Toxina Botulínica: amplas funções – Uso de Minociclina no tratamento de vitiligo

Finalizando minhas anotações sobre os temas que mais me chamaram a atenção durante o 23º Congresso Mundial de Dermatologia do Canadá, discorro abaixo uma síntese sobre recentes pesquisas realizadas com a toxina botulínica, substância de ampla ação na medicina, além de novidades sobre o uso da minociclina no tratamento de vitiligo.

TOXINA BOTULÍNICA – AMPLAS FUNÇÕES

A toxina botulínica é produzida pela bactéria chamada Clostridium Botulinum, sendo bastante conhecida na estética, por suavizar rugas e linhas de expressão na região da face, e no tratamento da hiperidrose (excesso de suor) palmar e axilar. Porém suas indicações terapêuticas são amplas, podendo variar de país para país, conforme determinam os órgãos de vigilância sanitária de cada local. Estudos recentes têm mostrado os benefícios desta substância no tratamento da depressão, conforme apresentado no último Congresso Mundial de Dermatologia.

TOXINA BOTULÍNICA PARA DEPRESSÃO

Muitos e muitos trabalhos mostram efeito da toxina botulínica na depressão. Os estudos mais recentes enfatizam que a pessoa melhora do humor e depressão. Estes resultados são alentadores. Não foi definido o mecanismo de ação, mas o mesmo pode estar relacionado a melhor aparência gerada por essa substância, e também pela liberação de fatores neuroendócrinos na placa neuromuscular.

APLICAÇÃO DE TOXINA BOTULÍNICA NO MÚSCULO MASSETER E NA GLÂNDULA PARÓTIDA PARA AFINAMENTO DO ROSTO

Kyle K. Seo, professor da Coreia do Sul, apresentou no Congresso Mundial de Dermatologia estudos interessantes usando 50U de toxina botulínica de cada lado da face, no masseter e na glândula parótida, para promover o afinamento e alongamento do rosto. Ele enfatiza que, para a cultura oriental, o rosto ovalado e fino é um padrão de beleza. Ele também mostrou que faz preenchimento na linha central da face, tanto na região da fronte, como queixo e nariz. São aplicações com pouca quantidade de preenchedor, mas que apresentam resultados sutis e naturais.

MINOCICLINA PARA DIMINUIR O AUMENTO DAS MANCHAS DE VITILIGO

Uma boa novidade para o tratamento do vitiligo é o uso da minociclina, que pode interromper a progressão da doença. O estresse oxidativo mediado pelos radicais livres parece ter grande importância na destruição dos melanócitos. A minociclina possui ação anti-inflamatória, imunomoduladora e varredora de radicais livres, além de ser bem conhecida por seus efeitos antimicrobianos. Desta forma, a minociclina oferece uma abordagem única e potencialmente poderosa para o combate da atividade de uma doença tão perturbadora como o vitiligo. Um estudo comparou a ação da minociclina com drogas já utilizadas:

Minociclina X minipulso oral de dexametasona: minociclina 100mg/dia X dexametasona 2,5mg em dias consecutivos semanalmente por 6 meses – ambos se mostraram efetivos na supressão da atividade do vitiligo e estabilização da progressão da doença. Lembrando que a dexametasona , como corticoide, tem muitos efeitos colaterais e portanto a minociclina é uma opção alentadora.

Novas abordagens no tratamento de gordura localizada e celulite; terapia transepidérmica

TRATAMENTO DA GORDURA LOCALIZADA

Foi aprovada pelo FDA uma molécula para o tratamento da gordura localizada. Trata-se da ATX 1, cujo princípio ativo é o Deoxicolato, potente agressor às moléculas de gordura.

Ela é aplicada como uma injeção que atinge especificamente o adipócito em áreas de gordura localizada, como culotes, papadas etc. A aplicação é levemente dolorida e deve ser feita por médico. O mecanismo de ação é uma agressão à parede das células, levando a uma inflamação que promove o rompimento celular e posterior metabolismo da gordura.

TRATAMENTO DA CELULITE

Outra abordagem para o tratamento de gordura localizada e celulite é a laser lipólise, em que é usada uma cânula agregada ao aparelho de laser. Essa cânula tem o cumprimento de onda para atingir a gordura e estimular o colágeno.

Este aparelho, segundo novos estudos, tem função principalmente de quebrar a fibrose do tecido celulítico. Trabalhos recentes mostram a vantagem dessa tecnologia, que tem grande eficácia em melhorar a celulite, além de diminuir a gordura e a flacidez.

