Dia 29 de outubro é comemorado o dia da Psoríase

A psoríase é uma doença inflamatória crônica da pele, que se manifesta, na maioria das vezes, por lesões róseas ou avermelhadas, recobertas por escamas esbranquiçadas. A psoríase afeta cerca de 4% da população, tanto homens quanto mulheres. Normalmente, a doença aparece entre os 30 e 40 anos, mas, por questões genéticas, pode atingir menores de 15 anos. Não é transmissível, não causa dor, mas, pelo caráter inflamatório da pele, é cercada de transtornos aos seus portadores e por muito preconceito.

As áreas do corpo mais afetadas pela psoríase são o cotovelo, joelhos e couro cabeludo. Mas pode ocorrer de a doença se espalhar por toda a pele. Frequentemente as unhas também são atingidas. As articulações também podem ser afetadas, dando origem à artrite psoriática.

A psoríase é uma doença onde a parte imunológica está desequilibrada. Na região afetada há vasodilatação e também ocorre aceleração da queratinização produzindo uma escama grossa e aderente. Os motivos que causam a psoríase ainda não estão totalmente claros. Pesquisas científicas demonstram que pode ser uma doença hereditária ou desencadeada pelo stress emocional, traumas ou irritações na pele, infecções na garganta e alguns medicamentos. Geralmente, o indivíduo portador da doença é exigente, crítico e perfeccionista. O que se sabe é que, para o portador da psoríase, é como se o corpo todo ou parte dele resolvessem declarar guerra, fazendo com que as células se multiplicassem fora do normal.

A evolução da psoríase depende da sua forma clínica. Às vezes ela é inicialmente grave, com muitas placas; ou permanece leve, atingindo pequenas áreas do corpo. O ambiente é um fator que influencia no aparecimento ou desenvolvimento da doença. A indicação é que o paciente tenha uma alimentação equilibrada e saudável e evite o álcool – pois ele é um dos fatores que pioram a psoríase. O sol, sem exagero, pode melhorar as lesões. Já no período do inverno, a psoríase pode piorar.

A doença NÃO É CONTAGIOSA e o contato com pacientes NÃO PRECISA SER EVITADO.

O tratamento é realizado de modo individual e personalizado e será escolhido pelo dermatologista, que vai levar em conta os sintomas, a gravidade e o quanto a doença afeta a autoestima do paciente. O médico pode optar entre pomadas de corticoides, vitamina D, medicamentos biológicos ou tratamento com ultravioleta.

É importante evitar a automedicação, especialmente os corticoides, pois a pele pode viciar e não responder mais ao tratamento. Além disso, pode provocar estrias, o afinamento da pele, inchaço, descontrole da pressão e diabetes. Outros medicamentos quando usados sem prescrição médica, como o lítio, podem piorar as lesões.

A psoríase não causa dor, mas confere ao portador uma aparência desagradável da pele – o que muitas vezes faz com que o paciente seja vítima de preconceito e isolamento social. Por ainda ser bastante desconhecida, a psoríase tem grande impacto negativo na vida dos pacientes. O dermatologista tem muito mais sucesso no tratamento da doença, se o lado emocional do portador também for trabalhado.

Os portadores de psoríase, quando bem conduzidos e tratados, apresentam expressiva melhora. Muitos conseguem manter a psoríase sob controle, levando uma vida normal.

LEMBRE-SE! A psoríase não é uma doença contagiosa e, embora não tenha cura definitiva, pode ser controlada e estabilizada, de forma que o paciente tenha qualidade de vida. A consulta e o acompanhamento médico são fundamentais para o sucesso do tratamento, que exige disciplina, paciência e perseverança.

NOVIDADES DO CONGRESSO EUROPEU DE DERMATOLOGIA – COPENHAGEN/2015

O 24º Congresso Europeu de Dermatologia e Venereologia aconteceu na Dinamarca de 7 a 11 de outubro. Nesta oportunidade, além de dar aula sobre cicatrizes hipertróficas e queloides, pude compartilhar novos conhecimentos com colegas dermatologistas de várias partes do mundo. Resumi abaixo, temas de bastante interesse público e as novidades em termos de tratamento.

