MEDICINA REGENERATIVA – NOVA FRONTEIRA NO TRATAMENTO DO ENVELHECIMENTO

Ao longo do tempo, muitas técnicas vêm sendo incorporadas para melhorar a aparência do envelhecimento cutâneo. Hoje, associando bons cosmecêuticos com procedimentos como peelings, preenchimento, toxina botulínica, lasers e radiofrequência, podemos conseguir ótimos resultados na prevenção e correção de sinais do envelhecimento.

Em relação aos peelings, favorecemos a troca celular, renovando o tecido; com alguns preenchedores, como a hidroxiapatita de cálcio, estimulamos a formação de colágeno novo através da ação específica do cálcio, e com vários lasers podemos conseguir também a formação de mais colágeno pelo calor que estes aparelhos emitem na profundidade da derme. Em meio a tudo isso, começa a ser vislumbrada uma nova fronteira no tratamento da pele envelhecida, que é a Medicina Regenerativa. Esta nova ciência, através de diversas tecnologias, tem seu início na própria resposta que a pele humana tem no processo cicatricial.

Quando a pele é cortada ou machucada, automaticamente começa um processo de cicatrização, que se inicia com a coagulação, onde as células sanguíneas trazem as citoquinas e fatores de crescimento para reconstruir o tecido, promovendo a neovascularização com formação de novas células e novo colágeno. Baseado no conhecimento das reações reconstrutivas do próprio organismo, começam a ser exploradas técnicas e procedimentos que utilizam o arsenal da medicina regenerativa como:

* Fatores de Crescimento

* Células Tronco

* Plasma Rico em Plaquetas

* Tecidos Reconstrutivos como a Pele sintética

FATORES DE CRESCIMENTO: São proteínas que circulam em nosso organismo e são estimuladas ou neutralizadas, conforme são acionadas por uma intricada rede de receptores, expressões genicas e estímulos hormonais. O fator de crescimento, por exemplo endotelial vascular, induz a vasculogênese e angiogênese. Esse fator é um dos mais importantes na cicatrização de tecido e na pega dos retalhos e enxertos.

O uso clínico de fatores de crescimento, iniciou nos anos 90 e em 2002 o FDA (Food and Drug Administration) aprovou o uso de fatores recombinantes como BMP-2 e BMP-7 para uso em cirurgias de medula e ortopedia. Em relação ao envelhecimento cutâneo, os fatores de crescimento têm sido incluídos em cremes e também usados de forma injetável para estímulos específicos.

PLASMA RICO EM PLAQUETAS: Esta técnica, muito utilizada na Europa e nos Estados Unidos, preconiza o uso da fração rica em plaquetas do sangue do doador para ser utilizado para cicatrização e estimula a melhoria do colágeno da própria pele. O sangue do indivíduo a ser tratado é colhido e centrifugado, separando a parte amarela das plaquetas, que é rica em fatores de crescimento. Esta fração, de acordo com cada protocolo, é aplicada no local a ser tratado, que pode ser uma ferida, queda de cabelo ou sulcos e rugas do fotoenvelhecimento.

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As proteínas contidas nesse plasma rico em plaquetas têm grande quantidade de fatores de crescimento como o fator de crescimento endotelial: esses fatores estimulam a produção de colágeno e a angiogênese, entre outros. Esta técnica, quando realizada com protocolo adequado, tem um grande potencial para a dermatologia e para cirurgia plástica.

CÉLULAS TRONCO: São células com potencial de sofrer diferenciação em várias linhagens celulares. As células tronco adultas são multipotentes e podem se diferenciar em vários tipos celulares, ajudando na recuperação de transplante de medula e regeneração de ossos, entre outros. Nas células do tecido adiposo, colhidas após uma lipoaspiração, existem células tronco adultas, que têm potencial de melhorar o aspecto do fotoenvelhecimento.

