CABELOS

A importância do cabelo para o ser humano tem duas óticas: a primeira, fisiológica, da proteção contra o meio ambiente; a outra, psicológica ou emocional, sendo esta incomensurável.

Como assume uma importância grande na esfera emocional, é interessante notar que, quando uma pessoa começa a perder cabelos, ela fica desesperada, pois esta é uma parte do corpo que se tem bastante controle, isto é, podemos cortar, pintar, fazer penteados, alisar, enrolar etc., e que, quando não podemos mais controlar, dá-nos a sensação de impotência em relação ao nosso corpo.

Os cabelos existem para proteger regiões, como o couro cabeludo, contra a ação do frio, do calor e do excesso de luz solar. Além disso, também revelam a saúde do nosso organismo e podem sofrer por causa de doenças internas, ou mesmo, agressões externas, como uso de produtos inadequados ou excesso de química (tinturas, por exemplo) e de sol. No caso de doenças, eles podem cair ou afinar e, em relação às tinturas, podem ressecar.

No couro cabeludo existem de 100 mil a 150 mil fios. O cabelo tem um ciclo de vida contínuo e passa por fases de crescimento e de repouso. Cada fio vive uma etapa específica, que se distribui em 85% no período de crescimento (anágena) e 15% no período de repouso (telógena). Isso significa que temos sempre mais cabelo crescendo do que caindo. A duração da fase de crescimento é, em média, de quatro anos. A queda de alguns fios ao lavar ou pentear é normal e podemos perder cerca de 100 fios por dia. É preciso, sim, prestar atenção quando houver aumento significativo da quantidade de fios que caem.

O fio de cabelo cresce através do acúmulo de proteínas e minerais em sua base (bulbo) e elas são diretamente influenciadas pela nutrição e fatores hormonais. O cabelo está em constante renovação, passa por ciclos de crescimento, repouso e queda. Porém, se caírem excessivamente e demorarem a crescer deve-se procurar um profissional, a fim de fazer uma avaliação das possíveis causas desta queda. Fatores como hereditariedade, alterações hormonais, uso de medicamentos, utilização de químicas de tratamento capilar, carência nutricional (por exemplo deficiência de ferro), fluxo menstrual na mulher muito intenso ou de duração prolongado, diabetes, alteração da tireoide, gravidez, interrupção do uso de anticoncepcionais, seborreia, dietas restritivas, infecções ou febres, ovário policístico, entre outros; podem interferir na saúde dos cabelos. Muitas vezes, existem alterações hormonais ou metabólicas que precisam ser controladas, para que os fios cresçam saudáveis. Alimentação é outro fator importante, deficiência vitamínica ou de ferro, por exemplo, muito comum nas mulheres, devem ser corrigidas. É importante que o dermatologista faça uma avaliação completa para direcionar adequadamente as medidas terapêuticas.

Os cabelos precisam ser limpos com frequência. A lavagem pode ser feita dependendo da necessidade de cada um, sendo que lavar todos os dias, ou duas vezes por semana não provoca queda, contanto que o cabelo permaneça limpo. O xampu ideal é aquele adequado para cada tipo de cabelo.  Ele é a formulação com um balanço entre substâncias limpadoras e condicionadoras indicadas para cabelos oleosos, mistos e secos. O xampu não causa queda de cabelo e também não combate a mesma.

Outro mito é que lavar os cabelos todos os dias faz com que a raiz apodreça. Isso não é verdade. A frequência das lavagens deve ser determinada pelas características do couro cabeludo. Um couro cabeludo que produz mais oleosidade, deve ser lavado mais frequentemente do que um couro cabeludo mais seco. O importante é manter a raiz sempre limpa, livre do acúmulo de suor, sebo e impurezas. A água não entra na raiz dos cabelos, portanto, não pode apodrece-la.

