Novidades do Meeting da Academia Americana de Dermatologia – realizado em março/2016 em Washington – (continuação)

ACNE:

(17 alfa propionato cortexolane)

A acne é uma doença inflamatória do folículo pilo sebáceo. Devido ao desequilíbrio da produção de sebo e do crescimento bacteriano e excesso de produção de queratina com entupimento do óstio teremos a formação de lesões como pápulas, pústulas e infecção concomitantes.

A acne da mulher adulta é aquela que ocorre no sexo feminino com mais de 25 anos. Estudos científicos sobre qualidade de vida, apontam que esta alteração causa um sofrimento muito grande as mulheres, afetando seu comportamento psicossocial. Este tipo de acne não está totalmente conceituado, pois há controvérsias sobre se existe ou não alterações hormonais. Apresenta lesões inflamatórias, principalmente na região do queixo e pescoço que pioram na pré menstruação.

A espironolactona, que é um medicamento diurético e anti andrógeno pode ajudar no seu controle, uma vez que diminui produção do sebo. Dieta com menor quantidade de carboidrato e menos leite e derivados ajuda no controle da acne. Suplementos com proteína do leite também são proibidos.

Também foi citado o óxido nítrico e um novo anti andrógeno, o 17 alfa cortexolane, ambos em apresentação tópica. Eles diminuem a produção do sebo, evitam o entupimento e a formação de lesões inflamatórias. O óxido nítrico age como vasodilatador e imunomodulador. O cortexolane tem ação antiandrogênica e portanto, diminui a produção de sebo, o entupimento dos folículos, com ação anti inflamatória importante.

A terapia fotodinâmica foi realçada no tratamento para acne. Utiliza-se um produto tópico chamado ácido aminolevulínico que fica 1,5h no rosto da paciente. Em seguida é feito uma luz que através do calor agride a glândula sebácea destruindo a mesma pelo calor e melhorando a acne. Também são usados os contraceptivos que tem ação antiandrogênica.

Novidades do Meeting da Academia Americana de Dermatologia – realizado de 4-8 março/2016 em Washington

Vitiligo

O vitiligo é uma doença crônica não contagiosa que causa manchas brancas na pele. A causa não está totalmente conhecida, mas já se descobriu que o melanócito é agredido por células inflamatórias. Já foram descobertos alguns dos fatores inflamatórios específicos dessa doença como a citocina CXCL-10. Sendo assim, as pesquisas se concentram em tentar neutralizar ou acabar com as fases dessa inflamação.

A sinvastatina, por exemplo, que é um remédio utilizado para reduzir os níveis de colesterol, pode melhorar o vitiligo, pois apresenta ação anti-inflamatória.

Outras medicações como os inibidores da Jack, que são enzimas específicas de receptores de membrana, podem reverter o vitiligo porque neutralizam a citocina CXCL-10. Uma dessas drogas foi aprovada pelo FDA para tratamento de artrite reumatoide. Recentemente um paciente que tinha artrite e vitiligo reverteu as manchas quase na totalidade, quando fazia o tratamento para reumatismo. Os nomes comerciais desses produtos que podem tratar o vitiligo são: Tofacitinib e Ruxolitinib.

Outra opção é o Afamelanotide, que é um análogo do hormônio melanócito estimulante. Este remédio melhora o vitiligo quando associado a luz ultravioleta B e age provocando o estímulo do hormônio que produz o pigmento denominado melanina.

Ainda foi enfatizado que a vitamina D e o zinco estão em níveis baixos nesta doença. A suplementação com essas substâncias pode promover a produção de pigmento e melhorar o problema. 

Queda de cabelo: Minociclina na alopecia fibrosante frontal inibe metaloproteinase e evita cicatriz.

A alopecia fibrosante frontal é um tipo específico de queda de cabelo que ocorre mais em mulheres após a menopausa. Ela é uma alopecia cicatricial, onde o folículo pilo-sebáceo é destruído. Nos últimos anos, há um aumento muito grande de casos, configurando quase uma epidemia.

Nesta doença, a testa aumenta de tamanho devido à diminuição dos folículos que desaparecem do local. Lembrar que o mais importante em relação ao tratamento é o fato de ser uma alopecia cicatricial, que é irreversível e dessa forma, quanto antes iniciar o tratamento melhor.