Na dermatologia e na cirurgia plástica essas células podem ser separadas após a centrifugação das células gordurosas retiradas da lipoaspiração e, como carregam consigo as células tronco mesenquimais, podem ser utilizadas em várias técnicas de tratamento. Os trabalhos como essa técnica ainda são incipientes, mas podem vir a ser bastante interessantes para melhorar a qualidade do tecido. Nossa publicação “Fração vascular estromal, uma nova terapêutica no fotoenvelhecimento: estudo comparativo e controlado” publicado na Revista Surgical And Cosmetic Dermatology, mostra a comparação entre a aplicação de um preenchedor e a aplicação das células mesenquimais pós lipoaspiração. Nos pacientes que foram tratados com as células tronco mesenquimais, obtivemos o mesmo resultado dos pacientes tratados com preenchedor, porém com duração bem maior que o primeiro.

As técnicas de medicina regenerativa hoje são utilizadas para acelerar a cicatrização de feridas, tratamento da calvície, estimulando o crescimento de mais fios, e no o tratamento de sulcos e rugas de expressão.

Essas técnicas vêm sendo cada vez mais estudadas e mais protocolos científicos estão sendo computados para torná-las parte do arsenal do dia a dia, para tratamento do envelhecimento cutâneo. A pele, como o maior órgão do corpo humano e com várias e complexas funções, é sem dúvida um das protagonistas nessa nova fronteira científica.

Conheça mais sobre as NOVAS DOENÇAS INFECCIOSAS e variantes importantes das VELHAS DOENÇAS INFECCIOSAS

O Meeting da American Academy of Dermatology (AAD) é um dos eventos mais concorridos da Dermatologia Mundial. É lá que os médicos entram em contato com as grandes novidades e tendências em tratamento de doenças da pele, lançamentos em tecnologias, equipamentos e produtos. O encontro deste ano ocorreu em Orlando, na Flórida, em março desse ano.

Vários temas importantes foram discutidos, mas um em especial chamou a atenção por mostrar mais um efeito colateral de um modismo que se espalha pelo mundo. Já se discutiu muito os acidentes que acontecem por pessoas que se distraem para tirar as selfies, mas a novidade apontada no encontro dos dermatologistas, é que pode facilitar a transmissão de PIOLHOS que acomete, principalmente, crianças e jovens em idade escolar. 53% das pessoas nessa faixa etária passam por essa experiência, segundo especialistas.

Ao fazerem as selfies, as pessoas encostam a cabeça uma na outra e facilitam o contágio dessa doença, causada por um ácaro. Ela é muito contagiosa, então acredita-se que possa haver um aumento no número de casos, até em pessoas adultas, por conta desse modismo.

A fêmea do piolho produz até dez ovos por dia. A lêndea, que é uma espécie de ovinho, se fixa na raiz do cabelo por meio de  uma substância parecida com uma cola. Além da coceira constante e irritante, a infestação pode causar feridas e levar à anemia, nos casos mais graves, já que o piolho se alimenta do sangue do hospedeiro. Durante o encontro foi apresentado um novo produto que representa um avanço no tratamento da doença. Normalmente se usa um medicamento que pode ser a ivermectina via oral, ou se usa alguma substância de uso local que consegue matar o ácaro, mas o ovo permanece. Agora foi desenvolvida uma nova medicação que consegue fazer com que o ovo não se abra. Dessa forma, ele fica ressecado, acaba caindo e não abre. Não abrindo o ovo, não há persistência dessa parasitose na pessoa comprometida.

