemente ela foi aprovada também para uso em mulheres. São poucos os efeitos coloterais relatados em relação ao uso do minoxidil, por períodos bastante prolongados.

Antiandrogênicos

A espironolactona, indicada apenas para mulheres, é bastante utilizada devido ao seu efeito antiandrogênico. Por ser a única droga administrada para o tratamento da alopecia androgenética, a dose diária é de 100 a 200 mg/dia, durante seis meses, o que provoca muitos efeitos colaterais, sendo necessário o controle da função hepática e dos níveis de potássio. Por esses motivos, cada vez mais esta droga deixa de ser uma opção terapêutica isolada, dando-se preferência para o uso da espironolactona associada a outros tratamentos.

É importante lembrar que os progestágenos utilizados na composição de diversas pílulas anticoncecionais (como o acetato de ciproterona, a drospirenona e o acetato de clormadinona) também podem auxiliar no tratamento da alopecia androgenética, pela sua ação antiandrogénica.

Controvérsias com finasterida

A finasterida está entre as drogas mais utilizadas no tratamento da alopecia androgenética masculina. Trata-se de um inibidor específico e competitivo da 5-alfa-redutase II, reduz os níveis de DHT em cerca de 65% e deve ser administrada na dose de 1 mg/dia – nem mais, nem menos.

Contraindicada no sexo feminino e, em mulheres com idade fértil, pois pode levar à feminilização do feto masculino. Porém, exista na literatura relatos (of-label) dos seus efeitos benéficos em mulheres com hiperandrogenismo – por exemplo, em casos de ovário policístico – com doses mais elevadas – de 2,5 mg/dia até 5 mg/dia.

Inúmeras controvérsias foram relatadas em torno da finasterida, entre elas o fato da droga alterar o marcador tumoral PSA [antígeneo específico da próstata]. Mesmo com estudos concluindo sobre a diminuição da prevalência de câncer da próstata em 24,8%, ainda subsiste na comunidade científica, a dúvida sobre a sua relação com a ocorrência de tumores mais graves, principalmente com a dose de 5 mg/dia.

Mas os efeitos colaterais da finasterida na esfera sexual são, atualmente, os mais controversos. Um trabalho recentemente publicado fez ressurgir uma dúvida já amplamente debatida: a continuidade dos efeitos colaterais da finasterida – entre os quais a diminuição da líbido e da qualidade da ejaculação e do orgasmo – mesmo após a descontinuação dessa droga. Mas a causa deste mecanismo é imprevisível e desconhecida, não havendo uma conclusão formal sobre esta questão. Uma meta-análise recente, considerou que os trabalhos até hoje publicados não são adequados para determinar se haverá ou não persistência dos efeitos colaterais da finasterida após a sua descontinuação. Neste sentido, estão sendo conduzidos vários trabalhos de investigação e por isso, este é um tema que merece reflexão.

Dutasterida

A dutasterida também tem sido muito utilizada na abordagem da alopecia androgenética, pelo seu efeito inibidor da 5-alfa-redutase I e II, diminuindo os níveis séricos e tópicos de DHT em mais de 90%. Contudo, esta droga tem efeitos colaterais significativos de impotência sexual, diminuição da líbido e também interação medicamentosa. Porém, há relatos na literatura de melhoria com a sua utilização em mulheres, na dose de 0,5 mg/dia, durante 12 meses.

Novos tratamentos:

Estão em estudo várias alternativas de tratamentos, entre eles, os análogos da prostaglandina (entre os quais o setipiprant, um antagonista da PGD 2 e do recetor GPR 44, com resultados iniciais promissores); os tratamentos com luz e laser em baixa frequência; o plasma rico em plaquetas (apesar de serem poucos os estudos consistentes a sustentar cientificamente a sua possível utilização) e das células tronco.

Atualmente, a terapêutica transdérmica também é outra possibilidade de abordagem da alopecia androgenética. Este método, que começou a ser desenvolvido com a utilização do laser fracionado ablativo e da radiofrequência fracionada em associação com ultrassom, é aplicado através da pele, formando microcanais, seguida de infusão de substâncias ativas, por um aparelho semelhante ao utilizado na realização das tatuagens.

Conclusões: É fundamental que haja uma avaliação completa do paciente para a indicação do tratamento da alopecia androgenética, como o controle da micro inflamação, a correção dos níveis hormonais e de nutrientes que possam estar alterados, como o ferro, o zinco e algumas vitaminas; o controle do stress e de algumas doenças concomitantes, como da tiroide; a administração de finasterida e/ou minoxidil e de luz e laser de baixa frequência.

CABELOS – principais danos e como combatê-los

A saúde do cabelo tem relação com a alimentação, herança genética, estado de saúde, idade e hábitos ligados ao cabelo.