Os xampus são formulações que contêm substâncias que limpam os fios e couro cabeludo, evitando dermatites, caspa e infecções por fungos e bactérias. Hoje há produtos com funções mais complexas, como aumentar ou diminuir o volume, restaurar e facilitar o ato de pentear. Não existem xampus anti-queda, os assim denominados, apenas melhoram a condição do couro cabeludo e podem ajudar em outros tratamentos, mas xampus que façam os cabelos crescerem ou nascerem, infelizmente ainda não foram criados.

Os indicados para cabelos oleosos possuem mais componentes de limpeza, enquanto os formulados para cabelos secos, apresentam mais elementos condicionadores. Existem os que contêm agentes anti-caspa, vitaminas e hidratantes. O ideal, é a pelo menos, a cada 15 dias, lavar os cabelos com um xampu anti-resíduo, para eliminar produtos que se acumulam nos fios, deixando-os com aspecto pesado. Também, é interessante alternar pelo menos dois tipos de xampus.

Existem ainda os condicionadores. Ricos em proteínas, eles têm com função devolver a gordura natural perdida durante a lavagem. Também devem deixar os cabelos fáceis de pentear e restaurar a uniformidade dos fios agredidos química ou mecanicamente. Dê preferência aos que são feitos com extratos de substâncias naturais, ou enriquecidos com proteínas. Por último, protegem os fios da fricção, diminuindo a eletrostática. Cremes condicionadores ou rinse não fazem os cabelos caírem, a função desses produtos é a de facilitar o penteado e de dar brilho aos cabelos. Aqueles que caem já estavam soltos e foram apenas liberados dos outros.

Muitas pessoas têm dúvida se as substâncias modeladoras, como gel, e fixador sem álcool, causam danos. Esses produtos não prejudicam e, quando são de qualidade, não provocam queda de cabelo.

Para ter cabelos saudáveis e bonitos são necessários cuidados tão importantes como os cuidados com a sua pele. A melhor maneira de prevenir e reparar as agressões aos cabelos é entender como ocorrem os danos.

Os danos aos cabelos resultam de traumas mecânicos e químicos que alteram as estruturas físicas do cabelo. O cabelo tem três camadas básicas, a cutícula, o córtex e a medula. A cutícula é a camada mais externa da escala de proteção. É a principal estrutura do cabelo e é responsável pela força, brilho, textura, maciez e maleabilidade dos fios. Existe também uma camada de sebo, uma substância oleosa, secretada pelos folículos capilares, que recobre a cutícula e adiciona brilho e maleabilidade ao cabelo. O córtex, fornece força ao eixo do cabelo, e determina a cor e a textura. A medula é a camada mais interna do cabelo, onde são determinados o corpo e a força do cabelo. A cutícula pode ser lesionada por meios químicos ou mecânicos, como descoloração ou secadores de cabelos. Os fatores ambientais, como exposição à luz solar, poluição, vento, água do mar ou piscina também podem causar danos. Quando a cutícula é agredida por esses fatores, a proteção é diminuída e as outras camadas do cabelo são expostas. Em alguns casos, até mesmo a camada mais interna, a medula, é exposta e pode sofrer danos.

No próximo artigo vou abordar os principais danos ao cabelo e como combatê-los.

Melasma tem cura? Não poderei tomar sol nunca mais? O laser piora o melasma? Tenho que parar a pílula?

Estas são algumas das muitas perguntas que estão na cabeça das pessoas afetadas por essa mancha tão devastadora.

O melasma não tem cura, mas pode regredir e ficar sob controle. Para tanto, é muito importante conhecer alguns fatores que estão envolvidos com o risco de aparecimento do melasma.

O sol é o fator mais importante relacionado ao desencadeamento do melasma. A radiação crônica prolongada, facilita a manutenção dessa mancha.