Outra pauta apresentada durante o encontro, foi a ZIKA – Essa doença é causada por um arbovírus e pode ocorrer um avermelhamento no corpo, um rash cutâneo como se fosse uma alergia. Também pode haver queda de cabelo, principalmente depois de uns 15 dias. É uma doença sexualmente transmissível, muito perigosa por causar a microcefalia, que acontece entre 1% a 13% dos casos. A mulher deve evitar por 6 meses a concepção depois de ter viajado para um local onde há a doença. O mais interessante citado no meeting, é que não existem vacinas, mas como o tratamento é necessário por conta do perigo da doença, pesquisaram remédios para tratar o zika vírus e citaram quatro drogas, uma delas é a daptomicina, que é na verdade um antibiótico da categoria B; pode ser usado com uma certa segurança em grávidas. Também se falou sobre a sertralina, que é um antidepressivo. Assim como a ivermectina, que é um tratamento para parasitas e se usa para tratar o piolho, por exemplo. Tanto a sertralina quanto a ivermectina são categoria C, ou seja, já pode existir algum risco para o feto. Não houve nada de novo em relação aos repelentes, mas ainda continua sendo muito importante que se possa proteger e evitar a picada enquanto não há vacinas ou drogas contra esse mosquito.

E por fim, a SÍFILIS foi abordada durante o evento, pois está retornando com muita intensidade, e também há o problema em geral de se conseguir penicilina para tratá-la. Já se começa a perceber a chegada de pacientes com sífilis no consultório. É uma doença sexualmente transmissível causada por um treponema e ela tem três fases. Na primeira é uma fase onde aparece uma pequena ferida na área genital, ou na área do contato sexual que pode ser, por exemplo, na boca. Na segunda parte, o treponema está disseminado e a pessoa pode ter caroços ou pápulas pelo corpo todo; as palmas das mãos e as plantas do pé ficam bastante comprometidas com manchas avermelhadas, a pessoa pode ter queda de cabelo bastante intensa e também sintomas de faringite, rinite, acompanhando esse quadro de secundarismo. Se não for tratada, ela pode persistir e se localizar em órgãos como a pele, dando lesões mais infiltradas ou espécies de tumores, ou comprometendo outros tecidos como os ossos. Então, em relação a sífilis, é muito importante lembrar dela, pensar nesse diagnóstico, principalmente quando tiver rash cutâneo, avermelhamento, caroços, queda de cabelo acompanhando. E a minociclina, que é um antibiótico da família das ciclinas, é também uma alternativa para o tratamento. É muito importante tratar a sífilis precocemente. Se a mulher estiver grávida e tratar até o quarto mês, não há passagem para o feto, mas se não for tratada, essa criança já pode nascer com sífilis.

FLACIDEZ DE PESCOÇO

Outra novidade do ‘meeting’ da Academia Americana diz respeito ao uso de preenchedores, que, além de preencher, também estimulam o colágeno e melhoram a tonicidade e aparência do pescoço.

Essa área é bastante comprometida pela atrofia e falta de sustentação, deixando o contorno facial indefinido, piorando o aspecto da estrutura do rosto.

Vários fatores contribuem para o envelhecimento do pescoço, entre eles, o tipo de pele, o dano cumulativo causado pelo sol ao longo da vida e até mesmo a movimentação do músculo platisma que favorece a flacidez dessa região.

Em geral, há uma preocupação maior com o envelhecimento do rosto, e o pescoço é deixado em segundo plano. Sendo assim, é frequente que este local seja tratado mais tardiamente e tenha resultados menos satisfatórios.

No Congresso Americano foi realçado que alguns estudos com o preenchedor de hidroxiapativa de cálcio (Radiesse) pode preencher sulcos e rugas e também estimular a formação de novas fibras de colágeno e elastina. Nesses trabalhos. No caso das peles de textura normal, ele deve ser diluído pela metade, enquanto em peles finas em 1/4 e em peles atróficas em 1/6.

A aplicação é feita na derme média em desenhos específicos com distância de cerca de 0,2mm entre uma picada e outra, cobrindo toda a área do pescoço e são realizadas duas aplicações com intervalos variáveis de 3 a 4 meses.

Estudos histológicos e imunohistoquímicos mostram que há estímulo do colágeno e da elastina, aumentando a espessura e tonicidade da pele. A aparência do pescoço melhora em relação à flacidez e também na qualidade da pele.