No Meeting da Academia Americana de Dermatologia, uma aula sobre este tema foi dada pela professora e pesquisadora, referência no assunto, Dra. Antonella Tosti, que realçou a finasterida e dutasterida como os melhores tratamentos para alopecia fibrosante frontal. Ela também utiliza outras medicações como: hidroxicloroquina, minoxidil, corticoide, inclusive fazendo a combinação de alguns deles. 

A Minociclina, que é um antibiótico imunomodulador, promove a melhora da alopecia fibrosante frontal, pois além de tratar a inflamação, inibe também a enzima metaloproteinase, evitando cicatriz posterior.

É importante enfatizar que a parada da progressão da doença já melhora a autoestima dos pacientes.

74º Annual Meeting – Washington – EUA – 4 a 8 de março – NOVIDADES

O meeting da Academia Americana de Dermatologia (AAD) é um dos maiores congressos da área dermatológica, que traz novos conhecimentos, tecnologias e excelência à especialidade.

Uma das novidades do Congresso Americano de Dermatologia foi o ácido tranexâmico. Ele promove uma proteção em relação ao sol e outras agressões externas, evitando o aparecimento do melasma. Ele tem um mecanismo que inibe a plasmina e, através deste mecanismo, consegue evitar todas as inflamações desencadeadas por essas agressões externas. É bom lembrar que já temos trabalhos publicados a respeito do ácido tranexâmico, mas é sempre bom conhecer a opinião de outros especialistas.

Ainda sobre o melasma, outra novidade é que pode ser acrescentada com o ácido tranexâmico a glutadiana via oral. Demonstrou-se que essa substância é um poderoso anti oxidante e pode proteger a pele das agressões externas. Nota-se que cada vez mais que o melasma é explicado como uma reação inflamatória causada pelo melanócito que se desequilibra, e as substâncias que, de alguma forma, cortam as vias metabólicas dessas inflamações, podem proteger a pele e clareá-la.

O fio de sutura com ácido polilático também foi muito comentado no meeting. Ele tem duas funções: uma de tracionar a pele e outra de estimular o colágeno através da substância que é o ácido polilático. São feitos muitos tipos de desenho no rosto para que o levantamento seja o ideal. Isso também pode ser incorporado ao tratamento do envelhecimento cutâneo.

Fatores de Crescimento como Princípios Cosmecêuticos

O envelhecimento cutâneo é mediado por uma combinação de efeitos do tempo (envelhecimento intrínseco) e fatores ambientais (envelhecimento extrínseco), com alteração na infraestrutura celular e extracelular. São dois processos independentes, clinicamente e biologicamente distintos, que afetam estrutura e função simultaneamente. Evidências crescentes sugerem que os dois processos de envelhecimento têm caminhos bioquímicos e moleculares convergentes que conduzem ao foto envelhecimento cutâneo. Os mecanismos comuns aos dois processos podem fornecer oportunidade única para o desenvolvimento de novas terapias anti envelhecimento. Os recentes avanços na compreensão do papel dos fatores de crescimento no processo de envelhecimento, podem ajudar no desenvolvimento de produtos cosmecêuticos.

A exposição à radiação ultravioleta gera lesões cumulativas que aceleram o envelhecimento cronológico normal e exacerbam as injúrias do tecido cutâneo, resultando em foto envelhecimento. O interesse dos consumidores em corrigir os sinais do foto envelhecimento, como rugas, alterações da pigmentação, flacidez e irregularidades da superfície, aumenta à medida que a população envelhece. Os tratamentos disponíveis são os retinoides e antioxidantes tópicos, peelings químicos, dermoabrasão, lasers, e várias cirurgias do tipo lifting, dependendo da severidade do dano cutâneo.

Na última década, os pesquisadores têm focado na fisiopatologia do foto envelhecimento e encontraram correlações com alguns aspectos da cicatrização de feridas agudas e crônicas. De interesse específico para os fabricantes de cosmecêuticos são os efeitos dos fatores de crescimento no processo de cicatrização. Os fatores de crescimento são proteínas reguladoras que mediam as vias de sinalização entre as células e dentro das células. Depois que uma ferida é produzida, uma série de fatores de crescimento chegam ao sítio da mesma e interagem sinergicamente para iniciar e coordenar cada fase da cicatrização. Esse processo é complexo e não completamente compreendido. Centenas de fatores de crescimento foram identificados. Os que têm importância na cicatrização de feridas são citocinas envolvidas na resposta imunológica e fagocitose e fatores de crescimento que induzem síntese de colágeno, elastina e GAGs, componentes da matriz extracelular dérmica que são afetados pela radiação ultravioleta.

