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Envelhecimento no Homem 

O envelhecimento não deve ser encarado como um mal inexorável, pois não é um processo prejudicial quando ocorre de forma saudável.

Por motivos peculiares à Medicina, sempre foi mais abordado o envelhecimento feminino. Atualmente, sabemos que o processo de envelhecimento masculino apresenta suas particularidades, o que nos faz atentar para aspectos importantes na prevenção e tratamento de doenças.

Nesta edição do Fascículo de Envelhecimento serão abordadas as principais variáveis envolvidas no processo de envelhecimento masculino através de uma visão multidisciplinar focada em aspectos relacionados à geriatria, endocrinologia, ortopedia e dermatologia.

Aproveitem a leitura!
Dra. Denise Steiner

O envelhecimento masculino
Dr. Cláuber Faria Laham – Geriatra e Gerontólogo

Ao contrário das mulheres, não há nos homens uma fase bem marcada como, por exemplo, o climatério que ocorre na época da menopausa em decorrência da diminuição dos níveis hormonais. De forma, menos sintomática, após os 50 anos de idade (aproximadamente), ocorrem no corpo dos homens algumas alterações progressivas, às quais chamamos de andropausa.

Como o tema da reposição dos androgênios continua sendo abordado de forma controversa pelos médicos, atualmente a reposição hormonal só deve ser prescrita aos pacientes com percepção muito negativa quanto a andropausa ou àqueles com níveis hormonais comprovadamente baixos através de exames laboratoriais.

São diversas as recomendações de saúde para pessoas de meia idade. Algumas são particularmente importantes quando estudamos os homens com mais de 40 anos. Para estes, mantêm-se as orientações de alimentação balanceada com frutas e verduras, 5 a 6 refeições diárias, além de atividade física freqüente – pelo menos 4 horas de caminhada por semana – mesmo que praticada de forma intermitente. Isto é especialmente importante para os homens que vivem uma vida atribulada e estressante, já que estes têm risco muito maior de infarto.

Quanto aos exames preventivos, todos devem fazer acompanhamento médico anual mesmo que não tenham queixas clínicas, porque é muito mais fácil “tratar” os fatores de risco para as mais diversas doenças, do que tratar as conseqüências de doenças instaladas.

Além de um exame clínico completo e detalhado que pode diagnosticar doenças importantes que vão desde uma simples hipertensão até tumores de pele ou órgãos internos, existem alguns exames que são protocolares na prevenção de doenças, tais como: toque retal e PSA partir dos 45 ou 50 anos; a densitometria óssea para alguns pacientes a partir dos 60 anos; a retossimoidoscopia; o TSH para os idosos etc.

No que se refere à sexualidade, o homem mais velho pode exercê-la de forma ativa, independente da faixa etária. Quando bem trabalhada (eventualmente sob orientação médica), a sexualidade após a andropausa pode continuar trazendo grande prazer pessoal.

Quanto à reposição e suplementação de vitaminas ou hormônios, cada paciente deve ser avaliado de forma individual objetivando definir a real necessidade da utilização destes artifícios de saúde, que, de forma alguma, substituem uma vida com hábitos saudáveis.


Aspectos hormonais da Andropausa
Dr. Rogério Silicani Ribeiro - Endocrinologista

A produção de testosterona no homem atinge seu pico máximo na puberdade, um platô no início da vida adulta e declina a partir da terceira década da vida podendo atingir níveis abaixo da normalidade a partir da quinta década.

Este declínio dos níveis de testosterona é causado por uma menor resposta testicular ao estímulo do hormônio luteinizante, bem como uma maior sensibilidade do hipotálamo ao efeito inibitório da testosterona. Além disso, ocorre uma diminuição da fração de testosterona biodisponível.

A redução de testosterona causa diminuição da libido, da potência sexual e da fertilidade, além de depressão, fraqueza e indisposição. Estes sintomas associados ao hipogonadismo e freqüentemente presentes no envelhecimento masculino, pioram a qualidade de vida do paciente. Além disso, o déficit de esteróides sexuais causa perda de massa óssea, perda de massa muscular, aumento da adiposidade e piora do perfil lipídico, agravando fatores de risco para doenças cardiovasculares.