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Esse tratamento é eficaz e com poucos efeitos colaterais, podendo ser associado a outros tratamentos, como ultrassom focado, radiofrequência e laser. A prevenção é muito interessante e, quanto mais jovem, melhor a resposta do próprio tecido. Dessa forma, esse tratamento pode ser realizado ao serem percebidos os primeiros sinais da flacidez.

Lembrar que nesse sentido, o ácido hialurônico, que é o preenchedor seguro e muito utilizado, não estimula o colágeno na mesma intensidade que a hidroxiapatita de cálcio.

Sendo assim, é importante lembrar que, cada vez mais, novas tecnologias ajudam na prevenção e manutenção da pele, melhorando a qualidade da vida.

ROSÁCEA

A rosácea, também conhecida como acne rosácea, é uma doença inflamatória que se caracterizada por deixar a pele vermelha e com lesões que lembram espinhas espalhadas principalmente na face. As mulheres entre 35 e 65 anos são as mais comprometidas, principalmente aquelas com pele clara e sensível. Fatores variados, como álcool, calor, frio excessivo e estresse, podem piorar essa condição e causar muito constrangimento e baixa autoestima. rosácea

A causa da rosácea ainda não está esclarecida, mas sabemos que os vasos superficiais da face estão comprometidos e dilatados. Não há tratamento específico, mas são usados antibióticos imunomoduladores, como minociclina e doxiciclina por via oral.

O diagnóstico é médico, assim como o tratamento e devem ser evitados os corticoides sistêmicos ou tópicos, pois estes podem melhorar muito no início, porém causam efeitos colaterais como afinamento da pele, aumento dos vasos e até mesmo a acne. A pele pode ficar viciada ao corticoide, que além de provocar efeito rebote, pode começar a não funcionar mais para o problema.

A rosácea afeta de forma marcante a autoestima, pois denota um avermelhamento constante e incontrolável. Esse avermelhamento melhora pouco com os tratamentos convencionais e por isso, também são usados os lasers para vasos que destroem os mesmos, deixando a pele mais clara e homogênea.

Uma das novidades do Congresso da Academia Americana de Dermatologia deste ano, foi o lançamento de uma nova droga para o controle e melhora do avermelhamento da pele na rosácea. Trata-se do oximetazolina, que age nos vasos e consegue, por algumas horas, diminuir a vasodilatação, clareando a pele e evitando esse efeito indesejado. O produto é seguro e precisa ser utilizado todos os dias, mesmo em conjunto com outros tratamentos.

Outra novidade é a toxina botulínica, velha conhecida para o tratamento das rugas de expressão, também pode ser usada de forma mais diluída para melhorar o avermelhamento da rosácea. A injeção é feita após o produto ter uma diluição maior que a usada para tratamento das rugas e a aplicação é realizada de forma superficial, em pequena quantidade nos locais mais avermelhados. Nesse caso, como a aplicação é de forma superficial, não irá causar relaxamento muscular, mas evita as micro contrações superficiais, assim como diminui o excesso de produção sebácea.

O efeito da toxina botulínica para tratamento da rosácea, após uma única aplicação, persiste por cerca de 3 a 4 meses, melhorando também a textura e coloração da pele.

Novidades do “meeting” da AAD – VITILIGO e DERMATITE ATÓPICA

VITILIGO – Doença autoimune que se caracteriza pelo aparecimento de manchas brancas na pele e costuma ser esquecida pelos laboratórios.

Mas desta vez, algumas novidades importantes foram apresentadas no meeting. A principal delas se relaciona ao uso de inibidores da JAK, que são drogas que podem interferir nos processos inflamatórios. Já há resultados com duas drogas: a tofacitinib e o ruxolitinib que agem na inflamação e conseguem reverter as manchas do vitiligo.