O uso constante e correto do filtro solar é um dos fundamentos do tratamento do melasma. Esse filtro tem que ser físico ou orgânico, com proteção alta e com cor, pois o pigmento tem capacidade de bloquear a luz visível. Os filtros solares têm que ter amplo espectro e precisam proteger da radiação UVA e UVB. Se possível, devem ser físicos misturados com químicos, propiciando essa amplitude. Não existe filtro especifico que proteja da radiação da luz visível e, portanto, a cor torna-se importante, pois bloqueia a luz de lâmpadas e computadores.  Hoje já está comprovado que a luz visível mancha apele, principalmente a luz azul, que se mistura com o UVA longo. O filtro solar deve ser passado em quantidade generosa, ser bem espalhado e repetido a cada 3 horas. As pessoas que trabalham horas e horas com a luz diretamente no rosto precisam ter cuidado redobrado. As grávidas, que têm mais chance de ter melasma, precisam ficar protegidas.

A pele comprometida pelo melasma não deve ficar irritada, pois qualquer inflamação provoca mais produção de melanina. Isso significa que deve ser evitada a depilação de pelos e caso, o tratamento especifico do melasma, esteja provocando a irritação, deve ser reavaliado.

A pílula anticoncepcional pode piorar o melasma, mas não necessariamente deve ser interrompida. O estradiol parece ser o responsável pela piora. E em relação aos progestágenos, o efeito ainda é controverso.

Hoje são usadas algumas substâncias sistêmicas para ajudar a evitar a mancha. Uma delas é o polipodium leucotomas, que é um fitoterápico antioxidante com efeitos benéficos em relação a evitar a oxidação e inflamação.

A novidade em relação ao tratamento do melasma é o ácido tranexâmico. Alguns trabalhos, enfatizam o papel dessa substância, que neutraliza os efeitos das substâncias melanogênicas. O ácido tranexâmico inibe a formação da plasmina, que é a provocadora da melanogenese, evitando a ação de várias substâncias, que estimulam a inflamação, melanogenese. Além disso, o ácido tranexâmico, diminui o tamanho e a quantidade de vasos no local. Ele tem a função de diminuir a angiogenêse e também o nível do fator de crescimento endotelial.

Não é qualquer pessoa que pode tomar o ácido tranexâmico, cuja dose é de 250mg 2x ao dia para tratamento do melasma. É preciso checar alguns exames relacionados com a coagulação, assim como, histórico de trombose prévia. Este medicamento tem que ser receitado e acompanhado pelo médico dermatologista. Algum resultado começa a ser visto após um mês, mas o tratamento deve ser mais prolongado.

O laser pode ser contraindicado para o uso no melasma, especialmente se liberar muito calor. O laser ideal é o Nd-Yag Q-Switched, que libera energia baixa e tem pulso curto. Num laser qualquer, a energia seria variável de 30-40J, enquanto nesse laser as energias são de 1 a 3J e o pulso que seria de milissegundos em alguns lasers, nesse é 1000 vezes menor (nanosegundos). A baixa energia e o pulso ultrarrápido, fazem com que o calor liberado seja mínimo. O pigmento é destruído de forma mecânica e não libera calor significativo. O número de sessões necessárias é de 12 a 15, 1 vez por semana. A pele após cada sessão fica rosada por cerca de 30 minutos e o paciente pode trabalhar normalmente. Esse laser parece agir, contendo o melanócito e diminuindo seus prolongamentos. Além do laser, também são usados peelings superficiais seriados com ácido retinoico, ácido glicólico, resorcinol, entre outros.

Vale lembrar que o microagulhamento desponta como um tratamento interessante para o melasma. Neste caso, são feitas 2 a 4 sessões, 1 vez ao mês associado aos clareadores tópicos.

O mais importante é manter a confiança entre médico e paciente, sem esquecer da fotoproteção local.

Melasma: mancha perturbadora e reveladora

O melasma se apresenta como uma mancha marrom simétrica sem sintomatologia, que ocorre na face de mulheres em idade fértil. Essa espécie de máscara perturba muito a autoestima das mulheres comprometidas. Embora, o melasma possa em algumas situações, ser confundido com outras manchas, tem características muito próprias, que suscitam algumas especulações.

Por que essa mancha só aparece na face? O sol é o causador ou há predisposição familiar?

Por que ocorre muito mais em mulheres? Qual a relação dessa hiperpigmentação como os hormônios? Por que melhora após a menopausa?