TERAPIA TRANSEPIDÉRMICA FEITA DE VÁRIAS MANEIRAS: COM LASER, COM RADIOFREQUÊNCIA, COM MICROAGULHAMENTO ETC.

Uma nova maneira de realizar tratamentos na área de dermatologia é utilizar aparelhos ou procedimentos que facilitem a entrada do produto tópico através da pele.

Pode ser feito com laser ablativo como o CO2 que abre pequenos canais na pele e também com o microagulhamento ou radiofrequência fracionada. A ideia é abrir pequeníssimos furos na pele e em seguida usar os medicamentos que possam então, atingir as camadas mais profundas e agir mais especificamente para a doença em questão.

Esta terapia é bastante promissora, pois várias drogas podem ser utilizadas, assim como várias doenças podem ser tratadas. Remédios que não foram testados por via sistêmica devem ser evitados.

BENEFÍCIOS DO ÁCIDO TRANEXÂMICO NO TRATAMENTO DO MELASMA

Já falamos aqui no meu blog sobre os benefícios do ácido tranexâmico no tratamento do melasma. 

Melasma é um assunto de grande importância na dermatologia, pois acomete muitas mulheres e costuma ser reincidente. Gostaria de acrescentar algumas informações que foram apresentadas durante o último Congresso Mundial, visando complementar meu artigo anterior e disponibilizar  novidades sobre recentes estudos a respeito deste tema.

O ÁCIDO TRANEXÂMICO PARA TRATAMENTO DO MELASMA FOI BASTANTE COMENTADO DURANTE O COGRESSO.

O ácido tranexâmico oral, com ação anti-inflamatória, diminui a reação à resposta À RUV. Dermatologistas brasileiros já utilizam essa opção de tratamento, mas o uso do ácido foi um dos temas mais debatidos no evento, no que diz respeito ao melasma.

Ácido tranexâmico: 250mg VO 2x por 3 a 6 meses. Diversos estudos mostraram efetividade no melasma – inibição da melanogênese. Derivado sintético do aminoácido lisina, amplamente utilizado como hemostático (1g/dia). Hemostasia decorrente do efeito antifrinolítico (ausência de interferência nos parâmetros da coagulação). Uso no tratamento do melasma relatado pela primeira vez em 1979 no Japão. Inibição da síntese de melanina por interferir na interação melanócitos X queratinócitos através da inibição do sistema plasminogênio-plasmina. Efeitos colaterais: desconforto gastrointestinal (5,4%) e hipomenorréia (8,1%). Contra indicações: tendência a eventos troboembólicos, pró-coagulação evidenciada por testes laboratoriais.

O ácido tranexâmico pode ser combinado com qualquer tecnologia. Seu mecanismo de ação está associado ao sistema de proteção da pele. Ele evita a transformação do plasminogênio em plasmina e dessa forma, evita que vários fatores inflamatórios sejam acionados através da interação entre queratinócitos e melanócitos. A substância não é um clareador, mas sim um inibidor da cascata inflamatória gerada pelo sol, que após atingir o DNA das células (queratinócitos) que por sua vez repercute no melanócito devido à formação de plasmina.

MELASMA

O melasma também pode estar associado à resistência a insulina e excesso de peso, por esse motivo é importante a avaliação do paciente de uma maneira global. O tratamento e controle da resistência à insulina deve ser a abordagem inicial para que tenhamos melhores resultados no clareamento das manchas.

Novidades do Congresso Mundial de Dermatologia: SOL, CÂNCER DE PELE, VITAMINA D

Dando continuidade aos temas de maior destaque abordados no 23º Congresso Mundial de Dermatologia, vou falar hoje sobre o SOL, CÂNCER DE PELE e a VITAMINA D.

Num país tropical como o nosso, com incidência de sol  durante o ano todo, é praticamente impossível evitarmos totalmente a ação da radiação solar na pele. Confira a seguir, as informações mais atuais e os novos aprendizados sobre esses assuntos.

SOL, LUZ VISÍVEL, INFRAVERMELHO

Se considerarmos a radiação total que recebemos por dia, temos abaixo o percentual de cada tipo de radiação e observamos que, tanto a luz visível como o infravermelho, são bem maiores do que a radiação ultravioleta:

UV – 3%

Visível 44% – exposição a qual estamos expostos

IR infravermelho 53%

O sol é bastante agressivo, como já sabemos, porém a luz visível e o infravermelho chegam a nossa pele em maior quantidade. A agressão causada por essas radiações é feita de forma indireta, estimulando a formação de radicais livres. Precisamos conseguir proteção em relação a essas radiações, pois elas ainda não existem. Nenhum filtro solar do mercado protege da luz visível.