O uso de substâncias antioxidantes como a vitamina C, a vitamina B12, o ácido fólico e o ácido lipoico para combater o vitiligo também foi falado no meeting, incluindo aí, a necessidade de uma dieta adequada, livre de glúten, leite e derivados. Estudos revelaram que esses alimentos e principalmente o excesso de açúcar, que provoca uma glicemia alta, levam à inflamação do organismo. Um estudo apresentado mostrou que pacientes que deixaram de consumir esses alimentos e optaram por uma dieta rica em antioxidantes, como as verduras, conseguiram reverter as manchas do vitiligo.

DERMATITE ATÓPICA – Doença que desregula o sistema imunológico.

Crianças, desde o nascimento, são muito reativas e manifestam um desequilíbrio na forma como a parte imunológica responde. No começo da vida podem desenvolver bronquite, rinite e asma, que podem ser grave em alguns casos. Podem também ter alterações de pele, sendo comum até os dois anos o eczema no rosto e, após os dois anos e até a pré-puberdade, nas “dobrinhas”, sendo muito difícil de controlar.

A criança fica com placas avermelhadas, descamativas, úmidas que podem infeccionar e causam coceira e irritação. Até então, vinham sendo usado corticoides via oral, que comprometiam o crescimento. Agora, a novidade é o dupilumab, um biológico  – porque é natural e age numa cadeia inflamatória específica do ser humano – que está com os estudos bem adiantados e atua para neutralizar uma parte dessa inflamação.

Estudos mostraram que a hidratação também é fundamental no tratamento da atopia porque quando a barreira cutânea está íntegra, a irritação é menor. Quem tem a doença não tem a barreira; geneticamente tem dificuldade de produzir essa proteção e por isso têm muita coceira.

Um estudo mostrou que recém nascidos  com corpo bem hidratado desenvolveram menos dermatite atópica.      

Novidades do Congresso Internacional da Academia Americana de Dermatologia – 3 a 7 de março/2017 – Olheiras

As olheiras também são queixas muito frequentes no dia a dia do dermatologista.

É importante lembrar que existem vários tipos de olheiras, algumas são da própria etnia da pessoa. Os árabes, por exemplo, têm essa área bastante escurecida, sem outras alterações. Crianças e pessoas que tem atopia, que é uma tendência muito forte pra alergia, também têm olheiras com mais facilidade; o olho fica bastante fundo e a região bem escurecida.

Conforme passa o tempo, essa região, por ser uma área de pele mais fina, vai sofrendo modificações importantes e as olheiras vão aparecendo também pelo próprio envelhecimento. Os vasos ficam bastante dilatados nessa região em que há uma grande quantidade de vasos que podem sofrer pequenas hemorragias. Por isso o tom mais avermelhado e roxo é frequente nessa região.

Além disso vai havendo um escurecimento pela própria melanina, pela flacidez e bolsas de gordura. Então a primeira questão em relação as olheiras, é que haja um bom diagnóstico de que tipo de olheira nós estamos falando. 

Foram indicados como tratamento, alguns cremes com vitamina K, com ácido tranexâmico e com ácido tioglicólico, todos eles com uma interferência em relação a esses vasos. A cafeína também foi indicada, diminuindo o edema e tonificando a pele, no entanto, ainda não há um creme que cure completamente essa alteração, então é necessária a aplicação de alguns lasers. 

Os lasers citados foram o Dye Laser, específico para vasinhos. Outro laser, o ND YAG é um laser também pra vasos conforme o comprimento de onda. E ainda o ND YAG Q SWITCHED, com menor energia e muito rápido pode também clarear a melanina. 

Também se falou da rádiofrequência que melhora a qualidade da pele e pode melhorar a flacidez, nota-se então que o tratamento da olheira nunca é único, você precisa fazer um bom diagnóstico, conseguir avaliar os problemas específicos daquela pessoa e programar um tratamento mais completo onde se faça a associação de procedimentos.

RESSECAMENTO E TONICIDADE VAGINAL

Um assunto que vale a pena ser citado é o REJUVENESCIMENTO VAGINAL, muito comentado nos últimos congressos internacionais: IMCAS (realizado em janeiro deste ano em Paris) e no meeting da Academia Americana de Dermatologia (AAD realizado no início de março em Orlando).