Vitiligo:

O vitiligo é uma doença crônica que causa despigmentação da pele e cujo tratamento é bastante difícil por não se conhecer a causa exata dessa dermatose. Há alguns poucos anos, sabemos que se trata de uma doença onde a parte imunológica tem um grande papel. Os melanócitos, que produzem a melanina são agredidos e alguns fatores inflamatórios têm um grande potencial agressivo e destroem o mesmo. Recentemente foi demonstrado o papel de uma citoquina, a CXCL-10, que, quando aumentada, favorece o aparecimento do vitiligo. Com esta descoberta  corroborada por estudos recentes, podemos ter esperança em novos tratamentos para o vitiligo.

Os inibidores das prostaglandinas, como a latanoprosta, têm demonstrado algum resultado. Porém, no momento, os medicamentos existentes com essa substância têm outras indicações, como crescimento e alongamento dos cílios. A sinvastatina, que é uma droga utilizada para diminuir a tendência para o colesterol alto e também da placa inflamatória nos vasos, também tem uma ação inibitória sobre a CXCL-10, e, portanto, pode melhorar o vitiligo. Por último, a Tofacitinib, medicação inibidora enzimática da JAK, mostrou resultados no vitiligo. Trata-se de uma medicação para tratamento da artrite reumatoide (já aprovado) e que parece ter resultados positivos no vitiligo. Essa droga que é inibidora da JAK tem seu mecanismo de ação relacionado à ação anti-inflamatória, inclusive da citoquina CXCL-10 que está implicada no aparecimento do vitiligo. A medicação ainda não está aprovada no Brasil, é bastante custosa, tem alguns efeitos colaterais, mas parece ser bem interessante para essa doença que prejudica muito a autoestima e tem poucas opções de tratamento. Além de novidades para o tratamento, também é importante lembrar que quanto antes o vitiligo for tratado, melhor serão os resultados finais.

Melasma:

O melasma também é uma doença crônica, não contagiosa e com a etiologia não totalmente esclarecida. A produção de melanina está alterada por inúmeros estímulos, como: radiação UV, estresse, entre outros.

Neste congresso foi enfatizada a importância da microvascularização no melasma. Algumas substâncias ativas no endotélio dos vasos da região estimulam o melanócito a produzir mais pigmento. Neste sentido, quando os vasos forem visíveis é importante trata-los para evitar o prolongamento e intensificação do avermelhamento e consequente hiperpigmentação. Podem ser usados lasers, como Pulsed Dye Laser e Nd Yag. O ácido tranexâmico também é uma opção de tratamento e parece melhorar a parte melanogênica e também vasculogênica. Seu papel é inibir uma interação específica entre os queratinócitos e melanócitos.

O papel da luz visível também parece ser muito importante no tratamento e controle do melasma. A luz visível agride mais as peles morenas e manchadas, produzindo maior pigmentação. A proteção em relação a esta luz é fundamental para não piorar as manchas. Temos duas situações aqui. A primeira é usar filtro solar com cor, pois não existem filtros específicos para proteger da luz visível. Outra questão é usar filtro solar com antioxidantes para neutralizar os radicais livres que também estão implicados no processo inflamatório da pele.

Envelhecimento:

A expectativa de vida aumentou muito e também os estudos sobre os processos do envelhecimento. Várias situações interferem com o envelhecimento, entre elas a genética, nutrição e ambiente. Antes se considerava o gene como uma estrutura intacta e hoje através de estudos da epigenética (características de organismos unicelulares e multicelulares, como as modificações de cromatina e DNA), sabe-se que podem ocorrer mudanças nos mesmos, que alteram sua expressão. Sabe-se também que o ambiente influencia na expressão genética.