Por que as mulheres morenas apresentam essa mancha com mais frequência? Qual a relação do estresse com o melasma?

Algumas dessas perguntas começam a ser respondidas a luz de estudos profundos de epidemiologia, biologia molecular e histopatologia. Há aparentemente uma grande influência da genética para o aparecimento do melasma. Em alguns estudos epidemiológicos a ocorrência familiar varia de 15% a 60%. Além disso, outras avaliações demonstraram que as peles mais morenas, como as das latinas americanas, são mais suscetíveis ao aparecimento do melasma.

Quanto ao sol, ele realmente é significativo para o aparecimento do melasma. O sol, através dos raios UVA e UVB, provoca uma agressão Às células da pele. O sol agride a própria célula da pigmentação, chamada melanócito, que produz mais melanina. O sol também agride as células das camadas mais superficiais, chamadas queratinócitos, além das células da derme, chamadas fibroblastos. A interação entre os queratinócitos, fibroblastos e melanócitos é muito afinada e complexa. Essas células reagem ao sol e estimulam vários elementos, como hormônios da pigmentação e também várias citocinas inflamatórias. Por este motivo, podemos utilizar novos medicamentos, como ácido tranexâmico, que evita o impacto desse estímulo ao queratinócito e, sendo assim, impede a comunicação com o melanócito e, portanto impede a pigmentação.

A luz visível, aquela das lâmpadas e computadores, também provoca escurecimento da pele, principalmente nas peles mais morenas, que são mais predispostas a ter melasma. Esse também é um aspecto importante na escolha do tratamento, pois não temos filtro solar especifico para a luz visível. O filtro para proteger da luz visível precisa ter cor, pois o pigmento bloqueia essa radiação.

Respondendo porque mulheres tem mais melasma comparado com homens, isso deve a fatores hormonais, pois hoje se sabe que a pele manchada tem mais receptores para o estradiol (estrogênio) do que aquela sem mancha. Quanto a grávida, além desse fator, também há aumento da produção do hormônio melanócito estimulante.

CICATRIZES

As cicatrizes ocorrem como resultado de injúrias profundas à pele, sendo uma resposta natural do organismo dependente da genética além de fatores locais e ambientais.

O processo de cicatrização é orquestrado com maestria, sendo complexo e bem ordenado. A fase inicial está relacionada a coagulação e formação de fibrina. Na sequência, ocorre a inflamação, com liberação de várias citocinas e fatores de crescimento como TGFβ, EGF, IGF, PDGF entre outros. Essa cascata inflamatória é seguida pela fase de proliferação, estimulando os fibroblastos que produzem o colágeno novo e a matriz cicatricial. A maturação e a remodelação são as fases finais para a formação da cicatriz. Atualmente, o conhecimento mais profundo de todo o mecanismo de cicatrização e principalmente dos vários tipos de fatores de crescimento, possibilita intervenções mais específicas.

Vários fatores influenciam na formação da cicatriz, tais como: parte do corpo, tensão no local do trauma, infecção secundária, manipulação, movimentação, etc. Também interferem os fatores genéticos, que podem favorecer o aparecimento da cicatriz hipertrófica ou queloide.

A cicatriz hipertrófica ocorre pelos vários motivos citados acima, sendo avermelhada, endurecida e não ultrapassando a área do trauma inicial da pele. Já o queloide é um tipo de cicatriz influenciada pela tendência genética que ultrapassa muito o limite da lesão cutânea e tem crescimento descontrolado.

Hoje se conhece muito mais sobre os mecanismos de cicatrização e a interferência nesse processo é muito mais precoce do que já foi no passado.

A cicatriz deve ser avaliada e classificada pelo médico para que seja escolhida a melhor combinação de tratamentos.

A primeira linha de tratamento para cicatrizes lineares,  hipertróficas e queloides é o uso de fitas ou géis de silicone. O mecanismo de ação não é totalmente explicado de como esse produto melhora a cicatriz, porém, provavelmente está relacionado a hidratação local.