A questão é simples: estamos envelhecendo, ou seja, a expectativa de vida aumentou e vamos viver mais. O Brasil está envelhecendo e estudos apontam que em 2030 o total de idosos será similar ao de jovens no país.

Portanto, já convivemos com uma população mais velha e consequentemente, as mulheres viverão mais tempo após a menopausa. São mulheres ativas, que trabalham, namoram, têm família. Temos que considerar todos os aspectos relacionados a saúde, auto estima, aparência, qualidade de vida e prazer sexual. Não estamos habituados a pensar nessa última questão, pois ainda há preconceito e vergonha e até mesmo com o ginecologista, a mulher não comenta assuntos relacionados ao sexo. Mas esse tema tem vindo à tona à medida que a população envelhece mais.

Percebe-se atualmente que a mulher, principalmente após a menopausa, têm inúmeros problemas; não somente a sensação de calor, mais também uma tendência maior à osteoporose, risco de problemas cardiovasculares e o ressecamento vaginal, que atinge praticamente 100% das mulheres. Mesmo que a mulher não sinta calor ou todos os sintomas associados à menopausa, o ressecamento vaginal, dores na relação sexual e incontinência urinária causam grande constrangimento e afastamento do parceiro.

Pensando nisso, é importante saber que existem tratamentos e alternativas, como a reposição hormonal; porém, nem todas as mulheres podem usá-la. Há também, a utilização de lasers para tratamento da síndrome urogenital, que contribuem muito para a saúde íntima da mulher.

Um dos lasers para o tratamento genital é o que une as duas tecnologias: Erbium Yag + Nd-Yag. A ponteira Erbium Yag é aplicada na mucosa dentro da vagina em um procedimento simples e praticamente indolor, realizado no consultório médico. São necessárias de 2 a 3 sessões com intervalos de 30 a 40 dias, e não há contra indicações ou restrições, a não ser evitar o contato sexual por cerca de 3 dias após a realização do procedimento. Outro benefício do laser é que as atividades do dia a dia não precisam ser interrompidas.

Como funciona o laser vaginal? Ele emite um calor que atrai a água, que é a especificidade da tecnologia Erbium Yag com comprimento de onda de 2940.  O calor emitido na região vaginal melhora o ressecamento e diminui os sintomas da incontinência urinária.

É uma alternativa muito interessante e mulheres com câncer de mama, que não podem fazer a reposição hormonal, podem facilmente melhorar com esse recurso do laser.

Na verdade, estamos em uma nova era em que a mulher deve pensar não somente em tratar os problemas relacionados a fase pós menopausa, mas em prevenir e evitar sintomas que pioram sua qualidade de vida.

Queda de Cabelo

Nos últimos anos, há um foco cada vez maior nos problemas relacionados a queda de cabelo.

Quando participei, em 1996, de um estudo multicêntrico para avaliar a eficácia da finasterida 1mg/dia para a calvície masculina, poucos os dermatologistas se interessaram por este tema. No entanto, nos últimos 10 anos, incentivado pelos avanços científicos e tecnológicos, esse cenário mudou drasticamente para melhor.

A queda de cabelo é uma preocupação constante para as pessoas, porém para as mulheres adultas traz consequências como baixa autoestima, ansiedade e depressão bem mais altas do que em outras doenças dermatológicas.

Quantos fios podem cair num dia? Quando devo me preocupar? Estas perguntas são difíceis, pois a quantidade é relativa e pode variar muito, entre 40 a 100 fios por dia. O mais importante não é o número exato de fios que caem, mas sim se há um aumento perceptível em relação a quantidade anterior. Porém, pior do que a queda é o afinamento do fio, que pode significar um diagnóstico de calvície, principalmente quando esse afinamento ocorrer na parte superior frontal do couro cabeludo. Portanto, havendo percepção de muita queda de cabelo e/ou afinamento, é importante procurar o especialista.