Como os sinais e sintomas do envelhecimento são semelhantes aos sintomas do hipogonadismo e, com o passar dos anos há uma redução da testosterona, alguns autores têm denominado andropausa como uma redução progressiva dos níveis séricos de testosterona associada a sinais e sintomas de hipogonadismo. Hipoteticamente, a reposição de testosterona reverteria os sinais e sintomas decorrentes do hipogonadismo na andropausa.

Os estudos científicos demonstraram melhora da composição corporal e ganho de massa óssea após a reposição de testosterona. Em relação ao risco cardiovascular, quando administrado em doses fisiológicas, pode ocorrer melhora da resistência à insulina e melhora do perfil lipídico. Porém, quando administrado em doses excessivas, reduzem o HDL. Em pacientes portadores de doenças coronarianas, a reposição de testosterona aumenta a tolerância aos esforços, porém mais evidências são necessárias para avaliar a segurança do tratamento. Os efeitos da reposição de testosterona na libido ainda não foram estudados com profundidade na literatura.

A reposição de testosterona não aumenta a incidência de câncer de próstata, mas pode piorar a gravidade da doença. Os pacientes portadores de hiperplasia prostática benigna podem apresentar piora dos sintomas urinários durante este tratamento. Além disso, o tratamento pode desencadear apnéia do sono e elevações do hematócrito acima dos valores normais.

O tratamento via oral eleva os níveis séricos de testosterona por apenas algumas horas e por isso requer o uso de múltiplas doses, representando risco de hepatotoxicidade. Por este motivo, a via de reposição mais empregada é a intramuscular.

O uso de ésteres de testosterona diluídos em meio oleoso possibilita um aumento do tempo de absorção após a injeção intramuscular mantendo os níveis séricos de testosterona elevados por semanas, porém as concentrações atingem níveis acima do normal nos primeiros dias causando sintomas comportamentais indesejáveis como ansiedade e aumento importante da libido que podem ser desconfortáveis para o paciente.

A reposição transcutânea através da aplicação diária de gel ou adesivo normaliza os níveis de testosterona de forma mais fisiológica, porém não está disponível no Brasil o que eleva os custos da terapia. Além disso, os usuários podem apresentar reações cutâneas ao produto.

A reposição de testosterona deve ser realizada de forma criteriosa por profissionais com experiência no assunto e sob acompanhamento médico contínuo.


O envelhecimento no homem - Uma visão ortopédica
Dr. Luiz Henrique Batata de Araújo - Ortopedista

Quanto ao envelhecimento masculino, podemos dizer que o homem é um pouco mais “protegido” dos sintomas deste processo em relação à mulher. Por outro lado, as estatísticas demonstram que os homens morrem mais precocemente que as mulheres.

Em relação à massa mineral óssea, esta perda começa no homem por volta dos 50-60 anos de idade com uma taxa de 0,3% ao ano, enquanto que na mulher, esta perda ocorre mais precocemente, entre os 40 -75 anos de idade, com uma taxa de 1% ao ano.

Uma mulher aparentemente saudável experimenta por volta dos 70 anos uma diminuição de 20% na densidade mineral óssea e de 25-40% no colo do fêmur e região trocanterica, enquanto que o homem na mesma idade, tem diminuída em 3% sua densidade mineral óssea e em 20-30% a densidade do fêmur. Entretanto, esta perda está relacionada não somente ao envelhecimento, mas também à genética, ao estado nutricional, ao estado hormonal e ao nível de atividade física do indivíduo.

As alterações neuromusculares também são seletivas em relação aos sexos, visto que os estudos (Going et al-1995) evidenciaram que em mulheres idosas, os componentes minerais, água, proteína e massa livre de gordura decrescem em percentuais de 23%, 14% e 20% nas mulheres, e em percentuais de 10%, 12% e 13% nos homens, respectivamente.

Como dito anteriormente, as diferenças são evidentes entre os sexos no que diz respeito às “perdas” durante o processo de envelhecimento. Isso não significa que o período de perda não possa ocorrer mais precocemente nos homens, especialmente em casos de doenças degenerativas (artrite reumatóide, artrose primária, Parkinson, Alzheimer e distrofias musculares), doenças crônicas (diabetes melittus, osteomielites e infecções prolongadas) ou doenças adquiridas como acidente vascular cerebral, seqüelas de infecções e tumores.