A luz visível atinge muito mais as pessoas que têm maior concentração de pigmentos e, portanto, agride mais aos negros do que brancos, causando eritema e melanogênese. Talvez essa seja a causa dos pacientes mestiços terem mais melasma e também maior dificuldade para evitar o escurecimento da lesão.

Vários trabalhos e medidas têm sido feitas, medindo a agressão da luz visível. Há também agressões imunológicas, como o aumento da expressão do CCL18 que tem sido associado à dermatite atópica e linfomas. A novidade é que através desses estudos conclui-se que a luz visível aumenta a pigmentação, a tirosinase e o CCL18 somente na pele escura e não na pele clara. Atualmente filtros com vitaminas antioxidantes e filtros com cor protegem em parte da luz visível.

TRATAMENTO PARA O CÂNCER DE PELE COM A LUZ DO SOL

Trata-se do uso da terapia fotodinâmica para o tratamento das lesões pré-cancerosas e o próprio câncer de pele (basocelular) quando superficial.

Utiliza-se um creme que é passado nas áreas afetadas (campo cancerizável). Esse creme tem afinidade pelas células cancerígenas e promove uma reação química que deixa essas células evidenciadas. A luz do sol seria o fator de tratamento final, pois teria mais afinidade por essas células marcadas e promoveria a destruição das mesmas. O produto é utilizado em casa e o paciente é orientado como deve tomar sol.

VITAMINA D

Excesso de gordura está associado à Vitamina D baixa. A obesidade pode estar associada a índices mais baixos de Vitamina D, assim como, síndrome metabólica e dislipidemia. Também contribuem para níveis baixos de Vitamina D, vida urbana e doenças em geral.

 Estudos mostram que o nível de vitamina D está relacionado a cor da pele. Estudos diferenciados mostram que pequenas quantidades de luz UVB nos braços 4x por semana é suficiente para manter o nível de Vitamina D em pessoas saudáveis. Lembrar que muitos países consideram valores normais acima de 20ng/dia, normais, e portanto, a interpretação dos exames de sangue que dosam Vitamina D é controversa.

Conclusão: há muitas duvidas sobre a vitamina D, sendo importante estudos que pesquisem esse assunto na profundidade, porém o mais evidente é que não sabemos muito sobre esse assunto.

Novidades do Congresso Mundial de Dermatologia: Cabelos

Durante minha participação no 23º Congresso Mundial de Dermatologia, realizado em Junho no Canadá, tive a oportunidade de participar de várias conferências e cursos com diversos palestrantes internacionais de renome, que agregaram ainda mais conhecimento sobre os temas abordados e as novas formas de tratamento disponíveis atualmente. 

No post de hoje no meu blog e nas próximas semanas, vou discorrer sobre os temas que mais me chamaram a atenção, que ainda geram dúvidas e contínuas pesquisas para aprimoramento, além de serem assuntos de muita procura em meu consultório. Vou iniciar com um assunto que causa muita angústia nos pacientes: a queda de cabelos

Espero que aproveitem a leitura.

ALOPECIA AREATA

Alopecia areata é uma doença autoimune que leva a queda de cabelo parcial ou total, com o aparecimento de áreas de alopecia circulares ou ovaladas, sem qualquer sintoma, como inflamação ou coceira. O diagnóstico é clinico e a etiologia ainda não é definida. O tratamento para a alopecia areata é variado, podendo ser utilizado corticoide tópico, infiltração e também por via oral. São utilizados outros imunossupressores como ciclosporina e também o tratamento com difenciprona.

No Congresso Mundial de Dermatologia foi apresentada uma conferência que mostrou novas opções para essa doença com excelentes resultados como os inibidores de JAK, que foram aprovados recentemente pelo FDA. Uma delas é o tofacitinib em capsulas de 5mg. Outra droga, o ruxolitinib capsulas de 20mg por 3 meses. Essas drogas foram utilizadas em cerca de 50 pacientes com estudos controlados e no prazo de 3 meses , demonstraram ótima resposta terapêutica com efeitos colaterais não significativos. Essas drogas também são usadas para psoríase e o mecanismo de ação apesar de anti-inflamatório não está totalmente esclarecido. 

FOLÍCULO PILO SEBÁCEO

Há muitas pesquisas em relação à chamada bioengenharia do folículo pilo sebáceo. Estes estudos apontaram que podemos ter recuperação dos cabelos utilizando as células tronco progenitoras do folículo pilo sebáceo. Estes trabalhos de bioengenharia ainda não estão inseridos na prática clínica. Os asiáticos estão bastante adiantados nesse assunto.