O envelhecimento do fio é um processo contínuo que sofre influências da genética, da idade e dos fatores ambientais. Basicamente o fio vai ficando mais fino e também, com a cutícula desgastada, mais poroso e ressecado. Este processo é acelerado pelas agressões da radiação ultravioleta, pelos poluentes, por procedimentos químicos, pelas doenças, pelo envelhecimento e também é mais rápido em quem tem calvície. A idade na qual se começa a perceber o envelhecimento capilar é após os 50 anos, sendo que na mulher, a menopausa também intensifica o processo.

Para prevenir, é importante cuidar da alimentação, hidratação, tratamento sistêmico da calvície, proteção em relação ao sol e evitar o fumo. Lavar com frequência para evitar a dermatite seborreica, com xampu adequado para o tipo de cabelo, além de evitar calor em excesso – secador.

Quando há queda de cabelo é necessário checar doenças internas, como problemas na tireoide e também regimes violentos, dieta inadequada, estresse intenso entre outros. Lembramos que regimes desequilibrados podem enfraquecer os cabelos. É importante procurar o dermatologista, que é quem cuida dos cabelos, sempre que necessário. Hoje são utilizadas drogas como a finasterida, além de suplementos como biotina, zinco, taurina entre outros. Também o minoxidil e o 5-alfa estradiol auxiliam no tratamento de queda e do fio muito fino.

Luzes como LED, lasers de baixa potência, tratamentos com CO2, radiofrequência mais fatores de crescimento são utilizados como coadjuvantes no tratamento capilar. Também é importante para a saúde do fio de cabelo manter os níveis normais de ferro, ferritina e vitamina D.

EXPOSIÇÃO SOLAR: 

A exposição aos raios UV pode induzir a oxidação das moléculas de enxofre dentro da haste capilar, que são importantes para a força dos cabelos. Quando ocorre essa oxidação, os cabelos se tornam quebradiços, ressecados e ásperos.

Os cabelos descoloridos ou com luzes podem também apresentar pequenas mudanças de cor quando expostos aos raios UV. O cabelo loiro pode desenvolver um “foto descoloramento”, deixando-o amarelado. Até mesmo os cabelos castanhos podem mudar de cor, tendem a desenvolver uma coloração avermelhada, devido à oxidação dos pigmentos de melanina.

Para proteger seus cabelos dos danos causados pelos raios solares, procure usar condicionadores “leave-in” que contenham óxido nítrico.

Outra proteção são os bonés e chapéus feitos com trama fechada e também com proteção solar específica. Hoje existem roupas e chapéus com essa característica.

TINTURAS:

Colorir os cabelos é uma das mudanças visuais mais praticadas pelas mulheres. A cor dos cabelos é dada por uma proteína chamada melanina. Ela é o pigmento que dá cor à pele, cabelos e olhos. Quando se quer mudar a cor dos cabelos pode-se usar três tipos de técnicas:

1.Tintura temporária: usa-se tonalizante – um tipo de produto indicado para realçar o tom natural do cabelo e disfarçar os fios brancos. Consiste em aplicar pigmentos na parte externa dos cabelos. Essa tintura, dura em média 20 lavagens e não é tão agressiva à cutícula.

2.Tintura semipermanente: Nesse caso os pigmentos aderem a pequenas aberturas na junção das células da cutícula. Por ficar aderido, o pigmento não sai tão facilmente. Nesse caso, há o somatório da cor natural dos cabelos e do pigmento, resultando numa nova cor.

3.Tintura permanente: Em geral tem amônia e água oxigenada na fórmula para que possa alterar a cor original do fio. Como tem duração mais longa e é mais agressiva, consiste em um processo químico mais complexo. Deve sempre ser aplicada por um profissional habilitado. Aplica-se um produto químico que abre a cutícula, logo após usa-se o peróxido de hidrogênio (água oxigenada), que descolore o fio. Em seguida, aplica-se um novo pigmento, que dará a nova cor aos cabelos.

DICAS PARA COMBATER OS DANOS QUÍMICOS:

Use xampus condicionantes e condicionadores regularmente, para melhorar a aparência dos cabelos, evitando ressecamento e efeito frizz.

Opte por produtos que contenham dimeticone, disponível em xampus, condicionadores, cremes de pentear e sprays. Este ingrediente diminui a eletricidade estática, aumenta o brilho e facilita o manejo dos fios.

Tente usar os séruns capilares recentemente introduzidos no mercado a base de óleos como silicone e argan, aplicando algumas gotas nas mãos e deslizando-as nos fios (não devem ser aplicados diretamente no couro cabeludo).

Evite tingir os cabelos, opte pela cor natural, quando possível. Caso seja realmente necessário pintar o cabelo, opte por tonalidades próximas à sua cor natural, usando no máximo três tons de diferença. Escurecer os cabelos ao invés de clareá-los é sempre uma melhor opção.

Quando a pessoa pratica um processo químico no cabelo é importante hidratar sempre, pois o maior prejuízo destas práticas é o ressecamento capilar. O fio tem uma cutícula (escama) aderente ao fio que, quando rompida, pode expor o córtex e lesar o fio de forma intensa.