Uma linha muito interessante de estudo está relacionada à longevidade das células, que parece estar relacionada ao tamanho dos telômeros. As células chegam a um período de senescência (velhice) que é muito interessante, pois, ou elas param de se multiplicar ou viram células cancerosas. Um dos aspectos relacionados à longevidade maior das células é uma dieta hipocalórica, que ativa alguns receptores e as proteínas denominadas sirtuínas. Há várias possibilidades de se agir nesses receptores e haver o prolongamento da vida. Células que podem ser trabalhadas são as stem cells, que são células com grande potencial de multiplicação e também transformação em vários outros tipos celulares. Elas são chamadas células tronco e podem ser multifuncionais. A expressão genética e também o meio ambiente podem ajudar no funcionamento e comportamento das mesmas. Elas também podem rejuvenescer quando estimuladas por algumas situações ou ativos específicos.

A pessoa que poderá ter no futuro de 150-170 anos já nasceu hoje. Então algumas medidas, podem ser efetivamente tomadas para vivermos mais. Dietas hipocalóricas; exercício moderado e constante; menos estresse e mais lazer; controle de doenças para as quais você tenha pré-disposição; manter o equilíbrio hormonal; uso de vitaminas antioxidantes conforme indicação; cremes à base de sirtuínas, resveratrol e coenzima Q10, fatores de crescimento e Stem Cells Vegetais. Todos esses itens podem contribuir para uma bela velhice.

CRIANÇA ATÓPICA

No mês de outubro comemoramos o dia das crianças; essas que tanto alegram e encantam nossas vidas. Em homenagem a elas, vou discorrer sobre a criança atópica, pois a atopia, apesar de comum, ainda é cercada por preconceitos e desconhecimento, e se não for bem entendida e bem tratada, incomoda e prejudica muito os pequenos.

DERMATITE ATÓPICA

A dermatite atópica (DA) é uma doença inflamatória, crônica e pruriginosa da pele, que pode acometer crianças e adultos atópicos. A atopia é uma condição adquirida por herança genética. É comum, além de manifestações da pele, a criança ter asma, bronquite ou rinite alérgica. Normalmente, a doença tem início nos primeiros meses e pode durar a vida toda, mas em cerca de 50% dos casos, ou mais, o problema diminui após a adolescência.

Há várias manifestações de pele na pessoa atópica, sendo algumas consideradas mais significativas e outras menos. As lesões vão se modificando com o passar do tempo. Até os dois anos de idade, elas podem apresentar eczemas na região da face. Entre 2 até a puberdade, as lesões também são eczematosas e comprometem mais as dobras. Após a adolescência, as lesões atingem qualquer parte do corpo e podem comprometer a face.

O principal sintoma é ter a pele muito ressecada. A coceira costuma ser intensa e persistente, seguidas de lesões cutâneas. As lesões são pruriginosas e infecções oportunistas podem surgir e agravar ainda mais o problema.

Crianças atópicas normalmente têm extrema sensibilidade a praticamente tudo que entra em contato com a pele, e mesmo alguns alimentos podem desencadear o processo alérgico, que normalmente apresenta crises recorrentes. O clima frio e o calor pioram ou desencadeiam as crises. No inverno, a situação tende a piorar, pois a pele fica ainda mais ressecada. A hidratação da pele é muito importante e deve ser obrigatória. No verão a hidratação continua sendo imprescindível, pois as crianças transpiram mais, o que ajuda a ressecar a pele.

A criança atópica precisa de ajuda médica e cuidados constantes, sendo importante não se auto medicar, pois os medicamentos são à base de corticoides e seu uso indiscriminado tem efeitos colaterais.

Algumas dicas que ajudam no dia a dia: utilizar sabonete neutro, tomar um banho por dia (morno), após o banho usar o hidratante indicado pelo médico, evitar utilizar tecidos sintéticos diretamente na pele, usar roupas de algodão, não utilizar produtos com álcool na pele, e entender quais alimentos desencadeiam o processo alérgico na criança para evitá-los.