Alguns tipos de laser são indicados no tratamento das cicatrizes. O mais utilizado para cicatrizes vermelhas e hipertróficas é o laser de corante (Dye laser). Ele tem como alvo a oxihemoglobina e destrói os vasos, diminuindo a inflamação.  Esse laser, pode ser aplicado com intensidade media mensalmente de 3-4x favorecendo o abaixamento da cicatriz. Também pode ser usado o Erbium Yag, que melhora a textura e a flexibilidade, além de diminuir o endurecimento.  O laser de CO2 é uma proposta interessante para cicatrizes de grandes queimados. Esse laser ablativo perfura microscopicamente a pele e emite calor, que irá ajudar no estímulo e remodelação do colágeno.

Háoutras opções para o tratamento de cicatrizes, tais como: infiltração de corticoesteroide diluído em soro, que pode ser aplicado em pequena quantidade dentro da cicatriz 1x ao mês, cerca de 3 sessões. Em caso de cicatrizes mais resistentes, também pode ser utilizada 5-fluoracil, methotrexate e bleomicina.

Hoje a avaliação e classificação da cicatriz deve ser imediata e o tratamento o mais precoce possível para obtenção de melhores resultados finais. Há um algoritmo para o tratamento:

1-Cremes cicatrizantes com óleo de silicone, extrato de cebola, ceramidas, lipídeos, entre outros

2-Placas de silicone ou similares,  colocadas no local 24h por dia, trocando a cada 3 ou 4 dias.

3-Laser ou luz pulsada para diminuir o período de inflamação, tendo como alvo principal os vasos. Repetir a aplicação 3-4 vezes com intervalo de 3-4 semanas.

 Quando houver cicatrização anormal, utilizam-se técnicas mais agressivas e combinadas como:

1-Infiltração de corticoide diluído para diminuir e clarear a cicatriz.

2-Quando a cicatriz está retraída e endurecida, pode ser usado o CO2 que remodela o colágeno e promove mais flexibilidade.

3-Laser pulsado de corante (Dye laser), que atinge os vasos e consegue diminuir o avermelhamento, além de aliviar os sintomas de dor e queimação.

4-A injeção de 5-fluoracil na cicatriz, para modelação e diminuição da fibrose, também pode ser feito mensalmente, num total de 3 a 4 sessões.

Queloide é uma cicatriz anormal, gerada por tendências genéticas e ultrapassa o local do trauma, gerando verdadeiros tumores. Exemplo: a cicatriz de um furo na orelha pode ficar do tamanho de um tomate.

O queloide pode ser retirado cirurgicamente, mantendo somente as bordas da lesão e nelas utilizar as placas de silicone.

Tratamento com nitrogênio liquido, que é uma queimadura pelo frio.

Também pode ser feita a infiltração de methotrexate, 5-fluoracil ou bleomicina, que são anti proliferativos e diminuem o crescimento do tumor.

As perspectivas para o tratamento das cicatrizes são cada vez melhores embasadas na ciência e no avanço da tecnologia.

Rosácea não é contagiosa, mas requer acompanhamento médico

Em homenagem ao dia das mães, vou abordar hoje um tema que atinge e aflige muitas mulheres na faixa de 30 a 50 anos, a ROSÁCEA. Embora não seja contagiosa, a rosácea é uma doença crônica que incomoda muito e pode levar a baixa autoestima e depressão, devido às mudanças que ocorrem na pele.

A rosácea aparece como área avermelhada, com pápulas e pústulas que se manifestam no rosto e podem comprometer os olhos e o nariz. A doença possui quatro tipos: eritemato telangiectásica (a mais comum), pápula pustular, fimatosa e ocular.

No primeiro caso a pele fica muito vermelha e repleta de vasos (telangectasias – vasos) muito evidentes, principalmente na região centro facial. O avermelhamento pode ser agravado por vários fatores, entre eles: o álcool, sol, estresse, exercícios físicos e calor. Quem possui a rosácea, tem a sensação de estar com a pele pinicando ou queimando. Neste caso, a pessoa afetada é sensível a qualquer creme.