A cicatrização das feridas é dependente da interação sinérgica entre muitos fatores de crescimento. Após a injúria, citocinas e outros fatores de crescimento inundam o sítio da ferida para mediar à resposta inflamatória, promover o crescimento celular e diminuir a contração e formação do tecido cicatricial. O processo cicatricial é comumente dividido em 4 fases que se sobrepõem e representam a resposta fisiológica à injúria. Essas fases incluem hemostasia, inflamação, proliferação e remodelação. Durante a hemostasia, as plaquetas liberam várias citocinas e outros fatores de crescimento no sítio da ferida para promover a quimiotaxia e mitogênese. Na fase inflamatória, neutrófilos e monócitos migram para o sítio da ferida em resposta a citocinas e fatores de crescimento específicos para iniciar a fagocitose e liberar fatores de crescimento adicionais que atrairão fibroblastos. A fase de proliferação é marcada pela epitelização, angiogênese, formação de tecido de granulação e deposição de colágeno. Durante a proliferação, os queratinócitos restauram a função de barreira da pele e secretam fatores de crescimento adicionais que estimulam à expressão de novas proteínas queratina. Este ciclo de produção de colágeno e secreção de fatores de crescimento se mantém graças a uma forma de feedback autócrino que promove reparação contínua da ferida.

A fase de remodelação é o passo final no processo de reparação da ferida e tipicamente leva vários meses. Durante a remodelação, a matriz extracelular é reorganizada, tecido cicatricial é formado e a ferida é reforçada. Colágeno tipo III se deposita durante a fase de proliferação e gradualmente é substituído por colágeno tipo I, o qual apresenta ligações cruzadas mais firmes e proporciona maior força de tensão à matriz do que o colágeno tipo III. As células no sítio da ferida secretam diversos fatores de crescimento que funcionam especificamente remodelando e formando a matriz. Por exemplo, a síntese de colágeno e fibronectina são iniciadas pelo TGF-β, enquanto PDGF e TGF-β estimulam os fibroblastos para que produzam GAGs e modulam a proliferação de células do músculo liso. Outros fatores de crescimento modificam a vascularização. Ao longo do tempo, há aumento da densidade celular e o tecido cutâneo adquire maior resistência.

Determinados fatores de crescimento iniciam de maneira direta a atividade que promove a cicatrização de feridas, bem como modificam a atividade de células da matriz extracelular e outros fatores de crescimento. Os fatores de crescimento são capazes de estimular e/ou inibir ações específicas. A atividade dos fatores de crescimento é modulada por outros fatores de crescimento e através de vários fatores intrínsicos que interagem para conseguir hemostasia e equilíbrio durante a cicatrização de feridas. As pesquisas continuam para que se descubram mais informações sobre as funções individuais de determinados fatores de crescimento na cicatrização, e, sobre a interação sinérgica dos fatores de crescimento entre si e com os outros componentes envolvidos na cicatrização. Não se sabe se a presença ou ausência de um único fator de crescimento é significativa no processo de cicatrização de feridas. Os dados atuais sugerem que o importante é a interação de vários fatores de crescimento, sendo que nenhum fator de crescimento por si só é determinante na evolução do processo cicatricial.