O mais importante é deixarmos claro que, mesmo o homem estando um pouco menos sujeito as doenças do envelhecimento, elas ocorrem e o seu curso quando não acompanhado e tratado pode ser trágico. Assim, as regras básicas de detecção precoce da doença e tratamento imediato são imprescindíveis, sendo esta através de medicamentos e se necessário, melhora das condições nutricionais, atividade física e acompanhamento periódico.


O envelhecimento masculino
Dra. Denise Steiner - Dermatologista

Homens e mulheres apresentam envelhecimento cutâneo semelhante, porém pela maior instabilidade hormonal feminina, o homem tem maior preservação da cútis. Já que o homem mantém os níveis circulantes de androgênios e estrogênios durante mais tempo, preservam a hidratação e também a formação de colágeno. Outro fator relevante que preserva a pele masculina está relacionado ao hábito de fazer a barba todos os dias e indiretamente estimular a superfície cutânea.

Três fatores são preponderantes no envelhecimento da pele:

  • Fotoenvelhecimento cutâneo: alterações na superfície da pele com aparecimento de manchas e vasos.

  • Flacidez cutânea: perda de gordura e alteração das fibras.

  • Rugas de expressão: formadas pela ação dos músculos faciais.

Em relação ao fotoenvelhecimento cutâneo, a pele masculina apresenta particularidades, pois esta está parcialmente recoberta por pêlos que protegem a pele das agressões externas. Por outro lado, o homem tem menos costume e aderência em relação ao uso apropriado e constante de cremes fotoprotetores e hidratantes.

As alterações da superfície cutânea estão relacionadas ao dano cumulativo provocando aparecimento de manchas (melanoses solares), dilatação dos vasos (telangectasios) e lesões pré-cancerosas e cancerosas.

O aparecimento de manchas ocorre devido à má distribuição do pigmento relacionado ao desgaste dos melanócitos. Estas são as melanoses solares, acostanhadas e de formatos variados distribuídos pelo rosto e nas áreas expostas. Os vasos mais dilatados aparecem principalmente na região da asa do nariz e do pescoço, caracterizando a Poiquilodermia de Civatte.

Também é freqüente o aparecimento de tumores benignos como queratose seborréica, hiperplasia sebácea e nevos rubis. Os indivíduos com classificação I, II, III de Fitzpatrick apresentam queratose actínica e carcinomas tanto baço como espinocelular.

Há doenças de pele associadas ao envelhecimento como eczemas, úlceras de estase, onicomicose e infecções em geral. A infecção pelo vírus zoster é mais freqüente no homem idoso, podendo representar uma baixa de imunidade.

A flacidez cutânea é menos marcante no homem, porém a mudança na disposição e quantidade de gordura do rosto leva a modificações importantes. Usualmente, a gordura se desloca da região malar para a região mentoniana e também se acumula no pescoço. O sulco nasogeniano também fica mais evidente e demarcado.

As rugas de expressão da região frontal e glabelar são mais evidentes no homem, pois o músculo é mais volumoso. Nestas regiões, a contração é mais evidente e acentuada levando à formação e ao aparecimento de rugas mais profundas e precoces.

A pele do homem envelhecido é mais ressecada e com ritmo de troca menos acentuada. Devido ao ressecamento e aos banhos quentes prolongados, há maior tendência a prurido e eczematização.

Apesar das diferenças apresentadas, o tratamento do envelhecimento cutâneo masculino é semelhante ao feminino, envolvendo:

  • Proteção solar diária com hidratação e uso de cremes antioxidantes tópicos.

  • Tratamento com peelings químicos, microdermoabrasão, preenchimentos, laser também são opções interessantes para reverter sinais evidentes.

  • Aplicação da toxina botulínica também vem sendo utilizada para o tratamento das rugas de expressão masculinas, principalmente na região frontal, glabelar e área perioculares. Atualmente, os pontos para levantamento do nariz e canto da boca também podem fazer parte das opções para o tratamento do envelhecimento masculino.

 

 

 

 

 

 

 

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