Hoje, devido ao maior conhecimento em relação ao funcionamento do folículo e também da genética e fisiologia envolvidos com suas respostas, podemos agir de forma mais abrangente. Exames de sangue, avaliando sobre as funções da tireoide, além de pesquisar anemia, fatores inflamatórios e distúrbios hormonais da adrenal ou ovário; também é interessante checar o nível de ferritina, vitamina D, vitamina B e zinco.

O exame local, com um programa de dermatoscopia, chamado trichoscan, ajuda para sabermos a contagem dos fios na fase de crescimento, repouso e também de fios que afinam muito e são miniaturizados. Descamação, coceira, ardência e dor no couro cabeludo, devem ser considerados na abordagem terapêutica. O tratamento específico da queda de cabelo, sempre dependerá da causa envolvida. Muitas vezes será necessário tratar alterações da tireoide ou aquelas do ovário policístico.

No meeting da Academia Americana de Dermatologia, realizado no início de março, foram citados vários tratamentos para a queda de cabelo, sempre frisando a importância de conhecer a causa e também de encarar a multiplicidade de fatores envolvidos com a mesma.

O uso de vitaminas, fitoterápicos, aminoácidos sempre são interessantes na composição destes tratamentos. Zinco, vitamina b12, biotina, cisteína, são algumas das substâncias interessantes. A finasterida e o minoxidil continuam sendo interessantes para tratar a queda de cabelo.

A grande vedete foi o Plasma Rico em Plaquetas, que consiste em retirar sangue do paciente, separar a fração, que é rica em plaquetas para aplicá-la no couro cabeludo. Esse concentrado de plaquetas tem muitos fatores de crescimento naturais que são capazes de estimular o crescimento do folículo piloso.

Variantes desse procedimento são realizadas em nosso meio com boa perspectiva de melhora.

Novidades do Congresso Internacional da Academia Americana de Dermatologia – 3 a 7 de março/2017 – MELASMA

Com relação ao melasma, um tema bastante complexo e sempre citado na Academia Americana, falou-se muito sobre a etiopatogênese que aborda suas causas e sua origem. A causa do melasma não está totalmente definida, mas com certeza há várias influências, desde a radiação ultravioleta, uma das principais e já bastante conhecida, até a questão dos hormônios e também,  outras causas mais recentes, como o excesso de vascularização.

Hoje o melasma tem sido considerado também como uma doença vascular, onde os vasos estão dilatados nessa região e há expressão bastante forte de alguns fatores de crescimento relacionados a parte vascular.

Além disso, começa a se dar muita importância à barreira cutânea do melasma, o que significa que essa barreira não pode ser rompida – ela está relacionada a todo tipo de mecanismo que influencia na manutenção das condições da pele. Então, se a pele está desidratada, a barreira fica prejudicada; se a pele está machucada; se esfria muito; se esquenta muito; todas essas situações podem prejudicar o equilíbrio dessa barreira e provocar uma inflamação na pele. Assim, há muita discussão atualmente em relação ao melasma e por isso, cada vez menos se fala de usar produtos muito agressivos que possam provocar irritação.

Outra abordagem falada novamente sobre o melasma, é o uso do ácido tranexâmico, uma substância que inibe a plasmina, que está envolvida no estímulo de melanogênese. Dessa forma, quando usamos uma substância que inibe a plasmina, inibimos estímulos negativos que podem gerar maior produção de melanina.

Falou-se também, a respeito de usar laser para vasos, tecnologia Dye laser, ao invés de só usar laser para combater a pigmentação. Os lasers para vasos eliminariam os vasos dilatados e excessivos e poderiam contribuir muito para a manutenção do melasma.

Em relação ao laser Q-switched ND-YAG, o mais indicado para tratar o melasma, realmente se demonstrou que além de quebrar o pigmento, ele também consegue inibir o melanócito. Se pensarmos no melanócito como uma célula parecida com um polvo com prolongamentos tipo tentáculos, cheio de braços, é como se esse laser conseguisse encolher esses bracinhos. O tratamento com a associação dos dois tipos de lasers também é interessante e deve ser avaliado.