O estudo do papel dos fatores de crescimento na cicatrização de feridas permitiu que fossem demonstrados resultados cosméticos e clínicos positivos para o tratamento da pele fotoenvelhecida. Apesar da utilização tópica de fatores de crescimento ser uma abordagem emergente, os estudos iniciais sugerem que a produção de colágeno dérmico e a melhora clínica da pele fotoenvelhecida, são substanciais. Os fatores de crescimento desempenham um papel importante para reverter os efeitos do envelhecimento da pele devido à ação cronológica e aos fatores ambientais. O aumento do colágeno dérmico induzido pelos fatores de crescimento pode ser mensurado através de biópsia. Apesar da função dos fatores de crescimento no processo natural de cicatrização de feridas ser complexa e não totalmente esclarecida, parece que depende da interação sinérgica de muitos fatores de crescimento. A aplicação tópica de fatores de crescimento humanos em múltiplos estudos clínicos, tem demonstrado reduzir os sinais e sintomas do envelhecimento da pele, incluindo redução estatisticamente significativa de linhas finas e rugas, além de aumento da síntese de colágeno dérmico. Embora não esteja claro como as proteínas de grande peso molecular, como os fatores de crescimento, realmente penetram no local de ação, os resultados de múltiplos estudos clínicos demonstraram efeitos benéficos do uso tópico dessas substâncias para reduzir os sinais e sintomas do envelhecimento cutâneo. O emprego de múltiplos fatores de crescimento em formulações tópicas parece proporcionar um tratamento promissor de primeira linha para a pele com fotoenvelhecimento leve a moderado.

Por que muitas vezes sofremos de HIPERIDROSE?

A hiperidrose, excesso de suor, assim como a bromidrose (suor com odor forte) geram muito constrangimento e a maioria das pessoas evita falar sobre o assunto. É comum não saber nem mesmo a quem recorrer, ou se existe tratamento para essa queixa.

Suar é normal. A transpiração é necessária para regular a nossa temperatura. Quando o clima está muito quente, a produção de suor aumenta, e quando esfria, essa produção diminui. Esse mecanismo é uma forma de manter o equilíbrio do nosso corpo. O suor não tem odor, porém favorece o crescimento de bactérias e fungos na superfície da pele, que causam o cheiro desagradável.

Temos dois tipos de glândulas de suor: as écrinas e as apócrinas. As glândulas écrinas estão presentes desde o nascimento e estão distribuídas por toda a superfície cutânea, enquanto as apócrinas começam a funcionar a partir de puberdade e estão mais localizadas nas axilas, na região da virilha, e no couro cabeludo.

A hiperidrose axilar é mais comum em adultos jovens, geralmente homens. Não existe comprovação científica, mas até 60% das pessoas que sofrem com o excesso de suor têm outros membros na família com o mesmo problema. Ela costuma durar por toda a vida adulta e regredir espontaneamente na velhice. Em outras épocas da vida, como na menopausa, é comum o excesso de calor acompanhado de ondas de suor.

A hiperidrose piora com: nervosismo, ansiedade e estresse. É comum ouvir pacientes falarem que mesmo no inverno, transpiram muito. Muitas vezes a pessoa fica nervosa e com medo de suar em condições de tensão; então, só de pensar no assunto, fica estressada e acaba suando mais, o que provoca insegurança e constrangimento social.

Algumas doenças, como diabetes, gota, tuberculose, linfomas, obesidade e distúrbios da tireoide também provocam o aumento de suor.

SUOR NAS MÃOS E NOS PÉS

A hiperidrose palmar (das mãos) e a hiperidrose plantar (da planta dos pés) também causam constrangimento. As mãos ficam úmidas, frias e podem até pingar, o que dificulta tarefas do dia a dia e a convivência social. Nos pés, atrapalha o uso de sandálias e induz a bromidrose plantar (o chulé). A doença ocorre por uma disfunção dos nervos do sistema nervoso simpático, que fica no tórax ou no abdome, que emite mensagem exagerada para as glândulas do suor. Ansiedade e estresse podem desencadear a doença.

TEM SOLUÇÃO?

Existem várias formas de tratamento, mas é importante procurar o médico dermatologista para o correto diagnóstico, análise de cada situação e o devido tratamento. Na axila, mãos e pés podemos usar a toxina botulínica, que inibe a acetilcolina, necessária para acionar a glândula sudorípara. A aplicação é feita com injeção local e o resultado dura cerca de 7 a 9 meses. Nos pés e mãos é feito o bloqueio anestésico, para evitar a dor. O procedimento é realizado em consultório pelo médico dermatologista.

Também existem dois tipos de cirurgias específicas na região das axilas. Uma delas utiliza uma cureta para raspar as glândulas de suor. A outra utiliza um aparelho de laser com cânula e destrói as glândulas retirando também a gordura. Outro tratamento é a radiofrequência, que preconiza o uso de um aparelho que libera uma energia calórica que destrói as glândulas sudoríparas. São feitas de quatro a seis sessões, uma vez por semana.

Consulte seu dermatologista e cuide-se!