Na rosácea pápula pustulosa é caracterizada pelo avermelhamento e pelo aparecimento de lesões pápulo-pustulosas em surtos. Nesse tipo, a rosácea lembra a acne – tanto que por muito tempo foi chamada de acne rosácea. O tipo pápula pustular é bastante comum em homens, com períodos de piora e melhora alternados.

O tipo menos frequente é a rosácea fimatosa que causa uma inflamação na pele, tornando-a mais espessa e vermelha. O terceiro tipo de rosácea (fimatosa) é caracterizado pelo aumento e infiltração de áreas como as glândulas sebáceas do nariz e é comum em homens com mais de 40 anos. Com o tempo, o nariz pode até dobrar de tamanho. Queixo, rosto, olhos e ouvidos podem ser comprometidos.

A rosácea ocular atinge a região dos olhos. Cerca de 20% dos casos são descobertos em visita a um oftalmologista. O indicativo da doença é uma inflamação (chamada de blefarite) com avermelhamento e descamação na área dos cílios. Este tipo é o mais grave de todos, podendo evoluir para a perda da visão.

Existem outros dois subtipos mais raros da rosácea, chamados granulomatosa e fulminante. A granulomatosa tem como característica principal o aparecimento de nódulos acastanhados na face. Cerca de 15% dos pacientes com a doença podem ter lesões em outros locais. É um tipo que tem tratamento difícil.

A rosácea também pode se misturar. Pode ocorrer, por exemplo a combinação do fimatosa com o tipo pápula pustulosa e também com a forma mais comum, a eritemato telangiectásica. Também é muito frequente a associação de rosácea do tipo fulminante com a ocular.

A causa da rosácea é desconhecida, mas estudos apontam para uma combinação de fatores hereditários e ambientais. Uma série de fatores pode desencadear ou agravar a rosácea, aumentando o fluxo de sangue para a superfície de sua pele. Alguns destes fatores incluem:

  • Alimentos quentes ou bebidas
  • Alimentos picantes
  • Álcool
  • Temperaturas extremas
  • Exposição ao sol
  • Estresse, raiva ou vergonha
  • Exercício físico extenuante
  • Banhos quentes ou saunas
  • Uso de corticosteroides
  • Uso de medicamentos que dilatam os vasos sanguíneos, incluindo alguns medicamentos para pressão arterial.

O tratamento das doenças crônicas, que não têm origem conhecida, são um desafio para o dermatologista. No caso da rosácea, o tratamento do tipo mais comum é feito com produtos tópicos, como metronidazol 0,75%, ácido azelaico 0,75%, peróxido de benzoila e retinoides tópicos. O objetivo principal do tratamento é diminuir a inflamação do paciente, usando as substâncias citadas cerca de 1 a 2 vezes por dia.

Outra alternativa é a utilização de oximetozolina e da brimonidina. Ambos diminuem e controlam o flushing (vermelhidão). É bom lembrar que eles não curam a rosácea, mas diminuem o avermelhamento. Os inibidores da calcineurina também melhoram a inflamação.

Para a rosácea pápula pustulosa ocular e fimatosa é necessário utilizar o antibiótico do grupo das ciclinas: a tetraciclina e a miniciclina. Eles são utilizados até o controle clínico da doença e, com o tempo, a dose do remédio vai baixando aos poucos.

Já a isotretinoína pode ser utilizada nos quatro tipos de rosácea. O tratamento dura em torno de 3 a 4 meses. Em todas essas situações, pode haver associação dos medicamentos com o laser.

A correção cirúrgica da rosácea é indicada nos casos de fimatosa – o quarto tipo. E, para tratar a rosácea ocular, muitas vezes é necessária abordagem específica, como o uso de colírios locais (com antibióticos) e também imunossupressores, como a ciclosporina.

Também é importante o uso do laser ou da luz pulsada para vasos. A luz do laser atinge os vasos, promove sua destruição e clareia a região. Os tipos de laser mais utilizados são o Pulsed Dye Laser e NdYag.