Logicamente nem estou falando da proteção solar que é a premissa fundamental para proteção do melasma. Lembrar também que quando falo de ácido tranexâmico, o principal uso é via oral, com dose de 250 miligramas 3 x ao dia.

HIPERIDROSE

O suor é um liquido produzido pelas glândulas sudoríparas da pele para manter a temperatura do corpo. Nossa temperatura deve ficar entre 36 e 42 graus Celsius, sendo que a transpiração regula essa manutenção.

A quantidade de suor produzida por uma pessoa varia segundo a idade, sexo, raça e local de moradia. Os estímulos que influenciam as glândulas sudoríparas são: calor externo, exercício físico, vários tipos de doenças e alterações emocionais. Podemos afirmar também que não existe relação direta do aumento da transpiração com a ingestão de certos tipos de alimentos, embora, algumas vezes, o odor da pessoa possa ser modificado e ela fique com cheiro da substância ingerida que, depois, passa a ser eliminado pelo suor. Isso ocorre também quando a pessoa está tomando algum medicamento que pode facilitar o excesso de transpiração.

Um aspecto interessante e que deve ser lembrado é que o suor propriamente dito, eliminado da glândula sudorípara, não apresenta nenhum odor. Mas, à medida que ele permanece na pele, há um crescimento de bactérias provocando um cheiro desagradável. Na verdade existe um paralelo, quanto maior a quantidade de suor, mais intenso será o odor, porque as bactérias vão crescer com mais facilidade e intensidade.

Eventualmente, há uma disfunção desses mecanismos e teremos então a hiperidrose. Ela ocorre em cerca de 1% da população, trazendo importante desconforto a essas pessoas do ponto de vista social. O individuo tende a se retrair, pois se constrange ao contato físico com as pessoas, e um simples aperto de mão torna-se um problema.

O aumento excessivo do suor (hiperidrose) atrapalha a autoestima e até diminui a vida social da pessoa. A sudorese excessiva pode ocorrer nas axilas, deixando a roupa manchada, com cheiro mais forte, ou pode acontecer nos pés ou nas mãos. Neste último caso, as mãos ficam constantemente molhadas, dificultando a realização de determinados tipos de trabalho, como escrever, digitar, etc.

A hiperidrose pode ocorrer como consequência do hipertireoidismo, de distúrbios psiquiátricos, de menopausa ou da obesidade. O inicio dos sintomas pode ocorrer na infância, na adolescência ou somente na idade adulta, por razões desconhecidas. Eventualmente, podemos encontrar histórico familiar. Mas em geral, não há doenças associadas à hiperidrose, e ela está ligada a uma tendência pessoal ou a uma situação de estresse com muita ansiedade.

Contudo, os casos de hiperidrose nas axilas, por exemplo, podem ser revertidos com uma cirurgia específica que consiste num corte na pele e a retirada de uma quantidade de glândulas. Trata-se de uma cirurgia relativamente simples, feita pelos dermatologistas. O resultado é bastante satisfatório com uma significativa diminuição da sudorese.

Outra opção de tratamento para hiperidrose é o uso da toxina botulínica que bloqueia a ação da acetilcolina, necessária para a sudorese. Ela é aplicada com agulha ponto a ponto, em toda região das mãos e dos pés, e se for o caso, nas axilas. Com o bloqueio a acetilcolina há uma suspensão de cerca de 80% da sudorese nos locais onde a toxina é aplicada, sem causar efeitos colaterais, uma vez que a pessoa continua suando no restante do corpo. Na realidade, o tratamento inibe o excesso de suor que prejudica a pessoa e tem duração de em média de 8 meses.

O mais importante é procurar o serviço especializado, que possa diagnosticar cada caso e escolher o melhor tratamento.