Além das feridas na pele, a atopia causa feridas emocionais. Ainda há muito desconhecimento sobre o problema, o que leva ao preconceito. É comum, principalmente na escola, a criança ser discriminada e isolada, pois muitos julgam que as lesões de pele são contagiosas, o que não ocorre.

Portanto, mais importante do que o tratamento, é o conhecimento a respeito da doença.

Microbiota e Pele

A palavra microbiota está em evidência. Trata-se do conjunto de bactérias que habita amigavelmente o nosso organismo. Temos cerca de 100 trilhões desses microrganismos, pesando cerca de 2,5k convivendo naturalmente em nossos órgãos, como intestino e pele.

Por que isso é importante? Na realidade, assim como temos os nossos genes e nos tornamos indivíduos únicos, também nossas bactérias têm suas características específicas e próprias. O projeto Human Microbioma Project vem estudando, através de técnicas muito avançadas, a característica do microbioma humano. O mais interessante é que o microbioma de cada um funciona como uma impressão digital, sendo único e especifico.

Muitos fatores interferem no tipo e comportamento das bactérias em nossa pele. A alimentação, o clima, a saúde de uma maneira geral, a raça, o local do corpo e principalmente remédios como os antibióticos, que modificam a característica desta microbiota mudando a aparência e saúde da pele.

As doenças da pele vêm sendo estudadas sob o ponto de vista do microbioma. Entre elas, uma em particular, onde os estudos estão mais aprofundados, é a dermatite atópica. Nesse caso, foi observado que quando a pele do individuo atópico está inflamada, o microbioma torna-se menos diversificado com aumento excessivo do staphylococcus aureus. Quando a pele acalma e melhora, o microbioma volta a ficar diversificado.

Também tem sido estudado o microbioma na acne, psoríase, rosácea, entre outras. Essa é uma nova perspectiva de conhecimento trazendo opções terapêuticas inovadoras. Também evidencia que a antibioticoterapia, que é necessária em muitas situações, desequilibra a flora residente e por isso deve ser suspensa o mais rápido possível para evitar efeitos colaterais. Também é uma nova ciência que pode ajudar a serem desenvolvidos cosméticos que auxiliem o indivíduo a manter sua microbiota equilibrada, evitando inflamações e o envelhecimento precoce.

O processo de cicatrização

Nossa pele quando agredida e machucada promove automaticamente mecanismos de reparação e cicatrização. Esse processo é único, complexo e depende de vários fatores como: genética, tensão, tipo de pele, estado nutricional, calor, umidade, hidratação entre outros.

Há muita confusão para distinguir o que é cicatriz hipertrófica ou queloide. O queloide está relacionado à tendência genética e costuma ser muito maior do que a aérea da ferida. A cicatriz hipertrófica é somente um pouco maior do que a ferida e menos relacionada ao comportamento dos genes.

O mecanismo inicial da cicatrização é a coagulação que aciona a chegada de fatores de crescimento no local da ferida. Os fatores de crescimento são proteínas que estimulam o crescimento celular, modulam a fase de inflamação e remodelação até a fase final da cicatrização. Infecções locais podem prejudicar o processo, favorecendo a formação de cicatriz hipertrófica e do queloide. A manutenção da hidratação também é importante para que o tecido se recupere de forma ideal.

Hoje são indicados formulações e curativos com silicone que mantém o ambiente protegido, hidratado e equilibrado. O mecanismo de ação desses produtos não está totalmente esclarecido e parece ser relacionado a melhor hidratação local. Além disso, luz pulsada e laser são utilizados para evitar muita inflamação e a cicatriz hipertrófica. Aplicação de laser na fase de avermelhamento, logo após a retirada dos pontos, faz com que o processo se reequilibre e diminua a inflamação, permitindo uma pele mais homogênea e hidratada. Quando há tendência para hipertrofia também são usados o Pulsed Dye laser e o laser de CO2.

Hoje se conhece muito sobre o processo de cicatrização, porém ainda temos muito a estudar e descobrir. O que está estabelecido é que o cuidado constante com o processo completo da cicatrização ajuda em melhores resultados clínicos e estéticos.